Eu espero que o governo consiga aprovar tudo aquilo que pretende aprovar e com o apoio do Chaga. Rapidamente.
O problema é que neste momento aquilo que se faz em Portugal é sobreviver. Os salários por cá nunca foram muito altos, mas em tempos atrás sempre se conseguia poupar alguma coisa e tinha-se mais facilidade em ter acesso a aspetos fundamentais. Atualmente as subidas não estão a acompanhar o custo de vida e isso está a tornar-se insustentável.Para além de não se poder aceder a créditos para investimentos é muito difícil fazer planos para a vida a médio-longo prazo com um contrato a termo certo. É uma insegurança que felizmente já não tenho (mas nunca se sabe se posso voltar a ter) mas que não desejo a ninguém.
Mais vale uma economia em que todas as pessoas trabalhem e tenham o suficiente para viver (não apenas sobreviver) do que uma economia pujante que é sustentada por trabalhadores que nunca vão sair da miséria, estejam esses trabalhadores na Europa, em África ou na Ásia.
Com uma economia dependente do turismo, e por isso pouco competitiva, bem podem vir reformas laborais que a produtividade e os salários dificilmente vão aumentar. Não captamos empresas maiores e estrangeiras, mas captamos grupos hoteleiros aos montes que "pagam mal e porcamente" aos seus colaboradores, portanto o problema aqui não é apenas o atual padrão laboral.
Hoje em dia já não existe aquela ideia de que o primeiro ou segundo emprego tem de ser para a vida, é um facto. No entanto, a partir de uma certa altura é importante ter alguma estabilidade e é isso que muita gente procura também.
Não faço ideia se estás num emprego para a vida, nem me diz respeito, mas questiono: se fosses um jovem no atual contexto gostavas de estar constantemente a contratos a prazo? Gostavas de idealizar situações para o futuro como comprar uma casa ou um carro e depois chegares ao banco e negarem-te um empréstimo porque não tens um contrato efetivo?
Há cerca de 1 ano fiz uma simulação para o crédito à habitação e a primeira coisa que me perguntaram foi se estava efetivo. Conheço outros casos em que foram negados porque estavam com contratos a prazo.
Gostavas também que chegassem ao pé de ti e te despedissem sem qualquer justificação plausível ou que te pedissem horas extraordionárias sem qualquer acordo ou pagamento, tendo já um salário miserável?
Há certos pontos na reforma laboral que até podem ser importantes, mas outros é só mesmo para favorecer os patrões e o prejudicado é sempre o mesmo. Flexibilização a mais não sei se dará bom resultado.
Logo se verá se passa e as cenas dos próximos episódios. Para já, aparentemente a AD e o amigo CH não se entendem.
Mas se fosse ainda mais jovem, não queria ao fim de 5 anos de estudos (onde familiares investiram 15 ou 20mil euros e o Estado outros tantos) estar a ganhar mais 2€/h do que uma empregada doméstica. E digo isto com todo o respeito pelas empregadas domésticas.