Juros da dívida pública continuam a cair e renovam mínimo histórico abaixo de 2,8%
Os juros da dívida pública portuguesa a dez anos renovaram esta sexta-feira um novo mínimo histórico nos 2,787%.
Os juros da dívida pública portuguesa no mercado secundário estão a descer na maioria das maturidades. A dez anos, os juros exigidos pelos investidores para trocarem dívida entre si somam 0,2 pontos base para 2,82%. No entanto, já esta manhã as
"yields" a dez anos estiveram nos 2,787%, o valor mais baixo de sempre.
De acordo com as taxas genéricas da Bloomberg, a dois anos os juros seguem inalterados nos 0,489% e a cinco anos cedem 0,5 pontos base para 1,527%.
Esta evolução tem lugar numa altura em que o mercado pode estar a especular que o queda da taxa de inflação vai levar o Banco Central Europeu (BCE) a alargar o seu programa de activos.
Esta quarta-feira, 26 de Novembro, Vítor Constâncio, vice-presidente do BCE, explicou que a
autoridade monetária vai considerar a compra de dívida soberana, no próximo trimestre, de forma proporcional ao tamanho da economia de cada Estado-membro, se os estímulos actuais se revelarem insuficientes.
"Esperamos que as medidas adoptadas façam com que o balanço volte ao tamanho que tinha no início de 2012. Se não, teremos que considerar a compra de outros activos, incluindo títulos soberanos no mercado secundário, o maior e mais líquido mercado de títulos disponível", admitiu o responsável num discurso em Londres, citado pela Bloomberg. "Seria uma decisão de
política monetária pura, comprar de acordo com o nosso 'capital key' (percentagem de capital correspondente a cada Estado membro), dentro do nosso mandato e da nossa competência legal".
Os comentários de Constâncio sinalizam que o BCE está preparado para introduzir mais estímulos, caso sejam necessários, confirmando as informações que já tinham sido avançadas pelo próprio líder da autoridade monetária, Mario Draghi, no início da semana passada. No entanto, esta quinta-feira, o presidente do banco central
pediu mais tempo para as medidas de estímulo do Banco Central Europeu (BCE) surtirem efeito. Mas se não resultarem, a autoridade monetária está preparada para voltar a actuar, avisou.
"O Conselho do BCE é unânime no seu compromisso de usar novos instrumentos não convencionais dentro do seu mandato", alertou, sublinhando que, tanto o BCE como o Eurosistema, os bancos centrais do euro, estão a preparar "mais medidas a implemementar, se necessário".
No caso da dívida italiana, não se verifica uma tendência definida. A dois anos, os juros exigidos pelos investidores para trocarem dívida entre si somam 0,4 pontos base para 0,485%, a cinco anos somam 0,9 pontos base para 0,961% e a dez anos cedem 0,9 pontos base para 2,049%.
No caso da dívida espanhola, também não se verifica uma tendência. A dois anos, as "yields" espanholas somam 0,2 pontos base para 0,395%, a cinco anos os juros avançam 0,6 pontos base para 0,862%. A dez anos seguem inalterados nos 1,890%.
Negócios
Estou muito mais tranquilizado... Constâncio inspira-me total confiança!
