Seguimento Marítimo 2015 (Ondulação, Temperatura água, Praias, etc)

Duarte Sousa

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8 Mar 2011
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Tópico de 2015 para seguimento de informação marítima e costeira, praias, temperatura da água, ondulação, vento, etc, bem como para acompanhar outras notícias que sejam importantes neste tema como por exemplo a limpeza/poluição, interdições, segurança, etc.

Link's úteis:

Temperatura da água
->IPMA - Informação Costeira
->IPMA - Cartas de previsão para Portugal
->Modelo MOHID
->NOAA AVHRR Europe Sea Surface Temperature
->Instituto Hidrográfico (Temperatura Bóias)
->CLIMAAT Temperatura Bóias Açores
->CLIMAAT Temperatura Bóias Madeira
->Meteogalicia - Temperatura da água do Atlântico - Meteosat 9
->Meteogalicia (Temperatura Bóias Galiza)
->Temperatura del agua del mar AEMET
->AEMET Predicción Playas (Espanha)

Ondulação e Marés
->Instituto Hidrográfico (Bóias, ondulação, marés, etc)
->NOAA Wave Watch III
->WindGuru
->Storm Surf - Wave Model - North Atlantic Sea Height (em pés)

Segurança, Qualidade, etc
->SNIRH - Zonas Balneares
->Associação Bandeira Azul
->Instituto de Socorros a Náufragos (Vigilância, segurança, riscos)

Surf
->Offshore
->Surftotal
->WindGuru

Webcams
->BeachCam (várias webcams)
->Praia da Salema Algarve
->Sagres
->Lagos

Anos anteriores:
->Seguimento Marítimo 2014 (Ondulação, Temperatura água, Praias, etc)
->Seguimento Marítimo 2013 (Ondulação, Temperatura água, Praias, etc)
->Seguimento Marítimo 2012 (Ondulação, Temperatura água, Praias, etc)
->Seguimento Marítimo 2011 (Ondulação, Temperatura água, Praias, etc)
->Seguimento Marítimo 2010 (Praias, Temperatura água, ondulação, vento, etc)
->Seguimento Praias 2009 (Temperatura água, ondulação, vento, etc)
 

StormRic

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O lixo oceânico dá à costa. Outrora julgadas limpas por não terem frequência significativa de visitantes, as praias selvagens do nosso litoral estão condenadas a serem uma lixeira. Não pelo lixo levado pelos visitantes e pescadores, que prolifera também como resultado de um incompreensível desprezo pelo que não é apenas deles mas de todos, humanos ou não, mas pelo lixo que cada vez mais está a ser devolvido pelo oceano. Já não há onda que não transporte lixo, água que por mais límpida que de longe pareça que não esteja infiltrada de todo o tipo de partículas e objectos artificiais, partículas tão pequenas que são ingeridas por todos os seres vivos; partículas microscópicas que provêm da lavagem das nossas roupas de fibras sintéticas e que não se decompôem quimicamente mas fracturam-se em pedaços cada vez mais pequenos até serem assimilados por simples células e organismos unicelulares, destruindo-as e contaminando quase invisivelmente toda a cadeia alimentar e ecossistemas.
Mas e que dizer do lixo graúdo? É que se ainda é possível pela boa vontade de alguns recolher uma grande parte dos objectos plásticos que pululam nas praias "selvagens", há lixo que talvez ninguém consiga tirar jamais por falta de recursos e de vontade oficial.
Ficam aqui algumas imagens.

Praia da Ursa:
O início de 2014 marcou uma afluência incrível de detritos e desde aí só tem aumentado. Sempre que visito a Ursa recolho alguns objectos e trago-os pelo trilho da falésia acima. Outros reuniram-nos em montes e lançaram-lhes fogo... plásticos de todo o tipo a serem incinerados a céu aberto numa reserva natural, não é solução.
Q1CM8cY.jpg


Alvidrar, Praia do Caneiro (que ironia...):
Esta praia é talvez a última enseada selvagem quase sem visitantes. Para descer ao areal é necessário fazer escalada usando cordas. Já a visitei algumas vezes, um pequeno paraíso remoto, com um comjunto de cavernas e grutas oceânicas notáveis.
Em 10 de Abril de 2014, primeira vez que passei pelas falésias circundantes após os temporais de ondas do início desse ano, deparei com isto.
tssUBjG.jpg

zBl1VJS.jpg

hbTNKdZ.jpg


Isto são tubagens gigantescas usadas nos emissores submarinos de esgotos. Assim de longe parecem ter um diâmetro de quase dois metros (ainda não desci lá abaixo e medi) e várias dezenas de metros de comprimento embora pareçam ter sido quebradas em pedaços e provavelmente pertenciam a troços mais longos. De onde é que isto veio e como é que conseguiram entrar pela estreita enseada? Por que só apareceram aqui? Tentei investigar e a única coisa que encontrei que parece estar relacionada é esta notícia:
http://noticias.uol.com.br/lusa/ultnot/2002/02/28/ult611u9331.jhtm
Poderão ser os restos do megatubo de 518m de comprimento perdido no litoral norte do Rio de Janeiro há 12 anos? Custa-me a crer que as correntes os tenham transportado desde o Atlântico Sul. teriam que ter dado a volta toda, ser apanhados pela corrente de Benguela, cruzar o equador e captados nas Caraíbas pela corrente do Golfo. Penso que haverá uma origem muito mais próxima e serve a notícia para sabermos que este tipo de tubagens costuma ser rebocadas desde os locais de fabricação até aos destinos de instalação e que provavelmente estas também terão sido perdidas. A questão é: como é que vão ser retiradas dali?

Imagem de 17 de Abril, só para mostrar a dimensão em comparação com a figura diminuta de um pescador na falésia:
BDfMchw.jpg


Coloquei esta mensagem no seguimento 2015 porque qual não foi o meu espanto e desgosto, quando fui há dois dias ver o pôr-do-sol ao Cabo da Roca, e captei esta imagem da Praia da Ursa:
cOdnx5G.jpg


Até a paisagem da Praia da Ursa já está condenada a incluír o nosso lixo.
 

DaniFR

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Isto são tubagens gigantescas usadas nos emissores submarinos de esgotos. Assim de longe parecem ter um diâmetro de quase dois metros (ainda não desci lá abaixo e medi) e várias dezenas de metros de comprimento embora pareçam ter sido quebradas em pedaços e provavelmente pertenciam a troços mais longos. De onde é que isto veio e como é que conseguiram entrar pela estreita enseada? Por que só apareceram aqui? Tentei investigar e a única coisa que encontrei que parece estar relacionada é esta notícia:
http://noticias.uol.com.br/lusa/ultnot/2002/02/28/ult611u9331.jhtm
Poderão ser os restos do megatubo de 518m de comprimento perdido no litoral norte do Rio de Janeiro há 12 anos? Custa-me a crer que as correntes os tenham transportado desde o Atlântico Sul. teriam que ter dado a volta toda, ser apanhados pela corrente de Benguela, cruzar o equador e captados nas Caraíbas pela corrente do Golfo. Penso que haverá uma origem muito mais próxima e serve a notícia para sabermos que este tipo de tubagens costuma ser rebocadas desde os locais de fabricação até aos destinos de instalação e que provavelmente estas também terão sido perdidas. A questão é: como é que vão ser retiradas dali?

Imagem de 17 de Abril, só para mostrar a dimensão em comparação com a figura diminuta de um pescador na falésia:
BDfMchw.jpg
Podem ser os restos deste tubo: http://www.publico.pt/local/noticia...l-de-sintra-e-de-piscicultura-de-mira-1621564
 
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DaniFR

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:thumbsup:Excelente descoberta esta notícia, é mesmo isto. Diâmetro de 2m e não apenas 1,4m. E ao ler esta notícia desconfio que o cortaram e enfiaram de propósito naquela enseada, à espera de saber o que fazer com ele.

Obrigado, como é que encontraste a notícia?
Quando referiste o caso do megatubo do Rio de Janeiro, lembrei-me desta notícia, que tinha lido há uns tempos, sobre um grande tubo que andava junto à costa na zona de Sintra. Bastou pesquisar por "tubo à deriva" para encontrar a notícia.
 
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O lixo oceânico dá à costa. Outrora julgadas limpas por não terem frequência significativa de visitantes, as praias selvagens do nosso litoral estão condenadas a serem uma lixeira. Não pelo lixo levado pelos visitantes e pescadores, que prolifera também como resultado de um incompreensível desprezo pelo que não é apenas deles mas de todos, humanos ou não, mas pelo lixo que cada vez mais está a ser devolvido pelo oceano. Já não há onda que não transporte lixo, água que por mais límpida que de longe pareça que não esteja infiltrada de todo o tipo de partículas e objectos artificiais, partículas tão pequenas que são ingeridas por todos os seres vivos; partículas microscópicas que provêm da lavagem das nossas roupas de fibras sintéticas e que não se decompôem quimicamente mas fracturam-se em pedaços cada vez mais pequenos até serem assimilados por simples células e organismos unicelulares, destruindo-as e contaminando quase invisivelmente toda a cadeia alimentar e ecossistemas.
Mas e que dizer do lixo graúdo? É que se ainda é possível pela boa vontade de alguns recolher uma grande parte dos objectos plásticos que pululam nas praias "selvagens", há lixo que talvez ninguém consiga tirar jamais por falta de recursos e de vontade oficial.
Ficam aqui algumas imagens.

Praia da Ursa:
O início de 2014 marcou uma afluência incrível de detritos e desde aí só tem aumentado. Sempre que visito a Ursa recolho alguns objectos e trago-os pelo trilho da falésia acima. Outros reuniram-nos em montes e lançaram-lhes fogo... plásticos de todo o tipo a serem incinerados a céu aberto numa reserva natural, não é solução.
Q1CM8cY.jpg


Alvidrar, Praia do Caneiro (que ironia...):
Esta praia é talvez a última enseada selvagem quase sem visitantes. Para descer ao areal é necessário fazer escalada usando cordas. Já a visitei algumas vezes, um pequeno paraíso remoto, com um comjunto de cavernas e grutas oceânicas notáveis.
Em 10 de Abril de 2014, primeira vez que passei pelas falésias circundantes após os temporais de ondas do início desse ano, deparei com isto.
tssUBjG.jpg

zBl1VJS.jpg

hbTNKdZ.jpg


Isto são tubagens gigantescas usadas nos emissores submarinos de esgotos. Assim de longe parecem ter um diâmetro de quase dois metros (ainda não desci lá abaixo e medi) e várias dezenas de metros de comprimento embora pareçam ter sido quebradas em pedaços e provavelmente pertenciam a troços mais longos. De onde é que isto veio e como é que conseguiram entrar pela estreita enseada? Por que só apareceram aqui? Tentei investigar e a única coisa que encontrei que parece estar relacionada é esta notícia:
http://noticias.uol.com.br/lusa/ultnot/2002/02/28/ult611u9331.jhtm
Poderão ser os restos do megatubo de 518m de comprimento perdido no litoral norte do Rio de Janeiro há 12 anos? Custa-me a crer que as correntes os tenham transportado desde o Atlântico Sul. teriam que ter dado a volta toda, ser apanhados pela corrente de Benguela, cruzar o equador e captados nas Caraíbas pela corrente do Golfo. Penso que haverá uma origem muito mais próxima e serve a notícia para sabermos que este tipo de tubagens costuma ser rebocadas desde os locais de fabricação até aos destinos de instalação e que provavelmente estas também terão sido perdidas. A questão é: como é que vão ser retiradas dali?

Imagem de 17 de Abril, só para mostrar a dimensão em comparação com a figura diminuta de um pescador na falésia:
BDfMchw.jpg


Coloquei esta mensagem no seguimento 2015 porque qual não foi o meu espanto e desgosto, quando fui há dois dias ver o pôr-do-sol ao Cabo da Roca, e captei esta imagem da Praia da Ursa:
cOdnx5G.jpg


Até a paisagem da Praia da Ursa já está condenada a incluír o nosso lixo.

Merece um gosto como sempre :thumbsup:, mas merece um desagrado o que se "avista" na praia :mad:, enfim, eu que frequento um pouco o nosso litoral, nem imaginam o que vejo de lixo nas praias que vem do mar, até tenho umas de São Jacinto por exemplo que tirei no ano passado.
 
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StormRic

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Póvoa de S.Iria (alt. 140m)
nem imaginam o que vejo de lixo nas praias que vem do mar, até tenho umas de São Jacinto por exemplo que tirei no ano passado.

Penso que devíamos abrir um tópico sobre o assunto, ou então usar este, para mostrar e ajudar à vigilância destas situações.Também para despertar consciências, para tentar alterar os hábitos nocivos que podem facilmente ser corrigidos.
Claro que não será um tópico bonito de se ver mas penso que, por vezes, é preciso mostrar a conspurcação e a degradação para se dar valor à preservação, o feio para reconhecer a necessidade de manter o que é belo. Ao tentarmos sempre compôr as nossas fotos evitando mostrar o lixo, a degradação e a destruição estamos talvez a mostrar uma falsa imagem. Quem vê e não foi lá pensará, olha afinal ainda está tudo bonito. Não é fácil reportar tal assunto mas vou tentar, além de fazer fotos bonitas, fazer umas bem horríveis, afinal até está infelizmente em todo o lado.
 

João Pedro

Super Célula
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Não é fácil reportar tal assunto mas vou tentar, além de fazer fotos bonitas, fazer umas bem horríveis, afinal até está infelizmente em todo o lado.
Fazer fotos horríveis é bem mais fácil que fazer fotos bonitas. E mesmo aqui pelo Porto, oportunidades não faltam infelizmente, especialmente entre o Castelo do Queijo e a praia do Homem do Leme onde uma pequena enseada recolhe todo o tipo de lixo oceânico imaginável...
 
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Umas imagens da ondulação na lagoa de Albufeira, de hoje

Lindo! Imagens com poesia! :palmas:

Talvez o que fez a neblina ficar menos visível tenha sido a iluminação do sol, quando brilha sobre a neblina esta bloqueia mais a vista, se ficar à sombra já a paisagem não fica tão velada. Talvez aquelas nuvens que progrediam rapidamente tenham bloqueado mais a luz na segunda foto. Embora também possa ter sido varrida. Havia vento suficiente? Mas inclino-me mais para a a sombra, na segunda foto vê-se que a água já não brilha tanto como na primeira.
 
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Nimbostratus
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Lindo! Imagens com poesia! :palmas:

Talvez o que fez a neblina ficar menos visível tenha sido a iluminação do sol, quando brilha sobre a neblina esta bloqueia mais a vista, se ficar à sombra já a paisagem não fica tão velada. Talvez aquelas nuvens que progrediam rapidamente tenham bloqueado mais a luz na segunda foto. Embora também possa ter sido varrida. Havia vento suficiente? Mas inclino-me mais para a a sombra, na segunda foto vê-se que a água já não brilha tanto como na primeira.

Foi mesmo a neblina que limpou e foi num curto espaço de tempo, o mesmo não aconteceu em direcção a "linha".
 
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