O Estado do País 2015

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O BANIF estava 99% nas mãos do estado. O governo tinha obrigação de saber muita coisa.
Custa-me aceitar uma cratera deste tamanho, é muito dinheiro para um banco médio.
O BANIF é um dos piores casos em toda a europa, pior que as caixas espanholas... muito mau mesmo.

Com 'pessoas' refiro-me aos acionistas. O buraco estava lá e provavelmente o governo de PPC já sabia. Daí o adiamento da venda do banco. Provavelmente já sabiam que ia dar nisto (implementação da resolução).
 
A Banca há uns anos recusava empréstimos a empresários da indústria e da agricultura, havia fábricas do Norte com encomendas asseguradas sem capital para matérias-primas que não podiam responder às encomendas por falta de crédito, houve muitos projectos na área dos vinhos ou do azeite que não avançaram por recusa da Banca. No entanto, dinheiro não faltou para o imobiliário, no Algarve há dezenas de mega projectos falidos, caso do Autódromo do Algarve, do empreendimento dos Salgados, vários PINs com campo de golfe, o Verde Lago que nunca avançou...

Em Faro o PS queria autorizar a construção no que resta de pinhal no Parque Natural da Ria Formosa, em Olhão queriam autorizar a construção da Quinta de Marim, onde está a sede do Parque Natural. Autorizaram ainda a construção em cima da água na Fuzeta e em Tavira estão casas em cima do sapal e das salinas. Em Castro Marim está um projecto abandonado junto ao Rio Guadiana e do lado de lá do rio está uma mega urbanização falida, a maior falência de sempre em Espanha. Quem vai pagar estas loucuras? Quem emprestou o dinheiro? Dizem que a maior parte saiu do BCP e da CGD...

Há uns anos o Alisuper esteve para falir, entretanto apareceu o Algartalhos, toda a gente viu que se não dava para o Alisuper muito pior seria com duas cadeias a concorrer entre si. Parece que o Alisuper está em dificuldades em várias lojas, parece também que houve influências políticas para a Banca e o Estado emprestarem o dinheiro e o Alisuper não falir. Faz sentido? Não faz. Em Portugal a incompetência financeira atinge níveis estratosféricos.
 
Este modelo de desenvolvimento teve o seu embrião no Estado Novo mas o vício vinha do final da Monarquia pois nessa altura o imobiliário já tinha um peso relativo elevado e foi fonte de fortunas juntamente com monopólios concedidos pelo Estado. Em democracia os juros baixos alimentaram como nunca o monstro. O PS costista defende este modelo baseado no consumo e na construção, o mesmo que destruiu a paisagem e arruinou a economia do país. Teremos o que merecemos.
 
Não é bem a mesma coisa.. O BES não recorreu aos cocos, teve aumento de capital sem intervenção do estado, e por fim foi resolvido dividindo ativos bons e maus em 2 bancos.
O Banif recorreu aos cocos, teve aumento de capital, teve uma participação do estado no seu capital (60%), e apesar de ter atualmente lucro não tem capacidade de devolver os empréstimos ao estado. A solução era vender, e julgo que teve interessados ao longo deste tempo, mas alguns afastaram-se com a crise na china.

O que o costa decidiu foi pagar 2 ou 3 mil milhões, e assim vender por 150milhões. Tudo isto para assegurar garantia aos depositantes com mais de 100mil euros. Não estavam em risco os depósitos com menos de 100mil euros. A decisão é política, boa ou má, veremos o que nos vai custar a todos.

Mas o que me surpreende é que há uns tempos atrás, a esquerda era da opinião que se a banca tem problemas, não pode recorrer ao dinheiro dos contribuintes. Se tem de falir, então que caia de vez.
 
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Segundo uma publicação diária, nos últimos 4 anos, os trabalhadores do Porto de Lisboa estiveram em greve durante 440 dias.

É obra, estar quase um ano e meio sem trabalhar e ainda por cima de forma legal, não é para qualquer um.

Felizmente que temos sindicatos e trabalhadores com tão elevados valores morais, senão ainda nos arriscavamos a ser um país pobre e sobreendividado. :facepalm:
 
Ontem fiquei a saber que a Maria Luís sabia tanto sobre o Banif como eu. E depois, em 2 minutos, que há um claro problema de supervisão na banca nacional e, ao mesmo tempo, que mantém toda a confiança em Carlos Costa. Ok...
 
Apesar de se terem feito algumas alterações na supervisão nos últimos anos, o problema principal mantém - se.

A supervisão continua a ser feita com base em papeis ou documentos digitalizados enviados ao BP. E o BP , como são banqueiros e de boas famílias, parte de imediato do princípio que são de uma honestidade angélica e não questiona mais nada. Pelo menos, é a ideia que todos os governadores dão a entender.

Resta - nos rezar e fazer figas para que os outros banqueiros sejam mesmo muito honestos, senão não há dinheiro que chegue para salvar tantos bancos.
 
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mantenho... não esperava que o BANIF se transformasse nisto. Tinha uma imagem diferente até pelo controlo público e dos reguladores que sabe-se agora foi displicente, melhor dito, foi uma vergonha.
 
Houve toneladas de regulação nova nos últimos anos. O problema do Banif é anterior a tudo isso, muito crédito mal parado na construção/imobiliário, e nem são particulares onde também existe esse problema mas tem muito menor expressão, é mesmo construtoras que faliram com empreendimentos que não conseguiam vender. Como referi ontem, ainda é ressaca dos anos loucos do crédito fácil. A única coisa que se pode questionar é se nestes últimos anos haveria ou não soluções melhores. Há boas e más razões para adiar determinado cenário. Esperar que existisse uma recuperação no imobiliário para vender activos encalhados por exemplo, ou esperar diluir custos em défices de anos seguintes, etc. Ou más razões, eleitoralistas por ex.



Eu estava a centrar - me apenas na supervisão. É que depois da vergonha que foi a ( não) supervisão do " BPN ", parece que o problema base subsiste.

Ainda ouvi ontem a Maria Luís Albuquerque a confessar que continua a haver um problema grave na supervisão.
 
Onde estão agora aqueles que afirmaram que o BPN foi vendido a um preço simbólico ( ou dado, segundo palavras dos mesmos) ?

E agora, não dizem que o BANIF também foi dado por um governo PS ( com apoio da esquerda radical) a privados?

E com um " buraco " infinitamente mais baixo que o BPN.


Estas " crises " na Banca também serviram para fazer cair outro mito. A de que o Estado é que gere bem a Banca.

Nada mais errado. A CGD está, de à muito, com dificuldades estruturais e de liquidez já para não falar dos créditos duvidosos. O BPN e o BANIF estiveram nas mãos do Estado e não houve nenhuma corrida de depositantes para colocar lá o seu dinheiro. Pelo contrário, os bancos continuaram a definhar.

E a regulação, nomeada e controlada pelo Estado ( não por privados) é a maravilha que se vê.
 
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