Floresta portuguesa e os incêndios

Prevenção salvou pomares com 40 mil macieiras de António Campos

O antigo eurodeputado do PS António Campos possui 40 mil macieiras, em Oliveira do Hospital, mas apenas três foram queimadas pelo incêndio de domingo, o que o proprietário justifica com as medidas preventivas que tem tomado.

Na quinta onde reside, nesta cidade do distrito de Coimbra, o avanço das chamas foi travado durante a noite por “uma bordadura de carvalhos”, disse hoje António Campos à agência Lusa.

“Apenas com ajuda de uma mangueira de jardim”, com que regaram o terreno nas proximidades da habitação, o engenheiro técnico agrário, antigo secretário de Estado da Agricultura, e dois familiares, conseguiram apagar o incêndio.

Os pomares de macieiras, de variedades tradicionais, como a bravo-de-esmolfe, estão repartidos por cinco locais diferentes do concelho, um dos mais atingidos do país pelos fogos de domingo.

https://www.noticiasdecoimbra.pt/prevencao-salvou-40-000-macieiras-antonio-campos/
 
Prevenção salvou pomares com 40 mil macieiras de António Campos

O antigo eurodeputado do PS António Campos possui 40 mil macieiras, em Oliveira do Hospital, mas apenas três foram queimadas pelo incêndio de domingo, o que o proprietário justifica com as medidas preventivas que tem tomado.

Na quinta onde reside, nesta cidade do distrito de Coimbra, o avanço das chamas foi travado durante a noite por “uma bordadura de carvalhos”, disse hoje António Campos à agência Lusa.

“Apenas com ajuda de uma mangueira de jardim”, com que regaram o terreno nas proximidades da habitação, o engenheiro técnico agrário, antigo secretário de Estado da Agricultura, e dois familiares, conseguiram apagar o incêndio.

Os pomares de macieiras, de variedades tradicionais, como a bravo-de-esmolfe, estão repartidos por cinco locais diferentes do concelho, um dos mais atingidos do país pelos fogos de domingo.

https://www.noticiasdecoimbra.pt/prevencao-salvou-40-000-macieiras-antonio-campos/
Estas medidas antigas que se tomavam e que foram abandonadas com o regime de monocultura, têm de ser retomadas.
 
  • Gosto
Reactions: Thomar e criz0r
Estas medidas antigas que se tomavam e que foram abandonadas com o regime de monocultura, têm de ser retomadas.

É bem verdade, estas medidas que antigamente eram muito usuais, foram caíndo em desuso com as plantações de monoculturas extendidas por vezes por dezenas de hectares, sem qualquer barreira contra-fogo, por muito bem cuidado, e limpo que o pomar esteja, basta ele estar junto de uma área de mato, ou de floresta, e com chamas por vezes de 10 metros ou mais de altura, não será muito fácil, e mesmo que não seja, as próprias chamas a queimarem, basta o simples calor do lumes, para queimar as árvores, tenho visto no facebook, muitas explorações agrícolas, de mirtilos, framboesas, completamente queimadas.
E ainda bem á pouco tempo, no Alentejo, ardeu uma exploração de figueiras da índia, isto para dizer que o fogo quando é tanto e tão intenso, até queima uma das plantas que é usada justamente como barreira de corta-fogo.
Como produtor agrícola, sei que não deve ser nada fácil, ver toda uma vida de trabalho, e investimo nas nossas propriedades, para depois vir o fogo, e queimar tudo em poucos minutos.
Aproveito já agora para deixar uma palavra de força a todos os produtores afectados, e temos de lutar, tudos juntos para reerguer tudo de novo, porque, o nosso país precisa de todos nós, porque geram "riqueza" e postos de trabalho, muito importantes, no meio rural e muito envelhecido.
 
Exemplo disso, se virem o meu post mais acima em Ribeira D'Eiras no Mação as árvores próximas da ribeira ficaram intactas e bem verdinhas. É óbvio que o factor humidade providenciado pela ribeira também deu a sua ajuda, mas as árvores em redor da mesma são qualquer coisa como Carvalhos, Sobreiros Choupos etc. É definitivamente algo que pode e deve ser explorado no futuro. Bem sei que as vozes da discórdia vão querer o Senhor Eucalipto porque cresce mais rápido, porque é mais rentável etc, mas ou optam por um futuro mais próspero para floresta Portuguesa e para eles mesmo ou então arriscam-se a levar com mais um par de Fogos monumentais. É um ciclo vicioso.
 
É bem verdade, estas medidas que antigamente eram muito usuais, foram caíndo em desuso com as plantações de monoculturas extendidas por vezes por dezenas de hectares, sem qualquer barreira contra-fogo, por muito bem cuidado, e limpo que o pomar esteja, basta ele estar junto de uma área de mato, ou de floresta, e com chamas por vezes de 10 metros ou mais de altura, não será muito fácil, e mesmo que não seja, as próprias chamas a queimarem, basta o simples calor do lumes, para queimar as árvores, tenho visto no facebook, muitas explorações agrícolas, de mirtilos, framboesas, completamente queimadas.
E ainda bem á pouco tempo, no Alentejo, ardeu uma exploração de figueiras da índia, isto para dizer que o fogo quando é tanto e tão intenso, até queima uma das plantas que é usada justamente como barreira de corta-fogo.
Como produtor agrícola, sei que não deve ser nada fácil, ver toda uma vida de trabalho, e investimo nas nossas propriedades, para depois vir o fogo, e queimar tudo em poucos minutos.
Aproveito já agora para deixar uma palavra de força a todos os produtores afectados, e temos de lutar, tudos juntos para reerguer tudo de novo, porque, o nosso país precisa de todos nós, porque geram "riqueza" e postos de trabalho, muito importantes, no meio rural e muito envelhecido.
Obrigado, excelente como sempre! Já agora aproveito para postar o que ouvi no telejornal, o Ministério da Agricultura vai indeminizar a 100% todos os prejuízos nas explorações agrícolas decorridos dos incêndios desde 100 a 5000 euros. Para montantes mais elevados pelo menos 30%. Por isso informem-se. Isto vai ocorrer já. Um abraço a todos e muito força! :thumbsup:
 
Arganil. Mata Nacional da Margaraça ardeu quase por completo
HÁ 2 HORAS
Cerca de 70% a 80% da Mata Nacional da Margaraça, classificada como Reserva Biogenética do Conselho da Europa, ardeu face ao incêndio de domingo, estimou o presidente da Câmara de Arganil.

Cerca de 70% a 80% da Mata Nacional da Margaraça, classificada como Reserva Biogenética do Conselho da Europa, ardeu face ao incêndio de domingo, estimou o presidente da Câmara de Arganil, do distrito de Coimbra.

“Ardeu uma parte significativa. Estaremos a falar de 70 a 80%” da mata, disse à agência Lusa o presidente do município, Ricardo Alves, que viu 92% da área florestal arder nos recentes incêndios que afetaram o concelho (cerca de 25 mil hectares).

A Margaraça era uma floresta caducifólia, composta, nomeadamente, por carvalhos, castanheiros, azevinhos, loureiros e freixos, registando-se ainda algumas espécies de orquídeas no seio desta mata nacional.

Grande parte dos “principais pontos turísticos do concelho arderam” ou ficaram afetados com as chamas, como foi o caso da Fraga da Pena, situada em paisagem protegida da Serra do Açor, que tem uma queda de água de 19 metros.

“A parte cimeira da fraga ardeu”, referiu à Lusa Ricardo Alves, sublinhando que “todas as praias fluviais” do concelho foram afetadas, a aldeia de xisto de Benfeita tem tudo “ardido à volta” e na também aldeia de xisto de Vila Cova de Alva arderam “casas no coração” da localidade.

A exceção é a aldeia histórica do Piódão, cuja localidade e encosta que a rodeia escaparam às chamas, observou. A fotografia-postal da aldeia de xisto continua preservada, “mas o sítio de onde se tira a fotografia está ardido e há um percurso até chegar ao Piódão que é devastador”, sublinhou Ricardo Alves.

Relativamente ao número de casas afetadas, o autarca atualizou o número para cerca de 60 casas de primeira habitação destruídas e cerca de 40 de segunda habitação.

A resposta de habitação até agora às famílias desalojadas tem sido “provisória”, estando a ser encontradas “soluções mais robustas”, explanou, sublinhando que a autarquia vai arrendar habitações se necessário.

Em declarações à Lusa, Ricardo Alves referiu ainda que há “muitas centenas de cabeças de gado” que morreram com as chamas e sete a oito microempresas afetadas.

No concelho de Arganil, contabilizam-se três vítimas mortais. Duas pessoas morreram a tentar salvar os animais em Cerdeira e uma na sua própria casa, na freguesia de São Martinha da Cortiça, informou.
http://observador.pt/2017/10/19/arganil-mata-nacional-da-margaraca-ardeu-quase-por-completo/
 
  • Gosto
Reactions: Pedro1993
Gabriel Roldão: “O Pinhal de Leiria já está morto há 12 anos”
19 Outubro 2017271

Voltámos ao Pinhal de Leiria com o homem que em agosto avisou da possibilidade de uma catástrofe. Gabriel Roldão diz que dos quatro milhões que o Pinhal rende, só 6% são gastos ali.

No dia em que o Pinhal começou a arder, a 15 de outubro, Gabriel Roldão estava em São Pedro de Moel. Do jardim de casa via duas colunas de fumo, mas apurou, numa volta de carro que decidiu dar por aquelas bandas, que a mais próxima estava na Praia de Paredes de Vitória. Não se preocupou. No regresso a casa, na estrada com ligação à Tremelga, viu o início do fogo no Ponto do Facho: “Como já estavam lá bombeiros com água, fui embora para não estorvar. Mas quando virei na primeira à esquerda, que liga a Marinha Grande a São Pedro, estava a começar a arder ali à borda da estrada, a uns 50 ou 70 metros do cruzamento e com um diâmetro de para aí 80 metros“, explica ao Observador. Quando chegou a casa, o fumo branco pairava na Mata Nacional e Gabriel Roldão acreditou que os bombeiros estavam a conseguir apagar o fogo. Instantes depois “já havia fumo preto, já o fogo ia na casa do diabo“. Gabriel Roldão via perante os seus olhos aquilo que disse que viria a acontecer: o Pinhal de Leiria estava a morrer.
... http://observador.pt/especiais/gabriel-roldao-o-pinhal-de-leiria-ja-esta-morto-ha-12-anos/
 
  • Gosto
Reactions: Pedro1993
Lá está, como se resolve? Ou se reagrupa povoados, o que levaria a grandes contestações de certa forma compreensíveis, outra possível solução que me lembrei seria a construção uma rede de abrigos subterrâneos (como nos Estados Unidos existe para os tornados) para protecção de pessoas em zodas de grande risco. Obrigado pela resposta! :thumbsup:

Para melhorar a situaçao, so vejo duas medidas a implementar de imediato :
- mudar a lei para proibir novas contrucoes no meio de florestas ou povoamentos de pinheiros/eucaliptos
- mandar cortar todos as arvores inflamaveis (pinheiros, eucaliptos, etc.) a menos de 50 (ou 70, 100?) metros de TODAS as fabricas, habitacoes e estradas (ao menos as principais e autoestradas)...
Havera muito oposicao mais tem que se por em pratica solucoes drasticas porque nao se pode aceitar o risco de morer em casa ou perder seu emprego a CADA ano (nem digo cada verao porque 2017 mostra que pode acontecer na primavera e no outono !)
 
Governo criou a secretaria de Estado da Proteção Civil na orgânica do Ministério da Administração Interna. A nomeação de Artur Tavares Neves, ex-presidente da Câmara Municipal de Arouca, no distrito de Aveiro, consta do portal da Presidência da República.
 
Só rir.

A vontade de melhorar a imagem não acaba na substituição do Jorge Gomes. Até criam mais uma secretaria de treta para mostrar o seu alegado empenho.

Em termos práticos qual é a diferença entre o que o Jorge Gomes fazia e o que o Artur vai fazer?

Não me digam que agora o Artur vai ter que contratar mais assistentes. Para todos os devidos efeitos há mais uma divisão 'autónoma' com uma função 'muito importante'.

Nesta situação o problema não é bem a quantidade. É a qualidade.

Resultado disto tudo -> Mais burocratas que vão engordar desnecessariamente a máquina estatal.

---

O governo lá usou a RTP para preparar a saída do JG (aqui e aqui)
 
Última edição:
Algumas propostas dos técnicos são "um absurdo"


Domingos Xavier Viegas diz que em 2003 teve pesadelos com o mapa de Portugal arder. "Foi isso que aconteceu a 15 de Outubro". O perito discorda de algumas soluções que podem ser hoje aprovadas pelo Governo.

Logo a seguir à tragédia de Pedrógão Grande, o primeiro-ministro pediu ao professor Domingos Xavier Viegas, do Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais da Universidade de Coimbra, um estudo sobre o comportamento do fogo. A equipa de 14 pessoas foi mais longe e mostrou o que falhou na segurança das pessoas. Em conversa com o PÚBLICO na véspera do Conselho de Ministros que vai decidir que reformas vão ser feitas, o perito em incêndios alerta para soluções "oportunistas" e que parecem "salvadoras", mas não o são. Entra em choque com algumas das recomendações da Comissão Técnica Independente e deixa algumas sugestões para serem seguidas pelas pessoas. ...

https://www.publico.pt/2017/10/21/p...731?page=/&pos=1&b=stories_cover__important_b
 
Excertos da entrevista de Domingos Xavier Viegas:

Houve queimadas...
Por exemplo. Temos de repensar, temos de reestruturar os espaços rurais de uma forma completamente diferente. Como pode haver uma zona industrial que está rodeada de pinheiros à volta, que não tem qualquer defesa?

O que é possível mudar? Que medidas têm de ser implementadas já?
O que tinha de ser feito era falar com as pessoas, dar-lhes indicações. Uma das coisas que publicamos aqui é um folheto de conselhos às pessoas, tem 10 anos ou mais. Disponibilizámos às autoridades e ninguém pega no assunto. As próprias autarquias que deviam fazer a sensibilização das pessoas não se preocupam.

O Conselho de Ministros vai decidir sobre que caminho tomar...
Tem de se ter muito cuidado e discernimento em distinguir o trigo do joio e não ir atrás de ideias oportunistas, de coisas que podem parecer salvadoras.

Está a falar da ideia de dar mais dinheiro a bombeiros?
Isso é fácil e se calhar é preciso fazer-se, mas não pode ser exclusivamente isso. Qualquer reforma que seja feita não pode excluir as coisas boas que o sistema tem. Neste momento, a nossa protecção civil, apesar de todo o descalabro que houve, é um serviço válido, deu provas ao longo destes anos. Tem de ser melhor estruturado, melhor dotado, melhor qualificado, mas não é coisa para deitar fora.

Concorda com as recomendações da comissão técnica?
A comissão técnica propõe a criação de uma agência para gerir prevenção e combate, inclusive vai ao ponto de recomendar que seja gerida por técnicos florestais. Que haja essa junção e articulação das duas tarefas, parece-me bem. No nosso relatório falamos de um plano de gestão de incêndios florestais que olhe para isto no seu conjunto. Tem de haver alguma estrutura que esteja por cima.

Parece-lhe que aquelas recomendações vão longe demais?
Participei num processo em 2006 e houve uma recomendação de criar-se os bombeiros florestais. Confesso que critiquei muito essa medida e se é isso que está a propor agora, tenho sérias reservas.

Bombeiros na prevenção e depois no combate?
Proponho que aquilo que já existe seja melhorado. Temos bombeiros que têm experiência no combate a incêndios florestais e que sabem combater incêndios em casas. Temos sapadores florestais que trabalham todo o ano na floresta e podem fazer trabalho de prevenção. O Instituto de Conservação da Natureza e da Floresta (ICNF) devia cuidar mais dessa força, que existe, que é numerosa, mas que não está devidamente treinada e enquadrada. Claro que os bombeiros têm de trabalhar em conjunto com eles, mas não vamos estar aqui a misturar as coisas. Não vamos estar a pôr os bombeiros a fazer limpeza da floresta, quando já temos uma força que faz isso.

Há mais alguma proposta que lhe mereça atenção?
Há uma situação que é um absurdo que é a de ter num incêndio bombeiros que vão combater o fogo na floresta e bombeiros que vão defender as casas. Porquê? Na nossa floresta, há casas por todo o lado. Se um incêndio está a deflagrar e chegar ao pé das casas, vamos fazer o quê? Vamos esperar que cheguem os bombeiros para proteger aquela casa? É absurdo.

A comissão técnica propõe a separação entre a protecção das pessoas e o combate ao incêndio...
Se é essa a ideia, que já foi apresentada há uns anos, estou completamente em desacordo. Veja-se o caso do dia 15 de Outubro. Alguém podia estar no meio da floresta a atacar o fogo? Da mesma forma que os bombeiros se retiram para proteger as casas, porque têm mais prioridade, também é uma segurança para eles. Vou mais longe: aquilo que temos assistido nos últimos anos da parte do sector florestal, do ICNF é que tem-se alheado completamente deste problema. Tem-se afastado deste problema.

Os presidentes de câmara culpam o ICNF pelo facto de deixar plantar eucalipto por todo o lado. Também acha que o ICNF está a falhar?
Claramente. Mas os próprios presidentes de câmara não fazem o seu trabalho. Há câmaras que não têm plano de defesa da floresta que foi o que aconteceu em Pedrógão Grande e Castanheira de Pêra. Um plano pode ser papel, mas um plano feito com consciência significa que há alguém que sabe dizer onde existe o problema e qual deve ser a solução. E depois, há um problema até legal com o qual fomos confrontados agora. Quando confrontámos a ASCENDI com a falta de gestão das faixas ao longo das estradas, a resposta que eles têm é que diz na lei que essa limpeza é obrigatória nas zonas previstas pelo plano municipal, como esse plano não existia, ninguém os pode obrigar a fazer esse trabalho. Esta é a consequência que a omissão de autarcas pode ter neste processo. E são coisas dessas que se o ICNF tivesse mais pulso, [fariam com] que esses planos fossem de acordo com a lei. E porque não o são? Porque às vezes um autarca quer que seja de determinada maneira por causa de outros interesses.

https://www.publico.pt/2017/10/21/p...731?page=/&pos=1&b=stories_cover__important_b
 
  • Gosto
Reactions: MSantos