O Estado do País 2015

  • Thread starter Thread starter Orion
  • Data de início Data de início
Estado
Fechado para novas mensagens.
No seguimento da discussão do que mudou no PSD.

Sobre Passos, diz que no plano pessoal lhe é indiferente. Mas a política que defende e desenvolve não. Não vacila em considerar traição à matriz social-democrata e de centro, "sem sombra de dúvida", a condução dos últimos quatro anos. "Basta ler os textos. Por exemplo, o desprezo pelo mundo do trabalho, com uma linguagem em que o sucesso da economia se deve às empresas e não aos trabalhadores, a forma como trataram a legislação laboral, como permitiram um enorme desequilíbrio nas relações laborais, como dividiram os portugueses entre empreendedores e piegas, velhos e novos; o desprezo pelos velhos, a ideia completamente absurda e perigosa que a JSD avançou da justiça geracional. A ideia de justiça geracional é a de que os pais deles têm de ganhar menos para os filhos ganharem mais ou de perder na reforma para eles a terem. Isto é uma ideia simplista e errada, uma espécie de neomalthusianismo torto." Ou seja, o social-democrata Pacheco Pereira não se revê num partido e num governo que são ideologicamente de direita.


http://www.dn.pt/portugal/interior/...sd-enquanto-eu-batia-no-socrates-4852409.html

E depois há atitudes e posicionamentos que não se lhe apagam da memória. "Não me esqueço da Manuela Ferreira Leite, que teve a coragem de ser a primeira a identificar o que estava errado na governação de Sócrates numa altura em que Passos Coelho e muitos dos seus amigos defendiam posições políticas muito próximas dele e o protegeram. Sei do que falo. Na questão dos inquéritos sobre a interferência na comunicação social, em que havia elementos suficientes para que a Assembleia o condenasse e a direção do PSD o impediu. Tenho dito muito pouca coisa porque acho que bater hoje no Sócrates é fácil. Eu bati quando era difícil e sei muito bem o quanto estive sozinho. Como esteve a Manuela Ferreira Leite. E sei muito bem onde estavam o Relvas, o Passos Coelho, o Ângelo Correia e onde estava muita gente do PSD que rondava ali o mundo dos negócios e que também queria grandes obras públicas, investimento público, e que achava que a Manuela Ferreira Leite ia cortar isso tudo. A história é complicada, não é unívoca, e tenho a esperança de que possa ser retificada ou minimizada e isto seja um período negro."

Sobre o clamor e as ameaças ao regime democrático que resultam da aproximação ao poder de bloquistas e comunistas, Pacheco Pereira sorri e diz que o medo não faz sentido. "É evidente que há muitos interesses económicos, sociais postos em causa por um governo deste género. E interesses muito poderosos, que foram o grande sustentáculo deste governo, que apoiaram e financiaram a PAF, apoiam uma parte importante da comunicação social, nalguns casos até economicamente, e que criaram lóbis e grupos que nunca tiveram bónus tão grande como nos últimos quatro anos. Agora, quer alguém que tenha jogado melhor o jogo democrático do que o PC? Quer alguém que tenha jogado melhor o jogo parlamentar do que o BE? As únicas pessoas que não jogaram o jogo constitucional nos últimos anos foram as da coligação. Quem mais jogou contra a democracia, rompendo contratos, criando um Estado de má-fé e governando contra a Constituição foi a coligação. O PC não me parece que vá para o governo defender a ditadura do proletariado que aliás abandonou formalmente em 75. Mas ninguém pense que é um acordo máximo, é o mínimo - o que não quer dizer que não funcione. E tem de implicar o grosso dos orçamentos e alguma estabilidade governativa, para mais que um orçamento. E isso tem de ficar tudo no papel para vantagem de todos". Seja como for, são tempos históricos e "nada será como dantes".
 
As verdades custam sempre a ouvir/ler. Quando vêm de dentro, ainda mais. Eu gosto de desalinhados. Aliás, eu acho que sou uma desalinhada. Por isso é que nunca poderia ter um partido. Quando os relativamente desalinhados têm partidos, são sempre mal-amados e, normalmente não corre bem.
 
Pacheco Pereira não é desalinhado, é socialista. Está no partido errado desde que saiu do PCTP-MRPP à procura de tacho. Há anos que fala dos "interesses" que protegem o anterior governo, mas nunca os nomeia. É cobarde e intelectualmente desonesto. E também teve a reforma cortada.

O "centro" em Portugal está claramente enviesado para o socialismo, defendendo o Estatismo instalado, em que quase nada se desenvolve fora do Estado. Desde a Monarquia até hoje, passando pela I República e Estado Novo, o poder foi sempre controlado pelos grupos económicos que gravitam à volta do Estado e dos partidos que dele se servem. A única maneira de acabar com isto é reduzir o poder dos órgãos de soberania, mas quase ninguém o quer, todos querem mais Estado. Por alguma razão não há nenhum partido de matriz liberal (a sério, não o pseudo-liberalismo que alguns gritam) no espectro político português.
 
  • Gosto
Reactions: MSantos
As verdades custam sempre a ouvir/ler. Quando vêm de dentro, ainda mais. Eu gosto de desalinhados. Aliás, eu acho que sou uma desalinhada. Por isso é que nunca poderia ter um partido. Quando os relativamente desalinhados têm partidos, são sempre mal-amados e, normalmente não corre bem.

Desalinhados... o PCP e o BE são desalinhados. Vê-se que estão muito interessados em ter responsabilidades governativas. Desalinhados... o Marinho Pinto é um desalinhado, tanto que não fica parado num cargo. Este último às vezes tem tiques de fascista para além do seu permanente populismo.

Quanto ao teres partido até podias ter se só considerares a vertente das críticas. E se não quisesses ter responsabilidades governativas enquanto partido político também poderias ter um partido. O PCP e o BE são bons exemplos disso.
 
Por alguma razão não há nenhum partido de matriz liberal (a sério, não o pseudo-liberalismo que alguns gritam) no espectro político português.

Isso é complicado entrando no raciocínio as características sociodemográficas. Tanto ricos como pobres têm uma tendência a serem contra essa ideologia. Os primeiros porque não gostam de concorrência e precisam da ajuda estatal para limitá-la, os segundos porque receiam que os seus benefícios sejam cortados. A meu ver a base de apoio mais pró-liberalismo é mesmo parte da classe média (e a alta nos seus escalões mais baixos) mais insatisfeita com os impostos, ajuda aos pobres... Nos EUA isso é mais visível (e mesmo lá é um movimento muito periférico). Mas nos EUA a direita tem uma visão muito mais dura dos pobres e um quase endeusamento dos ricos.

Portugal é um país 'pobre' no clube dos países 'ricos'. Portanto, a deriva pró-esquerda não é de admirar. Mas o 'engordamento' do estado não é algo exclusivo de Portugal. Boa sorte em tentar encontrar um país no mundo em que há algo remotamente semelhante ao liberalismo puro. Só mesmo nos estados falhados.
 
Última edição:
e não há nenhum partido liberal porquê?

Porque o liberalismo que anunciam vem embrulhado na beatice católica. De outro modo seria um partido anarquista.
 
A líder do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, garantiu, este sábado, que no processo de negociações com o Partido Socialista (PS) “nunca” foram discutidos lugares de Governo. O que tem estado a ser negociado são “políticas concretas”.

“A garantia que o Bloco de Esquerda dá neste processo é que é a pensar na vida concreta de cada uma das pessoas e no efeito concreto de cada medida que fazemos o trabalho de convergência e é por isso que, embora muita gente fique admirada, nunca discutimos lugares de Governo”, afirmou Catarina Martins, este sábado, na Amora, concelho do Seixal.

E explicou porquê: “Acham mesmo que é estarmos a discutir um lugar que define qual vai ser a pensão? Será a discutir distribuições de secretarias de Estado ou direções-gerais que se vai proteger salários? Será que algum desses debates podem garantir o que é realmente importante para o País?”

http://observador.pt/2015/10/24/catarina-martins-nunca-discutimos-lugares-de-governo/

:lol:
 
Quanto ao teres partido até podias ter se só considerares a vertente das críticas. E se não quisesses ter responsabilidades

Isto vindo de um abstencionista (que é por definição alguém que não se dá ao trabalho de sequer expressar a sua opinião sobre o rumo do seu futuro) não deixa de ser profundamente irónico.
'Desalinhado' o PCP? Até há umas semanas eram o partido da 'cassete', que andavam há 41 anos a dizer a mesma coisa sem mexer um milímetro. Vai para aqui uma desorientação...
MP não é um desalinhado. É um burgesso. :D
 
Isto vindo de um abstencionista (que é por definição alguém que não se dá ao trabalho de sequer expressar a sua opinião sobre o rumo do seu futuro) não deixa de ser profundamente irónico.

Pelo contrário. Há muitos motivos que estão por trás do abstencionismo desde a pura preguiça até à falta de confiança nos atuais partidos (algo que repetidamente repetes). Não é o facto de eu me abster que tira o valor da minha opinião se a mesma tiver o mínimo de equilíbrio e objetividade.

'Desalinhado' o PCP? Até há umas semanas eram o partido da 'cassete', que andavam há 41 anos a dizer a mesma coisa sem mexer um milímetro. Vai para aqui uma desorientação...

A cassete do PCP é a do desalinhamento (sair da Europa, sair da OTAN, tudo o que outros fazem é mau...). Alinhar-se seria defender o que PS, PSD e CDS defendem. Aliás, alinhar-se implicaria adotar uma postura de responsabilidade para com os portugueses, firmando uma aliança mais forte com o PS mediante a integração no governo. Algo que não vai acontecer. Continuas deliberadamente, porventura pela tua ideologia anti-direita que vai para além das mentiras e da austeridade, a ignorar os jogos políticos e o logro que é esta falsa 'convergência'. A cisão estrondosa do governo de esquerda, cenário mais que provável num futuro próximo, vai ser ainda pior que a demissão irrevogável do PP. A demissão do PP não era esperada. Já BE e PCP estão a salvaguardar-se para 'demitirem-se em prol dos interesses de Portugal e dos Portugueses'. Algo que não poderia estar mais longe da realidade.
 
Última edição:
Não é o facto de eu me abster que tira o valor da minha opinião se a mesma tiver o mínimo de equilíbrio e objetividade.

Mas eu não disse que tirava. Aliás, não acho que tire. Acho é que é profundamente irónico que alguém que não vota sequer, critique outra pessoa por ela criticar uma ideologia ou, mais concretamente, aquilo que um partido se tornou sem que tenha outro partido. Ou seja, para criticar um lado do rebanho, tenho, obrigatoriamente de pertencer a outro. Thanks but no thanks.

A cisão estrondosa do governo de esquerda, cenário mais que provável num futuro próximo, vai ser ainda pior que a demissão irrevogável do PP.

Então e se acontecer? Não é isso parte das regras do jogo político? Não é isso democracia? Mas morreu alguém porque outros governos caíram?
 
Esta ameaça do comunismo é tão forte e real que até o Marcelo já fala na Voz do Operário. Deus nos ajude e Nossa Senhora de Fátima nos proteja a todos.
 
Estado
Fechado para novas mensagens.