Gamo em Portugal

lreis

Cumulus
Registo
22 Dez 2010
Mensagens
185
Local
Lisboa
Boa tarde,
Nos últimos tempos li referências aparentemente contraditórias relativamente à dispersão deste ungulado em Portugal (não considerando tapadas, cercados e afins).
Do meu conhecimento, constituiu-se um pequeno núcleo livre de Gamo (Dama dama) na zona entre Alcácer do Sal e Montemor-o-Novo, um pouco por "acidente". Decorreu da ocupação da antiga Herdade de Palma (salvo erro) por volta de 1975, onde existiria um núcleo destes animais em cercado ou área murada, que foram libertados.
Lembro-me de ter encontrado referências escritas a observações destes animais na região em causa, ainda na década de 80, do século passado.
A partir da década de 90, deixei de as ver indiciando que essa população teria desaparecido.
Para além desta referência, a Norte do Tejo, referiram-me ainda que terá existido um pequeno núcleo na zona da Serra da Cabreira, no final da década de 80, mas que terá desaparecido, fruto do furtivismo.
Relevo que poderá existir aqui alguma sobreposição com outra informação, esta já confirmada a diversos níveis, em que terão fugido de um cercado dos Serviços Florestais na referida Serra, um nº pequeno (indefinido) de veados que deu origem uma pequena população local, mas que não terá vingado fruto do furtivismo.
Destes veados, não existem observações desde o final da década de 90.
Ultimamente, volto a ouvir falar de gamos em áreas não confinadas.
Questionado diversas fontes dizem-me que terão sido libertados gamos na zona de Monchique (por quem? quando? sairam de alguma cercado?) e mais referências não tenho.
Não ponho de parte que na região alentejana já possa estar a acontecer algures um pouco o que aconteceu com o núcleo de muflões que existe na zona de Moura/Barrancos: a sua multiplicação a partir de uma pequena população que fugiu de uma área vedada.
De qualquer forma, fico sempre um pouco confuso quando vejo referências a esta matéria, a diversos níveias.
Aguém consegue precisar esta minha dúvida?
Cumprimentos
 

Seattle92

Nimbostratus
Registo
22 Set 2010
Mensagens
668
Local
Portugal
Penso que a tal população de Alcácer ainda existirá, e estará bastante distribuída por uma grande área

Num forum de caça encontrei uma conversa onde os caçadores falavam da existência de largadas ilegais de veados na zona do Torrão em Alcácer. Depois falaram também de gamos:

Se bem que, de Gamos e Gamelas ou Damas, a presença é bastante mais antiga, dali até Avis, diria mesmo que nunca deixaram de existir, conheço mesmo, ali bem ao lado, um núcleo, de alguém que sempre os criou, e continua a criar, em regime fechado, pelo único prazer de os poder ver e admirar a cada dia, e quando a lotação do cercado é excedentária... abre o portão e deixa sair uns quantos, cuidando sempre de que saia a correlação correcta de Machos e Fêmeas, assim que, o "fenómeno" da respectiva existência, nem é estranho, nem novidade, pena é que não seja gerido nem melhorado.

Mas sim, ali na zona gamos sempre existiram, aliás, na Herdade do Pinheiro são vistos regularmente e alguns de bom troféu.

Em conversa com gentes da zona disseram-me que a Herdade do Pinheiro foi dos únicos sitios abertos em Portugal, onde sempre existiu gamos selvagens, sem qualquer introdução. Algo que desconhecia.

Porém toda a zona de que falamos, Ferreira, Odivelas, Torrão, Alcáçovas, Alcácer, Cabrela, Palma, Pinheiro, Montemor, Arraiolos e Avis, só para referir algumas, sempre os tiveram, e de há uns anos a esta parte com estas "manobras de marketing", adensou-se o efectivo, até porque como sabemos, em Montaria, entalá-los, não é com duas cantigas, "comem os tiros" e seguem diante dos cães, se antes não lhes escaparem e despistarem, retrancando-se e voltando para trás enquanto deixam as Damas a correr à frente deles.
 

Seattle92

Nimbostratus
Registo
22 Set 2010
Mensagens
668
Local
Portugal
Para quem não conhece bem esta espécie, fica aqui mais alguma informação:



Dama dama

El gamo común o europeo (Dama dama, a veces llamado Cervus dama) es una especie de cérvido nativa de la región mediterránea. Se diferencia del otro gran cérvido europeo, el ciervo común (Cervus elaphus), en su menor tamaño, sus astas palmeadas y su bello manto de pelo pardo-rojizo salpicado de motas blancas en primavera y verano (ocasionalmente con una banda oscura en el lomo).


Morfología

El gamo presenta un notable dimorfismo sexual. Únicamente los machos tiene astas que están inclinadas hacia atrás, y presentan tres candiles y una zona palmeada, típicos de la especie. La cornamenta muda anualmente, como en la mayoría de los cérvidos, cayéndose a finales de marzo o principios de abril para empezar a crecer inmediatamente, completándose su crecimiento a finales de junio y julio.1 La longitud del gamo varía entre los 129-155 cm de los machos y los 118-140 cm de las hembras. El peso medio para los machos es de 58 kg y 45 kg para las hembras.1
El diseño de su escudo anal es característico, tiene el fondo blanco y está enmarcado por dos franjas negras que le dan forma de corazón partido, al estar atravesado por la cola de dorso negro (de hasta 19 centímetros).1 Este diseño permite diferenciar especialmente a las hembras del gamo de las ciervas, con las que se las podría confundir, ya que aunque en primavera y verano su patrón de manchas blancas en el lomo las diferencia mucho, en invierno desaparecen las motas blancas del lomo al volverse su pelaje más oscuro y ligeramente grisáceo; aunque el vientre, glúteos y parte inferior de las patas y la cola permanecen blancos todo el año.
La especie presenta gran variedad individual en el color de capa, que va desde el blanco que presentan algunos individuos, no albinos ya que sus ojos presentan coloración normal,2 hasta el gris oscuro casi negro de individuos melánicos, aunque el color pardo rojizo con un patrón de manchas blancas, único en cada individuo, es el más habitual. También es corriente en algunos ejemplares tener una franja oscura que recorre toda la columna dividiendo el lomo en dos paneles.
Está estrechamente emparentado con el gamo persa Dama mesopotamica, considerado por algunos autores una subespecie de Dama dama.


Distribución y hábitat

La especie ocupó gran parte de Europa durante el último periodo interglaciar, pero se extinguió de gran parte de su territorio, quedando reducida su distribución a Asia menor y posiblemente el Mediterráneo oriental, hasta que fue reintroducida en gran parte de su antiguo ámbito, incluida la Península Ibérica, en tiempos históricos.3 En la actualidad los gamos se han introducido en gran parte de Europa y además en Estados Unidos, México, Perú, Chile, Argentina, Sudáfrica, Australia, Nueva Zelanda e islas Fiyi.4 5
Esta especie prefiere los bosques de hoja caduca relativamente húmedos, donde se alimenta preferentemente de hojas de árboles y arbustos y en menor medida de hierbas. En la antigüedad, el gamo se convirtió en una presa codiciada por los cazadores, sobre todo los pertenecientes a las clases altas. Esto, paradójicamente, contribuyó a su conservación e introducción en varios lugares donde antes no estaba presente o se había extinguido durante la última era glacial. La mayor expansión se produjo durante el Imperio romano y la Edad Media, cuando la especie fue introducida en Europa central, las Islas Británicas y el sur de la Península Escandinava y Finlandia. A su pariente, el gamo persa (Dama mesopotamica), le fue incluso peor, y llegó a creerse extinta hasta que se redescubrieron unas cuantas cabezas en una región remota del sureste de Irán. Los gamos europeos suelen ser habitantes habituales de los parques y jardines de varios países, donde se crían con fines ornamentales.

Al contrario que otros cérvidos de su tamaño, no forma manadas sino que vive en grupos familiares de menos de 10 individuos, o bien lleva una vida solitaria. Un macho se une a uno de estos grupos durante la época de celo, normalmente en octubre. En junio las hembras preñadas paren una cría, rara vez dos o incluso tres.


Reproducción

El gamo es una especie polígama. La época de apareamiento tiene lugar a principios de otoño, recién terminada la de los ciervos, este periodo recibe el nombre de la ronca,6 en referencia al sonido que emiten los machos para advertir a sus oponentes y atraer a las hembras. Los machos adultos marcan su territorio y compiten con otros machos por el dominio y derecho a cubrir a las hembras. El periodo de gestación dura 8 meses y generalmente tienen una cría por cada embarazo, produciéndose los partos a partir de finales de mayo.

800px-Fallow_deer_in_field.jpg
http://es.wikipedia.org/wiki/Dama_dama
 

Seattle92

Nimbostratus
Registo
22 Set 2010
Mensagens
668
Local
Portugal
800px-Dama_dama_map.png


1 Native
2 Possibly native, or very early introductions by man
3 Early introductions by man (before c.1900)
4 Modern introductions by man


Este animal é visto como uma espécie exótica na Ibéria, mas cada vez mais há provas que na realidade a espécie já cá existia.
Possivelmente os gamos extinguiram-se na Ibéria (assim como na maior parte da Europa) há alguns milhares de anos, sendo mais tarde reintroduzidos pelos Romanos, um pouco por todo o continente.
 

Seattle92

Nimbostratus
Registo
22 Set 2010
Mensagens
668
Local
Portugal
O Plano Regional de Ordenamento Florestal do Baixo Alentejo refere uma população de gamos em liberdade no concelho de Barrancos

No caso dos Muflões não se percebe se existem apenas em áreas fechadas, ou se também já se encontram alguns animais em liberdade (nomeadamente em Santo Aleixo da Restauração)

O Gamo (Cervus dama), distribui-se principalmente pelas áreas vedadas, onde são mantidas populações em regime semibravio. No entanto existe um núcleo importante de animais bravios no concelho de Barrancos. Acasala em Outubro/Novembro e os nascimentos ocorrem em Junho/Julho.

O Muflão (Ovis ammon ssp. musimon) é originário da Córsega e da Sardenha e foi recentemente introduzido em algumas áreas vedadas e submetidas a um regime cinegético especial. No Baixo Alentejo podemos encontrar esta espécie em três zonas aproximadamente contíguas no concelho de Moura: Herdade da Contenda, Herdade dos Marvões e freguesia de Santo Aleixo da Restauração.

http://www.afn.min-agricultura.pt/p...esource/prof/20-bx-alentejo/2-Base-Ord-BA.zip
 

lreis

Cumulus
Registo
22 Dez 2010
Mensagens
185
Local
Lisboa
O Plano Regional de Ordenamento Florestal do Baixo Alentejo refere uma população de gamos em liberdade no concelho de Barrancos

No caso dos Muflões não se percebe se existem apenas em áreas fechadas, ou se também já se encontram alguns animais em liberdade (nomeadamente em Santo Aleixo da Restauração)



http://www.afn.min-agricultura.pt/p...esource/prof/20-bx-alentejo/2-Base-Ord-BA.zip

Os Muflões já existem em liberdade pelo menos na Herdade da Contenda, uma vez que já se fizeram várias observações nesse território.
Mas como os muflões vieram de uma herdade próxima, é bem possível que a área da sua presença seja maior.
 

lreis

Cumulus
Registo
22 Dez 2010
Mensagens
185
Local
Lisboa
Confirmo esta referência do Lousano.
A haver na Serra da Lousã, é só no cercado do Parque de Miranda do corvo

Tive acesso a uns mapas de distribuição de espécies cinegéticas em Espanha em redor de 1970.
Queria perguntar aos participantes espanhóis nesta conferência qual a opinião sobre o rigor das demarcações efectuadas.
Apresento-vos o exemplo do Gamo, porque é dos que mais intrigou.
Isto porque sendo verdade o que vem patente no mapa (só apresento metade da peninsula ibérica) seria previsível que tivessem ocorrido algumas expansões naturais para Portugal, provenientes da Galiza, situação que parece-me que não terá ocorrido.
Será que o que vem patente representam cercados, mesmo que de modo muito grosseiro?



 

lreis

Cumulus
Registo
22 Dez 2010
Mensagens
185
Local
Lisboa
^^

Esse link não é valido. Não dá para ver o tal mapa

Pois...reparei posteriormente que não consegui anexar o mapa à mensagem.
Conseguem dar uma dica como colocar um mapa, que está rasterizado em formato pdf?
A minha falta de desenvoltura informática conduz a estas situações...
 

Lousano

Cumulonimbus
Registo
12 Out 2008
Mensagens
3,635
Local
Lousã/Casais do Baleal
Pois...reparei posteriormente que não consegui anexar o mapa à mensagem.
Conseguem dar uma dica como colocar um mapa, que está rasterizado em formato pdf?
A minha falta de desenvoltura informática conduz a estas situações...

Para ser mais fácil, abre o mapa no monitor do PC e carrega na tecla "PrtcS" (Print Screen), depois abres o Paint e fazes colar.

Depois é apenas guardar essa imagem num formato compatível (jpeg;tiff,etc.)