Monitorização Criosfera - 2016

AnDré

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Estava agora a olhar para os gráficos da área de superfície de gelo no mar do Árctico.
Tendo em conta a monitorização por satélite que começou em 1979, este ano o Árctico conta com a menor superfície de gelo, para o período de inverno, desde o início das observações.
(Linha amarela)

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A área de gelo do Antárctico, depois de 4 anos sempre com anomalias positivas, que de certa forma contrabalançavam as anomalias do pólo norte, regressou aos valores médios das últimas 3 décadas:

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Em termos globais e segundo o gráfico seguinte, há dias também se registou a menor área de superfície de gelo no mar (árctico + antárctico) desde o inicio das medições (1979). Pouco mais do que 14 milhões de km2.
Não me refiro à anomalia mas à área de gelo.

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DaniFR

Nimbostratus
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Um Pólo está a derreter e o outro cada vez tem mais gelo, porquê?

O Planeta está constantemente a surpreender os cientistas, monitorizam o ambiente e chegam a conclusões alarmantes. Contudo, há episódios que têm explicações complexas, por vezes milenares.

Um caso que há várias décadas tem preocupado a comunidade científica no que toca ao ambiente é o gelo dos pólos. A extensão do gelo em ambos os pólos está a quebrar recordes. Mas por razões diferentes. Enquanto o Árctico está a perder gelo a grande velocidade já a Antárctida tem mantido a sua placa gelada e há mesmo quem afirme que cresceu nos últimos anos. Mas qual será a razão?

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Desde os anos setenta, a extensão de gelo da Antárctida permaneceu surpreendentemente estável. Especialmente se considerarmos o aumento das temperaturas que temos visto ao longo dos últimos quarenta anos. O chamado efeito estufa tem contribuído para esse factor e nem com os vários protocolos, como o Protocolo de Quioto, parece haver um resultado visível.

Durante várias décadas os cientistas apresentaram várias teorias para tentar explicar este fenómeno. Tem sido especulado o papel da destruição da camada de ozono e as possíveis diferenças no nível de salinidade do mar, além do reforço progressivo dos ventos da Antárctida. Mas nenhuma teoria foi tida como satisfatória. Há claramente algo que está a proteger o gelo, mas só não se sabia era o quê. A NASA agora acredita ter encontrado a resposta a este mistério.



Opostos de facto muito diferentes
Uma equipa de NASA, a NOAA e algumas universidades identificaram dois factores geológicos da Antárctida e do Oceano Antárctico que explicam este comportamento estranho do gelo no Pólo Sul. São eles a topografia da Antárctida e do oceano profundo que a circunda. Esses dois factores são fundamentais para a compreensão de como os ventos e as correntes oceânicas ajudam a formação e evolução do gelo da Antárctida.

O nosso estudo fornece uma evidência muito forte de que o comportamento do gelo no Oceano Antárctico é completamente consistente com as características geofísicas encontrados na região polar do sul. Características que são completamente diferentes das apresentadas pelo Árctico.

Referiu Son Nghiem investigador no Jet Propulsion Laboratory e responsável da equipa.



Mas afinal de onde vem esse gelo?
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A variação entre a extensão máxima do gelo (em Setembro) e o comprimento mínimo (em Fevereiro) permaneceu o mesmo desde que os investigadores começaram a fazer medições: cerca de 17%.

Esta estabilidade tem sido um desafio para os cientistas. Para superar este desafio, Nghiem e a sua equipa decidiram a mudar o foco. Eles analisaram todos os dados compilados pelo satélite da NASA, o Quickscat, entre 1999 e 2009. Como resultado foram capazes de classificar os diferentes tipos de gelo e identificar padrões neste movimento.



O velho que protege o novo
O que eles descobriram é realmente fascinante. Normalmente pensamos que o mar está a congelar concentricamente do pólo para o exterior: como se fossem camadas de uma cebola. Desta forma, o velho gelo é protegido por gelo jovem que serve de invólucro. Então é assim que cresce e diminui o gelo no Árctico; no entanto, isso não é o que acontece no Oceano Antárctico.

Novas análises mostram que, pela geofísica Antárctida e ao contrário do que acontece no Norte, as correntes e os ventos empurram o gelo mais velho, compacto e robusto para longe da costa. Desta forma, este cria uma camada protectora que permite que o gelo mais jovem se desenvolva longe das zonas quentes do oceano. Portanto, a extensão do gelo é muito mais estável: esta camada de gelo de idade (entre 100 e 1000 km) isola e protege o gelo mais jovem do aquecimento global.

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Esta parece ser a explicação científica que vem desvendar um dos maiores mistérios do Pólo Sul. Mas este é apenas um mistério resolvidos, mas há ainda tantos que não foram ainda descobertos.

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