Como última intervenção neste tópico no ano de 2015, deixo aqui algumas, poucas, estatísticas. Os muçulmanos não celebram o Natal mas celebraram o aniversário do Maomé no dia
24 de Dezembro.
80% dos sírios vivem na pobreza. A cidade de Ramadi, no Iraque, ainda não foi totalmente libertada, restando ainda +-
30% nas mãos do EI. Ou seja, haverá mais um pouco de destruição. Até agora +-
80% das casas de Ramadi foram destruídas. Ao que parece esta cidade já teve
500.000 pessoas (não tenho muita certeza acerca da densidade populacional tendo em conta o número de casas destruídas). Os
ataques russos, como qualquer bombardeamento aéreo, também têm causado danos massivos e vão continuar a fazê-lo.
Desta vez não haverão triliões dos EUA para reconstruir aquela região do mundo. Os danos no noroeste iraquiano poderão ser ligeiramente mitigados com as receitas de petróleo (que é pouco provável tendo em conta que está em mãos sunitas e curdas). Já na Síria, algumas gerações deverão passar para que o país volte a uma fração do que era o normal.
Mais perto da Europa, na Ucrânia,
400.000 pessoas foram afetadas. A este
metade da infraestrutura foi danificada. A juntar ao
corte brutal nas relações comerciais com a Rússia, principal parceiro comercial, temos a pouca relutância da UE em
disponibilizar fundos (preferem congelar o conflito) para a reconstrução. E tendo em conta a corrupção endémica, a Ucrânia será outro país que demorará pelo menos uma geração para se erguer economicamente. Ao contrário dos países bálticos, irrelevantes estrategiamente devido ao seu reduzido tamanho, a Ucrânia é um país enorme. É do interesse russo que a Ucrânia não se torne muito estável. Até certo ponto, um estado semi-falhado é a melhor solução. Para europeus, é mais um assunto complicado. Não é do 'nosso' interesse que a Ucrânia seja um estado falhado. Até porque é um grande produtor de cereais. Para americanos, honestamente, penso que se estão a borrifar. Nunca estiveram presentes nas reuniões para acordar a paz. O país está destruído. Resta o FMI para emprestar dinheiro (contra as suas regras) e aplicar medidas 'neo-liberais' que empobrecerão mais o país e o deixarão mais ainda à mercê dos muitos oligarcas.
Num outro tópico,
Montenegro é próximo membro da OTAN. Não sei muito bem qual é o interesse estratégico neste país sem ser de dividir mais a Europa entre anti-rússia e pró-rússia. Os russos acham uma provocação. Eu também acho que é.
De longe, o maior perigo para a estabilidade mundial em 2016 será a economia. Há excesso de dívida no mundo. Os países produtores de petróleo estão em sarilhos. Uma recessão trará grande instabilidade interna, promovendo isso respostas brutais e rápidas de regimes opressivos (que há muitos em África e Médio Oriente). A crise de refugiados não deve parar nem tão cedo na Europa. Instabilidade social causa guerras e refugiados (os países escolhidos serão os mesmos - RU, Alemanha...). A discussão do espaço Schegen ainda se prolongará durante algum tempo. Haverá um duro combate entre os nacionalistas e os federalistas. Mas penso que os federalistas vencerão. Têm a seu favor a memória da II GM e a utopia da paz e prosperidade conjunta.
Termino publicando uma boa notícia. É uma daquelas acções paradoxais que às vezes são bem mais úteis do que banir a torto e a direito:
Online retailer Amazon has promised to donate its share of profit from sales of a song by German anti-Islam group Pegida to help thousands of refugees who have fled conflict seeking safety in Europe.
Customers planning to buy the single on Thursday were greeted by a message telling them the German subsidiary of the US-based online giant would donate its profit to NGOs dealing with the refugee crisis - the worst since World War II.
http://www.aljazeera.com/news/2015/...nti-muslim-song-refugees-151231130635136.html