O Estado do país 2026

A Alemanha quer que todos os membros da UE aumentem os gastos militares. Bem, quem está fora da UE não escapa, e o Reino Unido também terá de aumentar a despesa. Isto implica uma de três consequências: há cortes na despesa pública, há aumentos de impostos, ou há um aumento expressivo do crescimento económico. Contudo, tendo em conta o estado actual das sociedades europeias, esta nunca será uma opção popular. Os europeus das novas gerações desconhecem as agruras dos seus antepassados, e rejeitam sacrifício. Vive-se a era do egoísmo e do individualismo.

Durante décadas a Europa viveu encostada à defesa proporcionada pelos EUA. Trump mudou o jogo, e o Partido Republicano está agora dominado por facções que têm uma postura agressiva contra os europeus. Depois de Trump, a situação poderá piorar, se Vance for o próximo Presidente. E é algo que não deve ser excluído, pois a nível nacional os estudos de opinião não são favoráveis para os Democratas.

Por outro lado, a Europa está rodeada por dois grandes inimigos, potencialmente agressivos durante os próximos dez anos. De um lado temos a Rússia, com um Regime forte que é fortemente anti-europeu, e que pretende a queda da União Europeia, excepto se a Europa Ocidental aceitar as suas pretensões territoriais sobre o Cáucaso, a Ucrânia, a Moldávia ou a Bielorrúsia, e se aceitar ser o centro de lavagem de dinheiro dos oligarcas. Por outro lado temos o Islão político, inimigo mais difuso mas não menos perigoso, que vê a Europa como um continente degenerado e decadente, que precisa de ser purificado. Para o Islão, tomar a Europa é uma missão divina, uma guerra santa contra aqueles que dão direitos às mulheres e às pessoas que não são heterossexuais. Este cenário não se colocava antes do 11 de Setembro, e da tomado do poder por Putin.

A agravar o cenário, temos vários países europeus com dívidas soberanas altíssimas, cargas fiscais altas, e partidos populistas simpatizantes de Moscovo à beira de tomar o poder. Sempre que são anunciadas reformas estruturais que toquem em «direitos», estes partidos aproveitam para tentar subir mais um pouco nas sondagens, as populações ficam indignadas, há manifestações e histeria nas redes sociais. Portugal é um desses países, e portanto, os portugueses não esperem uma melhoria do seu nível de vida nos próximos anos. A não ser que estes mesmos portugueses mudem, o que não irá também acontecer. Infelizmente, as sociedades só mudam em pouco tempo perante um grande choque emocional.
 
Afinal havia Sport TV desde os tempos de Costa. Contudo, só agora, passados todos estes anos, é que a comunicação social pegou no tema. Será que é por estar a AD no poder? Se o Governo fosse do PS, isto seria notícia?