Floresta portuguesa e os incêndios

Fogos por ação da natureza, também ocorrem no nosso clima mediterrânico concerteza. Exemplo: quando ocorriam trovoadas secas há milhares de anos, imagino que só um milagre deveria fazer parar o fogo, deveriam ser dezenas de milhares de hectares ou até mais.. Mas e neste ano já ocorreu algum incêndio por causas naturais? Temos esses dados?

A única causa natural são as trovoadas.

Houve alguma trovoada?

Não.
 
A única causa natural são as trovoadas.

Houve alguma trovoada?

Não.

Convem ler os posts...ainda a pouco escrevi que presenciei uma no Marão este ano em Julho, com a respectiva ignição...
quanto ao minifundio...bem, acho que tens que perceber melhor as coisas...
repara onde ocorrem grande parte das ignições...não é onde se desenvolvem os incendios depois de os veres na TV, mas sim onde ocorrem...faz essa pesquisa...
outra coisa. sabes como é que os agricultores eliminam os sobrantes agricolas e florestais do minifundio e da GRANDE convivencia (o chamado interface) urbano/florestal? Sabes? Fogo.
Outra questão que tens que perceber melhor é a diferença que ha entre queimas e queimadas...são muito diferentes...na tua zona ha muitas queimas mas poucas queimadas...
 
Convem ler os posts...ainda a pouco escrevi que presenciei uma no Marão este ano em Julho, com a respectiva ignição...
quanto ao minifundio...bem, acho que tens que perceber melhor as coisas...
repara onde ocorrem grande parte das ignições...não é onde se desenvolvem os incendios depois de os veres na TV, mas sim onde ocorrem...faz essa pesquisa...
outra coisa. sabes como é que os agricultores eliminam os sobrantes agricolas e florestais do minifundio e da GRANDE convivencia (o chamado interface) urbano/florestal? Sabes? Fogo.
Outra questão que tens que perceber melhor é a diferença que ha entre queimas e queimadas...são muito diferentes...na tua zona ha muitas queimas mas poucas queimadas...

Na minha zona, desculpa que te diga, não há queimas nem queimadas no verão.

Ocasionalmente? Pode ser. Mas o que também tens de perceber é que as pessoas que queimam os restos da actividade agrícola fazem-no nos campos bem longe dos matos. Isso porque as cinzas são aproveitadas para enriquecer as terras. Por isso é que o material é guardado até após o cultivo do milho e se queima no Outono antes da transformação dos campos de cereal em prado para animais.

No alto dos montes eucaliptizados não existe, na minha zona, actividade agrícola. Isso aqui não é o Marão nem temos nada a ver com o modo de vida Serrano.

O minifundio no baixo-médio troço dos vales (onde se encontram as maiores densidades urbanas, montes de baixa altitude e intensa exploração de silvicultura) está disperso no fundo dos mesmos e não nas encostas e muito menos nos cumes. Estás a associar o modo de vida das Serras do Gerês, Cabreira etc. a uma zona intermédia que não se revê nisso.

Ocasionalmente alguma residência antiga como seminários, santuários ou casais velhos ficam nestas partes das serras e poderão ter alguns campos mas não é nada a norma.

Como já disse, desde que a eucaliptização começou que as explorações de meia encosta (e não dos cumes) entraram em declínio e quase desapareceram.

Apesar de saber que não é nada impossível uma destas casas estar a fazer um churrasco e uma faúlha ir parar a uma berma do monte, casos como os que deflagram em pleno eucaliptal não resultam disso.

E, tal como disse, a actividade agrícola aqui não exige queimas ou queimadas no Verão. Venho de uma família com fortíssima tradição agrícola até há poucos anos e nunca se fizeram queimas do que quer que seja nesta altura.
 
Na minha zona, desculpa que te diga, não há queimas nem queimadas no verão.

Ocasionalmente? Pode ser. Mas o que também tens de perceber é que as pessoas que queimam os restos da actividade agrícola fazem-no nos campos bem longe dos matos. Isso porque as cinzas são aproveitadas para enriquecer as terras. Por isso é que o material é guardado até após o cultivo do milho e se queima no Outono antes da transformação dos campos de cereal em prado para animais.

No alto dos montes eucaliptizados não existe, na minha zona, actividade agrícola. Isso aqui não é o Marão nem temos nada a ver com o modo de vida Serrano.

O minifundio no baixo-médio troço dos vales (onde se encontram as maiores densidades urbanas, montes de baixa altitude e intensa exploração de silvicultura) está disperso no fundo dos mesmos e não nas encostas e muito menos nos cumes. Estás a associar o modo de vida das Serras do Gerês, Cabreira etc. a uma zona intermédia que não se revê nisso.

Ocasionalmente alguma residência antiga como seminários, santuários ou casais velhos ficam nestas partes das serras e poderão ter alguns campos mas não é nada a norma.

Como já disse, desde que a eucaliptização começou que as explorações de meia encosta (e não dos cumes) entraram em declínio e quase desapareceram.

Apesar de saber que não é nada impossível uma destas casas estar a fazer um churrasco e uma faúlha ir parar a uma berma do monte, casos como os que deflagram em pleno eucaliptal não resultam disso.

E, tal como disse, a actividade agrícola aqui não exige queimas ou queimadas no Verão. Venho de uma família com fortíssima tradição agrícola até há poucos anos e nunca se fizeram queimas do que quer que seja nesta altura.

Então diz me duas coisas: consideras Vizela, Lousada e Felgueiras tambem "a tua zona"?
Sabes o que é uma queima e uma queimada, qual a diferença?
 
Então diz me duas coisas: consideras Vizela, Lousada e Felgueiras tambem "a tua zona"?
Sabes o que é uma queima e uma queimada, qual a diferença?


Vizela e Felgueiras enquadram-se no modo de vida "Minhoto" de médio vale.

Lousada não sei. Nunca lá fui mas não deve diferir muito.

Diferenças entre queimar restos da actividade agrícola e fogos planeados para prevenção e outros controlos do terreno.
 
Vizela e Felgueiras enquadram-se no modo de vida "Minhoto" de médio vale.

Lousada não sei. Nunca lá fui mas não deve diferir muito.

Diferenças entre queimar restos da actividade agrícola e fogos planeados para prevenção e outros controlos do terreno.

mas em Felgueiras, que conheço bem, não se enquadra naquilo que referiste na "tua zona"...talvez tenhas que "exluir" essa zona da tua zona:)
quanto a diferenciação entre queima e queimada...estas enganado, ate porque uma queimada pode ser para queimar restos agricolas na mesma como uma queima...podem é estar cortados e não amontoados...
uma leitura ao dl 124 fazia te bem:thumbsup:
ah! ja me esquecia...achas mesmo que em Felgueiras e Vizela não ha queimas np verão????
Levanta te amanha as 6 da manha e vês...
 
Aqui pela "minha" zona têm havido muitos focos de incêndio e não teve nada a ver com queimadas agrícolas, e mais, tem começado durante a madrugada e em zonas que não existe actividade agrícola, é verdade que costuma acontecer incêndios por causa de queimadas que não são controladas mas mais no outono e primavera, eu tenho uma quinta e faço queimadas mas costumo cortar tudo e faço um monte no meio de um terreno limpo e só queimo no inverno quando esta previsto chover ao outro dia, agora falar em queimadas no meio de Agosto não acredito e para mais sabendo as pessoas que Portugal esta arder...
 
AJB disse:
mas em Felgueiras, que conheço bem, não se enquadra naquilo que referiste na "tua zona"...talvez tenhas que "exluir" essa zona da tua zona:)
quanto a diferenciação entre queima e queimada...estas enganado, ate porque uma queimada pode ser para queimar restos agricolas na mesma como uma queima...podem é estar cortados e não amontoados...
uma leitura ao dl 124 fazia te bem:thumbsup:
ah! ja me esquecia...achas mesmo que em Felgueiras e Vizela não ha queimas np verão????
Levanta te amanha as 6 da manha e vês...

Não percebi a 1ª parte do que disseste. Mas excluo de boa vontade pois tudo o que passa do concelho de Gmr para baixo não me interessa muito por estar totalmente fora dos locais por onde ando.

Revejo obviamente algumas semelhanças que se espalham até à zona de influência da zona do Porto (Maia) a sul e, a leste, limitado pela acção das Serras do Marão / Alvão.

Os modos de vida mudam bastante devido a estes elementos geográficos.

Posto isso, a diferenciação entre Queimas e Queimadas também me parece irrelevante neste momento pois não observo estas actividade nesta época. Praticamente toda a gente tem amigos e familiares nos bombeiros e seria absurdo andarem a fazer queimas ou queimadas perto de áreas florestais em plena estação seca, numa fase de dezenas de incêndios diários.

Trabalhei todo o verão À noite e esta é a vista que tenho ao chegar a casa pela manhã:

2012_05_10_09_30_00.jpg


Garanto-te que não vejo nenhuns sinais de queimas do que quer que seja pela manhã.

Este assunto está mais do que debatido. Para mim, na minha zona, estes incêndios tem 90% de mão criminosa e, parte da culpa está nos donos de alguns montes que mesmo ganhando bom dinheiro com a madeira raramente se interessam em garantir a limpeza mínima das suas parcelas de exploração.

E depois quem paga são os bombeiros e, em última análise, eu e tu que contribuímos para que haja €€€ para manter os meios.

Nas outras regiões, mais uma vez, não comento uma realidade social e geográfica com a qual não me identifico e sobre a qual não tenho total conhecimento.
 
Aqui pela "minha" zona têm havido muitos focos de incêndio e não teve nada a ver com queimadas agrícolas, e mais, tem começado durante a madrugada e em zonas que não existe actividade agrícola, é verdade que costuma acontecer incêndios por causa de queimadas que não são controladas mas mais no outono e primavera, eu tenho uma quinta e faço queimadas mas costumo cortar tudo e faço um monte no meio de um terreno limpo e só queimo no inverno quando esta previsto chover ao outro dia, agora falar em queimadas no meio de Agosto não acredito e para mais sabendo as pessoas que Portugal esta arder...

o que tu fazes é uma queima, não é uma queimada!
 
Tal como muitos elementos do fórum, tenho e mantenho as raízes na agricultura e floresta. Da minha parte, falo de proença-a-nova e oleiros, embora tenha nascido na covilhã e resida em cbranco.

Em ambos concelhos o que se faz é amontoar os sobrantes da agricultura e queimar. O mato na floresta é cortado (rossado) e usado para fazer a cama dos animais, embora também seja enterrado nos terrenos agrícolas. Nesses mesmos terrenos agrícolas o mato da floresta é também queimado, assim como os sobrantes da poda das árvores ou da apanha da azeitona. Nunca queimamos na floresta, mesmo no inverno!

O que eu faço é o seguinte: durante o período entre maio e outubro, qualquer sobrante vou amontoa-lo num canto longe das árvores e não faço nada. No verão interessa retirar a carga combustível para longe das habitações e árvores fruteiras. Não serve para fertilizar, pois no verão apenas seca, não apodrece, pois falta humidade!

Assim que começam as primeiras chuvas, queimo os sobrantes mais lenhosos, que demoram demasiado tempo a decompor-se. Tudo o resto vai para as árvores, pois de novembro a abril irá decompor-se e fertilizar as terras.

Em abril aquilo que resta ou é enterrado na terra, ou é retirado e amontoado para ser queimado em segurança longe das árvores e habitações. A terra queimada com as cinzas são um bom fertilizante regulador da terra.

É assim que eu faço, sem correr riscos desnecessários!
 
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Esqueci de referir que é importante ter água por perto, nunca confiar na sorte apenas por ser novembro ou abril.. Já me aconteceu uma fagulha ter voado 10m e começar a fumegar! O que vale é que tinha água e ferramentas, não passou de fumo, mas deixa-nos em alerta, não é preciso estar 30C ou %HR inferior a 20% para ocorrer incêndios!

Nestas práticas é sempre importante tomar as seguintes precauções:

- amontoar em terreno limpo, pelo menos 6m à volta.
- ter água por perto.
- ter um balde de água para acalmar as chamas, se necessário. Ou para o caso de saltar uma fagulha.
- fazer um monte pequeno e ir acrescentando.
- nunca abandonar o local, vigiar sempre até apagar.
- não estar sozinho. Existe a possibilidade de fugir ao controlo, 2 é melhor que 1!
- ter ferramentas e luvas, que permitam mexer sem nos queimar.
- não deixar fogueira acesa, apesar de serem apenas brasas. É que se o vento se levanta, transporta o brazido! É preferível apagar completamente com água e continuar noutro dia!
 
Olá,

Não sei se ja foi referido, mas em todos os incêndios de grande dimensão é providenciada pelo IPMA e pelo CNOS/CDOS a meteorologia de 4 pontos para 12h nas coordenadas do incêndio!!!!

Se os Comandantes não as usam, isso já é outra historia!
 
ZIFs - Zonas de Intervenção Florestal registadas.

Norte - 39
Centro - 80
Lisboa, Vale do Tejo - 29
Alentejo - 8
Algarve - 23
 
Encontrei um artigo bastante interessante...
"Porque não há meios da Força Aérea no combate aos fogos?

As chamas não dão tréguas aos bombeiros. Nos últimos dias, o número de fogos registados ultrapassou sempre as 300 ocorrências, mobilizando milhares de operacionais e centenas de meios.




Nos tempos em que a Força Aérea ainda combatia incêndios. Foto: Força Aérea


A vaga de fogos trouxe à actualidade o debate sobre a utilização de meios da Força Aérea no combate aos incêndios. Houve tempos em que eram utilizados aviões militares, mas foi prática que desapareceu no final dos anos 1990 por decisão política.

Actualmente, a Força Aérea não tem condições para participar no combate directo às chamas, mesmo que fosse essa a vontade do Governo.

Os aviões C-130 equipados com kits de combate aos fogos foram descontinuados por decisão política em finais dos anos 1990. Na altura, considerou-se que a participação da Força Aérea não era necessária.

Desde então estes kits (compostos por um sistema que embarca e confere à aeronave a capacidade de combate directo aos incêndios, através da libertação de cerca de dez mil litros de produtos retardantes) não sofreram manutenção e, por isso, estão obsoletos. A opção seria a utilização dos helicópteros Puma, que estão em Beja mas que têm primeiro e ser requalificados, assim como a tripulação e pessoal de manutenção com ajuda de uma força aérea estrangeira.

Fontes nesta área, contactadas pelaRenascença, dizem que esta seria a melhor opção.

Um documento com esta sugestão foi entregue pela Força Aérea e Protecção Civil ao anterior Governo a 15 de Setembro de 2015.

O relatório MAMIP - meios aéreos empregues em missões de interesse público – elaborado por um grupo de trabalho composto por elementos da Força Aérea Portuguesa e da Protecção Civil, sugeria várias soluções de intervenção.

Este texto surge a pedido do executivo de Passos Coelho que solicitou à Força Aérea que estudasse a melhor maneira deste ramo participar no combate aos fogos.

O actual Governo já deu conta que esta é uma hipótese pouco provável, porque a Força Aérea teria de receber os helicópteros Kamov para manutenção. A Força Aérea não quer pois teria custos muitos elevados, não só a manutenção como a própria utilização: cada hora de voo custa 35 mil euros."
Fonte