Floresta portuguesa e os incêndios

Repara, esta revolta é natural e compreensível. É, diria, catártico e humano. Também é verdade que não resolve os problemas e normalmente acaba em si mesma.

De uma pessoa que bloqueia pessoas por falta de argumentos dispensa-se comentários de treta.

Não coaduno com mesquinhice e respetivas pessoas que vivem disso.

O que me chateia mais são os ataques pessoais... mas enfim, nada que o botãozinho maravilha não resolva... :D

Ainda não me bloqueaste? Já vais tarde.

Esse tipo de comentário enoja-me.

@Orion se continuas a editar os teus post's 10m depois de os colocares ninguém vai perceber nada. Se queres editar edita logo na altura.

Sim, peço desculpa. Problema crónico. Dificuldade em resumir a informação :D


Só evidencia o caos em que a 'estrutura' está mergulhada.

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Se os incêndios em governos de esquerda se devem à direita não se queixem quando a ordem se inverter.

Desta vez as críticas estão a ser brandas:

Incêndios: Meia centena de estações Siresp foram afetadas pelas chamas e estão em “modo local”

Se os incêndios derrubassem um governo, Pedrógão teria sido mais que suficiente. Duvido que estes façam grande diferença.

Quanto à permanência da Constança, bom, não sei o que é que isso significa. Se uma confiança inabalável na competência da ministra ou uma grande insegurança dos superiores.

A política comunicacional tem sido um desastre, algo também visível no caso de Tancos.
 
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FOGO DE PEDRÓGÃO GRANDE

“Minha senhora, não me faça rir a esta hora”

José Manuel Fernandes

16/10/2017, 16:34

Foi um Verão de desculpas e passa culpas depois da tragédia de Pedrógão. E agora, que nova tragédia se abateu sobre o país, passámos à farsa. Se o Governo já perdera a vergonha, agora perdeu a cabeça.


Há muito que percebemos que, no que respeita ao drama dos incêndios deste Verão, o Governo tinha perdido toda e qualquer vergonha. Depois daquilo a que assistimos este fim de semana não restam dúvidas que também perdeu o norte e o mínimo de lucidez. As palavras dos governantes falam por si, e as mais eloquentes até são as de António Costa. Vale a pena passá-las em revista, começando pela pérola desta madrugada:

Minha senhora, não me faça rir a esta hora”.

O primeiro-ministro respondia assim a uma pergunta mais incómoda de uma jornalista da SIC. A seguir não se coibiu de criticar a SIC por esta não ter dado as notícias que ele gostaria sobre a reforma da floresta.

No pódio do dislate o segundo lugar vai para a ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa:

Para mim seria mais fácil, pessoalmente, ir-me embora e ter as férias que não tive, mas agora não é altura de demissões”.

Como portugueses não sabemos se rir, se chorar. Ver uma ministra a lamentar não ter tido férias no dia em que o país voltou a arder, o sistema que dirige voltou a falhar e morreram mais de três dezenas de portugueses é inumano. Não mostra apenas falta de jeito ou a ausência de um conselheiro de imprensa, revela o que vai na alma da governanta. Afinal Costa pôde ir de férias para as ilhas Baleares quando o país estava a arder (e o caso de Tancos acabara de ser conhecido) e ela, coitada, ficou por cá. Uma injustiça, está visto. E um problema para todos nós, pois enquanto por cá esteve andou a atrapalhar sempre que vestia um colete e andava de posto de comando em posto de comando.

O terceiro lugar do pódio fica assim para o secretário de Estado da Administração Interna, Jorge Gomes, apesar de este se ter esforçado toda a semana para acrescentar novos disparates aos disparates que já tinha dito. Eis o mais recente:

Têm de ser as próprias comunidades a ser proactivas e não ficarmos todos à espera que apareçam os nossos bombeiros e aviões para nos resolver os problemas. Temos de nos autoproteger, isso é fundamental”.

É de ficar de queixada caída. É de perguntar ao senhor se por acaso não viu nas televisões as populações aflitas a fazerem o que podiam mesmo com os bombeiros por longe. É sobretudo de o questionar sobre um conselho que pode atirar com gente impreparada, muitas vezes idosa e fraca, para situações de alto risco apenas porque o Estado está de novo a falhar.

Mas se estas pérolas ilustram bem o desnorte reinante, é importante não ficarmos só por aqui. É importante vermos tudo o que disse o primeiro-ministro na madrugada desta segunda-feira para perceber as falácias, as meias-verdades e toda a mistificação da sua argumentação.

Eis alguns exemplos:

Quando há dez anos foi feita a reforma, foi dito que estávamos a comprar tempo para se fazer a reforma da floresta, e ela não foi feita”.

É a nova ladainha de Costa, a frase que decorou e repete sempre que, com chamas por trás, lhe põem um microfone pela frente. Mas é uma mistificação. Primeiro, porque, como agora nos disse, preto no branco, a Comissão Técnica Independente que investigou o fogo de Pedrógão Grande, o sistema de Protecção Civil montado por Costa quando era ministro não é o adequado. Não serve. Nem está servido pelos mais competentes, antes por demasiada gente com o cartão do partido. Depois, porque a opção feita há dez anos foi feita contra o conselho dos técnicos e os relatórios científicos. E porque o reforço da Protecção Civil se realizou à custa do desinvestimento na floresta. Para além do mais, o PS foi governo em seis dos últimos dez anos, e em 14 dos últimos 20 anos, sendo que Costa esteve quase sempre nesses governos. Se Costa quer queixar-se deve então queixar-se dele próprio e do seu partido.

Quando se tem 523 incêndios não se tem bombeiros para tudo. Este foi o 22.º dia com maior número de ocorrências desde o princípio do século”.

Esta declaração é muito reveladora. Toda a estratégia de protecção contra incêndios florestais desenhada por Costa quando foi ministro assentou na chamada “eficácia do ataque inicial”. Portugal libertar-se-ia assim do flagelo dos grandes incêndios. O pior, como se viu este ano, é quando esse ataque inicial falha. Nessa altura todo o sistema vem abaixo. Foi aquilo a que assistimos vezes sem fim todo este Verão. Pior: depois de Pedrógão, Costa gabou-se de que o sistema “apanhava” na fase inicial nove em cada dez fogos; ontem já se dava por contente por terem sido controlados quatro em cada cinco. Já nem se deve lembrar do que andou a dizer.

Os meios foram esticados até ao limite. Estamos numa fase do ano em que é mais difícil mobilizar pessoas. Por isso é que foi agora accionada a calamidade pública.”

Depois da casa queimada, trancas à porta. Uma das conclusões do relatório da Comissão Técnica Independente é que, face ao extremo climático que se previa para Junho, a Protecção Civil devia ter antecipado a fase em que mobiliza mais meios. Mas, mesmo depois dessa lição, e antes de um fim-de-semana que se sabia ir ser, de novo, de extremo climático, nada ou quase nada foi feito para ter o sistema pronto. Pior: o estado de calamidade pública, que só foi decretado depois de o pior ter acontecido, podia ter sido decretado logo na sexta-feira. Nem seria inédito, pois aconteceu uma vez no passado mês de Agosto, num fim-de-semana que também se previa complicado. Mas nada foi feito. Estavam a dormir ou a olhar para outro lado e agora só não querem que lhes peçam responsabilidades.

Essa obsessão de que falhou alguma coisa não faz sentido. A culpa é o desordenamento da floresta, que está mal estruturada e é pouco resiliente, um problema que se acumula ao longo de décadas.”

Ora aqui está. Com António Costa nunca há nada que falha, nunca há responsabilidades a apurar, nunca há ilações políticas a tirar. A culpa é sempre da natureza, dos homens, do “downburst” ou do furacão Ophelia. E o milagre chegará quando tivermos toda a nossa floresta impecavelmente ordenada. O azar dele é que este fim-de-semana arderam também matas nacionais impecavelmente ordenadas e tratadas – de resto, as únicas matas nacionais bem tratadas, as do Pinhal de Leiria. O que mostra como a tal ladainha da reforma florestal é isso mesmo: uma ladainha.

O país tem de ter consciência que a situação que estamos a viver vai seguramente prolongar-se para os próximos anos. O pacote florestal vai produzir efeito ao longo de uma década. Se julgam que há alguma solução mágica estão completamente enganados”.

É verdade, não há nenhuma solução mágica. O que há, para já, é uma antecipação de danos futuros: se para o ano o país voltar a arder de forma catastrófica, António Costa poderá sempre dizer que já nos tinha avisado. E o que também há é uma grande irresponsabilidade. Quando o “pacote florestal” foi aprovado não foram poucas as vozes de técnicos, especialistas e cientistas a criticá-lo. A considerá-lo ou insuficiente, ou mesmo errado. Ninguém lhes deu ouvidos, as atenções estiveram todas numa discussão espúria sobre eucaliptos com o Bloco de Esquerda. Agora basta ler o relatório da Comissão Técnica Independente para concluir que essa reforma, de quem o ministro disse que era “a maior desde D. Dinis” (por ironia trágica do destino é com este mesmo ministro que ardeu o emblemático pinhal que ainda hoje associamos a D. Dinis…), é no mínimo muito insuficiente, nalguns casos contraprodutiva. Muitas das sugestões dos especialistas contrariam o que foi legislado, a maioria propõe acções que não estão contempladas nas leis aprovadas.

O governo não tem nenhuma varinha mágica.”

E nós também temos cada vez menos paciência.


http://observador.pt/opiniao/minha-senhora-nao-me-faca-rir-a-esta-hora/
 
o observador... jornal fascista e apalhaçado.

o problema é a propriedade privada. Nenhum estudo aponta para a destruição da propriedade privada.
São dezenas de milhões de matrizes a norte do tejo. Propriedades infiniesimais.
 
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Por respeito aos que perderam a vida nesta tragédia, podiamos todos esperar um pouco antes de vir para aqui fazer este circo.
 
Alguém me consegue indicar onde posso ter acesso aos níveis de alerta que são emitidos pela ANPC?
E os avisos do IPMA? (Eu até os recebo por email)

Agora pergunto, o que é mais importante? Os avisos do IPMA? Ou os alertas da ANPC?
Qual deles é o mais fácil de aceder? Qual deles a comunicação social dá mais importância na sua divulgação?

Eu até ontem à noite não sabia que havia alerta vermelho no distrito onde resido.
 
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luismeteo

Já que és tão apoiante deste governo, se tivesses um incendio a tua porta (e pelos vistos não faltou muito) gostavas de ter aí bombeiros ou de estar abandonado sem ajuda? Boa pergunta hein?

"Têm de ser as próprias comunidades a ser proactivas e não ficarmos todos à espera que apareçam os nossos bombeiros e aviões para nos resolver os problemas. Temos de nos autoproteger, isso é fundamental”.
 
luismeteo

Já que és tão apoiante deste governo, se tivesses um incendio a tua porta (e pelos vistos não faltou muito) gostavas de ter aí bombeiros ou de estar abandonado sem ajuda? Boa pergunta hein?

"Têm de ser as próprias comunidades a ser proactivas e não ficarmos todos à espera que apareçam os nossos bombeiros e aviões para nos resolver os problemas. Temos de nos autoproteger, isso é fundamental”.
Graças a Deus tivemos os bombeiros da Batalha e S Mamede a controlar a situação, e daqui lhes presto a minha sincera homenagem. Ainda a pouco evacuaram idosos de um lugar a 2Km de mim. Eles sim são bastante proactivos! Se me queres perguntar se concordo com a ministra, com a actuação do gov, etc, é claro que não. Ser socialista não implica concordar com tudo o que o gov diz ou faz...
 
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luismeteo

Já que és tão apoiante deste governo, se tivesses um incendio a tua porta (e pelos vistos não faltou muito) gostavas de ter aí bombeiros ou de estar abandonado sem ajuda? Boa pergunta hein?

"Têm de ser as próprias comunidades a ser proactivas e não ficarmos todos à espera que apareçam os nossos bombeiros e aviões para nos resolver os problemas. Temos de nos autoproteger, isso é fundamental”.

Isso é mesquinho, não vamos por ai.

É hora de todos reflectirmos sobre o que se passou, o que se está a passar e o que poderemos fazer cada um de nós na nossa índole pessoal para que estas tragédias nunca mais se repitam. Não é hora de estar a exigir porque esta dança de cadeiras nunca mais vai ter fim.

O incêndio de Gavião consumiu todo o verde em redor da Aldeia dos meus avós e os bombeiros eram escassos. A população também ali teve de fazer pela vida. É impossível existir 1 bombeiro por cada casa.
 
Por respeito aos que perderam a vida nesta tragédia, podiamos todos esperar um pouco antes de vir para aqui fazer este circo.

Isso dá-te muitas vezes? Gostava que dissesses isso no meio daquela gente, que tudo perdeu. Quantas propriedades grandes tem o estado ardidas?

Podes insultar à vontade.

Mas não muda nada em relação ao problema que é a propriedade privada estar tornar-se insustentável de gerir por se repartir em bocados cada vez mais pequenos.

Ademais:

Não há cadastro geográfico.
Não há rentabilidade.
Vai tudo arder de novo.
 
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Em Agosto pedimos (na zona de Proença a Nova) uma limpeza da floresta próxima aos terrenos que temos por lá, visto que é baldio e terreno protegido onde não se pode construir /mexer.. A resposta foi "em Setembro será feito".. Passado uma semana ardeu tudo.
Era importante que se soubesse do que se fala :(
 
o artigo 1376 do Código Civil sobre o Fracionamento dos Prédios Rústicos deve ser alterado para obrigar à associação dos prédios cuja área seja inferior à unidade de cultura sob pena da propriedade privada ser automaticamente anulada.
Reverte para a gestão pública no banco de terras.