O Estado do país 2026

Não era uma piada. Estou a falar muito a sério. Um governo eleito democraticamente deve poder implementar as suas ideias para o país. Sejam elas boas ou desastrosas. Será, depois, julgado por elas. O governo e quem lhe der a mão, dado que se trata de um governo minoritário. Quanto mais depressa isso acontecer, melhor.
 
Para além de não se poder aceder a créditos para investimentos é muito difícil fazer planos para a vida a médio-longo prazo com um contrato a termo certo. É uma insegurança que felizmente já não tenho (mas nunca se sabe se posso voltar a ter) mas que não desejo a ninguém.

Mais vale uma economia em que todas as pessoas trabalhem e tenham o suficiente para viver (não apenas sobreviver) do que uma economia pujante que é sustentada por trabalhadores que nunca vão sair da miséria, estejam esses trabalhadores na Europa, em África ou na Ásia.
O problema é que neste momento aquilo que se faz em Portugal é sobreviver. Os salários por cá nunca foram muito altos, mas em tempos atrás sempre se conseguia poupar alguma coisa e tinha-se mais facilidade em ter acesso a aspetos fundamentais. Atualmente as subidas não estão a acompanhar o custo de vida e isso está a tornar-se insustentável.

Como já disse o @frederico, é mesmo preciso dar um murro na mesa, mas pelo andar da carruagem vai ser dado da pior forma se isto continuar assim.
Tendo em conta que continuam a bater na tecla de que os portugueses estão melhor quando isso não é verdade, já deu para perceber que com a AD também não vamos longe.

Sinceramente, nunca pensei que o PSD se agarrasse tanto à agenda do CH, de tal forma que andam a mexer em leis que não estão a fazer mal a ninguém. O Montenegro assim leva o partido para um caminho complicado tal como aconteceu com o PS quando teve a tendência de se aproximar mais da esquerda.

Nem os próprios militantes confiam nele, portanto, penso que começa a ser evidente o Primeiro-Ministro que temos.

A única coisa que tenho a certeza é que vamos continuar num pântano, com o país apenas bom para os ricos e os de fora.
 
Nos anos 90, tempos dos governos de Cavaco e Guterres um salário de um licenciado rendia 2 a 6 vezes mais do que rende agora. Sem exageros. O custo de vida era incomparavelmente mais baixo, arrendava-se um T1 com 150 a 250 euros, nos subúrbios ou na província, até mesmo no Algarve. Um médico ganhava talvez mais do que ganha agora, havia carreiras médicas por anos de serviço e menos impostos. Os professores também ganhavam mais, era mais fácil subir na carreira. Uma moradia custava 100 a 125 mil euros, uma casinha velha em estado razoável 50 mil, e arranjava-se um bom T3 a 80 mil euros. Os salários mínimos eram baixos, mas havia casais a ganhar o mínimo que conseguiam pagar casa, comprar carro e ter pelo menos um filho na universidade! E conheci casos assim! Olhando para trás, o nosso descalabro começa com a entrada no euro.
 
Com uma economia dependente do turismo, e por isso pouco competitiva, bem podem vir reformas laborais que a produtividade e os salários dificilmente vão aumentar. Não captamos empresas maiores e estrangeiras, mas captamos grupos hoteleiros aos montes que "pagam mal e porcamente" aos seus colaboradores, portanto o problema aqui não é apenas o atual padrão laboral.

Hoje em dia já não existe aquela ideia de que o primeiro ou segundo emprego tem de ser para a vida, é um facto. No entanto, a partir de uma certa altura é importante ter alguma estabilidade e é isso que muita gente procura também.

Não faço ideia se estás num emprego para a vida, nem me diz respeito, mas questiono: se fosses um jovem no atual contexto gostavas de estar constantemente a contratos a prazo? Gostavas de idealizar situações para o futuro como comprar uma casa ou um carro e depois chegares ao banco e negarem-te um empréstimo porque não tens um contrato efetivo?
Há cerca de 1 ano fiz uma simulação para o crédito à habitação e a primeira coisa que me perguntaram foi se estava efetivo. Conheço outros casos em que foram negados porque estavam com contratos a prazo.

Gostavas também que chegassem ao pé de ti e te despedissem sem qualquer justificação plausível ou que te pedissem horas extraordionárias sem qualquer acordo ou pagamento, tendo já um salário miserável?

Há certos pontos na reforma laboral que até podem ser importantes, mas outros é só mesmo para favorecer os patrões e o prejudicado é sempre o mesmo. Flexibilização a mais não sei se dará bom resultado.

Logo se verá se passa e as cenas dos próximos episódios. Para já, aparentemente a AD e o amigo CH não se entendem.

Eu ainda sou jovem :) Mas se fosse ainda mais jovem, não queria ao fim de 5 anos de estudos (onde familiares investiram 15 ou 20mil euros e o Estado outros tantos) estar a ganhar mais 2€/h do que uma empregada doméstica. E digo isto com todo o respeito pelas empregadas domésticas.

Queria que em Portugal tivessemos um mercado de trabalho dinâmico onde o trabalhador seja visto como um activo e não como um encargo, não pelo seu empregador actual, mas sim pelo mercado como um todo.

Tudo o que apontas, as tuas dificuldades, o tipo de contrato, o exemplo de te pedirem para trabalhares extra sem compensação e já com salário miserável, é uma consequência de um mercado estático como temos agora com as leis de agora. É uma consequência da falta de opções e de Portugal ser incapaz de atrair investimento e empresas por ter uma legislação laboral mais flexível. Num país "normal", perante essas circunstâncias, no dia a seguir estarias a fazer entrevistas e não a dar graças a deus por teres um emprego. Mas essas opções têm que existir (e no actual contexto legislativo nunca existirão).
 

Ricardo Amaro, da Oxford Economics, corrobora esta ideia, defendendo que a solução para a compressão salarial "terá de passar por tentar que os restantes salários da economia acompanhem essa tendência de subida".

(...)"Um mercado de trabalho com baixos níveis de desemprego, como o atual, ajuda nisso dado que a escassez aumenta o poder negocial dos trabalhadores", sinaliza, mas "uma solução permanente terá de também passar por melhoria da produtividade, e também na atração de investimento estrangeiro de alta qualidade".(...)

É tudo aquilo que eu tenho referido aqui:

- a escassez aumenta o poder negocial dos trabalhadores. Era o que se devia estar a verificar em áreas como o turismo mas que a politica de portas abertas estoirou com centenas de milhar de pessoas dispostas a receber metade.

- Investimento estrangeiro agora (com nova legislação).
 
A partir do momento em que Portugal sai do escudo, e perde a vantagem cambial, o país tinha de encontrar alternativas para captar investimento. Se olharmos para um mapa, é fácil constatar que estamos distantes do centro da riqueza europeia, que se situa na Europa Central, e que abarca ainda o Sul de Inglaterra e da Escandinávia, o Norte de Itália e o Nordeste de Espanha. O grosso dos consumidores estão nessa região, e é mais barato transportar algo da Polónia ou até da Roménia para essa região do que transportar a partir de Portugal. Quando se abandonou o escudo, Portugal deveria:

- ter ficado com impostos mais baixos que Espanha;

- os arrendamentos deveriam ter sido descongelados, a construção de habitação social não deveria ter parado com o fim dos «bairros de lata»;

- a legislação laboral deveria ter sido alterada, e deveríamos ter assumido o modelo suíço ou dinamarquês;

- o investimento em formação técnica e profissional de qualidade deveria ter sido muito maior, e também em formação de adultos.

O que se fez em Portugal foi outra coisa:

- aumentaram-se impostos;

- aumentou-se o tamanho do Estado e do Estado paralelo;

- todo o sistema económico foi montado para favorecer interesses de algumas grandes empresas privadas e públicas, ou grandes grupos nacionais, e respectivos gestores.

Olhando para trás, os Governos de Guterres, Durão, Santana e Sócrates foram ruinosos, estamos agora a pagar a factura.