Seguimento Açores e Madeira - Março 2021

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26 Jan 2020
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Madeira
O diretor do IPMA disse na RTP-Madeira que o Observatório bateu o recorde diário de precipitação tendo atingido o valor brutal de 292.7mm:shocking::surprise: ( 9h do dia 27- 9h do dia 28). Este valor superou o anterior recorde em quase o dobro que era de 150mm registado em Novembro de 2010.
Para terem uma perspectiva a média anual no Observatório anda à volta do 600mm :eek:.
Este valor diário superou a precipitação dos anos 2015 e 2019.
 

StormRic

Furacão
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23 Jun 2014
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Póvoa de S.Iria (alt. 140m)
Funchal Observatório registou 197.2 mm em 24h.

Quanto às ribeiras, estas estruturas construídas pós-20 Fevereiro têm sido determinantes para não chegar material sólido ao centro da cidade e não afectar a sua área de vazão. Lembro-me de nos temporais de antigamente ouvir pedregulhos a serem arrastados dentro da ribeira e morava a 1.5 km da ribeira mais próxima. Hoje isso já não é audível, mesmo quando há muita pluviosidade nas montanhas. Existem 4 ou 5 linhas destas ao longo das principais ribeiras e as autoridades têm contacto visual através de webcams com o que passa em cada uma delas num dado momento. Ao centro da cidade chega maioritariamente água e lama, mas pedregulhos não.

Sim, a Madeira está atualmente muito mais bem preparada para situações de precipitação excessiva. Em 2010, a quantidade de água e pedras que vinham por aquelas ribeiras abaixo era impressionante. Ainda assim, se as células tivessem atingido as zonas montanhosas, as ribeiras seriam certamente motivo para alarme. As montanhas poderiam potenciar a queda de ainda mais precipitação do que aquela que caiu no Funchal.
Entretanto, há quem destaque o investimento feito nas ribeiras, mas não pensam que nas montanhas aquilo que caiu foi "banal" e nem se comparou ao que caiu na Costa Sul em pouco tempo.
https://www.dnoticias.pt/2021/3/28/...Boj10k2-tqRhsHngL3rfqTWumfht-81IQacUGHAyJzcUk

Mais uma vez, felizmente que as células não chegaram ao maciço central da ilha.

Ainda não houve ocorrência de enxurradas vindas das montanhas com volume suficiente para mostrar que a solução das barreiras permeáveis vai ser uma solução a longo prazo.
Eu nunca deixo de insistir no mesmo: a orografia da Madeira mostra que esta é uma paisagem indomável a longo prazo por obras de engenharia. Sublinho a longo prazo. O que vai acontecer às margens das ribeiras quando os "pedregulhos" se amontoarem de tal modo que a barreira deixe de ser permeável? Quem compreender bem o relevo, a geologia e a meteorologia da Ilha da Madeira e compreender que é um ambiente natural ímpar no meio do qual os conceitos urbanísticos actuais não podem ser implantados como o são em geral noutros locais muito menos extremos... compreenderá que não é viável betonar a ilha. A retenção local das energias em jogo, das quais a energia potencial gravítica é a mais importante, terá sempre repercussões a um prazo superior ao dos prejuízos imediatos. Ou seja, é simplesmente um adiar do problema de base: muitos locais nunca deveriam ter sido ocupados urbanisticamente. Os prejuízos e as tragédias são apenas adiados para futuros "responsáveis" e futuras gerações.


Por muito que o valor em ampere seja elevado, não quer dizer necessariamente que a intensidade do som seja igualmente elevada. O ampere mede a intensidade da corrente elétrica e não a intensidade do som. ;)

Não compreendi completamente o que querias elucidar. A distâncias iguais do observador, uma descarga de maior intensidade não emite um som de maior intensidade? Compreendo que também dependerá do comprimento do trajecto percorrido pela descarga, das características do ar atravessado, etc, mas o factor principal terá que ser em princípio a intensidade da corrente eléctrica. Quanto aos danos na rede de distribuição, o componente que tiver sido atingido será sim determinante na gravidade da avaria provocada, e mais uma vez tanto maior quanto maior for a intensidade da descarga.
 

StormRic

Furacão
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23 Jun 2014
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Póvoa de S.Iria (alt. 140m)
Pelos vistos quarta feira há mais e a precipitação pode ser pior segundo o VP do Governo Regional

https://www.dnoticias.pt/2021/3/28/...-para-nova-vaga-de-mau-tempo-na-quarta-feira/

Que informação mais estranha a deste "responsável", adianta-se às próprias previsões públicas do IPMA?? Qual é mesmo o objectivo destas frases, precaver os habitantes?
Então os avisos são agora da responsabilidade e dados em primeira mão pelo vice-presidente do Governo Regional? E "...os últimos indicadores indiciam que a precipitação possa ser mais forte que a registada este fim de semana.". Como assim? Mais forte que uma precipitação que bateu recordes históricos no observatório do Funchal?
 

Hawk

Cumulonimbus
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26 Nov 2006
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Ainda não houve ocorrência de enxurradas vindas das montanhas com volume suficiente para mostrar que a solução das barreiras permeáveis vai ser uma solução a longo prazo.
Eu nunca deixo de insistir no mesmo: a orografia da Madeira mostra que esta é uma paisagem indomável a longo prazo por obras de engenharia. Sublinho a longo prazo. O que vai acontecer às margens das ribeiras quando os "pedregulhos" se amontoarem de tal modo que a barreira deixe de ser permeável? Quem compreender bem o relevo, a geologia e a meteorologia da Ilha da Madeira e compreender que é um ambiente natural ímpar no meio do qual os conceitos urbanísticos actuais não podem ser implantados como o são em geral noutros locais muito menos extremos... compreenderá que não é viável betonar a ilha. A retenção local das energias em jogo, das quais a energia potencial gravítica é a mais importante, terá sempre repercussões a um prazo superior ao dos prejuízos imediatos. Ou seja, é simplesmente um adiar do problema de base: muitos locais nunca deveriam ter sido ocupados urbanisticamente. Os prejuízos e as tragédias são apenas adiados para futuros "responsáveis" e futuras gerações.




Não compreendi completamente o que querias elucidar. A distâncias iguais do observador, uma descarga de maior intensidade não emite um som de maior intensidade? Compreendo que também dependerá do comprimento do trajecto percorrido pela descarga, das características do ar atravessado, etc, mas o factor principal terá que ser em princípio a intensidade da corrente eléctrica. Quanto aos danos na rede de distribuição, o componente que tiver sido atingido será sim determinante na gravidade da avaria provocada, e mais uma vez tanto maior quanto maior for a intensidade da descarga.

Não houve episódios equivalentes ao 20 de Fevereiro, mas tem tem havido ao longo destes anos episódios com potencial de aluvião. Ontem caíram quase 300 mm na cidade e, no mesmo período, caíram 160 mm no Areeiro. Não foram os valores de há 11 anos atrás mas 160 mm em 24h também não é um valor insignificante.

Os açudes em "garfo" têm dimensões diferentes em função da cota que se encontram e dimensionados em função do tipo de solo e escarpa que o rodeiam. Foram dimensionados para ir filtrando material sólido e lenhoso ao longo do percurso da ribeira. Não existem açudes no perímetro urbano.

Já aqui disse várias vezes, é claro que a ocupação do território tem um preço, mas a ocupação do território não pode ser sempre o bode espiatório das desgraças. Se amanhã um prédio ruir no centro de Lisboa porque explodiu uma garrafa de gás, eu não posso dizer que o problema é aquele prédio ter sido construído numa zona de risco sísmico elevado. Da mesma forma, toda a estrada inundada, todo o muro caído no Funchal não é necessariamente sempre uma consequência de mau planeamento. Caíram 300 mm em 24h numa zona urbana, teria consequências em qualquer cidade por mais bem planeada que seja.
 

Hawk

Cumulonimbus
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26 Nov 2006
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Que informação mais estranha a deste "responsável", adianta-se às próprias previsões públicas do IPMA?? Qual é mesmo o objectivo destas frases, precaver os habitantes?
Então os avisos são agora da responsabilidade e dados em primeira mão pelo vice-presidente do Governo Regional? E "...os últimos indicadores indiciam que a precipitação possa ser mais forte que a registada este fim de semana.". Como assim? Mais forte que uma precipitação que bateu recordes históricos no observatório do Funchal?

O director do IPMA disse no Telejornal que os modelos previam há alguns dias atrás uma frente muito activa com potencial severo de precipitação mas que esse valores têm vindo a ser retirados.
 

"Charneca" Mundial

Cumulonimbus
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28 Nov 2018
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Corroios (cota 26); Aroeira (cota 59)
Aqui estão os acumulados finais do evento na Madeira, segundo a rede IPMA: :rain:
- Lido: 145,4 mm
- Quinta Grande: 173,9 mm
- Santo da Serra: 59,9 mm
- Santana: 114,1 mm
- São Vicente: 165,3 mm
- Bica da Cana: 153,8 mm
- Porto Moniz: 48,4 mm
- Pico Alto: 93,2 mm
- Porto Santo: 15,0 mm

Acumulados bastante generosos (e alguns bastante aterradores) por toda a ilha da Madeira, e menos precipitação em Porto Santo! Gostaria de ver os acumulados deste evento nas Ilhas Selvagens, mas infelizmente a estação está inativa há muito tempo! :(
[Nas Ilhas Canárias os acumulados também foram interessantes mas muito inferiores aos da Madeira]
 

joralentejano

Super Célula
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21 Set 2015
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Arronches (272m) | Leiria
Já aqui disse várias vezes, é claro que a ocupação do território tem um preço, mas a ocupação do território não pode ser sempre o bode espiatório das desgraças. Se amanhã um prédio ruir no centro de Lisboa porque explodiu uma garrafa de gás, eu não posso dizer que o problema é aquele prédio ter sido construído numa zona de risco sísmico elevado. Da mesma forma, toda a estrada inundada, todo o muro caído no Funchal não é necessariamente sempre uma consequência de mau planeamento. Caíram 300 mm em 24h numa zona urbana, teria consequências em qualquer cidade por mais bem planeada que seja.
Há casas construídas em locais onde o risco de haver uma derrocada é elevado e ainda hoje passou na televisão uma imagem onde estavam imensas casas construídas exatamente no limite de uma grande escarpa. Eu sinceramente teria medo de viver nelas, mas pronto, é a opinião de uma pessoa que está mais habituada ás planícies. :D Quando estive na Madeira e fui até São vicente, fez-me confusão este edifício estar mesmo debaixo desta escarpa e até havia pedras no chão que provavelmente tinham caído recentemente.
300mm em 24h não são brincadeira nenhuma e era impossível não haver danos, como é evidente e para um valor desses até foram mínimos, felizmente. Provavelmente em Lisboa, Faro ou noutra cidade no continente a situação podia ser pior. Se calhar há mais falta de planeamento nestas cidades, do que no Funchal. Portalegre registou, em outubro, 150mm em 24h e houve algumas inundações, derrocadas e cheias. No entanto, é de referir que praticamente foram as primeiras chuvas depois do verão e a situação só não foi pior por causa disso. São valores muito raros para a região, 60mm na serra de S. Mamede chegaram para fazer o Rio Caia transbordar e galgar pontes em dezembro de 2019, pois os solos já estavam saturados. Esses 300mm em 24h são também uma raridade, tanto para o Funchal ou outra zona de Portugal, por muito chuvosa que seja.
 

Tiagolco

Super Célula
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15 Jul 2015
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Carnaxide, Oeiras
Não compreendi completamente o que querias elucidar. A distâncias iguais do observador, uma descarga de maior intensidade não emite um som de maior intensidade? Compreendo que também dependerá do comprimento do trajecto percorrido pela descarga, das características do ar atravessado, etc, mas o factor principal terá que ser em princípio a intensidade da corrente eléctrica. Quanto aos danos na rede de distribuição, o componente que tiver sido atingido será sim determinante na gravidade da avaria provocada, e mais uma vez tanto maior quanto maior for a intensidade da descarga.
Lá está, não existe relação entre a intensidade do som e a intensidade da descarga elétrica.
O som do trovão é gerado a partir de uma onda de choque causada pelo aquecimento repentino do ar. Esse aquecimento levará a que o ar expanda rapidamente. Como a velocidade da expansão ultrapassa a velocidade do som, ouvimos o tal estrondo. Essa expansão do ar (ou a velocidade com que expande) não depende da intensidade da corrente elétrica.
O som vai depender, por exemplo, das ramificações do raio.
Deixo aqui um gif, que roubei ao @Duarte Sousa, de um documentário que passou há uns anos na RTP3 sobre a Trovoada:
S1y2OyH.gif

Se estiver a dizer alguma asneira corrijam-me. Certamente haverá pessoal com mais conhecimentos que eu. :D
 
Última edição:

StormRic

Furacão
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23 Jun 2014
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Póvoa de S.Iria (alt. 140m)
Lá está, não existe relação entre a intensidade do som e a intensidade da descarga elétrica.
O som do trovão é gerado a partir de uma onda de choque causada pelo aquecimento repentino do ar. Esse aquecimento levará a que o ar expanda rapidamente. Como a velocidade da expansão ultrapassa a velocidade do som, ouvimos o tal estrondo. Essa expansão do ar (ou a velocidade com que expande) não depende da intensidade da corrente elétrica.
O som vai depender, por exemplo, das ramificações do raio.
Deixo aqui um gif, que roubei ao @Duarte Sousa, de um documentário que passou há uns anos na RTP3 sobre a Trovoada:
S1y2OyH.gif

Se estiver a dizer alguma asneira corrijam-me. Certamente haverá pessoal com mais conhecimentos que eu. :D

:thumbsup: ok, obrigado.

No entanto, se fizermos pequenas descargas ou até descargas controladas em laboratório, o som é muito menos intenso do que uma descarga de trovoada, por isso mantenho alguma dúvida sobre o "não há qualquer relação entre o ruído e a intensidade da corrente". Penso que nas explicações dadas há alguma imprecisão sobre que som a que se está a referir. Eu estou a reduzir a discussão ao som de uma descarga de ramo único, sem ramificações, e a uma distância padrão. Tem forçosamente de haver relação, ou seja, nas mesmas condições sob todos os aspectos, uma descarga de 1 kA emite a mesma intensidade de som que uma de 200 kA ? Fico na dúvida, a explicação tem de ser dada com mais detalhe. :intrigante:
 

Hawk

Cumulonimbus
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26 Nov 2006
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Funchal
Em relação ao eventual evento de 4ªf na Madeira, os principais modelos GFS e Europeu modelam uma situação típica com a passagemde uma frente de fraca a moderada actividade. O modelo Coreano tem vindo a modelar uma situação mais severa com perto de 140 mm em 12 horas, mas este modelo gera sempre alguns "excessos" na Madeira. De qualquer forma, e tendo em conta o actual estado das linhas de água depois da intempérie do fim de semana, todo o cuidado é pouco.

Já agora, o diretor do IPMA ontem confirmou que o número reduzido de voos está a afectar a fiabilidade dos modelos. Há algum sítio onde esta situação possa ser verificada/consultada?

Capture.png
 

Orion

Furacão
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5 Jul 2011
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Para leigos, não é fácil.

-> https://community.wmo.int/activity-areas/aircraft-based-observations/data/statistics#hist_gts & https://www.emc.ncep.noaa.gov/gmb/STATS_vsdb/gfs4cyc/ & https://apps.ecmwf.int/wmolcdnv/

Em termos globais não parece haver défices massivos, já que a vasta maioria dos dados é obtido mediante satélites.

Relacionando com a Madeira, a lista de previsões erradas já não era longa mesmo na era pré-covid? :D Foi um evento convectivo bastante localizado.
 
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