Que espectaculo deprimente a reuniao do Conselho Europeu. Como é que a UE aspira ser um contra-peso com a China e os EUA com este tipo de reunioes? O fim da unanimidade já devia ter sido para ontem! E aquele Rutte que representa 20% do eleitorado Holandes tem de deixar de ser teimoso de uma vez, ainda por cima quando falamos de um valor simbólico, comparado com aquilo que cada Estado gasta com a crise internamente. Santa paciencia!
O Rutte não representa 20% do eleitorado holandês mas o povo holandês. Da mesma forma que António Costa não representa 36% do eleitorado português mas o povo português. Da mesma forma que Sánchez não representa 28% do eleitorado espanhol, mas o povo espanhol. Da mesma forma que Marim não representa 17% do eleitorado finlandês mas o povo finlandês. And so on and so forth. É assim que funciona, para os que gostamos é para os que não gostamos.
Depois, está toda a gente em Portugal e na Hungria a culpar Rutte pelo bloqueio nas negociações, mas esquecem-se que há 5 países contra a proposta da Comissão. Destes, só a Holanda é governada por liberais; um em coligação com verdes e 3 por governos da família socialista europeia. Um destes governos foi muito aplaudido aqui pelo burgo há uns meses por ser constituído por mulheres e de esquerda. Agora está tudo caladinho quando os "socialistas" do norte estão a bater o pé aos socialistas do sul.
António Costa tem feito uma figura triste, e o único contributo real que deu até agora foi ter posto a questão do Estado de Direito e separação de poderes na Hungria e Polónia em cima da mesa, mas precisamente ao contrário do que Costa queria. Ou seja, a única relevância que teve foi para se porém contra ele. Não participou nas reuniões multilaterais entre os "frugais" e Itália, Grécia, Alemanha e França. Não tem poder nenhum na Comissão apesar de tentar tirar um inimigo comum para consumo interno.
Rutte é tão bloqueador como os chefes de governo da Dinamarca, Suécia, Finlândia e Áustria por um lado; ou Morawiecki ou Órbán por outro. A UE nunca será a China ou os Estados Unidos, nenhum tem democracias tão representativas nem 27 culturas, línguas, bases económicas e sociais tão díspares. É assim que funciona.