Seicha gigante (tsunami meteorológico) no Algarve

ecobcg

Cumulonimbus
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Há por aqui (comunicação social, Universidade) grande "interesse" num relato que houve em Silves sobre o facto de, às 09h, o rio, em Silves, ter descido de nível muito rapidamente (ficando seco), para logo depois ter voltado ao nível normal.:huh:

Segundo informações que também chegaram aqui, parece que os marégrafos de Lagos e de Algeciras (em Espanha), têm registado desde ontem à noite, algumas variações pontuais (médias de 50 cm) da maré contrárias à evolução normal dessa mesma maré:huh: (ou seja, quando está a encher, pontualmente desce de repente 50cm, retomando logo depois a evolução normal). Segundo dizem, este facto está a deixar muito curiosos alguns estudiosos sérios nesta matéria, sem saberem bem qual será a causa disto.

Variações intensas de pressão atmosférica (que terão sido registadas muito localmente esta noite), vento, ..., ainda estão à procura de uma hipótese para esta questão!

Alguém que estivesse perto do rio ou do mar reparou nalguma coisa?
 
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Cumulonimbus
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Re: Seguimento Marítimo 2010 (Praias, Temperatura água, ondulação, vento, etc)

Não sei se será o tópico adequado, mas fica aqui a pergunta:
Há por aqui (comunicação social, Universidade) grande "interesse" num relato que houve em Silves sobre o facto de, às 09h, o rio, em Silves, ter descido de nível muito rapidamente (ficando seco), para logo depois ter voltado ao nível normal.:huh:

Segundo informações que também chegaram aqui, parece que os marégrafos de Lagos e de Algeciras (em Espanha), têm registado desde ontem à noite, algumas variações pontuais (médias de 50 cm) da maré contrárias à evolução normal dessa mesma maré:huh: (ou seja, quando está a encher, pontualmente desce de repente 50cm, retomando logo depois a evolução normal). Segundo dizem, este facto está a deixar muito curiosos alguns estudiosos sérios nesta matéria, sem saberem bem qual será a causa disto.

Variações intensas de pressão atmosférica (que terão sido registadas muito localmente esta noite), vento, ..., ainda estão à procura de uma hipótese para esta questão!

Alguém que estivesse perto do rio ou do mar reparou nalguma coisa?

De facto é curioso, mas quando os rios/mar recuam derrepente é sinal de maremoto, mas não é o facto.

Não tenho reparado mas vou estar atento ao Guadiana assim que possivel, mas tambem não encontro nada para o que está acontecer!

Muito estranho mesmo! :shocking:
 

Agreste

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Re: Seguimento Marítimo 2010 (Praias, Temperatura água, ondulação, vento, etc)

Não sei se será o tópico adequado, mas fica aqui a pergunta:
Há por aqui (comunicação social, Universidade) grande "interesse" num relato que houve em Silves sobre o facto de, às 09h, o rio, em Silves, ter descido de nível muito rapidamente (ficando seco), para logo depois ter voltado ao nível normal.:huh:

Segundo informações que também chegaram aqui, parece que os marégrafos de Lagos e de Algeciras (em Espanha), têm registado desde ontem à noite, algumas variações pontuais (médias de 50 cm) da maré contrárias à evolução normal dessa mesma maré:huh: (ou seja, quando está a encher, pontualmente desce de repente 50cm, retomando logo depois a evolução normal). Segundo dizem, este facto está a deixar muito curiosos alguns estudiosos sérios nesta matéria, sem saberem bem qual será a causa disto.

Variações intensas de pressão atmosférica (que terão sido registadas muito localmente esta noite), vento, ..., ainda estão à procura de uma hipótese para esta questão!

Alguém que estivesse perto do rio ou do mar reparou nalguma coisa?

Fui ver os dados da bóia de Faro, e há de facto uma agitação notória da água do mar a partir das 7h30.

faroo.png



Altura das ondas acima daquilo que estava previsto:

semttulo7b.png
 

Vince

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Re: Seguimento Marítimo 2010 (Praias, Temperatura água, ondulação, vento, etc)

Durante as muitas trovoadas de ontem não houve vento ? Eventualmente poderia ser uma pequena maré provocada pelas frentes de rajada das trovoadas ou uma subtil maré meteorológica com o reflectir mais próximo da superfície da cuttoff. Mas não faço ideia.
 

algarvio1980

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Re: Seguimento Marítimo 2010 (Praias, Temperatura água, ondulação, vento, etc)

Durante as muitas trovoadas de ontem não houve vento ? Eventualmente poderia ser uma pequena maré provocada pelas frentes de rajada das trovoadas ou uma subtil maré meteorológica com o reflectir mais próximo da superfície da cuttoff. Mas não faço ideia.

Não, durante as trovoadas não havia sequer vento, pelo menos aqui em Olhão, também há relatos em Olhão que o barco que faz a ligação para o Farol ía ficando em seco, por volta das 8h30m - 9 horas, mas não seii se tem credibilidade, um amigo meu é que disse quando ía no barco. Só esta manhã é que houve bastante vento, na altura em que a bóia de Faro registou um aumento súbito da ondulação.
 

Vince

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Re: Seguimento Marítimo 2010 (Praias, Temperatura água, ondulação, vento, etc)

Este é o GFS das 00z até às 12z de hoje, a nível de vento e pressão, que mostra que a nível sinóptico as coisas estavam muito dinâmicas nesses parâmetros, e a nível de mesoescala com as trovoadas certamente ainda mais.

76710920.gif
 

ecobcg

Cumulonimbus
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Re: Seguimento Marítimo 2010 (Praias, Temperatura água, ondulação, vento, etc)

Durante as muitas trovoadas de ontem não houve vento ? Eventualmente poderia ser uma pequena maré provocada pelas frentes de rajada das trovoadas ou uma subtil maré meteorológica com o reflectir mais próximo da superfície da cuttoff. Mas não faço ideia.

Aqui por Silves fez vento durante grande parte da noite, e com rajadas consideráveis!
 

ecobcg

Cumulonimbus
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Re: Seguimento Marítimo 2010 (Praias, Temperatura água, ondulação, vento, etc)


Bom, parece que de acordo com a Universidade, tratou-se mesmo desse fenómeno que mencionaste! Eles chamaram-lhe "Seicha gigante"!

Vai dar uma reportagem hoje no Portugal Directo (se conseguirem editá-la até essa hora) e depois no Jornal da Noite, na RTP1, sobre este assunto. Acabaram de me entrevistar também (fui apanhado de surpresa), onde toquei um pouco no aspecto de o Fórum MeteoPt estar a comentar o assunto e já ter dado algumas explicações para o facto!!! Todos a ver a reportagem!!:D
 

meteo

Nimbostratus
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Re: Seguimento Marítimo 2010 (Praias, Temperatura água, ondulação, vento, etc)

Bom, parece que de acordo com a Universidade, tratou-se mesmo desse fenómeno que mencionaste! Eles chamaram-lhe "Seicha gigante"!

Vai dar uma reportagem hoje no Portugal Directo (se conseguirem editá-la até essa hora) e depois no Jornal da Noite, na RTP1, sobre este assunto. Acabaram de me entrevistar também (fui apanhado de surpresa), onde toquei um pouco no aspecto de o Fórum MeteoPt estar a comentar o assunto e já ter dado algumas explicações para o facto!!! Todos a ver a reportagem!!:D

As pessoas com exames,e agora á noite já não há estudo para ninguem para ver a reportagem...Ehe Parabéns! ;)
 

Vince

Furacão
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A descrição de uma das pessoas do Meteored do link que o Agreste deu coincide com a situação sinóptica que vivemos.


En la generación de las rissagas son imprescindibles diversos factores: generación de ondas gravitatorias por cizalladura del viento en los niveles medias y altos de la troposfera, además de la presencia de un chorro del Suroeste, junto con una masa de aire cálida expandiéndose desde el Norte de África, provocando una clara inversión térmica en los niveles bajos (una importancia secundaria tiene el flujo de Levante en superficie, aunque su presencia puede suponer un reforzamiento de este fenómeno).

Las ondas de gravitación se producen en las corrientes de vientos fuertes de niveles medios y altos de la atmósfera, dentro de este chorro se producen bruscos descensos y ascensos debido a las diferentes velocidades que en él se originan, sobre todo entre las zonas más externas e internas del mismo. Y estas ondas en su descenso pueden hacer oscilar la inversión al verse sometida a mayor o menor peso. Las condiciones para su formación son ambientes extremadamente secos, representados por lo típicos sondeos en forma de "V" invertida (seco a todos los niveles menos en la zona estrangulada donde la curva de Td se acerca a la T), con estratificación cercana adiabática seca coronada hacia los 500 mb por una poco profunda capa húmeda. Así en estas situaciones se suelen formar nubes de base muy alta. Preferentemente nubes cumuliformes aisladas, con convección de tipo cumulus-altocumulus. El factor fundamental de tales descendencias procede de la flotabilidad negativa de la burbuja descendente, debida a fusión, sublimación y, principalmente, la evaporación de la precipitación por debajo de la nube, en la cortina de virga (si ésta se produce). Se pueden presentar débiles descensos de la temperatura en superficie, asociados a una mesoalta, aunque en algunos casos también se han observado ascensos térmicos.

Sobre la inversión se provocaría algo semejante a los conocidos overshootings, pero descendentes, undershooting. También se asocian a movimientos adiabáticos secos de aire subsidente de niveles medios troposféricos suficientemente intensos para penetrar en una débil inversión o capa estable superficial (algo similar a los reventones cálidos), lo que sería el arrastre del agua precipitante o condensada, aunque esto no es una forma muy eficaz de generar corrientes descendentes, ya que es necesario condensar una cantidad considerable de vapor de agua para conseguir efectos similares al de la flotabilidad negativa (aunque en descendencias húmedas sí que predomina este factor).

Como he dicho, las situaciones sinópticas suelen caracterizarse por una marcada circulación del S-SW (intrusiones subtropicales) en niveles medios y altos, observándose generalmente una masa de convección en el norte de África circulando hacia el NE, recalentada en niveles bajos por las altas temperaturas. También suele presentarse una fuerte y anómala cizalladura vertical del viento en niveles medios-altos (ondas gravitatorias), asociada a las masas de nubes medias subtropicales, junto con una tropopausa alta.

En resumen, cuando el gradiente de temperatura es próximo al adiabático seco, las corrientes ascendentes asociadas no suelen ser fuertes en los desarrollos convectivos, y no se inician al nivel del suelo sino hasta una cierta altitud, ya que los procesos de mezcla turbulenta tienden a establecer un equilibrio en la troposfera. Por contra, la inestabilidad de niveles medios puede ser lo suficientemente marcada como para generar nubes convectivas de bases muy altas. Cuando la precipitación abandona la base de la nube las descendencias originadas pueden ser muy destacables. El único factor que limita la velocidad de la corriente descendente causada por la flotabilidad negativa es la mezcla con el aire del entorno de la descendencia. Si consigue entrar en la inversión térmica sin romperla por completo, provocaría las nombradas rissagas, si la descendencia es demasiado fuerte podría dar lugar a los reventones de tipo cálido (HB).
http://foro.meteored.com/climatologia/el+fenomeno+de+las+rissagues-t18307.0.html;msg385432#msg385432


Rissaga

Una rissaga es un fenómeno meteorológico que se produce ocasionalmente en algunas costas mediterráneas, como en la costa de las Islas Baleares; en Italia, especialmente en el Golfo de Trieste, con el nombre de Marrubio; o en el Golfo de Gabés, afectando a los países ribereños de Túnez y Malta; pero también en otras muchas partes del globo, como el Mar de Japón y Mar de la China Oriental, conocido como Abiki.

En las rissagas se producen oscilaciones del nivel del mar en puertos, calas o bahías, motivadas por causas meteorológicas como los fuertes vientos en la troposfera, aire cálido en niveles bajos de la atmósfera y débil o moderado en la superficie, y que en condiciones de resonancia, es decir, subida y bajada brusca del nivel del mar en muy poco tiempo (minutos o incluso segundos) que, cuando son muy intensas, suelen producir destrozos en los barcos que están amarrados e inundaciones en las infraestructuras portuarias.

La última gran rissaga en Ciutadella de Menorca, la más importante en 20 años, se produjo el 15 de junio de 2006, con oscilaciones de hasta 4 metros que provocaron desperfectos en numerosas embarcaciones. Para que se produzca una rissaga de estas características, como ya sucedió también en esta misma localidad el 21 de junio de 1984, es necesario que a las condiciones en las que éstas ocurren normalmente, se sume una tormenta con fuertes vientos y cambios bruscos de la presión atmosférica. En las rissagas más comunes, las oscilaciones del nivel del mar son de 60 a 120 cm.

Se suelen dar unos 50 partes de avisos meteorológicos al año.

http://es.wikipedia.org/wiki/Rissaga


Meteotsunami

A meteotsunami or meteorological tsunami[1] is a tsunami-like wave phenomenon of meteorological origin. Tsunamis and meteotsunamis propagate in the water in the same way and have the same coastal dynamics. In other words, for an observer on the coast where it strikes the two types would look the same. The difference is in their source only. One definition of a meteotsunami is as an atmospherically generated large amplitude seiche oscillation.

The principal source of these tsunami-like ocean waves are travelling air pressure disturbances, including those associated with atmospheric gravity waves, roll clouds, pressure jumps, frontal passages, and squalls, which normally generate barotropic ocean waves in the open ocean and amplify them near the coast through specific resonance mechanisms. In contrast to ‘ordinary’ impulse-type tsunami sources, a travelling atmospheric disturbance normally interacts with the ocean over a limited period of time (from several minutes to several hours).

These types of waves are common all over the world and are better known by their local names: rissaga (Catalan), milghuba (Maltese), marrobbio (Italian), abiki (Japanese)

http://en.wikipedia.org/wiki/Meteotsunami
 

Stormm

Cumulus
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22 Dez 2009
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Olhão
Quem diria mesmo que esse fenómeno fosse cá acontecer!!:eek:
Estou bastante surpreendido!
De facto a natureza tem com cada uma:D
 

ecobcg

Cumulonimbus
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Sitio das Fontes e Carvoeiro (Lagoa - Algarve)
Tsunami meteorológico foi registado esta manhã no Algarve (com vídeo)

Uma seicha gigante ou tsunami meteorológico foi registado esta manhã em vários pontos de estuários, zonas lagunares e rios do Algarve, causando, segundo testemunhas oculares, variações súbitas da altura da maré de cerca de 50 centímetros.

De acordo com o meteorologista Bruno Gonçalves, este tsunami meteorológico deverá ter-se ficado a dever à passagem da depressão que esta madrugada afetou o Algarve, causando uma acentuada baixa da pressão atmosférica, com ventos, chuva e trovoada.

«Estes tsunamis meteorológicos são fenómenos que raramente ocorrem aqui no Algarve, mas que são mais habituais em zonas como as Ilhas Baleares, no Mediterrâneo, por exemplo», acrescentou.

São fenómenos que acontecem em «locais confinados, como estuários, portos ou rias», que «provocam alterações na evolução normal das marés». Ou seja, numa altura em que a maré está a subir, em vez de continuar a subir, de repente desce.

No caso do Algarve, o fenómeno foi observado esta manhã, entre as 8h30 e as 9h00, pelo menos em dois locais: no Rio Arade, em Silves, e ainda na Ria Formosa.

Ao que o barlavento.online apurou, há relatos de que um operador que estava a embarcar turistas no cais de Silves viu o seu barco ficar em seco de repente, depois das águas do rio terem baixado cerca de meio metro.

Na Ria Formosa, há o caso do barco que fazia a ligação entre Olhão e a Praia do Farol que terá ficado momentaneamente encalhado, quando a altura das águas baixou de forma muito rápida.

No Fórum MeteoPt, que desde há algumas horas está a comentar o caso, diz-se que os marégrafos de Lagos e de Algeciras (Espanha) terão registado estas alterações súbitas no nível das marés.

Nuno de Santos Loureiro, investigador da Universidade do Algarve, acrescentou que o Algarve foi afetado «por uma enorme depressão térmica que deve ter vindo do Norte de África, migrando para cima do Algarve. Pelo vigor, pelo vento que provocou, certamente que deu grandes alterações de pressão atmosférica, repercutindo-se nas marés».

Este investigador esclareceu que «o nível do mar é sempre altamente condicionado pela pressão atmosférica».

Ao que o barlavento.online apurou, investigadores ligados à Universidade do Algarve e a outras entidades estão a recolher dados e a analisá-los para encontrar uma explicação cabal para o fenómeno meteorológico que esta manhã afetou a zona costeira da região.

Em Portugal, por serem muito raros, os tsunamis meteorológicos não têm nenhum nome especial. Mas são conhecidos por rissaga (Catalunha), milghuba (Malta), marrobbio (Itália) ou abiki (Japão).

Veja aqui o vídeo de um tsunami meteorológico em Espanha:

http://www.youtube.com/watch?v=MGnrk-HJx0E

in Barlavento Online

Refira-se que no final da noticia, o Barlavento remete a discussão para o Meteopt.com.