"Posso-lhe dizer que não há país do mundo onde os negros vivam tão bem como na América.
Costumava ouvir-se isso em relação à Àfrica do Sul...
E com verdade. Era o país com o mais alto nível de vida para os negros em África, mas agora vai cair.
Claro que estamos a falar de valores económicos.
Sim. Repare, eu acho que eles têm todo o direito à liberdade, é a terra deles. Agora não se esqueça que os negros americanos não estão na sua própria terra.
Ah não? E quem é que os levou para lá?
Foram eles que foram. Atraídos pelo nível de vida que não têm em mais parte nenhuma do mundo.
Para começar a terra era dos Indios. E está-se a esquecer do pequeno pormenor da escravatura.
Alguns foram levados como escravos. Mas ainda hoje há gente a emigrar para lá, negros. E deixe-me dizer-lhe uma coisa. O homem que ganhou o prémio Nobel, este ano, Robert Fogel, provou que se o sistema da escravatura era politicamente inaceitável, em termos económicos, para os negros, era um sistema muito eficaz. Mais: que o trabalhador negro da época, escravo, vivia melhor que o trabalhador médio branco. Certamente que a conclusão é surpreendente, é por isso que ganhou um prémio nobel. Mas documentou extraordinariamente bem...
O escravo vivia melhor em que sentido?
Existe a ideia de que o escravo trabalhava e dava tudo ao senhor. Não. O senhor branco ficava no máximo com dez por cento. Em segundo lugar, o trabalhador escravo negro era duas vezes mais produtivo que o trabalhador negro.
E já se perguntou porque é que ele seria duas vezes mais produtivo?
Diz-se que os negros não trabalham, não sei quê, e isto vem provar o contrário: mesmo sob condições de adversidade, a escravatura, os negros eram duplamente mais produtivos que os brancos. E os estados do sul, onde eles estavam concentrados, prosperaram muito mais do que os do Norte. Fantástico.
Fantástico? Se não trabalhassem o dobro apanhavam. Eram chicoteados, mortos, vendidos para a frente e para trás.
Eu não quero dizer que a escravatura era aceitável, mas não foi má para os negros em termos económicos.
Se uma empresa decide discriminar as mulheres, o que é que deve ser feito?
Nada. O sector privado tem o direito de impôr as regras que quiser. Se o público se sentir indignado, pode cancelar as suas contas.
"O Estado Providência acaba na violência e na miséria" , diz você. Sempre gostava de ver como acabaria o estado-empresa... E há sempre os motins de LA para mostrar que não é só o Estado Providência que acaba em violência e miséria. O que é que acha que aconteceu em LA?
Isso é outra questão, que tem a ver com o problema negro. Que é basicamente um problema de família. De ética sexual. Os negros não são capazes de constituir família como tendência geral, como nós constituimos. Têm muitas mulheres. E a pobreza americana, hoje, como nos outros países desenvolvidos, é sobretudo a mulher sozinha com filhos. E a maior parte das famílias negras acabam assim.
Há mães solteiras em todo o lado.
Mas comparado com as negras, nem imagina. Em 1950, o rendimento médio dos negros era metade do rendimento médio dos brancos. Agora é 75%.
Porque é que será.
Pode haver discriminação, mas também é ética do trabalho. Uma ética de família menos propícia ao trabalho. Sabe o que é? Vá a África e veja porque é que eles não trabalham. Gostam muito de sexo; nós também gostamos, mas se estivessemos o dia todo na cama não faziamos mais nada. "