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Fotografias tiradas no Parque Marinho Luiz Saldanha (Parque Natural da Arrábida) no dia 13 de Janeiro de 2021:

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Cientistas esclarecem que lesmas do mar nas praias do Algarve são inofensivas

R HELENA GERALDES

13.08.201813.08.2018


As lesmas do mar são inofensivas, esclareceu à Wilder Gonçalo Calado, do Instituto Português de Malacologia (IPM). Na semana passada, a Administração Regional de Saúde do Algarve (ARS) fez uma advertência aos banhistas para as picadelas destes invertebrados.



Se algum dia encontrar na água das praias do Algarve uma lesma do mar, a única coisa que deve fazer é apreciá-la e não a retirar da água, porque seca e morre, disse hoje à Wilder Gonçalo Calado, director do Departamento de Ciências da Vida da Universidade Lusófona e especialista nestas espécies marinhas. Estes invertebrados são inofensivos.





Foto: PedroPVZ/Wiki Commons


Na quarta-feira passada, a Administração Regional de Saúde do Algarve (ARS) emitiu um comunicado onde dizia que nos últimos dias se tinha registado um aumento da afluência de cidadãos à Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados de Quarteira e ao Serviço de Urgência Básica de Loulé. Os utentes queixavam-se “de dor localizada, queimadura, ardor e comichão, após terem sido picados por invertebrados marinhos, tipo lesmas do mar, nas praias entre Quarteira e Quinta do Lago, nomeadamente na praia do Forte Novo”.

Tendo em conta a “concentração destes invertebrados marinhos” nas praias entre Quarteira e Quinta do Lago, a ARS recomendava especial atenção e a necessidade de “evitar o contacto, dentro ou fora da água” com aqueles invertebrados.

Mas, segundo o IPM, “esta advertência da ARS Algarve sobre as lesmas do mar não tem qualquer razão de ser”, segundo uma nota divulgada neste domingo.

“Não são as lesmas do mar a causar qualquer tipo de urticária”, esclarece o instituto, que apela a todos os banhistas para que “não lhes façam mal e as deixem dentro de água”.

“É lamentável que um Delegado de Saúde possa assinar tal comunicado. Já pedimos um desmentido”, disse Gonçalo Calado.

Segundo este especialista, não está a haver uma concentração maior destes invertebrados naquela região do Algarve. “É perfeitamente natural nesta altura do ano. Às vezes acontece um pouco mais tarde, em Setembro. Mas faz parte do ciclo de vida de algumas espécies de lesmas do mar.”

Entretanto, a ARS já terá retirado a advertência do seu site.

A lesma do mar em questão deverá pertence à espécie Aplysia fasciata, a maior e a mais comum das quatro espécies do género Aplysia (também chamadas lebres-do-mar) que ocorrem em Portugal continental. As outras são a Aplysia punctata, Aplysia depilans e a Aplysia parvula.

Segundo Gonçalo Calado, as lebres-do-mar “são herbívoras estritas. Alimentam-se de algas e é aí que se costumam encontrar com mais frequência”. Nos últimos anos têm sido utilizadas como modelos laboratoriais em estudos na área das neurociências.

No geral, estima-se que existam cerca de 250 espécies de lesmas do mar registadas em Portugal Continental. Na Madeira esse número rondará as 112 e nos Açores, 133, segundo este investigador.


https://www.wilder.pt/historias/cientistas-esclarecem-que-lesmas-mar-nas-praias-algarve-sao-inofensivas/

Vinagreiras (podem atingir 40 cms):

Vila do Conde:



Figueira da Foz:




A única espécie de de lesma do mar conhecida por ser bioluminescente (Plocamopherus madeirae)

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É apenas conhecida na Madeira, Canárias e Cabo Verde.

Mas existe quem acredite que mais espécies do género Plocamopherus poderão ser luminosas.


Entretanto, foi descoberta recentemente uma nova espécie de lesma marinha em Portugal:

https://www.inaturalist.org/projects/sea-slugs-of-portugal/journal
 
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Mais de 70 entidades querem proteger o maior recife de baixa profundidade da costa portuguesa, tido como a maternidade de boa parte das espécies pescadas na região.


Os primeiros mergulhos, feitos em 2008, vieram confirmar aquilo que os biólogos marinhos do Centro de Ciências do Mar (CCMAR) da Universidade do Algarve já suspeitavam: a Pedra do Valado, o maior rochedo subaquático de águas pouco profundas de toda a Costa Continental, era um autêntico tesouro de biodiversidade.

Jorge Gonçalves, investigador da instituição algarvia, recorda que “foi uma surpresa” ver habitats únicos naquele pedaço de costa, nomeadamente as pradarias marinhas. “É o único local onde existem na Costa, pois normalmente só existem em estuários e águas interiores”, faz notar.

Os mergulhos que se seguiram deram a real noção do que escondiam os cerca de 100km2 do recife que se estende ao largo dos concelhos de Lagos, Silves e Albufeira. Os biólogos identificaram cerca de 900 espécies diferentes, cerca de 40 novos registos para Portugal e 12 espécies novas para a ciência.

“É uma área riquíssima de biodiversidade, mas que é também a maternidade da biomassa das pescarias algarvias”, explica Tiago Pitta e Cunha, diretor da Fundação Oceano Azul, que com o CCMAR, liderou a proposta de criação da Área Marinha Protegida de Importância Comunitária. O projeto foi entregue ao Ministério do Ambiente no início de maio e a ideia, esclarece, “é proteger o cofre-forte deste capital natural”.

O dossier foi preparado ao longo de 3 anos, “através de um processo de inteligência coletiva”. De uma forma inédita em Portugal e na União Europeia, mais de 70 entidades, onde se incluíram associações de operadores turísticos, autarquias e pescadores, discutiram a ideia e materializaram os estudos científicos, jurídicos e até administrativos para a criação do Parque Natural Marinho do Recife do Algarve. Só isto, para o responsável da Fundação, fará com que o processo “fique para a história”.


PESCADORES DE ARMAÇÃO DE PÊRA DERAM O PONTAPÉ DE SAÍDA

A sobrepesca e a pressão turística sobre essa faixa costeira, anualmente visitada por cerca de 40 milhões de turistas, têm sido ameaças crescentes à riqueza da Pedra do Valado.

“Aqui estranhava-se que cada vez houvesse menos peixe e então os pescadores perceberam que alguma coisa tinha que ser feita, mas não sabiam muito bem o quê e como o fazer”, recorda Ricardo Pinto, autarca da Freguesia de Armação de Pêra, cuja frota local, fortemente emagrecida nos últimos anos, acabou por sentir os primeiros sintomas da insustentabilidade da situação.

À procura de soluções, foram os pescadores ao encontro da Fundação Oceano Azul que, de braço dado com o CCMAR, deu o toque de partida para aquele que poderá vir a ser um parque natural marinho com 156km2.

A proposta de zonamento saída do longo processo de discussão pública prevê trancar as portas à crista rochosa do recife. Nessa área de proteção total, a cerca de 3 milhas do limite entre os concelhos de Silves e de Albufeira, será constituído um santuário, ao qual só os cientistas poderão ter acesso para medir a saúde da biodiversidade do rochedo subaquático. O resto do corpo do recife fica reservado a atividades não extrativas, como o mergulho recreativo ou a embarcações de observação de cetáceos.

A pesca local, como é o caso da pequena frota de Armação de Pêra, fica limitada a operar na zona interior, enquanto todas as demais embarcações terão de operar na zona exterior.


200 EMBARCAÇÕES FICAM SEM PESQUEIRO

A fartura do recife é há muito conhecida dos pescadores. Ali pescam mais 200 embarcações, pequenas cercadoras ou de covos vindas desde portos tão distantes quanto Quarteira e Alvor. Procuram polvo, salmonetes e alguns pelágicos, como a sardinha. A Associação de Armadores e Pescadores de Quarteira estima que as restrições da Área Marinha Protegida tragam, só às 50 embarcações suas associadas, perdas na ordem dos 3 milhões de euros por ano.

Não foi por isso de estranhar o bloqueio inicial das principais associações de pesca à proposta, pondo em causa o consenso que os promotores pretendiam. A 18 de zembro de 2019, Anabela Simão, vereadora da Câmara Municipal de Lagoa, temeu que o processo morresse ali, numa reunião discussão pública em que os ânimos aqueceram. “Estavam contra, em absoluto, e percebemos que tínhamos de ouvir os pescadores porque eles seriam os mais afetados pela iniciativa”, conta a autarca.

Foi o que fez. Colheu os contributos das associações do setor, propôs ajustes à proposta e conseguiu que o consenso sobre a criação da área protegida se materializasse, através da criação de uma espécie de caderno de encargos para ajudar o setor a enfrentar os seus impactes.


“NÃO PODEMOS DEIXAR QUE NINGUÉM PASSE FOME”

Para Hugo Martins, presidente da Quarpesca, algumas das condições para o voto favorável da associação passaram por “encontrar novas zonas de pesca para a frota afetada, afastando as áreas de operação da frota de arrasto e impedindo novas aquaculturas offshore”, mas também “atribuindo compensações financeiras para as perdas de venda em lota”.

No lote de reivindicações, constam ainda incentivos ao abate e à reconversão da frota, melhores infraestruturas de apoio e efetiva da fiscalização das regras do futuro parque. A autarca de Lagoa não prescinde de nenhuma: “não podemos deixar que ninguém passe fome”, enfatiza, para justificar que, “sem compensações, os pescadores e as suas famílias não vão resistir”.

Quando o Ministério do Ambiente analisar a proposta da Fundação Oceano Azul e do CCMAR, terá por certo em conta estas exigências. Até porque, “mudar o paradigma da economia atual para uma economia sustentável implica pagar uma fatura”, nota Tiago Pitta e Cunha. O responsável da Fundação evoca a prioridade europeia em canalizar fundos para a Agenda Climática.

O trabalho da Fundação, do CCMAR e da comunidade está feito. A bola fica agora do lado do Governo. Os promotores esperam que, com uma resposta positiva, possam, em 2 anos, constituir o parque num também inédito regime de gestão coletiva.


https://sicnoticias.pt/pais/2021-05...-de-baixa-profundidade-do-Continente-ba0630b4
 

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Baleias às portas de Lisboa​


Sidónio Paes conta-nos sobre os muitos avistamentos que têm acontecido na zona da bacia do Tejo, incluindo a observação fantástica do segundo maior animal do mundo, uma baleia-comum, acompanhada por um grupo de golfinhos.


Durante o ano tem sido habitual, nestes últimos anos de pandemia, a observação de cetáceos a entrarem pelo rio Tejo adentro com alguma frequência. Com este fenómeno vivido por vários curiosos, velejadores e profissionais – e descrito num meu artigo anterior – comprovou-se novamente, pelo segundo ano consecutivo, que há padrões de entrada e saída destes mamíferos na bacia do Tejo. Também a época terminou mais uma vez no início de Setembro, à semelhança do que já acontecera em 2020. A ausência dos golfinhos no Tejo durante os dias de lua cheia é igualmente um facto.

Mas serão só golfinhos que se podem observar? Nos pilares da ponte 25 de Abril estão representadas algumas espécies que historicamente entraram pelos seus próprios meios no Tejo desde meados dos anos 50, tais como o golfinho-comum, o golfinho-roaz, o cachalote e a orca. Apesar de também se avistarem com alguma frequência alguns botos (Phocoena phocoena) perto do Bugio e de Caxias, este cetáceo não foi pintado.

Para além destas espécies, no rio é habitual a observação de outras espécies de mega-fauna marinha, como o peixe-lua, o espadarte, o atum, a tartaruga-boba, a tartaruga de couro, o tubarão-martelo, o tubarão-azul (vulgo tintureira), o anequim ou mesmo o tubarão-frade.

No que diz respeito aos cetáceos, é possível observarmos aos saltos golfinhos-riscados, muitas vezes em conjunto com grupos de golfinhos-comuns, o golfinho-de-risso com as suas cicatrizes brancas, baleias-piloto (na verdade são golfinhos) e ainda grupos de orcas – que ultimamente têm causados prejuízos avultados com as suas interações com os veleiros que navegam pelas águas da Península Ibérica.

Mas também se avistam baleias. Avistadas nos últimos anos, algumas espécies de baleias de barbas (Mysticeti) têm por hábito passar por estas águas entre o Cabo da Roca e o Cabo Espichel. Por vezes, chegam-se mais perto da costa, como no Cabo Raso ou no Meco (canhão de Lisboa), e alimentam-se principalmente de cardumes de pequenos peixes pelágicos, tais como a sardinha, o carapau ou a cavala. É por partilharem a mesma dieta com os golfinhos-comuns que é possível observar estas espécies em conjunto, por vezes ambas numa performance sincronizada na captura dos pobres cardumes. Não é de espantar, com tantos nutrientes provenientes do estuário do Tejo, que se observem baleias-anãs, baleias-de-bossas ou baleias-comuns.

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Golfinho-comum e baleia-comum. Foto: Kasia Szczypa

No passado dia 24 de Outubro, um dos passeios para observação de aves marinhas com a SeaEO Tours , que começou bem cedo pelas 8h30, revelou-se um dia muito diferente para os clientes – mas sobretudo para a tripulação, que viveu momentos inacreditáveis. Pelas 9h10 desse dia, foram avistados vários bandos de alcatrazes (vulgo ganso-patola) a voar em círculos, que se atiravam para o mar como flechas, o que indicava a presença de cardumes de peixe à superfície – com a colaboração fundamental dos golfinhos-comuns.

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Alcatrazes a mergulhar. Foto: Kasia Szczypa
Passados cinco minutos de desligarmos o motor, escutamos um sopro bem perto, de seguida avistamos um longo dorso azul com manchas cinzentas com uma barbatana típica de uma baleia-comum (Balaenoptera physalus), de dimensões duas vezes superiores às do barco (8,5 metros). Espantados – e com uma senhora a chorar de emoção – a tripulação e os fotógrafos mais experientes capturaram o momento em que a baleia surgiu à superfície, algumas vezes ao longo de 30 minutos no mesmo local. Com os golfinhos a nadar à sua frente, a enorme mandíbula da baleia abriu-se para ingerir pequenos peixes, tragando centenas de litros de uma só vez a menos de 20 metros do barco.

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Baleia-comum. Foto: Luís Lourenço

A sensação de uma manhã bem passada não passou despercebida. A emoção e o contentamento dos clientes ficaram bem à vista, refletindo-se nos comentários com maravilhosos adjectivos depois de verem o segundo maior animal do mundo. Poucos dias depois, repetiu-se este feito com outra baleia-comum um pouco menor, ao largo do Guincho. Na embarcação seguiam peritos de um grupo de investigação científica do ISPA, no âmbito do projecto CETASEE (Prof. Manuel Eduardo dos Santos e Dra. Ana Rita Luís), que puderam recolher amostras valiosas, incluindo a gravação de som com apoio de um hidrofone. Graças à partilha da localização por parte de um parceiro em Cascais, tivemos a oportunidade de ir directamente à posição e observar o belíssimo animal, que se fez acompanhar de golfinhos-comuns que denunciavam quando iria voltar à superfície.

Em qualquer um destes avistamentos, a identificação da espécie de cetáceo confirmou-se com o apoio das imagens recolhidas, amavelmente cedidas por alguns clientes a bordo. É que a baleia-comum, também chamada de roqual-comum, apresenta uma coloração assimétrica que tem como principal característica a existência de manchas brancas no flanco direito e de manchas mais cinzentas na lateral esquerda, conforme esta belíssima ilustração de João Tiago Tavares.

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Baleia-comum (Balaenoptera physalus). Ilustração: João Tiago Tavares


Ao contrário do que acontece nos arquipélagos dos Açores ou da Madeira, este tipo de avistamentos em Portugal Continental é menos regular. Pelo que devemos apreciar o momento, recolhendo o máximo de dados possível (condições de mar, presença de aves marinhas, comportamento, posição inicial e posição final, quais as espécies, quantidade estimada e presença/ausência de crias e/ou animais feridos), respeitando sempre o seu espaço num lugar que lhes pertence e também o seu comportamento perante o barco.

 

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Novo artigo demonstra que existem pelo menos três espécies de jamantas nos Açores.​




Acaba de ser publicado online na revista 'Journal of the Marine Biological Association of the UK' um artigo do IMAR-UAc que vem clarificar quais as espécies de Mobulídeos, uma família de peixes cartilagíneos que inclui as mantas e as jamantas, que ocorrem na região dos Açores.
O artigo, da autoria dos nossos colegas Ana Filipa Sobral e Pedro Afonso e intitulado 'Occurrence of mobulids in the Azores, central North Atlantic', analisa as ocorrências históricas bem como numerosas imagens subaquáticas obtidas durante os últimos anos, muitas delas por turistas. De facto, estes animais têm sido alvo de uma procura crescente por parte do ecoturismo, e são muitos os colaboradores que têm enviado fotos para o site de identificação de jamantas, o 'Manta Catalog Azores' (http://mantacatalogazores.wix.com/mobulaid).
A lista de espécies revista mostra que são, pelo menos, três as espécies a visitar a região: a manta gigante (Manta birostris), a jamanta oceânica (Mobula tarapacana), e a jamanta gigante (Mobula mobular), sendo que esta pode na realidade corresponder também a uma quarta espécie, a jamanta de espinho (Mobula japanica). Os Açores são assim o limite norte de distribuição conhecido para estas espécies, e têm implicações directas para a sua conservação, uma vez que algumas espécies desta família são consideradas ameaçadas pela IUCN e CITES.
Pode consultar o artigo aqui
http://journals.cambridge.org/actio...1440&fulltextType=RA&fileId=S0025315414000964
Fonte da notícia: www.intradop.info
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Sidónio Paes conta-nos sobre os muitos avistamentos que têm acontecido na zona da bacia do Tejo, incluindo a observação fantástica do segundo maior animal do mundo, uma baleia-comum, acompanhada por um grupo de golfinhos.


Durante o ano tem sido habitual, nestes últimos anos de pandemia, a observação de cetáceos a entrarem pelo rio Tejo adentro com alguma frequência. Com este fenómeno vivido por vários curiosos, velejadores e profissionais – e descrito num meu artigo anterior – comprovou-se novamente, pelo segundo ano consecutivo, que há padrões de entrada e saída destes mamíferos na bacia do Tejo. Também a época terminou mais uma vez no início de Setembro, à semelhança do que já acontecera em 2020. A ausência dos golfinhos no Tejo durante os dias de lua cheia é igualmente um facto.

Mas serão só golfinhos que se podem observar? Nos pilares da ponte 25 de Abril estão representadas algumas espécies que historicamente entraram pelos seus próprios meios no Tejo desde meados dos anos 50, tais como o golfinho-comum, o golfinho-roaz, o cachalote e a orca. Apesar de também se avistarem com alguma frequência alguns botos (Phocoena phocoena) perto do Bugio e de Caxias, este cetáceo não foi pintado.

Para além destas espécies, no rio é habitual a observação de outras espécies de mega-fauna marinha, como o peixe-lua, o espadarte, o atum, a tartaruga-boba, a tartaruga de couro, o tubarão-martelo, o tubarão-azul (vulgo tintureira), o anequim ou mesmo o tubarão-frade.

No que diz respeito aos cetáceos, é possível observarmos aos saltos golfinhos-riscados, muitas vezes em conjunto com grupos de golfinhos-comuns, o golfinho-de-risso com as suas cicatrizes brancas, baleias-piloto (na verdade são golfinhos) e ainda grupos de orcas – que ultimamente têm causados prejuízos avultados com as suas interações com os veleiros que navegam pelas águas da Península Ibérica.

Mas também se avistam baleias. Avistadas nos últimos anos, algumas espécies de baleias de barbas (Mysticeti) têm por hábito passar por estas águas entre o Cabo da Roca e o Cabo Espichel. Por vezes, chegam-se mais perto da costa, como no Cabo Raso ou no Meco (canhão de Lisboa), e alimentam-se principalmente de cardumes de pequenos peixes pelágicos, tais como a sardinha, o carapau ou a cavala. É por partilharem a mesma dieta com os golfinhos-comuns que é possível observar estas espécies em conjunto, por vezes ambas numa performance sincronizada na captura dos pobres cardumes. Não é de espantar, com tantos nutrientes provenientes do estuário do Tejo, que se observem baleias-anãs, baleias-de-bossas ou baleias-comuns.

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Golfinho-comum e baleia-comum. Foto: Kasia Szczypa

No passado dia 24 de Outubro, um dos passeios para observação de aves marinhas com a SeaEO Tours , que começou bem cedo pelas 8h30, revelou-se um dia muito diferente para os clientes – mas sobretudo para a tripulação, que viveu momentos inacreditáveis. Pelas 9h10 desse dia, foram avistados vários bandos de alcatrazes (vulgo ganso-patola) a voar em círculos, que se atiravam para o mar como flechas, o que indicava a presença de cardumes de peixe à superfície – com a colaboração fundamental dos golfinhos-comuns.

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Alcatrazes a mergulhar. Foto: Kasia Szczypa
Passados cinco minutos de desligarmos o motor, escutamos um sopro bem perto, de seguida avistamos um longo dorso azul com manchas cinzentas com uma barbatana típica de uma baleia-comum (Balaenoptera physalus), de dimensões duas vezes superiores às do barco (8,5 metros). Espantados – e com uma senhora a chorar de emoção – a tripulação e os fotógrafos mais experientes capturaram o momento em que a baleia surgiu à superfície, algumas vezes ao longo de 30 minutos no mesmo local. Com os golfinhos a nadar à sua frente, a enorme mandíbula da baleia abriu-se para ingerir pequenos peixes, tragando centenas de litros de uma só vez a menos de 20 metros do barco.

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Baleia-comum. Foto: Luís Lourenço

A sensação de uma manhã bem passada não passou despercebida. A emoção e o contentamento dos clientes ficaram bem à vista, refletindo-se nos comentários com maravilhosos adjectivos depois de verem o segundo maior animal do mundo. Poucos dias depois, repetiu-se este feito com outra baleia-comum um pouco menor, ao largo do Guincho. Na embarcação seguiam peritos de um grupo de investigação científica do ISPA, no âmbito do projecto CETASEE (Prof. Manuel Eduardo dos Santos e Dra. Ana Rita Luís), que puderam recolher amostras valiosas, incluindo a gravação de som com apoio de um hidrofone. Graças à partilha da localização por parte de um parceiro em Cascais, tivemos a oportunidade de ir directamente à posição e observar o belíssimo animal, que se fez acompanhar de golfinhos-comuns que denunciavam quando iria voltar à superfície.

Em qualquer um destes avistamentos, a identificação da espécie de cetáceo confirmou-se com o apoio das imagens recolhidas, amavelmente cedidas por alguns clientes a bordo. É que a baleia-comum, também chamada de roqual-comum, apresenta uma coloração assimétrica que tem como principal característica a existência de manchas brancas no flanco direito e de manchas mais cinzentas na lateral esquerda, conforme esta belíssima ilustração de João Tiago Tavares.

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Baleia-comum (Balaenoptera physalus). Ilustração: João Tiago Tavares


Ao contrário do que acontece nos arquipélagos dos Açores ou da Madeira, este tipo de avistamentos em Portugal Continental é menos regular. Pelo que devemos apreciar o momento, recolhendo o máximo de dados possível (condições de mar, presença de aves marinhas, comportamento, posição inicial e posição final, quais as espécies, quantidade estimada e presença/ausência de crias e/ou animais feridos), respeitando sempre o seu espaço num lugar que lhes pertence e também o seu comportamento perante o barco.

Interessante também este artigo:


E tal como já tinha colocado neste tópico, parece que esta zona é mesmo importante para várias espécies: https://beachcam.meo.pt/newsroom/2018/01/tubaroes-desfilam-perto-das-aguas-da-capital/

Impressionantes estes registos.
Há cerca de 10 anos, junto ao Padrão dos Descobrimentos, lembro-me de ter visto uma agitação repentina na água (mesmo junto à margem) e de ter visto um enorme vulto a furar a superfície da água (durante a noite) e até hoje não faço a mínima ideia do que se tratava, mas na altura fiquei convencido de que era um enorme peixe, que andava atrás das tainhas ou de outros peixes... Dada a largura do mesmo, e por não surgir à superfície antes e depois do sucedido, não me pareceu que fosse um golfinho ou outro mamífero marinho. Talvez um peixe-lua ou um enorme atum, mas sem certezas.
 
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Desconhecia que antigamente existiam tartarugas marinhas a desovar no Algarve.
Atualmente soltar crias de tartaruga marinha em certas praias, para depois as tartarugas voltarem a essa praia quando forem adultas para desovar, é um processo que deve ser antecedido por uma investigação.
Parece-me, ainda assim, que é possível encontrar locais propícios na Ria Formosa e na zona de Monte Gordo, por exemplo, mas tal exigiria acompanhamento (que também poderá ser exercido por voluntários).
As vantagens de voltar a ter tartarugas marinhas a desovar na praia, são realmente enormes.
Mas como já disse e digo de novo, é uma questão de investigar primeiro e averiguar aspetos como os padrões das migrações, de abundância de alimento, as correntes marinhas, as temperaturas, etc...


PS: A ilha de Porto Santo, eventualmente também poderá ter boas condições, mas não sei de registos históricos que confirmem a nidificação de tartarugas nesta ilha. É no entanto bem possível que tal pudesse ter ocorrido.
 
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