O Estado do País 2016

não será o primeiro nem o último estudo a levantar a hipótese de uma civilização ou grupo populacional diferente nos povos do sul da peninsula ibérica e do norte de áfrica.
 
(...) é que existe a ordem do professores de matemática e ninguém é impedido de exercer se não for membro

Não existe nenhuma Ordem dos Professores de Matemática. O que existe é a Associação de Professores de Matemática (APM), tal como existe a APPBG (Associação Portuguesa de Professores de Biologia e Geologia) ou a APP (Associação de Professores de Português). Uma associação não é uma ordem profissional. E a questão de qual a função de uma Ordem é mais profunda do que aqui tem sido dito. As ordens são importantes para garantir que quem usufrui de um serviço prestado por um membro dessa ordem (Médico, Enfermeiro, Farmacêutico, Advogado, ...) está, de facto, a ser servido por um profissional qualificado. E isso é muito importante em profissões liberais. Uma coisa é a formação inicial, outra é garantir que ao longo do tempo/carreira a qualidade e a competência técnica se mantêm e isso compete às ordens averiguar/garantir. E mesmo assim às vezes lá ouvimos as notícias de falsos médicos... imaginemos se não houvesse ordens.
 
As ordens são uma cópia da Alemanha, muita coisa em Portugal tem sido copiada da Alemanha e da França, isto é grave pois são sociedades diferentes e acho que os portugueses do povo estão muito mais próximos dos ingleses do que dos franceses ou alemães.

Qual é o problema das ordens? Tornam-se corporações que supostamente representam toda uma profissão a uma só voz. Quem não se identificar com a linha ideológica da Ordem é mesmo assim obrigado a fazer parte, contra a sua vontade. E aqui temos um problema de respeito pela liberdade individual dos profissionais.

Um forte argumento a favor das ordens prende-se com qualidade dos cursos. A Ordem faria essa triagem. Ora por que não resolver o problema a montante? Não se resolve porque as direcções de algumas universidades privadas e muitos professores fazem parte de densas teias ligadas ao poder político que envolvem até aventais e Opus Dei.

Extinguir cursos que não têm qualidade ou adaptar as vagas às necessidades do país, ou libertar informação sobre a empregabilidade real e a qualidade significaria o fim do emprego para muitos professores e o fim parcial do negócio das universidades privadas.

Resumindo, o controlo de qualidade pode ser feito sem intervenção de uma Ordem profissional.
 
Costa está a falir o país e é pior que Sócrates. Pois se Sócrates não cedia a todos os interesses corporativos que pedinchavam Costa cede. Aliás Sócrates até começou bem no primeiro ano, com reformas no SNS ou na Educação. Até compreendo por que motivo os professores não gostavam daquele modelo de avaliação, de facto era aberrante mas algo teria de ser feito, a Escola Pública estava um caos com professores que faltavam imenso e que deixavam os programas por leccionar. Sócrates depois deixou-se capturar, «vendeu-se» às grandes construtoras, à Banca e à PT ou EDP, levando o país à bancarrota em poucos anos. O BPN ao lado disto é um conto de crianças, uma gota de água no oceano. Para transferir dinheiro dos portugueses para a Banca e para o PSI 20, fizeram-se grandes obras públicas desnecessárias sob a forma de PPPs, criaram-se ajustes directos, tentou-se controlar a comunicação social. Um mega projecto de capitalismo de Estado insustentável e ruinoso que duplicou a dívida externa em três tempos. Em 2002, quando o país já estava de tanga, já havia quem sugerisse que o IVA passasse para 25%, para travar as importações e o consumo. Pois agora provavelmente teremos IVA a esse valor imposto por um Governo que prometeu aumentar o consumo...

http://rr.sapo.pt/noticia/55270/est...ultrapassado_diz_antonio_costa?utm_source=rss

Os estivadores conseguiram sacar mais uns milhões aos portugueses. Qual é o problema? O mito da Esquerda do patrão mau e do empregado coitadinho que se entranhou nas últimas décadas à custa de lavagem diária nas escolas e na comunicação social. Assim como há maus patrões também há maus empregados. Com acordos assim, os maus empregados nunca poderão ser despedidos. Causam prejuízos às empresas e geram mau ambiente no local de trabalho e com o patrão. É este o problema do emprego garantido para a vida, é por isso que as leis laborais têm de mudar no sentido de uma maior liberalização, e isto nada tem a ver com os direitos de quem trabalha.
 
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Como prova inequívoca que algumas organizações sindicais perseguem fins políticos e não a defesa dos seus associados, a " Fenprof " vai organizar uma manifestação a favor da escola pública.
Demasiado ridículo para ser verdade...

Além de mais, escolas públicas não é sinónimo de exclusividade do serviço público, apesar de andar para aí alguns idiotas de esquerda a afirmar isso...

Em relação aos estivadores, é a prova que temos um Governo fraco e dominado pelos fanáticos da esquerda radical. Não deveria ter cedido nem 1 mm aos estivadores...

E, já agora, em relação ao escândalo dos professores sindicalizados que sugam 5 milhões de euros aos contribuintes por ano ( quando devia ser suportado integralmente pelos sindicatos) , os moralistas puritanos da esquerda já não têm nada a dizer?

Por estas e por outras é que somos um país atrasado...
 
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Sousa Cintra cometeu muitas irregularidades. A PaF assinou os contratos à pressa nos últimos dias de Governo. Por estas e por outras a Direita perdeu as eleições no Algarve quando poderia ter ganho.

http://www.asmaa-algarve.org/en/

A água em lençóis freáticos no litoral e no barrocal algarvios é um bem sem valor estimável para os algarvios, numa região sujeita a secas. Destruir um valor tão elevado por causa de gás de xisto? Não obrigado.

Os contratos on shore têm de ser anulados pela Justiça. E a Direita tem de ter mais cuidado se se quer distinguir das práticas do PS socratino.
 
Muitas PMEs vão à falência porque não podem despedir na hora certa.

Outras não contratam porque têm medo de se expandir. Pois expandir pode implicar mais impostos e salários e no final trazer mais despesa que lucro.

Isto é o país real que as elites sediadas na capital não vêem.
 
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Ao fim de dois anos o patrão é obrigado a efectivar. Muitos patrões não efectivam e não renovam o contrato, porque têm receio. Não seria melhor acabar com esta palhaçada? O patrão deveria ter o direito de fazer o contrato pelo tempo que entendesse sem obrigatoriedade de efectivar. Se o patrão não renova o contrato a prazo, tem de pagar uma compensação que na realidade é uma indemnização e que ao fim de um ano e tal equivale a um mês de salário. Portugal é pobre e as empresas não têm lucros para aguentar o pagamento destas compensações. Os patrões mais velhos sabem que alguns empregados tornam-se desleixados depois de ficarem efectivos, e fazem chantagem com o patrão, o que diminui a produtividade e gera mau ambiente com os colegas e com o patronato. Isto é a realidade, não são as teorias de académicos que nunca tiveram uma empresa e lidaram com a realidade da vida.
 
Portugal poderia ser uma porta de entrada para a Europa de produtos vindos da América e da China pelo canal do Panamá. Não será por cegueira política e mais uma vez os espanhóis vão passar-nos a perna. Isto não é dita em horário nobre pela sonsa da Ana Lourenço e por outras sonsas e sonsos esquerdistas, que tapam a seita como os membros da Cientologia escondem as loucuras da religião. Aos portugueses está a ser roubado um futuro risonho e estamos a ser condenados à pobreza crónica e à emigração dos melhores. Até quando? A Esquerda mais uma vez vai destruir Portugal como fez no PREC e ninguém faz nada. Em parte, parece que somos masoquistas. É a Loucura em acção no seu melhor.



Que dizer de um acordo que impede uma empresa de contratar mais trabalhadores? E que permite progressões na carreira mesmo sem mérito? A chantagem corporativa venceu, pela mão do governo da geringonça


Vamos lá ver se percebi bem. Um dos pontos do acordo com o sindicato dos estivadores é que uma das empresas de trabalho portuário de Lisboa deixe de contratar mais trabalhadores. Exacto, não me enganei: com o alto patrocínio da ministra do Mar e de António Costa, foi assinado um acordo que impede que se crie mais emprego no Porto de Lisboa, a não ser com autorização do sindicato.

No tempo de Salazar havia uma lei, chamada de “condicionamento industrial”, que limitava a criação de novas empresas à verificação de que estas não iriam fazer concorrência com empresas já instaladas. Se já houvesse uma fábrica de parafusos, não haveria mais fábricas de parafusos sem que o governo autorizasse. Agora estamos a viver uma situação semelhante com os estivadores, só que o poder de veto passou para a mão do seu sindicato.

Mas há mais: num país onde o salário médio bruto de um trabalhador por conta de outrem é de 900 euros, o salário de entrada de um estagiário de estivador é de 1046 euros, sendo que este só pode estar um ano nessa categoria. Mais: do acordo assinado na noite da passada sexta-feira resultou que existirá “um regime misto de progressões automáticas por decurso do tempo e de progressões por mérito com base em critérios objectivos”, o que significa que mesmo quem não tenha mérito nenhum terá sempre a possibilidade de progredir na carreira.

Não surpreende que, nestas condições, o sindicato tenha levantado a greve. No fundo o que saiu da negociação foi uma espécie de recuo no tempo e de regresso às condições de chantagem corporativa que tinham começado a ser quebradas com a aprovação da nova lei do trabalho portuário em 2012, era ainda ministro Álvaro Santos Pereira. Essa nova lei liberalizou muitos aspectos da regulação do trabalho nos portos e permitiu que alguns deles se tornassem mais competitivos e vissem o seu tráfego aumentar significativamente, como sucedeu em Leixões ou em Sines. Essa lei, cuja aprovação em 2012 teve de vencer greves convocadas por este mesmo sindicato que agora canta vitória, assim como manifestações que terminaram de forma violenta, também permitiu alguma liberalização do trabalho no Porto de Lisboa, onde foi criada uma outra empresa, a PORLIS, concorrente da Empresa de Trabalho Portuário de Lisboa, criando condições mínimas de abertura do mercado.

De resto uma das originalidades da greve das últimas semanas é que esta tinha características de lock-out, já que os estivadores em greve impediam os trabalhadores da empresa concorrente também trabalhassem. Quando a política interveio para permitir a saída de contentores do Porto de Lisboa não estava a proteger fura-greves, estava a proteger o direito ao trabalho e à livre concorrência.

O que os estivadores agora conseguiram foi impor aos concessionários do Porto de Lisboa a liquidação a prazo dessa empresa concorrente, fazendo com que a regulação do trabalho de estiva regresse ao controle do sindicato, o qual por seu turno protege os já empregados, e entre estes os melhor remunerados, bloqueando para isso a contratação de novos trabalhadores, trabalhadores esses que, como sucede com os da PORLIS, têm por regra mais habilitações e melhor formação.

As características corporativas da actividade de estiva são antigas e bem conhecidas. O famoso filme de Elia Kazan Há Lodo no Cais, protagonizado por Marlon Brando, não reflectia uma situação imaginária, antes realidades vividas no porto de Nova Iorque. A introdução dos contentores, que revolucionou o comércio à escala global, também teve de vencer a resistência destes profissionais, como recordouJoão Taborda da Gama citando a obra de Marc Levinson, The Box: How the Shipping Container Made the World Smaller and the World Economy Bigger.

A necessidade de quebrar essas resistências corporativas e abrir a profissão – aquilo que o sindicato realmente não quer nem nunca quererá – tem sido um problema recorrente em todos os portos que procuram modernizar-se num mundo cada vez mais interligado e globalizado. Sem que isso aconteça os custos da operação portuária, que em Lisboa continuam a ser mais elevados do que noutros portos portugueses e que nos portos espanhóis mais próximos, vão continuar a penalizar a economia portuguesa. Os operadores que assinaram os acordos não poderão fazer mais do que transferir os custos acrescidos das cedências de sexta-feira à noite para todos os que utilizam o porto de Lisboa, pelo que não faltará quem continue a preferir outros portos nacionais ou espanhóis, mesmo tendo de suportar custos acrescidos de transporte. Tudo isto, está bem de ver, é um ónus para a economia e o emprego da grande Lisboa.

O futuro do Porto de Lisboa, por comparação com os portos onde a actividade portuária foi liberalizada, dificilmente será risonho. Pode mesmo acontecer-lhe o que está a acontecer à metade do Porto do Pireu, na Grécia, que não foi privatizada. Recentemente o jornal inglês The Guardian, ligado à esquerda trabalhista e não a José Rodrigues dos Santos, fez aí uma reveladora reportagem. Na metade do porto que tinha sido privatizada e concessionada a uma companhia chinesa “o volume de negócios triplicou” e o fervilhar de actividade “está a mundo de distância do filme em câmara lenta a que assistimos na outra metade do porto”, onde havia cada vez menos trabalho para os “estivadores protegidos por normas laborais e com salários mais elevados, resultado de anos de um sindicalismo inflexível”.

É certo que já vi defender na imprensa portuguesa (Daniel Oliveira) que onde se está bem é na parte do Porto do Pireu de onde o tráfego está a desaparecer, mas isso não me surpreende, pois os que sempre disseram que a globalização traria a pobreza aos mais pobres do mundo são os mesmos que, hoje, quando é evidente que foi o contrário que sucedeu, tratam de proteger os instalados da concorrência de todos quantos estão a sair da pobreza. A actividade portuária é precisamente um dos estreitos por onde passa a corrente da globalização, pelo que nossos novos reaccionários, mesmo quando se auto-classificam de progressistas, gostariam de aí erguer novas barreiras proteccionistas, bloqueadoras de um comércio que permite termos acesso aos melhores produtos ao melhor preço. Não admira por isso que tenham, de novo, alinhado ao lado de estivadores que, nas manifestações de 2012, foram surpreendidos a fazer a saudação de braço estendido.

De resto, quanto ao Governo que nos trouxe mais este magnífico “acordo” e a todos os que já se preparam para saudar as habilidades negociais do primeiro-ministro, a única coisa que recomendo é que comecem a somar as facturas de todas essas habilidades. É que vamos pagá-las, se é que já não estamos a fazê-lo, e com juros.

http://observador.pt/opiniao/os-estivadores-venceram-a-minha-cidade-e-o-meu-pais-perderam/
 
não conheço nenhum vendedor que receba 1800 euros por mês. Num mês pode correr bem, na maioria dos meses não corre porque parte do salário é variável.

Normal, o Estado come mais de metade dos rendimentos, entre SS, IRS, IVA, combustíveis mais caros que em Espanha...

É até normal que muitos jovens emigrem, para quê ser profissional liberal num país com mercado interno pequeno e carga fiscal tão punitiva? Não vale a pena.
 
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É melhor trabalhar para o Estado com muitas regalias e quase sem deveres...

Enfim, é um país bom para sindicalistas...

E ainda dizem que a maioria dos portugueses é ideologicamente de esquerda. Eu acredito perfeitamente, por isso estamos à décadas e décadas na cauda da Europa... :D
 
Os portugueses têm sim elevada iliteracia económica e financeira, isto até está provado por um estudo recente.

Os portugueses são agarradíssimos à propriedade privada. Isto não é de Esquerda.

Os portugueses são individualistas e gostam de ter o seu pequeno negócio ou actividade independente. Isto não é de Esquerda.

Os portugueses eram maioritariamente contra o casamento gay e são contra a adopção. Isto não é de Esquerda.

No interior nas famílias mais antigas ainda encontramos pessoas muito poupadas no consumo que apenas gastam na educação dos filhos e dos netos. Isto não é de Esquerda.

Os portugueses se têm dinheiro para pagar optam maioritariamente pela saúde e pela educação privadas, excepto no Superior. Isto não é de Esquerda.

Existe uma maioria silenciosa à espera de ter voz e não é de Esquerda. É de Direita e está a Norte do Tejo e no litoral algarvio.
 
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Portugal poderia ser uma porta de entrada para a Europa de produtos vindos da América e da China pelo canal do Panamá.

China wants its shipping to use faster Arctic route to Europe opened up by global warming

http://www.scmp.com/news/china/soci...hipping-use-faster-arctic-route-europe-opened

O Canal do Panamá é util para a China mandar os seus produtos para a costa este dos EUA. Eu se fosse italiano mandaria vagas de delegados à China para atrair os navios chineses. A Itália tem uma ligação terrestre muito mais rápida e fácil do que Portugal. A China está a investir fortemente no Paquistão. Se usar este país para exportar os seus produtos, não só evitará o mar do sul da China (é esse mesmo o objetivo) como o canal de Suez estará a curta distância. Lamento estragar as esperanças dos portugueses:

Strategically located at the other end of the Maritime Silk Road, Greece could be China’s “gateway to Europe,” Premier Li Keqiang stated in 2014.

http://thediplomat.com/2016/04/chinas-mediterranean-odyssey/

O transporte da Grécia para a Europa central é um bocado complicado. Há muito país para atravessar (daí que tenha referido a Itália). E a austeridade grega não é propriamente um bom convite para atrair investimento.

Quanto ao gás de xisto dos EUA, isto é mais um delírio. É pouco provável que dê para o consumo interno. E se houver uma grande crise e o consumo descer, o petróleo/gás de xisto continuará a ser inviável devido ao seu elevado preço.
 
A Esquerda não se cala com os colégios mas seria útil que explicasse esta dívida. Estas obras não eram necessárias e poderiam ter sido feitas lentamente pelas autarquias à medida das necessidades e sem endividamento externo nem derrapagens. Estas obras públicas desastrosas e ruinosas foram apadrinhadas por toda a Esquerda do PCP ao PS passando pelo Bloco de Esquerda. É por estas e por outras mais que os impostos não descem e o Estado Social é inviável. A sonsa da Ana Lourenço não fala disto em horário nobre e os colegas de profissão preferem manobras de diversão como leis sobre direitos dos animais ou barrigas de aluguer. Portugal está mesmo no fundo do poço por culpa da Esquerda e os portugueses parecem enfeitiçados.

Cinco anos depois de ter contraído o último empréstimo a instituições internacionais, a Parque Escolar ainda tem uma dívida de 996 milhões de euros que só será paga em 2030. Dívida que foi contraída pela empresa pública ao Banco Europeu de Investimento (BEI) e ao Banco do Conselho da Europa (CEB) entre 2007 e 2010 e que, de acordo com um relatório do Tribunal de Contas, chegou a atingir 1.150 milhões de euros, a que acrescem os juros.


Ao Económico, o Ministério da Educação explicou que “o último empréstimo foi contraído em 2010”. Além disso, a tutela esclareceu que dos 340 milhões de euros aprovados pelo Governo na semana passada para a Parque Escolar foram canalizados “242 milhões de euros para o pagamento de encargos financeiros (juros e amortização de empréstimos)” a estas instituições financeiras europeias.

As contas à dívida da Parque Escolar, empresa pública criada em 2007 por Maria de Lurdes Rodrigues para requalificar as escolas básicas e secundárias, foram conhecidas em 2012 depois de Nuno Crato ter pedido uma auditoria à Inspecção Geral das Finanças e ao Tribunal de Contas. No relatório do Tribunal de Contas lê-se que mantendo o ritmo do endividamento a médio/longo prazo da empresa “seria expectável que a dívida quase duplicasse, 91,7%, até ao final de 2011”.

Na altura, o ex-ministro Nuno Crato salientou que a dívida da Parque Escolar, em 2011, era o correspondente “a três anos de dotação orçamental para a acção social escolar do ensino básico, secundário e superior”.
De acordo com o relatório da Inspecção Geral das Finanças durante estes três anos (2007 a 2010), a empresa requalificou 103 escolas nas quais investiu 1,4 mil milhões de euros, o que correspondeu a um desvio de 396% face ao inicialmente estimado. Contas feitas, cada obra custou ao Estado perto de 14 milhões de euros, ou seja, quatro vezes mais do que o valor inicialmente previsto.


A derrapagem foi negada no Parlamento por Maria de Lurdes Rodrigues para quem a Parque Escolar “foi uma grande festa para o país”.
Mas os números levaram à demissão da administração da empresa e a uma reestruturação do programa previsto para obras com o ex-ministro a fixar um tecto máximo de investimento por cada escola. Além disso Nuno Crato limitou a 20 o número de empreitadas que a empresa pode lançar por cada ano e deu ordem de contenção de custos “através da revisão de projectos e da substituição de materiais de menor custo”.

No total a Parque Escolar já requalificou 152 escolas básicas e secundárias, das quais 97 foram concluídas durante a tutela de Nuno Crato. Com as novas regras o ex-ministros conseguiu uma poupança de 64 milhões de euros em 72 obras.

Obras concluídas em cinco escolas em 2016

A Parque Escolar vai terminar as obras em cinco escolas este ano. Tratam-se de escolas básicas e secundárias que já tinham obra iniciada e que aguardavam o lançamento de concurso ou a adjudicação de nova empreitada.
Questionado pelo Económico, o Ministério da Educação (que tutela a Parque Escolar) esclareceu que das oito obras previstas para este ano as obras vão ser retomadas em “quatro escolas até ao “primeiro semestre de 2016”. Em causa está a Secundária da Padrão da Légua, em Custóias, a Artística António Arroio, em Lisboa, (onde as obras arrancaram em 2009), a Secundária de Ponta de Lima e a Secundária Jorge Peixinho, em Setúbal. A somar a estas está a Secundária de Mem Martins onde as obras já foram retomadas e estão “em curso desde Dezembro de 2015”.

Nas restantes três escolas - a Secundária do Monte da Caparica, a Secundária João de Barros, no Seixal, e a Secundária Gago Coutinho, em Alverca - as obras só serão retomadas em 2017, avança o Ministério da Educação. No caso da escola de Alverca será feita “uma revisão do respectivo projecto de execução, com significativa redução do investimento, para posterior lançamento do concurso para a empreitada”.

Além destas oito escolas cujas obras arrancaram e foram entretanto suspensas, está ainda previsto o arranque de novas obras. No entanto, o Ministério da Educação não revelou quais serão as escolas alvo de requalificação, frisando que o “plano de investimento da Parque Escolar para o ano de 2016 não está ainda fechado”.

http://economico.sapo.pt/noticias/divida-da-parque-escolar-quase-nos-mil-milhoes_240041.html