Re: Sismo 1980 -Terceira - Açores (YOUTUBE) Impressionantes as imagens Destruição generalizada... nesse tempo os media tinham muito menos projecção e os meios eram outros daí essa desgraça praticamente não fazer eco nos dias de hoje... se fosse hoje tínhamos tema para telejornais para um mês...
Re: Sismo 1980 -Terceira - Açores (YOUTUBE) Foi mediatizado, para os tempos que eram... Lógico que não é como hoje, com directos, etc,etc. As comunicações não eram o que são hoje. Mas lembro-me de em puto ver muitas imagens do sismo na minha TV a preto e branco, que na altura eu ainda não tinha a cores. Também me recordo da onda de solidaredade, de pedirem ajuda nas escolas, igrejas, etc. Apesar das dezenas de mortes e milhares de feridos, não foi uma tragédia humana de proporções gigantescas porque ocorreu a meio da tarde, com muita população fora das suas casas ou que conseguiram fugir para o exterior a tempo. Vou mudar o Titulo do tópico para Sismo dos Açores 1980, e aproveita-se para colocar mais coisas sobre este trágico sismo, que não afectou apenas a Terceira. Há muita coisa para contar sobre este sismo, desde a destruição generalizada de Angra do Heroismo, o pequeno Tsunami ou até a notável historia dum salvamento por helicóptero duma aldeia inteira na Ilha de S. Jorge, a Fajã da Caldeira de Santo Cristo, pela Força Aérea. A Fajã ficou completamente isolada, sem comunicações nem vias de acesso. Vou tentar encontrar mais informação para colocar aqui.
Re: Sismo nos Açores 1/Janeiro/1980 Fonte: São Jorge Digital (c) Livro "Terramoto 1.1.80 | novas imagens"
Tinha 11 anos quando o sismo aconteceu. Estava um belo dia e havia muita gente na rua a desfrutar o bom tempo. Se tivesse sido durante a noite tinham morrido muitas mais pessoas. No porto de pesca da minha freguesia (São Mateus da Calheta) houve quem tivesse visto a baia a ficar sem água devido ao mar ter recuado. No dia seguinte desloquei-me com o meu pai a Angra do Heroísmo e só me fez lembrar as imagens das cidades bombardeadas dos documentários sobre a II Grande Guerra. Na rua da rocha abriu uma fenda no caminho. Se fosse hoje, provavelmente os estragos teriam sido menores uma vez que, na sequência desse sismo e da necessidade de reconstruir o parque habitacional, foi aprovada pelo Governo Regional legislação no sentido de obrigar a que as reconstruções e as novas construções obedecessem a regras de construção antissismica. Houve uma onda de solidariedade para com os sinistrados (dentro e fora da região) e todos ajudavam toda a gente. Lembro-me de irmos aos fins de semana ajudar os amigos a reparar os estragos nas suas casas, até chegar à nossa vez de sermos ajudados. O parque habitacional da Ilha Terceira melhorou bastante a partir dessa altura e desde então todas as casas possuem casa de banho, o que era muito raro antes do sismo (pelo menos nas zonas rurais), onde era habitual a existência de uma retrete no quintal (de inverno não era lá muito agradável).
Lembro muito bem desse dia! Estava eu em casa para sair quando os lustres do salão começaram a dançar e a cintilar. Minutos depois ligámos o rádio e soubemos que tinha dado um abalo muito forte na Terceira. Além da Terceira foi também sentido na Graciosa (onde houve também muita destruição de casas) em S. Jorge e em S. Miguel. O que aconteceu na Terceira em 1980, vai-se repetir de novo. É só uma questão de tempo. A história dos Açores ensina-nos isso. Pode ser na Terceira, como pode ser agora em S. Miguel. A Fossa da Hirondelle um dia mais cedo ou mais tarde vai acordar de novo, tanto poderá ser para o lado da Terceira, como poderá ser para o lado de S. Miguel. Arrisco mesmo a dizer que num futuro podemos vir a falar de uma possível décima ilha nos Açores, uma vez que a problemática vulcânica e tectónica no arquipélago nem nos próximos milhares de anos será encerrada...é a nossa realidade.
É a nossa realidade @Azor, mas felizmente tanto a actividade sísmica (de grande magnitude) e vulcânica na nossa região é bastante ligeira a comparar com muitos outros sítios no mundo. Um dos grandes problemas que temos em termos de sismos é que ocorrem sempre a baixa profundidade <20km, e quando são localizados perto de uma ilha o seu impacto é sempre grande (exemplo Faial 1998), mas felizmente os maiores sismos na última década nos Açores tem sido sempre em zonas "distantes" das ilhas.