Não defende nada disso, nem consigo perceber bem o que referes. Importante é perceber que os sectores mais competitivos da nossa economia são precisamente os que estão mais expostos à concorrência externa. O Euro pode ter tido muitos efeitos adversos, até de certa forma devastadores a certa altura, mas já assimilámos isso há muito. E o que muita gente por aí defende é um retrocesso de décadas, têm a ilusão de que a competitividade portuguesa deve ser feita ao nível duma moeda própria e fraca, baixos salários via inflação, etc, e voltarmos a ser a "China" da Europa, regressar aos tempos da década de 80 em que as fábricas têxteis e de calçado eram sweatshops aonde trabalhadores tinham que pedir permissão para ir à casa de banho uma vez por dia. Já estamos muitos graus acima disso, por favor, não voltemos atrás, custou mesmo muito chegar aqui.
Foi dentro do euro que o turismo explodiu, não foi fora, assim como foi dentro do euro que as exportações atingiram recordes. O português acomoda-se quando as coisas estão «fáceis», quando ganha à justa para comida na mesa e para pagar os créditos. Um mercado interno fechado ao mundo é a pior coisa que podem oferecer aos portugueses, estando protegidos da concorrência externa vão todos acomodar-se uns aos outros e o país vai atrasar-se. É esse mercado protegido e fechado que quer a Esquerda, e que quer alguma Direita saudosista. O euro e a abertura à concorrência externa obrigou os portugueses a revelarem-se, é nas dificuldades e nos apertos que os portugueses se mostram, somos como o nosso clima, de extremos. Voltar ao escudo e sair da UE seria sinónimo de décadas de atraso e empobrecimento, em 2050 seríamos um país atrasado relativamente ao Ocidente como éramos há 20 ou 30 anos. Nasci em 87, ainda me lembro de muita coisa que hoje já não se vê, foi no início dos anos 90...
- casas sem WC, as pessoas faziam as necessidades debaixo das alfarrobeiras e tomavam banho em alguidares;
- aldeias sem electricidade nem telefone, sem recolha de lixo e sem pontes, que ficavam isoladas quando chovia, as estradas também não tinham asfalto;
- as classes médias compravam a roupa aos ciganos, nas feiras, só iam às lojas comprar roupa para dias especiais, e a roupa das feiras era obviamente de má qualidade e portuguesa...;
- para se comprar diversos produtos alimentares, calçados, electrodomésticos, entre outros, ia-se a Espanha, pois em Portugal não havia;
- havia apenas TV pública;
- os cinemas locais passavam os filmes por vezes com seis meses de atraso em relação aos cinemas de Lisboa;
- os horários do comércio coincidiam com os horários de trabalho;
- mercearias com reduzida variedade de produtos e de má qualidade;
- barracas de praia que eram restaurantes, sem condições de segurança, conforto ou higiene.