Algo me diz que a pandemia não tarda muito vai voltar a ser um palco de atenções em todo o mundo, a par da guerra na Ucrânia. Em janeiro deste ano, quando a Ómicron assolava a Europa e os EUA a toda a força, eu afirmei que manter uma política de zero COVID neste momento, com uma variante como a Ómicron, altamente contagiosa, tem uma eficácia praticamente nula, e todos os países com estas políticas seriam afetados por uma vaga brutal. Foi essencialmente isso que aconteceu no Japão, Coreia do Sul, Singapura, Nova Zelândia e Austrália. No entanto, a China permanecia sem quaisquer efeitos, tirando uns surtos em Wuhan e Hong Kong...
Pois bem, parece que a Ómicron chegou em força ao país depois dos Jogos Olímpicos de Inverno. Se a vacinação fosse elevada na China, uma vaga da Ómicron não seria grande problema já que a vacinação, aliada à imunidade natural, diminui de forma abrupta a taxa de letalidade da doença (em muitos países europeus é já equivalente à taxa da gripe anual, por exemplo), no entanto se não houver muita imunidade, seja ela artificial ou natural, a taxa de letalidade é de 1,5%, o que é muito elevado. A China neste momento tem um duplo problema: uma parte muito significativa da população idosa não tem sequer uma dose e os que têm levaram a vacina chinesa, que é menos eficaz. Para piorar a situação, devido à política de zero COVID, a China não tem grande imunidade natural, ainda por cima tendo em conta que a última vaga que o país teve foi em janeiro e fevereiro de 2020 e foi com a estirpe original, que era muito menos infeciosa (já para não falar dos dados censurados naquela altura).
Hong Kong neste momento já é a pior região do mundo ao nível da letalidade por COVID-19, e a China continental segue algo atrasada mas ao mesmo ritmo de crescimento. Tudo indica que esta vaga por lá será brutal, e a eficácia das medidas do Governo chinês será muito pequena (para não dizer nula mesmo). Para além disso, a economia chinesa não cresce há vários meses devido aos muitos confinamentos seletivos e há uma bomba-relógio financeira prestes a explodir (nem preciso de dizer qual é)...