Certo, mas países que partem de bases económicas, sociais ou geográficas desfavorecidas têm que o compensar dalguma forma. Daí que regimes fiscais baixos sejam relativamente mais frequentes em países subdesenvolvidos que em países com alta renda. Estes últimos na Europa estão bem apetrechados de boa infraestrutura, têm rios navegáveis por centenas de quilómetros continente dentro, portos enormes, terras planas, etc. Nem a geografia explica tudo bem a fiscalidade explica tudo, mas se há coisa que é certa é que a geografia, grosso modo, não se muda.Toda a Europa de leste começou muito de baixo, como bem sabes. O que também não é bom para Portugal.
De resto, mantenho o que escrevi:
O que não faltam por esse mundo fora são países com enquadramentos fiscais muito baixos (Bulgária, Rússia, ilhotas do atlântico, pacífico e caraíbas...) que não são 'ricos' (nas métricas que interessam). É preciso mais.
Se o tópico é 'viver acima das possibilidades' e 'irresponsabilidade', bom, não se deve parar no governo. Acho que a seguinte métrica não deixa grandes dúvidas.
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Quanto à métrica da dívida privada, a grande diferença - e que faz toda a diferença - é que não é automaticamente imputada a pessoas que a não contraíram diretamente. Por isso mesmo, juros de dívida soberana são baixos em países como a Holanda ou a Dinamarca com rácio mais elevados de dívida total que a portuguesa, por exemplo.
Pelo menos no caso da Holanda isso resultou do mercado imobiliário. Preços em subida antes do crash de 2008, levou a que os empréstimos para compra de casa fossem muito elevados, e com a crise a capacidade de os cumprir (e a incapacidade de vender sem ter prejuízo) subiu. Com a retoma da subida de preços no mercado imobiliário, uma parte muito significativa dessa dívida privada vai abater em poucos anos. Na Dinamarca calculo que tenha sido similar.
https://data.oecd.org/hha/household-debt.htm
https://www.statista.com/statistics/718064/peak
https://www.statista.com/statistics/718064/peak-private-debt-as-share-of-gdp-in-the-benelux/
Outra grande diferença é que Holanda, Dinamarca, Luxemburgo, Bélgica e outros países com elevados rácios de dívida privada são também os que têm maior rácio de poupança, a rondar os 50% na Irlanda e no Luxemburgo, 30% na Dinamarca ou Holanda. Em Portugal é inferior a 18%, que é o 2º mais baixo na UE, só superior à Grécia com 12%.
O que não faltam por esse mundo fora são países com enquadramentos fiscais muito baixos (Bulgária, Rússia, ilhotas do atlântico, pacífico e caraíbas...) que não são 'ricos' (nas métricas que interessam). É preciso mais.