Floresta portuguesa e os incêndios

Deixo aqui uma notícia sobre um trabalho bem interessante sobre os incêndios em Portugal:


"FOTÓGRAFO MOSTRA A FLORESTA PORTUGUESA QUE ARDEU NOS ÚLTIMOS 35 ANOs

O fotógrafo português John Gallo lançou o projecto “Floresta Negra”, que divulga imagens e números sobre a floresta ardida em Portugal nos últimos 35 anos. Mais do que uma denúncia este projecto pretende ser a base de um movimento da sociedade civil.

O ambiente e o futuro do planeta são algumas das preocupações de John Gallo e foi nessa condição que surgiu o projecto fotográfico “Floresta Negra” destinado a transformar-se num movimento da sociedade civil.

O fotógrafo recorda que “em 35 anos ardeu em Portugal o equivalente à área total da Holanda ou da Dinamarca” e que “metade dos incêndios florestais na CE, ocorrem em Portugal”. John Gallo completa esta informação com números: “42% do nosso país, 38 mil km2, arderam nos últimos 35 anos, em comparação com 12% de área ardida em Espanha, 12,2% na Grécia, 12,6% em Itália e 1,3% na França”.

Convicto que para travar esta tragédia é necessária uma “mudança de mentalidades” este fotógrafo, distinguido internacionalmente desde 1998, nomeadamente com o galardão Joan Wakelin Award Royal Photographic Society, recebido em 2015, acredita que o seu projecto pode fazer a diferença.

Um livro de fotografia, um website e uma campanha de sensibilização e educação são a trilogia que compõe esta iniciativa que, nas palavras do autor, constitui “um hino à natureza e aos heróis que a protegem”. Para crescer o projecto está em crowdfunding até 22 de Novembro. Os montantes angariados, para além de financiarem os custos do projecto, serão atribuídos à Liga dos Bombeiros Portugueses.

“Floresta Negra” conta com o apoio institucional da Autoridade Nacional de Protecção Civil, da Liga dos Bombeiros Portugueses, da Fujifilm e Público/P3 (media partner).

Foto: John Gallo "

Fonte : http://greensavers.sapo.pt/2016/11/...sta-portuguesa-que-ardeu-nos-ultimos-35-anos/
 
Se a floresta portuguesa continuasse a ser dominada pelas suas espécies nativas, como o carvalho, o sobreiro, etc., a dimensão ( não o número de incêndios, que esse é um problema civilizacional) ,seria muitíssimo menor. Eu não tenho qualquer tipo de dúvida.

O facto que, desde os anos 70, os diversos governos em Portugal terem optado por transformar o nosso belo país no eucaliptal da Europa, é a causa maior( a par de uma falta grave de civismo da população, mas que não somos caso único na Europa) de Portugal ser o país da Europa com mais área ardida, como é óbvio.
Aliás, seria interessante fazer um estudo ( não sei se já foi feito) sobre os benefícios do chamado " ouro verde " ( como chamam os apoiantes dos eucaliptais) versus o custo económico, social e ambiental para o país provocados pela sua ocupação.
 
Muito bom dia caro, bandevelugo:

Queria deixar este pequeno video produzido por alguém que fala com grande conhecimento do tema:


É que depois de ler os seus comentários fiquei com a sensação de que parece querer dizer que não há rigorosamente nada a apontar aos eucaliptos, poderá ser a sua opinião, e só temos de a aceitar e respeitar, mas considero que então estaríamos a deitar ao lixo todos os estudos científicos feitos a respeito desta temática.

Falou muito bem aí em espécies invasoras, como as acácias, isto é, para si há problema das acácias se propagarem interminavelmente pelos ecossistemas. Mas pergunto-lhe se já não há problema de ocupar quase metade do país com outra espécie exótica e a meu ver, também invasora, como o eucalipto.
Sei que alguns não consideram o eucalipto como uma espécie invasora, mas para mim considero-a como tal, basta ver na sua foto a quantidade de eucaliptos que estão a nascer sem que aparentemente ninguém os tenha plantado.
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Os eucaliptos permitem, muito raramente a colonização de outras espécies arbóreas, e aquilo que se verifica é que essas mesmas árvores possuem dificuldades acrescidas no seu ciclo de vida, devido à grande rapidez com que os nutrientes gastos pelo eucalipto circulam. Repare que nessa foto, os carvalhos estão a crescer numa zona mais periférica do eucaliptal, mas daqui por uns anos, o mais provável é que os pequenos eucaliptos da foto, impeçam a desenvoltura desses carvalhos, atrofiando o ecossistema. Não quero com isto dizer que não hajam por aí exceções mas regra geral é o que acontece. Até porque o carvalho privilegia um solo algo húmido, algo que os eucaliptos, com os seus consumos estimados de 30 litros por dia, tratam de aniquilar, tornando o solo seco e destruindo lentamente possíveis aquíferos.

Ainda assim gostaria de saber a que "boas condições" se refere por parte dos eucaliptais adultos, para serem invadidos por outras espécies, de modo que elas proliferem sem constrangimentos.

A respeito também da biodiversidade dos eucaliptais, refere aí uma situação que talvez seja uma das poucas vantagens do eucalipto na prevenção dos incêndios, é que de facto por ter um poder repulsivo de outras espécies, afasta bastantes herbáceas das plantações, mas em regra não há eucaliptal nenhum que não sendo limpo, não possua qualquer planta rasteira. Aqui por estas redondezas é frequente encontrar por lá, por exemplo, os fetos.

E por falar em limpeza das matas, é também preciso saber limpar, muitos quando limpam uma propriedade, limpam tudo quanto é verde e que se encontre no solo. Contudo aquilo que é verdade é que muitos desses arbustos e herbáceas são o sustento de várias espécies de insetos, que possuem por vezes um papel fundamental na conservação e bom funcionamento de um ecossistema, do mesmo modo que é preciso estar suscetível à presença de pequenas árvores autóctones em crescimento, para não as cortar.
Ainda a este respeito deixo aqui esta publicação do Público:
https://www.publico.pt/2009/06/07/c...ipotecar-biodiversidade-das-florestas-1385515

Relativamente à resistência dos eucaliptos:
"
As espécies florestais portuguesas são mais vulneráveis ao fogo?

Pinheiro-bravo, eucalipto e sobreiro são as três espécies florestais que mais área ocupam no país, de acordo com o Inventário Florestal Nacional (2005

2006). As primeiras duas são especialmente atreitas a incêndios e entram em ignição mais facilmente, devido às suas características intrínsecas, explica Joaquim Sande Silva, investigador em fogos florestais na Escola Superior Agrária de Coimbra e no Centro de Ecologia Aplicada Prof. Baeta Neves. As folhas do eucalipto e do pinheiro-bravo têm menor teor de humidade em relação a outras espécies. Para agravar o cenário, estas árvores têm óleos (eucaliptos) e resinas (pinheiro), lembra Joaquim Sande Silva. Mas não é tudo."Estes povoamentos florestais criam um ambiente seco ao nível do solo, propício aos incêndios", disse, lembrando que os fogos começam sempre na vegetação. Já o sobreiro, a nossa folhosa autóctone com maior representação, "resiste muito ao fogo por ter uma casca grossa, apesar de também arder como as outras árvores". Os montados conseguem manter mais humidade ao nível do solo. " in Publico 22/08/2010

Com limpeza ou sem limpeza das florestas, é impossível negar a resistência das árvores autóctones, ainda que seja só enquanto retardadoras ligeiras das frentes de fogo. Mas eu pergunto, o que é que é preferível? É uma floresta constituída por árvores autóctones capazes de retardar algo um incêndio, ou pinheiros resinosos e eucaliptos que propagam incêndios como se fossem balões de S. João?

Agora algo que é incontestável, é que uma floresta com espécie x, y ou z, sem limpeza e planeamento, arde na mesma.

De facto quem olha para os eucaliptais dos grandes produtores de papel e afins, nota que as suas propriedades não ardem, mas isso é fruto de um planeamento florestal previamente pensado, algo que para a maioria não existe. Mas convém também que referir que esses mesmos produtores têm a necessidade de fazer correções ao nível do solo e de o enriquecer com nutrientes, com vista a impedir a diminuição de produtividade e a própria destruição do solo.

Bom com ou sem eucalipto, o que importa é que a nossa floresta seja seriamente requalificada, porque deixar tudo como está não vai diminuir o nº de incêndios.


Caro Neves,

Não sei o que lhe possa dizer! No seu post demonstra ter poucos conhecimentos técnicos de silvicultura e das dinâmicas da vegetação, mas o que me preocupa é não ter aceite a sugestão que dei ao Micael: abandonar os preconceitos que lhe foram inculcados por muitos anos de mentiras, propagadas por supostos "especialistas", que pouco ou nada percebem de ciências florestais, e olhar para a paisagem que tem em volta. Obviamente os eucaliptos jovens que vê na fotografia são rebentos de toiça das árvores cortadas, não são de semente. E acha mesmo que se os eucaliptos tivessem comportamento "invasor" os proprietários e as celuloses gastavam rios de dinheiro a plantá-los??!!! É só pensar um bocadinho...

O ambientalista cujo vídeo aqui colocou é o Eng. Eugénio Sequeira, "especialista" em química do solo. Sendo uma pessoa simpática, e aparentemente bem intencionada, já o ouvi dizer as maiores alarvidades técnicas. O mesmo se passa com muitos "comentadores" ou mesmo supostos "especialistas" em florestas, que percebem de tudo e de nada,e que misturam verdades, meias-verdades e falsidades técnicas, crendices e preconceitos ideológicos, às vezes com agendas escondidas.

Meu caro Neves, onde é que eu disse que "não há nada a apontar ao eucalipto", ou ao pinheiro, ou a qualquer outra espécie? Só não posso concordar é que a propósito da tragédia de Pedrógão Grande se tente enganar o pagode e fazer crer que os culpados foram os eucaliptos... por razões meramente ideológicas ou como justificação para um outro tipo de composição das matas que se entenda mais útil ao país ou a uma dada região (desejo que, aliás, é totalmente legítimo, mas não se pode fazer vingar é à custa da verdade - se não é uma "trumpice").

Todas as espécies que vivem num clima mediterrânico, onde os fogos (naturais ou humanos) são frequentes, têm estratégias específicas de sobreviver aos incêndios, seja em Portugal, Itália, EUA ou Austrália. Umas vezes adoptam uma estratégia "defensiva", como os sobreiros, que têm cortiça protectora, outras vezes tendem mesmo a ampliar o efeito dos fogos, como é o caso de alguns pinheiros (por exemplo o de alepo, que também há em Portugal) ou de algumas espécies de eucaliptos: têm em vista "eliminar a concorrência", para poderem ser as primeiras a renascer... Mas na natureza as coisa são sempre muito mais complexas do que o que julgamos: por exemplo, no verão as folhas adultas dos eucaliptos têm uma elevada inflamabilidade (tal como, por exemplo, as de sobreiro ou azinheira), mas as folhas juvenis dos eucaliptos (as azuladas) têm uma inflamabilidade baixíssima, e resistem facilmente aos incêndio! Qual os principais problemas dos eucaliptos, em termos de fogos? O lançamento de projeções, que podem alcançar até alguns quilómetros, em situações extremas, mas que também se verificam com outras espécies arbóreas e arbustivas autóctones (por exemplo os pinheiros ou as estevas); por outro lado, podem acumular muita biomassa, porque deixam passar muita luz, o que favorece o desenvolvimento de espécies arbustivas (autóctones), ou porque acumulam cascas, folhas, etc.

E qual a alternativa aos pinheiros e aos eucaliptos nas matas de proprietários particulares? Uma floresta de quercíneas, que demoram largas dezenas de anos a formar-se e, no entretanto, são também extremamente sensíveis aos incêndios (e têm alta probabilidade de arder antes de serem maduras)? Por que será que os proprietários privados investem tão pouco nas espécies autóctones, como mostra o gráfico que colocou no seu post? E a alternativa, é deixar tudo a matos? É que ardem tanto ou mais do que as matas, e por vezes com uma intensidade brutal!

Veja só este gráfico que já mostrei ao snifa e que retirei daqui (http://gdoc.uevora.pt/487081):



E veja esta imagem de uma ação de treino de fogo técnico feito no inverno em matos (de urze e giestas), na região do Oeste (para escala, repare nos técnicos à esquerda):



O que fazer então? Ter uma paisagem diversa e com acompanhamento e tratamento permanentes, com técnicos e outros trabalhadores que percebam do assunto e com gestão da vegetação em locais estratégicos. Exige muito esforço, persistência e dinheiro? Sim, é certo, mas também dá rendimento (e médio e a longo prazo) e não podemos nunca esquecer que a recuperação da área ardida de Pedrógão Grande/Góis vai custar ao país (supostamente) quase 500 milhões de euros!!!! Agora é só escolher o que se quer para o resto do território de matas e matagais.

Abraço (e desculpe o tom!)
 
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Caro Neves,

Não sei o que lhe possa dizer! No seu post demonstra ter poucos conhecimentos técnicos de silvicultura e das dinâmicas da vegetação, mas o que me preocupa é não ter aceite a sugestão que dei ao Micael: abandonar os preconceitos que lhe foram inculcados por muitos anos de mentiras, propagadas por supostos "especialistas", que pouco ou nada percebem de ciências florestais, e olhar para a paisagem que tem em volta. Obviamente os eucaliptos jovens que vê na fotografia são rebentos de toiça das árvores cortadas, não são de semente. E acha mesmo que se os eucaliptos tivessem comportamento "invasor" os proprietários e as celuloses gastavam rios de dinheiro a plantá-los??!!! É só pensar um bocadinho...

O ambientalista cujo vídeo aqui colocou é o Eng. Eugénio Sequeira, "especialista" em química do solo. Sendo uma pessoa simpática, e aparentemente bem intencionada, já o ouvi dizer as maiores alarvidades técnicas. O mesmo se passa com muitos "comentadores" ou mesmo supostos "especialistas" em florestas, que percebem de tudo e de nada,e que misturam verdades, meias-verdades e falsidades técnicas, crendices e preconceitos ideológicos, às vezes com agendas escondidas.

Meu caro Neves, onde é que eu disse que "não há nada a apontar ao eucalipto", ou ao pinheiro, ou a qualquer outra espécie? Só não posso concordar é que a propósito da tragédia de Pedrógão Grande se tente enganar o pagode e fazer crer que os culpados foram os eucaliptos... por razões meramente ideológicas ou como justificação para um outro tipo de composição das matas que se entenda mais útil ao país ou a uma dada região (desejo que, aliás, é totalmente legítimo, mas não se pode fazer vingar é à custa da verdade - se não é uma "trumpice").

Todas as espécies que vivem num clima mediterrânico, onde os fogos (naturais ou humanos) são frequentes, têm estratégias específicas de sobreviver aos incêndios, seja em Portugal, Itália, EUA ou Austrália. Umas vezes adoptam uma estratégia "defensiva", como os sobreiros, que têm cortiça protectora, outras vezes tendem mesmo a ampliar o efeito dos fogos, como é o caso de alguns pinheiros (por exemplo o de alepo, que também há em Portugal) ou de algumas espécies de eucaliptos: têm em vista "eliminar a concorrência", para poderem ser as primeiras a renascer... Mas na natureza as coisa são sempre muito mais complexas do que o que julgamos: por exemplo, no verão as folhas adultas dos eucaliptos têm uma elevada inflamabilidade (tal como, por exemplo, as de sobreiro ou azinheira), mas as folhas juvenis dos eucaliptos (as azuladas) têm uma inflamabilidade baixíssima, e resistem facilmente aos incêndio! Qual os principais problemas dos eucaliptos, em termos de fogos? O lançamento de projeções, que podem alcançar até alguns quilómetros, em situações extremas, mas que também se verificam com outras espécies arbóreas e arbustivas autóctones (por exemplo os pinheiros ou as estevas); por outro lado, podem acumular muita biomassa, porque deixam passar muita luz, o que favorece o desenvolvimento de espécies arbustivas (autóctones), ou porque acumulam cascas, folhas, etc.

E qual a alternativa aos pinheiros e aos eucaliptos nas matas de proprietários particulares? Uma floresta de quercíneas, que demoram largas dezenas de anos a formar-se e, no entretanto, são também extremamente sensíveis aos incêndios (e têm alta probabilidade de arder antes de serem maduras)? Por que será que os proprietários privados investem tão pouco nas espécies autóctones, como mostra o gráfico que colocou no seu post? E a alternativa, é deixar tudo a matos? É que ardem tanto ou mais do que as matas, e por vezes com uma intensidade brutal!

Veja só este gráfico que já mostrei ao snifa e que retirei daqui (http://gdoc.uevora.pt/487081):



E veja esta imagem de uma ação de treino de fogo técnico feito no inverno em matos (de urze e giestas), na região do Oeste (para escala, repare nos técnicos à esquerda):



O que fazer então? Ter uma paisagem diversa e com acompanhamento e tratamento permanentes, com técnicos e outros trabalhadores que percebam do assunto e com gestão da vegetação em locais estratégicos. Exige muito esforço, persistência e dinheiro? Sim, é certo, mas também dá rendimento (e médio e a longo prazo) e não podemos nunca esquecer que a recuperação da área ardida de Pedrógão Grande/Góis vai custar ao país (supostamente) quase 500 milhões de euros!!!! Agora é só escolher o que se quer para o resto do território de matas e matagais.

Abraço (e desculpe o tom!)


Boa noite, mais uma vez, caro Bandevelugo.

Começando pelo fim, não se preocupe com o tom, as boas discussões são mesmo assim;)

Cada um optará pela versão com que melhor se identifica na explicação de vários factos, pelo que de modo algum estou a tentar impingir este ou aquele ponto de vista a ninguém.

Relativamente à crítica dos meus conhecimentos de silvicultura e de dinâmicas de vegetação, não sou mais que ninguém, limito-me apenas a defender à semelhança do senhor, conhecimentos que julgo serem válidos. Para além disso penso que não temos legitimidade alguma para estarmos aqui a avaliar o que um ou outro sabe. Mas lhe garanto que já não é a primeira nem há-de ser a última vez, que vejo eucaliptos a propagarem-se sem que tenha havido um prévio corte, e olhando de novo para a sua foto não me parece que todos aqueles pequenos eucaliptos sejam rebentos de toiça, pelo menos em vários casos não consigo visualizar os restos das árvores, mas como não conheço o local, não me quero pronunciar muito. Obviamente que as acácias como as mimosas, de acordo com a sua morfologia peculiar, possuem um maior poder de difusão nos ecossistemas ao qual de facto todos deveríamos estar alerta.

Os produtores de eucalipto não apostam em invasoras como as acácias, porque muito naturalmente só dificultariam o ordenamento das suas propriedades, trazendo prejuízos, pelo que optam pelo eucalipto que tem uma produtividade e rendimento imensos para a pasta de papel, e depois porque não tem de facto a fama de ser uma invasora, e é uma espécie mais controlável. Mas para mim como já referi para além do estatuto de exótica, o eucalipto tem a sua quota parte de invasora, mas isso fica ao critério de cada um. Aliás devo dizer que o eucalipto foi incluído no "Guia prático para a identificação de plantas invasoras em Portugal Continental" há já algum tempo. No site http://invasoras.pt/, já existe uma ficha relativamente ao eucalipto, sinal de que o comportamento desta espécie pode estar descontrolado. Pode não ser das mais preocupantes, mas está lá:
http://invasoras.pt/gallery/eucalyptus-globulus/


Em relação aos privados investirem tão pouco em espécies autóctones, penso que ambos sabemos que maior parte dessas mesmas pessoas não têm a mínima consideração pelo ambiente, a única consideração que têm é pela sua carteira. Muitos nem sabem distinguir uma espécie autóctone de uma exótica ou invasora, e outros nem sabem das especificidades ecológicas de cada espécie, nem das suas utilidades, refiro-me em particular às autóctones, e como tal estereotipam-nas.

Os pequenos eucaliptos até podem resistir bem ao fogo, mas nos grandes incêndios, quem está sobretudo envolvido, não são as plantulas de eucalipto nem os eucaliptos juvenis, e como sabemos os grandes incêndios são também no Verão. Não vou estar aqui a debater de novo que árvores apresentam maior ou menor inflamabilidade, todos sabemos que as árvores em particular no verão são mais suscetíveis à combustão, umas têm o poder ampliar mais fortemente os incêndios do que outras, e falo de autóctones ou não autóctones, já vi de facto carvalhos a arder com grande intensidade, principalmente se as chamas começarem na parte foliar. Todas ardem mais ou menos, não há volta a dar:(!

Concordo profundamente com o que diz relativamente ao poder dos incêndios, não se pode agora vir justificar que a enorme área ardida é só, única e exclusivamente devido aos eucaliptos, porque como tão bem sabemos os grandes propulsores de um incêndio são sempre as plantas arbustivas e herbáceas, caso contrário não se falaria tanto na limpeza das matas, que sem ordenamento e planeamento das florestas se irá revelar a meu ver algo insuficiente.

No que diz respeito às alternativas para os privados, já o disse aqui e reitero, para mim as monoculturas não são solução, sejam de eucalipto, carvalho, vidoeiros, etc, etc, porque isso não constitui uma floresta bem sustentada do ponto de vista do ordenamento do território e mesmo do ponto de vista do bom funcionamento dos ecossistemas a todos os níveis. Concordo que, e até porque a atualidade económica e financeira do nosso país não é das melhores, se possa destinar uma dada parte dos terrenos ao eucalipto, mas sem excessos, e simultaneamente privilegiar outras árvores que ajudem no contra-fogo, o único problema é rapidez com que algumas dessas mesmas árvores podem eventualmente crescer em comparação com o eucalipto. Dentro dessas árvores poder-se-ia explorar no ramo das autóctones as mais resistentes ao fogo, e fazer disto algo obrigatório e estritamente necessário numa reformulação das nossas florestas. De modo geral deveria haver limites para para o nº de árvores de determinada espécie por cada área, se há restrições ao eucalipto também deveria de haver por exemplo para o pinheiro. Concomitantemente, esses limites deveriam ser ajustados de acordo com a maior ou menor capacidade de adaptação de cada espécie a uma dada região.

Mas se fossemos a pensar que todas as árvores que se plantam, são para arder, então não havia floresta, felizmente há ainda quem prefira conservar as comunidades clímax da nossa floresta, impedindo os retrocessos a sucessões ecológicas secundárias.

Referiu a utilização de técnicos, e porque não? Para que são tantos engenheiros florestais no desemprego, quando temos uma floresta caótica à nossa frente? Deveria ser criado um organismo que realizasse inspecções às propriedades privadas, e que ajudassem à criação de uma floresta melhor em termos de planeamento florestal. Sei que isto, acaba por não passar de uma utopia infelizmente, mas os bons resultados não são obtidos sem esforço e investimento.

Com a mensagem anterior só quis voltar a salientar alguns problemas menosprezados por vezes, intrínsecos ao eucalipto, que já presenciei com colegas de engenharia florestal, que na minha opinião são mais que suficientes para colocarmos a mão na consciência e pensarmos se realmente é tão importante plantar desmesuradamente eucalipto ou outra espécie igualmente nefasta em prole do dinheiro. Cada um fará a reflexão que bem entender a este nível. Como é evidente, lá por me ter restringido ao eucalipto, não quis com isso dizer que não existissem outros problemas noutras espécies.Tudo nesta vida é finito, e quando partimos não levamos o dinheiro nem os bens connosco, mas infelizmente graças há péssima gestão florestal e enriquecimento individual fácil, há pessoas que partem, como as de Pedrógão Grande, às quais devemos eterna homenagem.

Peço igualmente desculpa, se fui de algum modo indelicado. Por vezes entusiasmo-me demais quando pretendo defender alguma ideologia.
Cumprimentos.

PS: Peço desculpa à moderação pelo caráter menos direcionado para os objetivos deste tópico, pelo que sugiro que movam, se assim entenderem, estes posts para o tópico: https://www.meteopt.com/forum/topico/floresta-portuguesa-e-os-incendios.4792/page-10#post-581655
 
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Depois do incêndio em Pedrogão Grande, a natureza já começou a fazer o seu trabalho e vai renascendo das cinzas.

Foto de Pedro Mateus.
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De facto a "mãe" natureza tem um poder enorme de regeneração, apesar de não ser ainda de fácil identificação pelo seu tamanho reduzido, mas quase de certeza que, essa planta deverá de ser uma invasora, pois para já estar desse tamanho em pouco mais de 15 dias.
 
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De facto a "mãe" natureza tem um poder enorme de regeneração, apesar de não ser ainda de fácil identificação pelo seu tamanho reduzido, mas quase de certeza que, essa planta deverá de ser uma invasora, pois para já estar desse tamanho em pouco mais de 15 dias.

Parece-me um feto, e não deverá ser invasor. ;)

Os fogos fazem parte dos ecossistemas mediterrâneos, as espécies vegetais possuem adaptações ao fogo. O problema em Portugal tem sido não os fogos, mas sim a elevada recorrência destes, o que causa a diminuição a capacidade de resposta dos ecossistemas.
 
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De facto a "mãe" natureza tem um poder enorme de regeneração, apesar de não ser ainda de fácil identificação pelo seu tamanho reduzido, mas quase de certeza que, essa planta deverá de ser uma invasora, pois para já estar desse tamanho em pouco mais de 15 dias.
De invasora não tem nada...é o que vulgarmente se designa por Feto, e cresce em zonas com alguma humidade até aos 1000 metros
 
Relativamente a este tópico, interessante perceber as percepções/sensibilidades de alguns membros relativamente a implicação da floresta (da composição quanto a especie) e a sua propensão em arder...
Declaração de interesses: não trabalho em nenhuma empresa de celulose, nem sou nenhum fã da espécie Eucalipto, bem pelo contrário!
Genericamente temos 3 tipos de floresta:
Florestas de Produção
Florestas de Proteção
Florestas de Conservação
A que mais me identifico é esta ultima sem duvida. E nesta ultima os matos são MUITO importantes (isto é para aqueles que tem a fobia de limpar tudo na floresta...).
O Eucalipto é o principal contribuinte da floresta de produção...floresta essa muito necessaria...
Daqui a algum tempo abordaremos isso...para já, acham que ha alguma relação entre o Eucalipto e o numero/área de incêndios?
 
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Parece-me um feto, e não deverá ser invasor. ;)

Os fogos fazem parte dos ecossistemas mediterrâneos, as espécies vegetais possuem adaptações ao fogo. O problema em Portugal tem sido não os fogos, mas sim a elevada recorrência destes, o que causa a diminuição a capacidade de resposta dos ecossistemas.

Sim, conheço bem os fetos, eles quando no seu estado adulto, criam por vezes um manto bem denso em taludes, e gostam também de umas boas sombra de carvalhos, sobreiros...
 
De facto a "mãe" natureza tem um poder enorme de regeneração, apesar de não ser ainda de fácil identificação pelo seu tamanho reduzido, mas quase de certeza que, essa planta deverá de ser uma invasora, pois para já estar desse tamanho em pouco mais de 15 dias.

Trata-se de um vulgar feto. Não podemos considerá-lo invasor, muito pelo contrário, à semelhança do Teixo (árvore) são espécies que andam por cá desde o tempo dos dinossauros ou muito antes (caso dos fetos).

Existem dezenas ou centena de espécies de fetos na península ibérica e são espécies adaptadas a climas amenos e húmidos, razão pela qual não vigoram no inverno. Com efeito, os meses com máximo desenvolvimento dos fetos é junho/julho.
 
O pior cenário em Pedrógão Grande "nunca foi equacionado", diz especialista
6 jul 2017 10:18
MadreMedia / Lusa
Atualidade
O coordenador do Observatório do Risco da Universidade de Coimbra afirmou hoje que o pior cenário "nunca foi equacionado" no combate às chamas em Pedrógão Grande e criticou a demora na ativação dos planos municipal e distrital de emergência. O investigador defende ainda a criação de uma associação de vítimas da zona afetada pelo incêndio.



"Há um protocolo de atuação da proteção civil, que está bem definido e que é bom. Numa situação daquelas, o protocolo obrigaria ao posicionamento de meios e preparação para uma situação de pior cenário. Isso nunca foi equacionado", notou à agência Lusa o investigador José Manuel Mendes, coordenador do Observatório do Risco do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra.

Com um terreno com declives acentuados, onde reina a monocultura de espécies como o eucalipto ou o pinheiro bravo e com uma projeção meteorológica que apontava para risco máximo de incêndio, "a proteção civil devia ter posicionado os meios e estar mais preparada para um acontecimento extremo", disse à agência Lusa o investigador.

Quando se perde o controlo do combate ao incêndio, dever-se-ia ter mobilizado e antecipado "grupos de reforço", notou, considerando que, quando as chamas atingem uma determinada dimensão, não foi logo "feita a divisão de setores de combate".

"O protocolo não foi aplicado e as diretivas não foram seguidas", constatou.

Em declarações à Lusa, José Manuel Mendes sublinha ainda que "a hierarquia de comando foi tomada muito tarde" e o "plano distrital e o plano municipal são ativados tardíssimo".

O especialista realça que o secretário de Estado da Administração Interna, que chegou ao terreno na noite do incêndio, "deveria ter ativado o plano nacional de emergência" e convocado de imediato "a Comissão Nacional de Proteção Civil", que apenas se reuniu "na segunda-feira".

O investigador aponta também para a forma como são escolhidos os comandantes da proteção civil, considerando que não deveriam "ser nomeados politicamente".

"Devia ser por concurso público", atendendo ao conhecimento, experiência e capacidade de liderança, defendeu, recordando que numa situação extrema é muito importante a "resiliência institucional"- a necessidade de haver "um comandante respeitado e com capacidade de liderança" a liderar as operações no terreno.

José Manuel Mendes frisou ainda que, com o incêndio de Pedrógão Grande, que causou a morte de 64 pessoas, a confiança na proteção civil "é zero" e poderá levar a comportamentos mais defensivos por parte das populações em cenários de catástrofe.

Criação de uma associação de vítimas da zona afetada pelo incêndio

"Seria fundamental [uma associação de vítimas] para haver uma contranarrativa e uma outra definição dos apoios e das necessidades" das pessoas afetadas pelo incêndio que deflagrou a 17 de junho em Pedrógão Grande e que provocou 64 mortos e mais de 200 feridos, disse à agência Lusa o coordenador do Observatório de Risco da Universidade de Coimbra, José Manuel Mendes.

Um instrumento deste tipo permitiria às pessoas "ajudar a definir prioridades" na intervenção pós-catástrofe, mas também a dar mais força a um processo de indemnizações, referiu.

"As indemnizações dificilmente serão atribuídas, porque para isso era preciso uma associação de vítimas forte", notou o especialista em situações de risco, considerando que a associação também daria hipótese às pessoas de se organizarem "de forma autónoma" e de garantirem "pressão sobre o poder político".

Para José Manuel Mendes, a pressão sobre o poder político, por parte dos familiares das vítimas e dos feridos, neste momento, "é zero", por não haver uma organização das populações afetadas.

A presença "do Estado por excesso" na região, seja através de membros do Governo ou através do Presidente da República, permite também que seja o Estado a definir a narrativa.

Depois das primeiras semanas com uma forte presença de jornalistas no terreno, a narrativa, na sua perspetiva, vai ficar cada vez mais circunscrita ao "institucional e governamental", não entrando no espaço público a narrativa das populações afetadas, vincou.

"São tudo lições da ponte de Entre-os-Rios [onde morreram 59 pessoas]. O Estado aprendeu com Entre-os-Rios que não pode deixar que a narrativa seja definida pelos outros", notou.

O investigador recordou também o caso recente do incêndio na torre Grenfell, em Londres, onde morreram pelo menos 80 pessoas, em que os moradores "imediatamente se organizaram e o poder político tem sido obrigado a responder".

No entanto, no caso dos concelhos de Castanheira de Pera, Pedrógão Grande e Figueiró dos Vinhos, por ser um território mais vasto, "muito heterogéneo" - com várias casas de segunda habitação - poderá tornar-se difícil a criação de uma associação de vítimas, algo pouco usual em Portugal e que tem como um dos poucos exemplos o caso de Entre-os-Rios.

O investigador, que já esteve no terreno, afirmou também à agência Lusa que vai avançar com um projeto de investigação participativo, com base em voluntariado de investigadores do Centro de Estudos Sociais, em torno das causas e das necessidades de reconstrução das comunidades.

O projeto, que deve arrancar em setembro, pretende ser feito com a participação das populações afetadas, tendo em conta os seus conhecimentos "da floresta, do ordenamento, das necessidades, da relação com entidades".
http://24.sapo.pt/atualidade/artigo...grande-nunca-foi-equacionado-diz-especialista
 
Relativamente a este tópico, interessante perceber as percepções/sensibilidades de alguns membros relativamente a implicação da floresta (da composição quanto a especie) e a sua propensão em arder...
Declaração de interesses: não trabalho em nenhuma empresa de celulose, nem sou nenhum fã da espécie Eucalipto, bem pelo contrário!
Genericamente temos 3 tipos de floresta:
Florestas de Produção
Florestas de Proteção
Florestas de Conservação
A que mais me identifico é esta ultima sem duvida. E nesta ultima os matos são MUITO importantes (isto é para aqueles que tem a fobia de limpar tudo na floresta...).
O Eucalipto é o principal contribuinte da floresta de produção...floresta essa muito necessaria...
Daqui a algum tempo abordaremos isso...para já, acham que ha alguma relação entre o Eucalipto e o numero/área de incêndios?

Incluis as faias e os castanheiros nas florestas de conservação? Estas florestas são as ideais do ponto de vista de diversidade animal, pois as suas folhagens geram um manto vegetal ideal para cogumelos e os frutos (caso do castanheiro) sustentam diversas aves e animais.

O Eucalipto é o principal contribuinte da floresta de produção...floresta essa muito necessaria...
Daqui a algum tempo abordaremos isso...para já, acham que ha alguma relação entre o Eucalipto e o numero/área de incêndios?

É difícil responder..
1) O eucalipto está um pouco espalhado por todo o lado, em pequenas manchas, rodeado de pinhal.
2) Onde há eucalipto, há menos mato, dado o seu crescimento rápido (ensombramento) que limita o crescimento do mato, assim como o próprio eucaliptol ("óleo" responsável pelo cheiro a eucalipto) inibe o crescimento de outras espécies vegetais. A nível da capacidade de se autoinflamar ainda antes de chegar as chamas, de acordo com os estudos, é sensivelmente a mesma que o pinheiro bravo (salvo erro, anda nos 55-60ºC).
3) Mas o eucalipto tem outras características que o tornam perigoso, pois sendo uma árvore de grande porte, mas de troncos / ramos compridos e flexíveis, consegue dobrar-se bastante com o vento nas copas. Isto num incendio com vento dá origem ao desprendimento de ramos que voam a arder, favorecendo reacendimentos a 100, 200 ou 500 m de distância. Eu já limpei da minha varanda, restos de folhagem de eucalipto meio queimados, vindos sei lá de onde, mas que viajaram no mínimo 10-15km pelas correntes de ar.
4) Não sou contra a eliminação completa do eucalipto, devido aos lucros que gera (importante para a sustentabilidade), mas julgo que deve estar completamente isolado da restante floresta. Mas também acho que o pinheiro bravo deve ser delimitado por outro tipo de floresta, e as aldeias redeadas de área agrícola, sem floresta. Claro que é fácil dizer, mas a verdade é que área agrícola sem floresta, dá origem a matagais quase impenetráveis (têm o sol todo para eles, sem ensombramento), pelo que se a área agrícola não for anualmente cultivada é necessário andar sempre a limpar mato. E o dinheiro /saúde não dá para tudo..
 
Relativamente a este tópico, interessante perceber as percepções/sensibilidades de alguns membros relativamente a implicação da floresta (da composição quanto a especie) e a sua propensão em arder...
Declaração de interesses: não trabalho em nenhuma empresa de celulose, nem sou nenhum fã da espécie Eucalipto, bem pelo contrário!
Genericamente temos 3 tipos de floresta:
Florestas de Produção
Florestas de Proteção
Florestas de Conservação
A que mais me identifico é esta ultima sem duvida. E nesta ultima os matos são MUITO importantes (isto é para aqueles que tem a fobia de limpar tudo na floresta...).
O Eucalipto é o principal contribuinte da floresta de produção...floresta essa muito necessaria...
Daqui a algum tempo abordaremos isso...para já, acham que ha alguma relação entre o Eucalipto e o numero/área de incêndios?

Penso que nenhum membro deste Fórum, condena a plantação do Eucalipto no território Nacional.
O grande problema que se está aqui a tratar, é o facto desta ser uma árvore catalogada como invasora e a mesma ocupar já uma percentagem significativa das nossas florestas.
Não compreendo, por mais razões ou desculpas que se queiram colocar, como é que florestas enormes de árvores autóctones vêm abaixo para simplesmente se fazerem mono culturas de eucalipto.

Apesar dos aspectos positivos que esta árvore pode ter, não vejo nada para além da produção de celulose que ela traga de bom para a floresta Portuguesa, muito pelo contrário espanta tudo o que é fauna, seca toda a flora existente nas proximidades.. enfim.
 
Penso que nenhum membro deste Fórum, condena a plantação do Eucalipto no território Nacional.
O grande problema que se está aqui a tratar, é o facto desta ser uma árvore catalogada como invasora e a mesma ocupar já uma percentagem significativa das nossas florestas.
Não compreendo, por mais razões ou desculpas que se queiram colocar, como é que florestas enormes de árvores autóctones vêm abaixo para simplesmente se fazerem mono culturas de eucalipto.

Apesar dos aspectos positivos que esta árvore pode ter, não vejo nada para além da produção de celulose que ela traga de bom para a floresta Portuguesa, muito pelo contrário espanta tudo o que é fauna, seca toda a flora existente nas proximidades.. enfim.

O eucalipto esgota os solos devido ao crescimento contínuo (enquanto houver água), sem matos, a chuva "lava" as terras tornando-as progressivamente inférteis. E se um dia quisermos livrar-nos dos eucaliptos, têm de ser arrancadas as raízes com uma máquina, caso contrário estão sempre a surgir novos rebentos.