O Estado do País 2015

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Mas que mimos foram esses ? Que o PCP é anti-europeísta ou que o programa do PS está muito mais próximo do governo que os programas do BE e PCP ? Ou que o PS historicamente sempre esteve ao lado do PSD em questões europeias aonde esses partidos muitas vezes foram contra? Isso são mimos, em que sentido? Mimos do tipo elogios para ti não? Tu mesmo te tens mostrado fortemente anti-europeísta, e não deve haver quase nada com que te identifiques naquele programa económico apresentado pelo PS há uns meses atrás. Estás portanto indignado com algo que o Cavaco disse, mas tu próprio dizes, pensas ou defendes há meses ou mesmo anos isso mesmo?

O partido onde votei tem 17 deputados... não tem 86 como o PS. Como é que posso impor a saida do Euro? Como é que posso impor a saída da NATO?
O PR sabe isto tão bem como toda a gente mas impôs a exclusão do BE e do PCP por causa do Euro, da NATO e de outras coisas do género.

Não estará no acordo mexer em nada disso.
 
andas perdido...

Alvaro Cunhal apelou ao voto em Mário Soares nas presidenciais de 86.

O teu assunto é apenas calcular o tamanho da humilhação... o teu interesse sobre o país e sobre a melhoria das condições de vida das pessoas é nenhum.

Vou chegar à mesma conclusão que cheguei com o Orion... o teu partido é abstenção e isso dá-te a liberdade de criticar todos os outros.
 
Em tudo o que puder beneficiar os salários e os rendimentos do trabalho, o PCP votará sempre a favor... sempre foi assim.
Se para isso se tiver de acordar com o PS, pois que seja. O Bernardino Soares está em Loures com o PSD... mas é o benefício das populações e não os negócios privados que mandam.
 
Já não vou poder comprar uma vivenda ou um carro novo?

Pois, isso não sei. Terás de ser tu a responder. Comigo, esse tipo de decisões não dependem de quem governa. Dependem da minha bolsa. E nesse aspecto, até sou bastante 'antiga'. Não há dinheiro para comprar a pronto, não se compra. Talvez abrisse uma excepção, sempre muito bem ponderada, no caso de uma habitação, mas pessoalmente essa questão não se me coloca.
 
Em tudo o que puder beneficiar os salários e os rendimentos do trabalho, o PCP votará sempre a favor... sempre foi assim.
Se para isso se tiver de acordar com o PS, pois que seja. O Bernardino Soares está em Loures com o PSD... mas é o benefício das populações e não os negócios privados que mandam.

O que a malta está com dificuldade em perceber é que quer PC quer BE estavam perante duas inevitabilidades: ou governa a Coligação ou governa o PS. Perante essa realidade, podiam não fazer nada (como historicamente - mais o PCP pela sua longevidade - sempre fizeram) ou podiam tentar impedir a Coligação de governar mais não sei quanto tempo. Tudo isto, sem que os seus programas e ideais estejam, naturalmente, em questão. Quando quer o PSD quer o PS deixaram o outro governar, que se saiba também não 'absorveram' os programas e ideais um do outro. O mais engraçado é que a direita sempre criticou os partidos mais à esquerda por serem eternamente partidos de contestação e de votos de descontentamento mas incapazes de assumirem responsabilidades. No dia em que isso muda, mesmo que ligeiramente, cai o carmo e a trindade. Não sejamos ingénuos. Não é verdade que durante a campanha não tivessem havido sinais de aproximação. Houve vários. Só que a direita (e uma parte da esquerda) não o levaram a sério e não acreditaram que fosse possível, ainda que não haja certezas de nada. É natural que o facto de as esquerdas passarem a conseguir dialogar não seja do agrado da direita, pois retira-lhes uma vantagem que há 41 anos possuem: deixam de ser os únicos a poderem coligar-se. Mas ao contrário do que muitos querem acreditar, as circunstâncias mudam e as tradições também. Como dizia o anúncio, claramente já não são o que eram. Aconteça o que acontecer, estamos a viver um momento histórico. Não porque algo de muito substancial possa alterar-se nas nossas vidas a curto ou a médio prazo, mas porque o paradigma se alterou. Como não acredito em evolução sem mudança, venha ela. Nada é definitivo e imutável a não ser a morte. Se não correr bem, é só mais um exemplo entre tantos nas última décadas.
 
Pois, isso não sei. Terás de ser tu a responder. Comigo, esse tipo de decisões não dependem de quem governa. Dependem da minha bolsa. E nesse aspecto, até sou bastante 'antiga'. Não há dinheiro para comprar a pronto, não se compra. Talvez abrisse uma excepção, sempre muito bem ponderada, no caso de uma habitação, mas pessoalmente essa questão não se me coloca.

Eu também sou assim "à antiga" :), não gosto de sustentar bancos (os chamados agiotas na gíria de esquerda).

Mas por estranho que pareça, a esquerda parece defender os agiotas, propondo nacionalizar as suas dívidas como no passado (bpn, bpp) e agora talvez com o bes. Parece que prometem tudo fazer para subir os juros da dívida soberana.

Sejamos justos, não há aumento de impostos que chegue para metade das despesas que prometem! Isto é ser realista. Mas também podemos ser sonhadores por uns tempos, até ao dia em que bruxelas vai chumbar por incumprimento do tratado orçamental.

Aí vem o balde de água fria e a esquerda atira-se ao PS com tudo o que tem. Acaba o casamento!

Quanto à mensagem do PR, quer parecer-me que para aceitar outro governo basta que o BE e PCP assinem preto no branco, que ao comprometer-se com o PS vão fazer cumprir o tratado orçamental da união europeia.

Coisa que eu não acredito, uma coisa é o camarada jerônimo, outra é o comitê central do partido. Veja-se o que diz "o avante", ou a idéia de subsidiar quem pretenda sair do euro. Tudo isto para acalmar os militantes. Não quero ofender ninguém, é apenas a minha interpretação..


Quanto a outros eventuais cenários (governo de gestão, ou governo de iniciativa presidencial), já não acredito. Basta pensar nas manifestações diárias que iriam originar (sindicatos, partidos,..). Embora um governo de gestão não fosse pior bicho, que um PS coligado à esquerda (troika de regresso).
 
Mas o défice foi cumprido, até agora, nestes últimos anos, por acaso? Ou a direita pode não cumprir e é na boa e a esquerda se não cumprir leva 'tau-tau'?

Aí vem o balde de água fria e a esquerda atira-se ao PS com tudo o que tem. Acaba o casamento!

E então? Se acabar acaba! O governo de Sócrates caiu. O de Santana Lopes, também. Este não caiu (mas ficou bem caro!) por causa do irrevogável porque não calhou. E ainda cá estamos. Quedas de governos fazem parte das democracias.
 
Já agora, a título de curiosidade, em 2014 só 9 países da zona Euro cumpriram o limite de défice inferior a 3%...
 
O ano vai terminar com défice abaixo de 3%. O que queres dizer é o défice que poderia resultar de uma venda menos boa do bes. Isso é como as acções, só perdes se venderes mais barato.

A do bes não foi criada pelo governo, concordamos? O governo só podia nacionalizar ou vender, concordamos? Então creio que é um "não assunto".

E o problema Cláudia nem é ter 2 ou 3 ou 10% de défice a somar à dívida. Um país, tal como uma empresa ou pessoa, só está falido quando já ninguém lhe empresta a juros sustentáveis.


Seria uma pena voltarmos ao início e ainda mais pobres. Já nem valeria a pena ter assistência financeira, pior ainda que a grécia.. Até dava razão à esquerda, mais valia fazer balout e dedicar-nos a cultivar couves e batatas na horta.
 
mas é o benefício das populações e não os negócios privados que mandam.

Benefício das populações? Por favor, nem tu acreditas nisso. O que está aqui em questão é a sobrevivência política (a prazo) de uma pessoa (Costa) e uma brilhante jogada por parte de PCP e Bloco para dar um golpe no PS.
Isto não tem nada a ver com as presidenciais de 1986 (o apoio a Soares foi numa 2ª volta, e acabou no dia das eleições, este terá de durar um pouco mais). Trata-se da oportunidade histórica do PCP e do Bloco entrarem nas contas da governação, pela primeira vez em mais de 40 anos têm boleia para tal, a apanham-na.
A partir de agora, PCP e Bloco disputarão todos os votos à esquerda com o PS e acabaram-se os votos úteis, a dispersão de votos à esquerda será ainda maior (e os que ficaram de fora, Livre e afins, vão também beneficiar a curto prazo com a institucionalização de PCP e BE), o que vai beneficiar a direita (cada vez mais unida).
E tudo por culpa do PS que os trouxe para o "arco da governação" (não confundam as coisas, na minha opinião têm todo o direito de estarem lá, não partilho da opinião do PR, uma democracia só existe se for total, o mesmo se deveria aplicar à extrema direita; não é por não concordarmos com uma ideologia que devemos condicionar a democracia).

Quando quer o PSD quer o PS deixaram o outro governar, que se saiba também não 'absorveram' os programas e ideais um do outro.

Que são basicamente os mesmos há mais de 20 anos.

Não é verdade que durante a campanha não tivessem havido sinais de aproximação. Houve vários. Só que a direita (e uma parte da esquerda) não o levaram a sério e não acreditaram que fosse possível, ainda que não haja certezas de nada.

Concordo plenamente, houve até manchetes de jornais sobre isso, todos estavam avisados, e foi isso que provocou a subida da coligação nas últimas semanas antes das eleições.

Aconteça o que acontecer, estamos a viver um momento histórico. Não porque algo de muito substancial possa alterar-se nas nossas vidas a curto ou a médio prazo, mas porque o paradigma se alterou.

Volto a concordar, e este é o erro do PS. O PS vai permitir uma alteração de paradigma em que é o único prejudicado a troco de alguns meses no poleiro. Consigo perceber o desespero de Costa, é a sua única alternativa, consigo perceber a alegria dos "jovens turcos" (não têm nada na cabeça, senão não admitiam que os chamassem dessa forma, o governo dos jovens turcos foi o responsável pelo genocídio de mais de um milhão de arménios durante a Primeira Guerra), mas espanta-me que o resto do PS (a maioria) alinhe nesta estratégia suicidária.

Ferro Rodrigues

Espanto-me que as pessoas que gostam de apresentar aqui vídeos engraçados do passado ainda não tenham partilhado connosco um vídeo da 2ª figura do Estado a dar umas opiniões sobre o segredo de justiça. E os indignados de Facebook não estarem em fúria por um indivíduo destes conseguir chegar a esse cargo.
 
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Que são basicamente os mesmos há mais de 20 anos.

Discordo. Então nos últimos 4 anos, não podia discordar mais. O PSD dos últimos 4 anos não tem nada de social democracia. Nada. O que, aliás, se viu com clareza nas opiniões de figuras históricas do PSD nos últimos 4 anos. Para quem está muito preocupado com o futuro do PS (eu não perco um segundo a preocupar-me com o futuro de nenhum partido. Isso é um problema deles. Se algum morrer, outro novo nascerá para ocupar o seu espaço.) e com a perda da sua matriz socialista, acho muito estranho que não se preocupe com o encosto à direita do PSD. O que separa hoje o PSD do PP de forma clara? Nada. Só se fala a uma voz. E não foi o PP a virar à esquerda. O que é legítimo, atenção. São opções e todas as opções implicam consequências. Eu, por exemplo, já votei PSD mas nunca votarei num PSD coligado com o PP ou num PSD que ponha sequer essa hipótese. O mesmo se aplicará a votantes do PS. É a democracia a funcionar.
 
Discordo. Então nos últimos 4 anos, não podia discordar mais. O PSD dos últimos 4 anos não tem nada de social democracia. Nada. O que, aliás, se viu com clareza nas opiniões de figuras históricas do PSD nos últimos 4 anos. Para quem está muito preocupado com o futuro do PS (eu não perco um segundo a preocupar-me com o futuro de nenhum partido. Isso é um problema deles. Se algum morrer, outro novo nascerá para ocupar o seu espaço.) e com a perda da sua matriz socialista, acho muito estranho que não se preocupe com o encosto à direita do PSD. O que separa hoje o PSD do PP de forma clara? Nada. Só se fala a uma voz. E não foi o PP a virar à esquerda. O que é legítimo, atenção. São opções e todas as opções implicam consequências. Eu, por exemplo, já votei PSD mas nunca votarei num PSD coligado com o PP ou num PSD que ponha sequer essa hipótese. O mesmo se aplicará a votantes do PS. É a democracia a funcionar.

Actualmente considero o CDS muito mais próximo do PS do que o PSD, a liderança do CDS é socialista.

Não vejo em lado nenhum uma ida do PSD para a direita (os barões estão zangados porque lhes cortaram as reformas milionárias). A reforma do Estado não foi feita, e a deriva neoliberal de que tanto falam não aconteceu, houve apenas alguns cortes nas funções do Estado (muito marginais), impostos pelo exterior e que visaram apenas um equilíbrio orçamental necessário e não uma "deriva" para a direita.

Leste os programas eleitorais? O programa eleitoral do PS é muito parecido ao da PaF. Diverge basicamente em datas e na Segurança Social (entretanto o PSD já deixou cair o plafonamento). São ambos muito sociais-democratas, demais para o meu gosto.
 
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Não vejo em lado nenhum

Olha que eu tenho um bom oftalmologista. Se quiseres dou-te o contacto. :D
Falando a sério, li. Não os acho assim tão parecidos. Aliás, nunca achei. Mas para mim as diferenças fundamentais que me podem fazer cair para um lado ou para o outro, nem são as económicas/financeiras, até porque em tempos de crise económica há sempre limites que obrigam a aproximações. Ou achas que em alguma outra circunstância, haveria diálogo à esquerda, por exemplo? Os barões do PSD estão zangados e não acredito que seja apenas e só por causa das reformas. estão zangados porque o PSD mudou. Da mesma forma que dentro do PS há gente zangada com a aproximação à esquerda. A mudança causa sempre destas coisas. Se a mudança é boa ou não, só se sabe com o tempo. Eu acredito piamente que fazer as mesmas escolhas e esperar resultados diferentes, em tudo na vida, é estupidez. E é por isso que não temo a mudança nem os bichos papões, nem as teorias do armageddon.
 
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