Está-se quase a entrar em Janeiro. No ano novo entram em vigor as novas leis do
bail-in. Ora, se o Novo Banco precisar de mais dinheiro o que é que vai acontecer? O estado vai ter que forçosamente meter, sozinho, claro, porque os restantes banqueiros
socialistas na altura de receber mas neo-liberais na altura de pagar não estão muito para aí virados. Não estou a ver que o banco seja vendido a breve prazo. E como vai ser
reestruturado, o processo de venda deve ser iniciado, a meu ver e no mínimo, no final do ano que vem. O
bail-in será uma bomba atómica quando for usado num qualquer país da Europa mais relevante (algo que Chipre não é). Destrói completamente a confiança no setor bancário (que tem a infeliz tendência de cair como um dominó). Como já escrevi no tópico internacional, quando isto acontecer (porque os bancos vão continuar a falhar), as vozes para o dinheiro digital vão aumentar. Não é assim tão descabido. Um
banqueiro grego quase implorou para que as pessoas voltassem a depositar o seu dinheiro. E
suíços e
suecos já estão nesse caminho. Nessa perspetiva, o banco postal dos CTT aparenta ser uma boa opção. Excluíndo a sua dívida operacional, não há exposição a produtos complexos, dívidas públicas, hipotecas...
Num outro assunto, a austeridade nunca poderá ser a solução para todos os países com dívidas elevadas. Os EUA têm uma dívida elevada, toda a gente sabe isso. E se fomos ver as promessas futuras (pensões, etc), o custo é astronómico. Porque é que nos EUA não pode haver austeridade?
Tilford cites a litany of sobering statistics showing just how profligate Americans have been in using and abusing natural resources. For example, between 1900 and 1989 U.S. population tripled while its use of raw materials grew by a factor of 17. “With less than 5 percent of world population, the U.S. uses one-third of the world’s paper, a quarter of the world’s oil, 23 percent of the coal, 27 percent of the aluminum, and 19 percent of the copper,” he reports. “Our per capita use of energy, metals, minerals, forest products, fish, grains, meat, and even fresh water dwarfs that of people living in the developing world.”
http://www.scientificamerican.com/article/american-consumption-habits/
Porque toda a gente em todo o lado irá de arrasto. E isso acontecerá de forma dramática. Não se pode cortar e toda a gente fecha os olhos. Nem os chineses se vão salvar*:
Each year, China sells goods to us at very low prices. For example, Chinese workers need to use millions of T-shirts to exchange for one Boeing 737-800 airplane from us (at about $5 per T-shirt). More than that, they even lend goods to us by keeping our paper money for a long time.
The result is a huge trade deficit with China: For every dollar Americans spend on Chinese goods, Chinese spend 30 or fewer cents on American goods. China currently holds a total of $3.7 trillion in foreign reserves, mostly in U.S. dollars or U.S. government bonds. This means that U.S. consumers have been enjoying huge quantities of low-cost goods by borrowing cheaply from China at negative real interest rates.
https://www.stlouisfed.org/on-the-economy/2015/july/us-large-trade-deficit-china
* Nos circuitos das teorias da conspiração russos e chineses tem muito, mas muito mais ouro do que afirmam ter. Algo que algum dia será comprovado. O ouro não salvará a China devido à sua divida elevada mas pode ajudar a estabilizar a moeda.
Por fim:
Porque é que não há clientes (algo mais importante que a regulação, componente que é largamente indicado como o principal responsável de quase tudo)? Consumidores endividados não conseguem suportar estados também eles endividados (a crise de 2008 foi de dívida
privada). Certas coisas não acontecem só em
Portugal:
How indebted are swedish households?