Nova zona de subducção ao largo da costa Portuguesa

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Cumulonimbus
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10 Abr 2008
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A confirmar-se, é uma descoberta muito interessante e importante.


Cientistas descobriram fractura tectónica em formação ao largo da costa portuguesa

Após os grandes terramotos de 1755 e 1969 em Portugal, já se suspeitava que algo estivesse a acontecer no fundo do Atlântico, próximo da Península Ibérica. Agora, cientistas portugueses, australianos e franceses afirmam ter descoberto os primeiros indícios desse fenómeno.

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A descoberta de uma zona de subducção nas suas primeiríssimas fases de formação, ao largo da costa de Portugal, acaba de ser anunciada por um grupo internacional de cientistas liderados por João Duarte, geólogo português a trabalhar na Universidade de Monash, na Austrália.

A confirmar-se que o fenómeno, em que uma placa tectónica da Terra mergulha debaixo de outra, está mesmo a começar a acontecer, como concluem estes cientistas num artigo publicado online pela revista Geology, isso significa que, daqui a uns 200 milhões de anos, o Oceano Atlântico poderá vir a desaparecer e as massas continentais de Europa e América a juntar-se num novo supercontinente.

João Duarte e a sua equipa de Monash, juntamente com Filipe Rosas, Pedro Terrinha e António Ribeiro, da Universidade de Lisboa e do Instituto Português do Mar e da Atmosfera – e ainda Marc-André Gutcher, da Universidade de Brest (França) – detectaram os primeiros indícios de que a margem Sudoeste Ibérica – uma margem “passiva” do Atlântico, isto é, onde aparentemente nada acontecia –, está na realidade a tornar-se activa, explica em comunicado aquela universidade australiana. A formação da fractura foi detectada através do mapeamento pelos cientistas, ao longo de oito anos, do fundo do oceano nessa zona.

“Detectámos os primórdios da formação de uma margem activa – que é como uma zona de subducção embrionária”, diz João Duarte, citado no mesmo comunicado.

E o investigador salienta que a actividade sísmica significativa patente naquela zona, incluindo o terramoto de 1755 que devastou Lisboa, já fazia pensar que estivesse a produzir-se aí uma convergência tectónica.

A existência desta zona de subducção incipiente ao largo de Portugal poderá indiciar que a geografia dos actuais continentes irá evoluir, ao longo dos próximos 220 milhões de anos, com a Península Ibérica a ser empurrada em direcção aos Estados Unidos. Este tipo de fenómeno já terá acontecido três vezes ao longo de mais de quatro mil milhões de anos de história do nosso planeta, com o movimento das placas tectónicas a partir antigos supercontinentes (como o célebre Pangeia, que reunia todos os continentes actuais) e a abrir oceanos entre as várias massas continentais resultantes.

O processo de formação da nova zona de subducção deverá demorar cerca de 20 milhões de anos, fornecendo aos cientistas uma “oportunidade única” de observar o fenómeno de activação tectónica.
http://www.publico.pt/ciencia/notic...formacao-ao-largo-da-costa-portuguesa-1597634
 

fablept

Nimbostratus
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12 Nov 2008
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Boffins find evidence Atlantic Ocean has started closing

'Embryonic subduction zone' that flattened Lisbon headed for Blighty


On November 1st, 1755, the Portuguese capital Lisbon experienced a very nasty earthquake. Up to 100,000 people died and much of the city was destroyed.

A Portuguese scientist working in Australia now says the earthquake was caused by an 'embryonic subduction zone' that may split the Eurasian tectonic plate and cause the Atlantic ocean to close.

Before we go on, a quick and very simple tectonics refresher. Earth's crust is comprised of “plates”, colossal slabs of rock that move above the rather less solid stuff beneath.

When plates collide, the denser plate slips beneath the other and heads for the earth's mantle. As this happens, the top plate gets pushed upwards and hot rocks from the mantle get a chance to rise. The result is more volcanic activity, new volcanoes and mountain formation.

This all happens at a rate of centimetres a year, except when big slips occur. When that happens, earthquakes are the result as the plates slip, wobble about and settle.

Which explains Lisbon 1755 … except that no-one had spotted any subduction zones near the city that would explain the quake.

Enter Dr João Duarte who, as part of his PhD studies, conducted an extensive survey of the ocean floor off Portugal, especially a feature called Gorringe Bank. As Dr Duarte explained to The Reg , and reveals in a newly-released paper “Are subduction zones invading the Atlantic? Evidence from the southwest Iberia margin” from today's issue of Geology, the underwater mountain that is Gorringe Bank's main feature looks an awful lot like a nascent subduction zone, at least based on newly-observed fault lines.

Dr Duarte, a research fellow at Australia's Monash University, says his surveys found “the very beginnings of an active margin - it's like an embryonic subduction zone.”

The term “margin” is important because the Eurasian plate extends all the way to the mid-Atlantic ridge. Dr Duarte thinks the nascent subduction zone will split that plate in two, one continental and one oceanic.

Intriguingly, Dr Duarte hypothesises the new subduction zone is forming because the collision of African and Eurasia has just about run its course, having already spawned the band of mountains from Gibraltar to the Himalayas. When such events end, new subduction zones start to appear. Dr Duarte says we know this because, as the Pacific plate settles down, two newish zones have already been spotted in the East Atlantic. One is in the North Atlantic, near the Caribbean Sea, and another lies between South America and Antarctica, beneath the 55th parallel. The features observed at Gorringe Bank resemble those new zones.

The Gorringe Bank's sea mount, which rises nearly 5000 metres from from the sea floor to just 30 metres below sea level, is therefore a sign the plate is already starting to subduct and cause new mountains to form. And, as Lisbon knows only too well, making earthquakes.

Newly-appearing subduction zones are, Dr Duarte added, to be expected as part of Earth's “super-continent cycle” that sees much of earth's land come together in very large continents. That cycle takes 300m to 500m years, and Dr Duarte said he thinks the appearance of the new subduction zone off Portugal shows that the process continues and that the Atlantic will one day become part of a new super-continent.

That's bad news for Portugal and even for Britain, which Dr Duarte thinks will eventually become part of the subduction zone. The good news is that the zone isn't expected to become fully active for another 20 million or so years. And it'll be ten or eleven times that long before the Atlantic's gone. ®


Fonte:
The Register

Notícia com mais alguma info de um jornal do Reino Unido.
 

Paulo H

Cumulonimbus
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2 Jan 2008
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Só nos faltava mais esta.. Portugal em recessão e agora também em subdução!
Não há paciência.. :S

Então significa que se está ativando uma falha, ao longo do SW algarvio, em que a crosta oceânica vai começar a meter-se para baixo da crosta continental no Algarve. Como consequência iremos ficar com menor área marítima, à medida que a América se aproxima. Outra consequência poderá ser a formação de cadeias montanhosas ao longo da costa portuguesa, provavelmente de origem vulcânica mas só daqui a 20milhões de anos! :)

Nota: os Alpes formaram-se assim..
 

Zapiao

Nimbostratus
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20 Set 2006
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A mim preocupa-me mais é se esta nova falha irá produzir sismos com frequencia:confused:......
 

Paulo H

Cumulonimbus
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2 Jan 2008
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Em princípio sim, devem aumentar de frequência, mas ao longo de milhões de anos.. É uma questão de energia potencial acumulada, isto é, mais vale muitos sismos e pequenos, que 1 por século e de consequências catastróficas.

Mas isto não quer dizer nada.. Temos o grande vale do rifft, que vai literalmente separar uma parte de áfrica na costa junto ao índico (mais ou menos entre os países a norte de moçambique e a etiópia). Contudo, nem há sismos de grandes proporções por lá.. Têm um vulcão no monte kelimanjaro. Mas neste vale, chamado de berço da humanidade, o fenômeno é o oposto, pois vai separar uma parte de áfrica.
 

Gil_Algarvio

Nimbostratus
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23 Mar 2009
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A confirmar-se (e aparentemente esta praticamente confirmado) esta é a descoberta geológica mais importante do século, e falo apenas século porque a tectónica de placas é uma descoberta ainda recente nesta ciência.

Mas nada disto é motivo para ficar assustado ou com medo.
Estamos a falar da escala geológica. Nenhum humano assistirá ao típicos vulcões de substrução sobre "Portugal" (como os da cordilheira dos Andes).

Já haviam muitos rumores sobre esta possibilidade.
Isto porque sismos de magnitude como os de 1755 e os anteriores são sismos quase que única e exclusivamente característicos de zonas de subducção!!

O que muda isto na nossa vida comum?
Absolutamente nada!!
Com a excepção que agora temos base cientifica justificativa para os sismos ocorridos e certezas absolutas para novos sismos de grandes magnitudes.
Quando? Continua a não se saber...


E assim confirma-se o Atlântico no pleno da etapa nº 3 do ciclo de Wilson e a querer começar a 4ª etapa.