Serra de Sintra – Corte de árvores

Thomar

Cumulonimbus
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Hoje no jornal Público (versão online) saiu esta notícia sobre o corte de árvores em zona protegida

Intervenção pública polémica em área protegida de Sintra-Cascais
Corte de árvores na serra de Sintra suscita dúvidas técnicas


23.01.2009 - 09h09 Luís Filipe Sebastião

O corte de arvoredo na serra de Sintra, nas tapadas entre a rampa da Pena e a estrada para os Capuchos, está a preocupar técnicos e ambientalistas por ameaçar a "vivência" da Paisagem Cultural classificada pela UNESCO. A Parques de Sintra-Monte da Lua (PSML) justifica a limpeza com o corte de infestantes e a prevenção do risco de fogos.

A EN 247-3 liga os cruzamentos da rampa da Pena e dos Capuchos. Ao longo de uma dúzia de quilómetros com curvas, a estrada atravessa (no início) e delimita (uma boa parte) a zona património mundial. Algumas zonas, principalmente junto aos muros do parque da Pena e mais próximo do acesso ao antigo convento, eram ladeadas por uma densa área florestal.

Este cenário foi radicalmente alterado nas últimas semanas, mediante o corte da maioria das árvores numa faixa de várias dezenas de metros a partir da via pública. Onde antes a vista repousava num manto verdejante, composto por espécies variadas, das folhosas autóctones às infestantes exóticas, restam clareiras com o terreno revolvido, com cotos de troncos de pequeno porte. Os escassos restos por retirar, na Tapada de Monserrate, permitem identificar o abate de alguns cedros de grande porte e aparentemente de boa saúde fitossanitária.

Nas tapadas do Mouco e D. Fernando II, e na envolvente do Convento dos Capuchos, ficaram de pé uns quantos pinheiros ou eucaliptos. Algumas zonas apresentam estacas condutores de espécies entretanto plantadas. Mas que, na Tapada D. Fernando II, estão já ameaçadas pelo recrudescimento do acacial.

"As intervenções realizadas nas tapadas da serra contrariam todas as orientações preconizadas pela Autoridade Florestal Nacional", considera Carlos Albuquerque, ex-director do Parque Natural de Sintra-Cascais. O também antigo administrador da PSML, sociedade pública que gere os parques e monumentos da serra, entende que "as acções estão a pôr em causa a própria vivência" de Sintra, e que a "desarborização completamente injustificada" ameaça a biodiversidade na área protegida e aumenta as condições para a proliferação de infestantes e a erosão dos solos.

Estas preocupações são partilhadas por um técnico florestal, que salienta o cuidado a ter com a desflorestação de zonas infestadas de acácias, pois o ensombramento condiciona o crescimento de novas plantas. "Vai ser preciso limpar todos os anos estas zonas porque senão as acácias vão engolir as novas plantações", nota o especialista, embora desconheça a dimensão dos cortes.


Vendida alguma madeira

"Estamos de acordo que se cortem as silvas, mas as árvores que fazem parte da paisagem não podem ser cortadas de qualquer maneira, através da aplicação cega da lei", comenta, por seu lado, Adriana Jones, da Associação de Defesa do Património de Sintra, que vai questionar o ministro do Ambiente sobre a forma como os trabalhos foram acompanhados numa área património mundial e de um parque natural. "Há espécies autóctones que dependem das condições de humidade criadas pelas situações de ensombramento, o que também pode reduzir o risco de incêndio".

O director técnico da PSML, Jaime Ferreira, esclareceu que as intervenções decorrem desde 2007 e visam criar faixas de protecção para reduzir o risco de fogos florestais. A sociedade limpou 333 hectares dos 360 sob a sua gestão e que, às 20 mil árvores já plantadas, serão acrescentadas nos próximos meses mais cinco mil, de entre carvalhos, cedros, azinheiras e sobreiros. "A paisagem da serra pode desaparecer de um dia para o outro se não se fizer nada para reduzir o combustível", nota Jaime Ferreira, garantindo que, das árvores cortadas, mais "de 95 por cento eram acácias e pitósporos". O material lenhoso foi enviado para a Portucel, em troca de plantas, e "vendeu-se alguma madeira", adianta o técnico, acrescentando que a PSML possui protocolos com os serviços prisionais para a manutenção das zonas intervencionadas.

P.S. Se este tópico não foi aberto no local correcto, peço aos admnistradores o favor de o colocarem no local correcto. Obrigado!
 

belem

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Se o «plantaste» no tema da Biosfera tá no sítio perfeito!!:lmao:
Eu realmente já reparei nestes cortes e parece-me que foram um tanto exagerados, dado que algumas árvores nativas foram cortadas e estavam em perfeito estado fitossanitário.
 

belem

Cumulonimbus
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Há pouco tempo fiz trabalho de campo, numa área de Sintra, em que numerosas árvores foram cortadas, apenas para fazerem obras num muro. Uma vasta área em redor ficou despida, sem árvores e sem qualquer justificação.
Eu costumava de ver nesse sítio uma colónia de Salamandra salamandra gallaica e agora não vejo nenhuma.

http://br.olhares.com/salamandra_salamandra_gallaica_lopez-seoane_1885_foto2410225.html

Só as vejo noutro habitat, bem acima e em locais mais recônditos.
Tritões-marmoreados ainda se vêem, sobretudo, sob a forma de juvenis ou girinos, em algumas poças alimentadas pela chuva, mas só mais acima.

http://www.tapadademafra.pt/images.php?image_id=310&width=85

Os pirilampos ( Luciola lusitanica) ficaram muito mais raros na zona, sendo vistos contudo, em locais próximos, que não foram perturbados.

Ouvi um bufo-real que me deixou bastante alegre, pois é uma ave impressionante, rara e um sinal que é possível a recuperação.
É considerado o maior mocho do mundo.

Descobri parcelas de habitat ( bastante pequenas e localizadas) de bosque primitivo, que transportam-nos a uma atmosfera fantástica e única.
Verifiquei logo que eram locais ricos em biodiversidade.

Descobri uma floresta húmida perdida no meio da Serra, um oásis no meio de um pinhal algo desbastado e árido, com fontes de água, fetos gigantes e variadas árvores.
Havia um pequeno bosque, imaginem, de SEQUÓIAS!!
As árvores tinham troncos gigantescos e os primeiros ramos com folhas só cresciam muito lá acima, a algumas dezenas de metros.
Naquela zona, Sintra deve oferecer humidade e temperaturas amenas algo constantes, que permitam o crescimento selvagem destas árvores tão singulares e difíceis de se ambientar.
A ver se tiro fotos.
 

AnDré

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Não foi um corte, mas foi uma grande queda.

Mau tempo fez cair eucalipto de 140 anos
01|04|2010 13.21H

O eucalipto plantado no Parque da Pena, Sintra, por D. Fernando II e pela condessa d´Edla no dia do seu casamento sucumbiu ao mau tempo e caiu aos 140 anos de idade.
Destak/Lusa

O eucalipto foi plantado por D. Fernando II e por Elise Hensler, nas imediações do Chalet da Condessa, a 10 de julho de 1869, dia do seu casamento com o propósito de assinalar aquela data.

Segundo adiantou à agência Lusa Nuno Oliveira, da Parques de Sintra Monte da Lua, empresa pública que gere os parques e palácios de Sintra, a queda da árvore centenária “foi uma perda muito grande porque era um eucalipto muito emblemático”, com cerca de 140 anos de idade.

O responsável explicou que a chuva intensa dos últimos meses, combinada com o elevado grau de saturação dos solos e a própria localização do “Eucalyptus Oblíqua” junto de uma linha de água, precipitou a queda desta árvore centenária a 26 de fevereiro.

“Nada faria prever que aquele eucalipto pudesse cair. Era um exemplar magnífico mas quando chove muito os solos ficam saturados e o facto de as árvores na serra de Sintra desenvolverem raízes muito superficiais, porque têm sempre muita água, contribuiu para a queda”, disse.

Nuno Oliveira garante que a morte da árvore “não poderia ser evitada porque isso obrigaria a tomar medidas que não fossem adequadas”, pois não seria viável “meter blocos de cimento com esticadores para evitar que a árvore caísse”.

“Ficamos com pena mas na realidade não haveria nada lógico que pudesse salvaguardar aquele exemplar”, referiu.

Em 1838 D. Fernando II estava casado com a rainha regente D. Maria II (a sua primeira mulher), altura em que adquiriu um velho convento em ruínas no topo da serra de Sintra, que mais tarde transformou no Palácio da Pena.

Conhecido como o Rei Artista D. Fernando II casou em 1869 com uma cantora lírica, que havia sido tornada condessa, meses antes do casamento.

Destak
 

joseoliveira

Cumulonimbus
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Não foi um corte, mas foi uma grande queda.

Assim como em Sintra, situação em muito semelhante por exemplo à Serra do Buçaco (que melhor conheço), algumas espécies, também de porte gigantesco como cedros, abetos, sequóias, tílias, ulmeiros, loureiros, faias, rodoendros, fetos gigantes, acácias e freixos, provenientes da América, da Austrália, dos Himalaias ou de tantos outros locais do Mundo, plantadas e cuidadas por gerações de monges Carmelitas, assentes em solos de compactação e resistência variável, em grande parte do ano muito húmidos, têm sido também foco de grande atenção.

http://www.cm-mealhada.pt/index.php?id=195&parcat=63&par=0&acao=mostra.php
 

belem

Cumulonimbus
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Há pouco tempo fiz trabalho de campo, numa área de Sintra, em que numerosas árvores foram cortadas, apenas para fazerem obras num muro. Uma vasta área em redor ficou despida, sem árvores e sem qualquer justificação.
Eu costumava de ver nesse sítio uma colónia de Salamandra salamandra gallaica e agora não vejo nenhuma.

http://br.olhares.com/salamandra_salamandra_gallaica_lopez-seoane_1885_foto2410225.html

Só as vejo noutro habitat, bem acima e em locais mais recônditos.
Tritões-marmoreados ainda se vêem, sobretudo, sob a forma de juvenis ou girinos, em algumas poças alimentadas pela chuva, mas só mais acima.

http://www.tapadademafra.pt/images.php?image_id=310&width=85

Os pirilampos ( Luciola lusitanica) ficaram muito mais raros na zona, sendo vistos contudo, em locais próximos, que não foram perturbados.

Ouvi um bufo-real que me deixou bastante alegre, pois é uma ave impressionante, rara e um sinal que é possível a recuperação.
É considerado o maior mocho do mundo.

Descobri parcelas de habitat ( bastante pequenas e localizadas) de bosque primitivo, que transportam-nos a uma atmosfera fantástica e única.
Verifiquei logo que eram locais ricos em biodiversidade.

Descobri uma floresta húmida perdida no meio da Serra, um oásis no meio de um pinhal algo desbastado e árido, com fontes de água, fetos gigantes e variadas árvores.
Havia um pequeno bosque, imaginem, de SEQUÓIAS!!
As árvores tinham troncos gigantescos e os primeiros ramos com folhas só cresciam muito lá acima, a algumas dezenas de metros.
Naquela zona, Sintra deve oferecer humidade e temperaturas amenas algo constantes, que permitam o crescimento selvagem destas árvores tão singulares e difíceis de se ambientar.
A ver se tiro fotos.

De salientar que as salamandras, já estão de volta, naquela parte de Sintra.
Não são muitas, mas já são algumas. Este ano, como choveu bem mais do que o costume e durante um período alargado, certamente teve alguma influência, pelo menos no tempo de duração dos charcos temporários mediterrânicos, permitindo assim a sobrevivência de uma nova geração de anfíbios.