A Madeira repetiu os episodios de 2010 e 2012:
"OS INCÊNDIOS FLORESTAIS DE 2010 E 2012 Os incêndios florestais que ocorreram em 2010 e 2012 afetaram cerca de 8.632 e 6.966 hectares, respetivamente, tendo assumido dimensões bastante gravosas na ilha da Madeira. Em 2010, a avaliação das condições meteorológicas que se fizeram sentir na ilha da Madeira durante o período estival, em particular, no mês de agosto, leva -nos a afirmar que o tempo foi extremamente quente e seco (temperaturas máximas acima de 25 °C em 12 dias; pluviosidade só num dia, cerca de 0,5mm, humidade relativa do ar média da ordem de 39%) associado a alguns dias de ventos fortes (no dia 13 de agosto o vento chegou a atingir 116 Km/h), o que, cumulativamente, contribuiu de forma decisiva para o cenário que se verificou. Uma das áreas mais afetadas pelos incêndios florestais nesse ano foi a Zona Especial de Conservação (ZEC) PTMAD0002 — Maciço Montanhoso Central da ilha da Madeira, onde arderam cerca de 2.854 hectares, o que corresponde a 46% da sua superfície. O coberto vegetal afetado foi, na sua maioria, vegetação de altitude composta, essencialmente, por urzes (Erica platycodon ssp. maderincola — urze -das -vassouras; Erica arborea — urze- -arbórea; Erica maderensis — urze -rasteira) e outras espécies arbustivas e herbáceas características destas zonas. Outras das áreas afetadas pelos incêndios, embora sem se registar danos significativos, foram zonas limítrofes da Floresta Laurissilva, principalmente, no concelho de Santana (Fajã da Nogueira) e algumas no concelho de S. Vicente, tendo ardido um total de 792 hectares, o que equivale a 5% da área correspondente à ZEC PTMAD0001 — Laurissilva da Madeira. Foram igualmente afetadas as infraestruturas e equipamentos dos principais percursos pedestres recomendados da Região Autónoma da Madeira localizados na zona, bem como os investimentos florestais que o Governo Regional da Madeira tem vindo a desenvolver nas serras de Santo António e São Roque, com o intuito de recuperar o coberto florestal e vegetal nessas zonas. Os incêndios provocaram prejuízos ambientais significativos, designadamente, ao nível da vegetação, valorização da paisagem, proteção do solo, capacidade de infiltração das chuvas, emissão de dióxido de carbono para a atmosfera, entre outros. Em 2012, os incêndios florestais provocaram igualmente danos gravosos. Casas, viaturas e palheiros, total ou parcialmente, destruídos pelo fogo; inúmeras pessoas retiradas de casa e uma vasta área florestal consumida pelas chamas foram as principais consequências. Relativamente à área florestal foram constatados danos diretos provocados quer em floresta natural quer em floresta exótica. Foram também atingidas as ZEC PTMAD0005 — Achadas da Cruz — 127 hectares (69% da sua superfí- cie); PTMAD0002 — Maciço Montanhoso Central da ilha da Madeira — 138 hectares (2% da sua superfície) e PTMAD0001 — Laurissilva da Madeira — 288 hectares (2% da sua superfície). Uma vez mais, a severidade das condições meteorológicas que se fizeram sentir ao longo do ano de 2012 (considerado pelo Observatório Meteorológico do Funchal como o ano com o segundo verão mais quente dos últimos tempos, só superado em 2004), a saber: vários dias em que se registaram temperaturas iguais ou superiores a 28ºC e níveis de humidade relativa do ar reduzidos; valores extremamente baixos de precipitação em relação aos valores normais; contribuiu para o cenário que se verificou."
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