Floresta portuguesa e os incêndios

Redundância do Siresp vai ter 451 antenas até Maio
O Governo continua a trabalhar para tomar uma posição maioritária no Siresp, garantiu Eduardo Cabrita.


Lusa31 de janeiro de 2018 às 16:44

A rede de emergência do Siresp (Rede de Emergência de Comunicações do Estado) vai ter 451 antenas satélite, a partir de Maio, nas áreas consideradas de risco de incêndio, anunciou o ministro da Administração Interna, no Parlamento.

Estas são antenas que servirão de "reforço de mecanismos de redundância" nomeadamente para o combate aos incêndios e que serão colocadas em zonas consideradas prioritárias e definidas pela Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC), afirmou o ministro Eduardo Cabrita numa audição regimental na comissão parlamentar de Assuntos Constitucionais.

A empresa gestora Siresp, afirmou, já está a fazer consultas ao mercado para estas antenas serem colocadas até Maio, meses antes da época crítica de combate aos incêndios.

O mapa com as áreas consideradas críticas foi mostrado pelo ministro aos deputados. A maior parte dos incêndios de prioridade estão localizados a norte e centro do país e a sul, no Algarve, afectando 189 concelhos e 1.049 freguesias.

Para este ano, o Governo prevê a contratação de 50 meios aéreos (aviões e helicópteros), um deles colocado na Madeira, iniciando a sua fase de prontidão em Fevereiro. O executivo prevê ainda a utilização de meios químicos (gel retardante).

Eduardo Cabrita insistiu que o Estado mantém os planos para entrar no capital do Siresp, em posição maioritária, um processo que "está a ser seguido pelo Ministério das Finanças", com o acompanhamento da sua equipa ministerial.

E afirmou tratar-se de "uma coincidência" o facto de ter sido noticiado, pelo Público, o despacho governamental que altera o contrato com a empresa que gere o Siresp, com vista a salvaguardar "o interesse público".

A reunião desta quarta-feira, 31 de Janeiro, em comissão decorreu ao abrigo do regimento, que possibilita os deputados fazerem perguntas sobre as áreas de tutela e foi a estreia do ministro neste tipo de debate.

O governante afirmou que, nos próximos meses, vão ser feitas acções de prevenção e sensibilização nas áreas consideradas prioritárias, para que seja feita limpeza nas florestas.

"Cinquenta metros em redor de cada casa, 100 metros em redor das povoações", afirmou o ministro.

A prevenção dos incêndios florestais continua a ser, para o executivo, uma prioridade.
http://www.jornaldenegocios.pt/empr...ntenas-ate-maio?ref=HP_Destaquesduasnotícias2
 
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Associação diz que Portugal tem um terço dos vigilantes da natureza que deveria ter
Organização acredita que muitas tragédias do último Verão poderiam ter sido evitadas caso existissem mais operacionais a vigiar o terreno.

O presidente da associação dos vigilantes da natureza defendeu nesta quinta-feira que o número destes profissionais devia ser 800 e são menos de 250 o que, aliado à falta de meios, dificulta o seu trabalho de prevenção e conservação.

"Os vigilantes da natureza deviam ser muito mais e não este número irrisório. Em Portugal são 241, no total, nos Açores, Madeira, ICNF [Instituto de Conservação da Natureza e Florestas], APA [Agência Portuguesa do Ambiente], CCDR [Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional, enquanto um parque qualquer em Espanha tem mais de 200 elementos", afirmou Francisco Correia.

Questionado acerca do número ideal de vigilantes da natureza, o presidente da Associação Portuguesa de Guardas e Vigilantes da Natureza respondeu que "seria cerca de 600, pelo menos, no continente, mais 100 nos Açores, mais 100 na Madeira, [totalizando] uns 800 no país".

https://www.publico.pt/2018/02/01/s...gilantes-da-natureza-mas-tem-um-terco-1801626
 
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Websérie documental sobre a tragédia do dia 15 de Outubro de 2017.

Instinto Animal
com José António (Anceriz - Arganil)

“Uns correram. Outros morreram. O Fogo de 15 de Outubro de 2017, levou quase tudo. Ficaram as memórias.”

Realizada por Rodrigo Oliveira e Tiago Cerveira.

PRODUÇÃO: "Ciga" e "O Meio e a Gente"
BANDA SONORA: Luís Peixoto
TRADUÇÃO E LEGENDAGEM: Carla Marques

Episódio 1

 
O mais improvável suspeito de fogo posto
É uma das mais oportunistas aves que nidificam em Portugal. Agora, os cientistas acreditam que o milhafre-preto espalha incêndios para caçar as suas presas.

É uma descoberta científica com implicações diretas na paisagem portuguesa. No final de 2017, o Journal of Ethnobiology divulgou um estudo feito por geógrafos, biólogos e antropólogos das universidades de Sidney, na Austrália, e da Pensilvânia, nos Estados Unidos, provando a existência de três espécies de aves que espalham o fogo e criam novos focos de incêndios.

Entre elas está o milhafre-preto, comum em Portugal.

Milhafre-.jpg

O Milvus migrans, comummente conhecido como milhafre-preto, ocorre em todo o país.
O estudo partiu da crença dos povos aborígenes do norte da Austrália na existência de aves que transportam fogo. Criando pequenos fogos de incêndio e montando um sistema de videovigilância, os cientistas foram capazes de determinar que há pelo menos três espécies de rapinas a usar o fogo para seu proveito.

São o falcão castanho (Falco berigora), o milhafre-assobio (Haliastur sphenurus) e o milhafre-preto (Milvus migrans). Os dois primeiros ocorrem sobretudo no sul da Ásia e na Oceânia, mas a última é comum em todo o território português.

O milhafre-preto mergulha para apanhar galhos incandescentes e depois lança-os sobre zonas secas, ateando novos focos de incêndio.

A técnica usada pelas três rapinas é semelhante. Mergulham para apanhar galhos incandescentes e depois lançam-nos sobre zonas secas, ateando novos focos de incêndio. Com isso, fazem com que as potenciais presas fujam para campo aberto, facilitando a caça.

Não é incomum ver um milhafre-preto a patrulhar as estradas portuguesas. São aves comuns, tidas como caçadoras, pescadoras, necrófagas e oportunistas.

https://www.noticiasmagazine.pt/2018/milhafre-preto/
 
Incêndios rurais, secas e inundações

É necessário dar lugar à transição, do estado actual, para outro mais sustentáveDesde os grandes incêndios do ano passado, muito se tem dito a propósito de florestas. No entanto, há temas que não têm sido abordados e que vale a pena referir: a relação entre floresta, secas e inundações — nada na comunicação social ou no discurso político parece mostrar que há a noção de que são as árvores (umas mais do que outras) que permitem reter e infiltrar água no solo, de modo a permitir a sua utilização futura e evitar a seca e, por outro lado, a diminuir o risco de inundações.

Em síntese, há que criar alternância na combustibilidade da ocupação do território. Esta alternância tem que estar relacionada com a forma do terreno porque esta determina o comportamento do fogo, tanto mais, quanto maior for o declive. Há duas estruturas fundamentais, nas quais se deve garantir a natureza do revestimento: uma constituída pelas linhas de água e os fundos de vale que devem ser revestidos por folhosas da galeria ripícola ou, se houver agricultores, agricultura; outra, constituída pelas cabeceiras das linhas de água que devem ser revestidas por folhosas (que não o eucalipto), ou seja carvalhos, entre os quais o sobreiro que é retardador de fogo (desde que tenha cortiça), mas também o castanheiro.

https://www.publico.pt/2018/02/07/sociedade/opiniao/incendios-rurais-secas-e-inundacoes-1799875
 


Por aqui já estão a ser divulgadas sessões de esclarecimento, por parte dos GIPS da GNR, junto da populações, trabalhando em conjunto com as juntas de freguesias e camaras municipais.
Uma ideia, seria que todas as camaras municipais, tivessem um triturador acoplado a um tractor, com dias marcados, para as respectivas freguesias, de modo a ajudar as pessoas para triturarem as ramagens.
 
ABATE DE MILHARES DE ÁRVORES
Ameaça ambiental e paisagística

“Estando iminente um grave atentado não só ambiental como paisagístico na serra de Sintra, vimos solicitar a V.Exa. medidas urgentes que preservem uma das principais componentes da Paisagem Cultural de Sintra classificada pela UNESCO em 1995.

Trata-se do abate de milhares de árvores, sobretudo cedros e pinheiros, ao longo das estradas Malveira – Lagoa Azul e Malveira – Capuchos, que desfigurará irremediavelmente aqueles caminhos icnográficos da serra de Sintra.

Já no ano passado, em Março, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) marcou milhares de árvores para serem cortadas nas mesmas zonas, com o argumento de melhorar a segurança rodoviária e combater o aumento de espécies invasoras.

jonas_87, tens partilhado uns bons registos aqui da Serra de Sintra, e como bom conhecedor aí da zona, qual é a tua opinião acerca do tema.
Uma coisa é abater umas dezenas de árvores, que representem algum perigo, junto á estrada, outra coisa é abater milhares de árvores, situação que deve de ser muito ponderada.

https://qsintra.com/2018/02/09/abate-de-milhares-de-arvores-ameaca-a-paisagem-cultural-de-sintra/
 
Há quem esteja a cortar árvores protegidas para evitar multas de limpeza dos terrenos

Dúvidas foram levantada por causa da campanha lançada esta semana pelo Governo

http://expresso.sapo.pt/sociedade/2...as-para-evitar-multas-de-limpeza-dos-terrenos

Já li relatos de pessoas que até já cortaram árvores de fruto, junto de casas, com medo das multas, não seria melhor informar bem as pessoas principalmente as que estão mais isoladas e desinformadas, esta lei no fim de contas só vai servir para algumas pessoas encherem os bolsos.
 
Há quem esteja a cortar árvores protegidas para evitar multas de limpeza dos terrenos

Dúvidas foram levantada por causa da campanha lançada esta semana pelo Governo

http://expresso.sapo.pt/sociedade/2...as-para-evitar-multas-de-limpeza-dos-terrenos

Já li relatos de pessoas que até já cortaram árvores de fruto, junto de casas, com medo das multas, não seria melhor informar bem as pessoas principalmente as que estão mais isoladas e desinformadas, esta lei no fim de contas só vai servir para algumas pessoas encherem os bolsos.

É o que dá fazer-se leis sem sair do conforto do gabinete em Lisboa, desconhecendo a realidade rural do nosso País...:facepalm::disgust:
 
Estão mais de 40 milhões de eucaliptos prontos para ir para o terreno
A QUERCUS e a ACRÉSCIMO defendem sanções efetivas para os novos eucaliptais ilegais


De acordo com relatório emitido recentemente pelo Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), os viveiros florestais têm atualmente certificados por este Instituto:

• 33,5 milhões de plantas certificadas; e

• 10 milhões de estacas certificadas;

Este material de reprodução florestal pode gerar a arborização e rearborização de mais de 35.mil hectares de eucalipto na atual época de plantação, entre:

• 24,4 mil hectares de eucalipto globulus seminal;

• 8 mil hectares de eucalipto globulus clonal;

• 1,8 mil hectares de eucalipto nitens; e,

• 1,1 mil hectares de eucalipto híbrido.

eucalipatais_fev18.jpg


http://www.quercus.pt/comunicados/2...-de-eucaliptos-prontos-para-ir-para-o-terreno
 
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É o que dá fazer-se leis sem sair do conforto do gabinete em Lisboa, desconhecendo a realidade rural do nosso País...:facepalm::disgust:
Aqui a Camara da Batalha distribuiu um folheto bem esclarecedor. Para além disso tem um número para tirar dúvidas e inclusive os técnicos da camara podem deslocar-se ao terreno para tirar todas as dúvidas.
 
Antigas casas florestais ao abandono no PNPG

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Portas estroncadas, janelas esventradas, vidros estilhaçados, tetos estripados, telhas escacadas, paredes conspurcadas, lixo atolado, “WC” improvisado… É este o cenário que se avista nas antigas casas dos guardas florestais que estão “plantadas” no “coração” do Parque Nacional da Peneda-Gerês, como é o caso da Casa Florestal do Arieiro (em Soajo).

http://soajoemnoticia.blogs.sapo.pt/antigas-casas-florestais-ao-abandono-no-2241




Na minha opinião seria óptimo se os nosso governates se lembrassem de restaurar estas casas dos guardas florestais, que estão aí pelas nossas matas, para voltarem a serem habitadas, por guardas florestais, que tanta falta fazem, tal como hava dantes os guardas da caça.
Agora que o tema de conversa actual, é o das limpezas em redor das habitações, e que parece que tem sido levado á letra, com pessoas até a cortarem árvores de sombra, e protegidas inclusive.
 
José Cardoso Pereira: “O responsável pela extensão dos fogos é a falta de gestão”

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A aldeia de Alvares esteve, na madrugada de dia 17 de junho, cercada pelas chamas — JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Um donativo de 60 mil euros, um instituto de investigação e um grupo de produtores florestais foram ingredientes suficientes para fazer nascer um projeto-piloto de reflorestação numa das áreas ardidas em 2017. Os resultados são ainda preliminares, mas este caso de estudo já teve uma primeira apresentação no workshop “How to Face Mega-Fires in Europe” (“Como combater mega incêndios na Europa”), organizado pela Comissão Europeia e pelo Instituto Superior de Agronomia (ISA) da Universidade de Lisboa. Especialistas de toda a Europa estiveram reunidos na Fundação Calouste Gulbenkian, esta quinta e sexta-feira, para refletir sobre uma estratégia integrada de combate aos fogos florestais.

Ainda as chamas consumiam Pedrógão Grande, Góis e outros concelhos limítrofes — faz este sábado exatamente oito meses — e já um grupo de accionistas do Observador se interrogavam de que forma poderiam ajudar as populações afetadas. É certo que o donativo poderia engrossar as contas dos fundos amealhados, mas a opção foi promover um estudo de caso que se focasse na procura de soluções concretas e realistas para aqueles que mais sofreram (e têm sofrido) com os incêndios do Pinhal Interior. E, claro, no desenho de um projecto de reflorestação exequível e idealmente exemplar.


http://observador.pt/especiais/jose...-pela-extensao-dos-fogos-e-a-falta-de-gestao/
 
Aqui onde vivo na freguesia de São Mamede, Batalha estamos rodeados de floresta mais ou menos densa constituída principalmente de pinheiros e eucaliptos. Em poucos anos imagino que só existirão eucaliptos porque não existe um pinheiro que não esteja colonizado com a processionária. Pinheiros adultos secos já são muitos... não sei como estará o pinhal interior em relação a isto mas se continuar assim vamos ficar sem pinheiros como está a acontecer com as palmeiras.