A conversa da fuga ao fisco por parte da Esquerda é antiga. Lembro-me que há uns anos uma conhecida cujo pai era deputado do PS já dizia que o Estado tinha de fazer qualquer coisa para taxar o arrendamento dos quartos a estudantes. Até concordava que fosse regulamentado, havia muitos abusos por parte de senhorios, mas o objectivo do Estado não era nobre, não era a protecção dos estudantes e dos proprietários, mas sim cobrar o imposto. A Esquerda dizia que se se combatesse a economia paralela acabaria o défice. Ora quem aplicou a sério a máquina de combate de fuga ao fisco foi o Governo de Passos Coelho. O comércio é super controlado, os distribuidores ao domicílio estão mais controlados, o jogo e as aposta online agora pagam impostos, já há controlo das rendas a estudantes e a turistas. Portugal tem um controlo muito apertado sobre a economia paralela, não se vê nada assim no Reino Unido nem em Espanha, países que conheço bem. Contudo em Espanha já estão mais avançados que nós no controlo dos impostos online. Os lucros online em Espanha pagam impostos pesadíssimos e muitos profissionais que trabalham na área emigraram para o Reino Unido. Um vendedor no e-Bay ou na Amazon, um blogger, um jogador de poker, um distribuidor de livros em formato digital, todos esses profissionais enfrentam em Espanha grandes burocracias e uma carga fiscal elevadíssima, por isso emigraram milhares de profissionais em anos recentes. A máquina de controlo do IVA, IRS, IMI, o conhecimento do Estado sobre o nosso património, tudo isso foi bem aprimorado pelo Governo de Passos, e vai ser agora explorado com todo o vigor pela Esquerda.
Saiu há dias uma lei muito perigosa. O Governo regulamentou o negócio de ouro. Acima de 250 euros o pagamento não pode ser feito a dinheiro. Quem vende tem de fazer um registo da peça vendida, valor e características. Basicamente o Estado vai passar a saber quem comprou ouro acima do valor mencionado, o património que tem em ouro. É perigoso pois no passado o ouro já foi confiscado ou taxado. Se o Governo de Costa decidir aplicar um imposto sobre o património das heranças, o ouro poderá entrar no futuro na avaliação do valor desse património. E porquê? Os Governos sabem que os portugueses são pobres em rendimentos mas ricos em património. Mais de 80% das famílias têm casas e terras. Na Alemanha este valor ronda apenas os 40%. As famílias também acumulam ouro, especialmente no Minho. Durante os anos forte da crise saíram de Portugal milhões de euros em ouro e obras de arte. Conheço uma família que estava aflita para pagar prestações de um apartamento caro que compraram no centro de uma cidade e leiloaram o recheio, que era herança dos avós, móveis do século XIX, peças em marfim do tempo das Descobertas, loiça chinesa com 4 séculos, peças em ouro, quadros oitocentistas. Pelo que me disseram a maior parte foi vendido para a Espanha, França e Reino Unido. Têm saído muitas obras de arte de Portugal, tem saído muito ouro, para pagar dívidas à banca que resultam de uma má gestão do património familiar. Estar a taxar o património é um CRIME contra os portugueses, as pessoas já pagam impostos quando adquirem esse património, já pagam IMI, para quê taxar a mesma coisa duas e três vezes? Mas preparem-se pois é isso que o FMI quer, e é isso que os políticos querem. O IMI, por exemplo, para ser justo, deveria ser um imposto municipal, aplicado às famílias e negócios que têm residência no concelho, e serviria para pagar a manutenção das ruas, jardins, esgotos, os funcionários da autarquia.