Formação de Neve, Cálculo Cota e Temperaturas

Tópico em 'Aprendizagem e Formação' iniciado por iceworld 19 Dez 2007 às 19:41.

  1. Minho

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    Cumulonimbus

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    Re: Formação de Neve, Cota e Temperatura

    E mais! Com uma humidade tão alta é mais difícil qualquer fenómeno de evaporação no floco de neve impedindo que este arrefeça (num processo inverso ao da libertação do calor latente...)
     
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  2. irpsit

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    Cumulonimbus

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    Tudo o que aqui disseram (factor humidade, vento, e massa de ar) faz muito sentido.
    Em Viena, Áustria, nevando umas dezenas de vezes num Inverno, pode estudar-se bem estes fenómenos.

    Por exemplo, quando se aproxima uma frente quente, normalmente com ventos de sudoeste, é comum estarem 1-2º e chover, depois no dia seguinte começa a lenta transição para sleet (água-neve) e só depois neve húmida. Isto porque a massa de ar é quente e com muita humidade.

    Por outro lado, por exemplo, há uns dias, a temperatura estava a 3ºC e nevou e flocos bem sequinhos, isto pois estava um vento moderado de leste mas seco, e sobretudo estava uma massa de ar muito frio em altitude apesar de estar ainda quente na cidade (os tais 3ºC).

    De um modo muito geral, só costuma nevar aqui com ventos entre o Noroeste e o Sudeste (quadrante norte ou leste). Como costumam ser ventos mais intensos e que rapidamente "secam" o ar, também é mais fácil darem neve.
    Nunca me lembro de ter visto neve e nevoeiro. Quando está nevoeiro gelado, geralmente não costuma cair precipitação, ou apenas uns farrapos sem importância. O mesmo ocorre com estratos. Já com estratocúmulos/cúmulos costumam cair nevadas muito mais interessantes!! Provavelmente porque denotam massas de ar frio, em altitude.

    O que também é óbvio aqui, é os diferentes tipos de neve e flocos. Neve húmida que acumula muito ocorre em geral à volta dos 0-2ºC (que dá os maiores nevões). Quanto mais frio e seco, mais belos são os flocos (e individualizados), e mais seca a neve, em geral à volta dos -2ºC. À volta dos -5ºC ou menos costuma cair flocos muito pequenos tipo agulhas, que nalgumas ocasiões chega a parecer farinha ou pó!

    A acumulação depende sobretudo se o solo da cidade está frio o suficiente.
     
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  3. Lightning

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    Cumulonimbus

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    Corroios
    Re: Seguimento Previsão do Tempo e Modelos - Janeiro 2010

    Pessoal uma pergunta... Já li aqui algo (não neste tópico) que quanto mais baixa estiver a humidade relativa, assim vai permitir melhor uma entrada de ar frio. Quem disse isso está certo? Se sim, porquê?

    Aqui está a citação, encontrei-a...

    In Litoral Centro.
     
  4. Daniel Vilão

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    Super Célula

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    Sim. Mas não é por a humidade relativa ser mais baixa que entra mais ar frio. O processo é outro. Quando há entradas mais frias são sempre as mais secas. As entradas que não sejam de proveniência continental são necessariamente suavizadas pela presença do oceano, portanto todas as entradas de NO, por exemplo, estão efectivamente condenadas a sofrer um aquecimento ao longo do seu percurso, pelo efeito da superfície oceânica que atravessam.

    Na nossa localização geográfica é praticamente impossível termos uma entrada de Oeste muito fria, é necessário que venha de uma superfície continental significativa e suficientemente imponente para que não chegue tão suavizada a nível de frio ao nosso território. As melhores serão sempre as polares continentais, geralmente de NE.
     
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  5. stormy

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    Super Célula

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    Re: Seguimento Previsão do Tempo e Modelos - Janeiro 2010

    a humidade só por si nao influencia a temperatura....podes ter -20º com 90 ou 10%hr ou 30º com 90 ou 10%hr.
    o que se passa é que o ar quente tem maior capacidade de retençao de vapor de agua.
    quano a humidade relativa está alta e a temperatura desce acontece que a hr sobe pois o ar a arrefecer aguenta com cada vez menos agua, a partir de um certo ponto o ar nao aguenta mais agua e da-se a condensaçao ( hr100%), quando isto acontece formam-se novas ligaçoes entre as moleculas de agua para formar gotas, este fenomeno é exotermico, liberta energia e impede a descida da temperatura, quando a agua precipita e cai no solo o ar deixa de estar saturado e a sua temperatura pode voltar a descer.
    é por isto que em ambientes saturados é dificil a temp descer.
    quando entram as massas polares, frias e com pouca hr, a temp desce muito pois em ambiente seco é facil a temperatura descer, embora, no momento em que se atinga a saturaçao a temperatura estabilize.
    em entradas maritimas o ar é á mesma polar mas como passa sobre o oceano absorve agua deste e torna-se mais humido, por isso a temperatura nao precisa de descer muito para se atingir a saturaçao o que faz com que nao haja tanto frio.
    com uma iso 0º mas em ambiente humido as temperaturas pouco descerao...talvez atingam -3º mas se for em ambiente seco a temperatura descerá mais até aos -8ºpara que a hr final seja a mesma.
    á cerca da neve, quanto mais seco for o ar que os flocos atravessam melhor ela se conserva congelada pois em ambiente seco as moleculas de agua do floco sublimam numa reacçao exotermica que retira calor ao floco e manten-no a 0º mesmo quando o ar se encontra a 2, 3 ou mesmo 4º:thumbsup:
     
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  6. aqpcb

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    Caros

    Já estive a ver e penso que não encontrei nada sobre o assunto, e como novato netas coisas gostava de sabe se existe aqui ou noutro sito algo que me ensine ou explica termos como estes:

    GFS
    ECM

    E outros usados aqui

    Pois estão sempre a falar deles e não sei o que se trata, e sempre gostei desta area

    Abraços
     
  7. vitamos

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    Olá!

    ECM e GFS são siglas que designam 2 modelos globais de previsão meteorológica:

    O GFS é um modelo americano. O ECM (oficialmente ECMWF) é um modelo Europeu, usado por exemplo nas previsões oficiais do Instituto de Meteorologia. Existem mais modelos de previsão meteorológica, mas estes são os mais conhecidos.

    Vê este tópico:
    -> Modelos de Previsão Numérica, Entidades e Sites
     
  8. aqpcb

    aqpcb
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    Cumulus

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    Obrigado

    Já estou a ler, e tambem já tinha encontrado um outro topico com informação util para a minha aprendizagem
    Mais uma vez obrigado.
     
  9. ACAR

    ACAR
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    Cirrus

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    Viva,

    É a primeira vez que intervenho, mas já à alguns meses que visito regularmente este fórum.

    No passado dia 9 de Janeiro, durante uma travessia no Gerês, presenciei um fenómeno que engraçado, que talvez me saibam explicar:

    - A cerca de 1200m de altitude, com céu praticamente limpo começaram a cair partículas minúsculas de gelo. A temperatura deveria andar pelos 0 ºC e a pressão ao nível do mar pelos 1014/1015hpa (não sei qual a hr)

    [​IMG]

    Ficou a dúvidade se se formaram na atmosfera ou tinham sido transportadas pelo vento (estava vento fraco e nas encostas havia alguma neve).

    Outra dúvida que tenho é que se será possível chuva sem nuvens ou pouco depois de estas já terem passado? Já presenciei a queda de algumas gotículas com o céu limpo...

    Parabéns a todos pelo excelente fórum.
     
    bmelo gostou disto.
  10. vitamos

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    Olá ACAR, antes da mais bem vindo.

    Curioso relato... O mais engraçado é que também no 4º encontro MeteoPT realizado nas Penhas da Saúde, se verificou um fenómeno semelhante. De noite e com o céu limpo a 1500m de altitude começou a nevar, e também uma neve muito fina (praticamente pó). Mas a explicação talvez seja diferente. No nosso caso havia nuvens a conferir precipitação a cotas mais elevadas e forte vento que arrastou a neve que caía. Nesse caso do Gerês dá a sensação que a neve foi arrastada da superfície a cotas mais elevadas.

    Não deixam contudo de ser registos caricatos... Uma bênção para quem assiste :)
     
  11. rozzo

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    Pois, com muito frio e ajuda de encostas de montanhas penso que nuvens muito finas podem ser o suficiente para precipitar fraco, em forma de neve..
    Esse caso sem nuvem nenhuma realmente pode ser arrasto pelo vento de neve de algum lado é verdade..

    Mas também em Andorra já vi nevar com céu limpo, à excepção de uma ligeira neblina que dava para ver a centenas de metros. Ou seja, acima não havia nada, e eram exactamente essas ténues nuvens de neblina que estavam a precipitar, ou seja, a neve era formada exactamente ali onde estava! :)
    E mais curioso era verificar ao subir a encosta o aumento do tamanho dos flocos, ou seja, rapidamente se evapora e perde parte deles em poucos metros de desnível!

    Quanto à da chuva, é possível em cumulos de base relativamente elevada, e se a convecção for muito intensa, as correntes verticais serem tão fortes, que as gotas demoram imenso a chegar cá abaixo, portanto se for uma célula pouca extensa em área, pode muito bem já ter passado por cima de nós, e só depois começar a precipitar, e certamente será em gotas bem grossas, pesadas o suficiente para vencer as correntes ascendentes!

    Já presenciei isso, será certamente mais normal em convecção no Verão.

    Lembro-me uma vez em Inglaterra de ficar intrigadíssimo a ver caírem gotas assim e não ver uma única nuvem no céu. Mas aí ainda pouco ou nada entendia do assunto, era um miúdo, se calhar foi a mesma coisa, já tinha passado a nuvem, mas não as vi, tapadas em visibilidade atrás de prédios ou isso! :D

    Mais frequente será o oposto, em nuvens pouco desenvolvidas verticalmente, estratiformes, em situações de convecção muito fraca, portanto correntes verticais mínimas, a precipitação (neste caso chuvisco bem miudinho) ser arrastada pelo vento para a frente delas, portanto estar por cima o céu ainda limpo, antes de chegarem as nuvens, e já o vento trazer o chuvisco!

    É frequente do lado Sul de Sintra por exemplo, nuvens dessas pairarem lá, e na verdade nunca passarem a serra, e estar no lado Sul uns km's a Sul céu sem nuvens por cima, e quase constantemente a choviscar, arrastado pelo vento de Norte claro!
     
  12. Vince

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    A quando do encontro na Serra, além da curiosa e já referida neve que parecia pó com céu quase limpo e luar, também achei interessante durante o dia na Torre ver partículas de gelo extremamente minúsculas a voar a grande velocidade. Eram tão pequenas que só se conseguiam visualizar com o sol a incidir nos mesmos e tendo como fundo o casaco escuro de alguém, e o que se via era como que uma microscópica bala tracejante a grande velocidade só visível devido ao sol incidir numa fracção de segundo no cristal.
     
  13. Chingula

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    Cumulus

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    Pode ter ocorrido o efeito de sublimação do vapor de água da massa de ar.
    Mudança de estado da fase gasosa directamente (sem passar pela fase liquida) para a fase sólida, com libertação dos calores latentes respectivos.
     
  14. ACAR

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    Cirrus

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    Não conhecia o fenómeno, mas na altura também me pareceu ser algo do género, pois as pequenas partículas pareciam vir de cima...

    Durou cerca de meia hora e foi de facto espectacular:thumbsup:.
    Infelizmente as fotografias, neste como em muitos fenómenos meteorológicos, não traduzem a dimensão daquilo que observamos.
     

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