Sismos Portugal - 2008

Luis França

Nimbostratus
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Hades
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Minho

Cumulonimbus
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Melgaço
Bom Dia!
Bem, vou aproveitar este tempo meteorologicamente estável e monotono, para expôr aqui uma dúvida que tenho deste há muito tempo. Sou um simples leigo na área da sismologia, por isso peço desculpas desde já se vou dizer alguma barbaridade.:hehe:

Em 1755 ocorreu um dos maiores sismos de que há registo na história, ao largo do Cabo de São Vicente, uma zona altamente instável ao nível sismico. Foi uma enorme descarga de energia cujas consequências vêm em todos os livros de história de Portugal.

Desde então, não mais ocorreu nenhum sismo dessa magnitude nessa mesma área. E eis agora a minha dúvida.:unsure:

Já ouvi dizer que essas descargas de energia têm um periodo de retorno na ordem dos 250 anos, sendo muito provável que um dia destes sejamos acordados com um valente abanão.
Outros porém dizes que é óptimo haver frequentemente terramotos na dita zona ao largo de São Vicente, uma vez que isso significa que há uma constante libertação de energia que faz com que esta não se acumule e evite assim com que num futuro próximo hajam terramotos da magnitude do que houve em 1755 ao largo de Portugal.

Afinal qual das correntes tem uma maior veracidade?:huh:
Há algum estudo sobre isso?



As duas afirmações são coerentes e válidas entre si. Não sou especialista na matéria, mas a libertação contínua de energia é sempre benéfica no entanto não impede que venham a haver grandes sismos. A existência de sismos de fraca intensidade com ocorrência regular com certeza que adiará um sismo mais forte ou no mínimo permitirá que o próximo grande sismo não seja tão intenso.
Agora outro pormenor importante são a diversidade de locais/falhas onde se dão os tais sismos de fraca intensidade. Poderá haver zonas em algumas falhas que poderão libertar mais lentamente energia que outras e poderão haver outras zonas onde não há libertação de energia. No entanto, como nós vamos sentindo as de fraca intensidade podemos ter a falsa segurança que se está a libertar energia e que assim não haverão sismos de grande intensidade. O problema levanta-se se entretanto não haverão outras zonas nas falhas que não dão sinais de vida e que poderão, no futuro, ser potenciais epicentros de grandes sismos...

Geólogos pronunciem-se! :)
 

Vince

Furacão
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23 Jan 2007
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A ideia que tenho é que é tudo muito relativo, depende do conhecimento que temos do que se passa lá em baixo, etc, e do qual vamos sabendo algumas coisas mas ainda poucas pois isto são ramos da ciência ainda na pré-infância em termos de conhecimento, não porque seja assunto a que se dedique pouco estudo ou pouca importância, antes pelo contrário, mas porque é realmente uma área muito dificil de estudar e investigar, onde as dúvidas são muito mais que as certezas.

Se temos duas ou mais placas, enormes e irregulares, em fricção uma com a outra ao longo de centenas ou milhares de quilometros (e não é dificil visualizarmos em pensamento essas situações) a forma como a certa altura há uma ruptura num determinado ponto depende de como tudo se está a passar. São forças monstruosas em jogo, que ergueram bem alto os Himalaias e os Andes, moldaram ao longo de milhões de anos o mundo e os continentes tal como o conhecemos. Haverá alturas onde uma série de sismos pequenos pode ser bom sinal, placas em stress que atingem um ponto de ruptura e a coisa fica por ali mais algum tempo (horas, dias, meses, anos, décadas ou séculos) ou até acaba por ser de muito mais tempo, séculos ou milénios por exemplo. Tudo depende dos movimentos, massas e direcções em jogo. Nalguns locais temos uma ideia geral do que se está a passar, mas não de forma pormenorizada, pois é impossível ir lá ver o que se passa.

Em termos genéricos não é difícil de aceitar que pequenos ou médios sismos sejam um bom sinal, a tal libertação de energia de forma gradual. Imaginemos duas pessoas a disputar uma com a outra um pedaço de tecido. Cada uma puxa para o seu lado. Se o tecido se for rompendo de forma gradual ambos ficam de pé quando quebrar. Se por acaso o tecido rompe de forma abrupta ambos os oponentes caem estrondosamente no chão, cada qual para o seu lado. E se se sabe que existem determinadas placas e respectivos movimentos, e dali não sai nenhum sismo, isso pode ser um pouco preocupante, pode estar a ocorrer uma situação de acumulação de tensão em que dum lado e outro há grande resistência mas que quando quebrar é de forma brutal. Mas haverá outras situações/locais onde uma serie de pequenos sismos pode ser indicador do contrário, do início de uma crise que não existia e que tende a piorar.

O conhecimento que se tem, e que é limitado, depende sobretudo das diversas movimentações que estão a decorrer. Para além disso, mesmo imaginando placas que se estão a afastar, teoricamente sujeitas a menos stress, mesmo nessas situações pode haver pontual e localmente ao longo de milhares de quilometros de fricções pequenos choques e rupturas que para as placas são uns meros encontrões menores do tipo "chega para lá" mas que cá em cima podem acabar por ser sismos devastadores.

Por isso tudo tenho a impressão que depende muito de local para local, do tipo de estudos e registos que se fazem, por exemplo na Califórnia e Japão que são das áreas mais monitorizadas do mundo, nestes locais prestam atenção a tudo, se ocorrerem muitos ou poucos sismos, se há mudanças de padrões, etc, e a partir daí vão tirando conclusões e com relativo sucesso percebem mais ou menos o que se está a passar. Mas é sempre um conhecimento muito limitado.

E o muito que sabemos é sobre as movimentações e choques de placas, que dizer então dos sismos intra placa que vão ocorrendo de vez em quando como parece que foi o sismo agora registado no Brasil que ocorreu no meio da Placa Sul-Americana. Desses sabemos ainda menos do que se passa lá por baixo e a mecânica que os gera. Só sabemos que vão ocorrendo um pouco por todo o mundo (cerca de 5% dos sismos são deste tipo) mas não sabemos quase nada sobre as suas causas que podem ser diversificadas (falhas desconhecidas, subducção, actvidade vulcânica/magma, etc,etc).
 

Agreste

Super Célula
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Bom Dia!
Bem, vou aproveitar este tempo meteorologicamente estável e monotono, para expôr aqui uma dúvida que tenho deste há muito tempo. Sou um simples leigo na área da sismologia, por isso peço desculpas desde já se vou dizer alguma barbaridade.:hehe:

Em 1755 ocorreu um dos maiores sismos de que há registo na história, ao largo do Cabo de São Vicente, uma zona altamente instável ao nível sismico. Foi uma enorme descarga de energia cujas consequências vêm em todos os livros de história de Portugal.

Desde então, não mais ocorreu nenhum sismo dessa magnitude nessa mesma área. E eis agora a minha dúvida.:unsure:

Já ouvi dizer que essas descargas de energia têm um periodo de retorno na ordem dos 250 anos, sendo muito provável que um dia destes sejamos acordados com um valente abanão.
Outros porém dizes que é óptimo haver frequentemente terramotos na dita zona ao largo de São Vicente, uma vez que isso significa que há uma constante libertação de energia que faz com que esta não se acumule e evite assim com que num futuro próximo hajam terramotos da magnitude do que houve em 1755 ao largo de Portugal.

Afinal qual das correntes tem uma maior veracidade?:huh:
Há algum estudo sobre isso?

Não sei se existem aqui no forum referências ao sismo de benavente de 1909, mas quanto ao de 1755 que todos temem lembrem-se do que aconteceu em 1969 :D

Quanto às teorias do sismos pequenos e sismos grandes não há consenso. Há quem diga que os sismos de pequena magnitude evitam a acumulação de energia nas zonas de ruptura mas também há quem defenda que a persistencia dos sismos pequenos num determinado local podem ser o prelúdio de um grande evento!
 

AnDré

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22 Nov 2007
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Eis algo que penso que nos está a passar ao lado.:unsure:


Crise do Faial - Ponto de Situação
2008-05-29 15:44:00


O Instituto de Meteorologia informa que a actividade sísmica iniciada a 20 de Maio na Ilha do Faial, mantém os níveis de sismicidade acima do normal.
Até ao momento foram registados mais de 100 eventos, 7 dos quais foram sentidos:

Data Hora Intensidade Região Magnitude

20.05.2008 14:40 III (Ribeirinha) 2.7ML
22.05.2008 10:05 II (Ribeirinha) 1.7ML
25.05.2008 07:08 II (Horta) 1.9ML
27.05.2008 13:46 II (Ribeirinha) 1.9ML
28.05.2008 16:12 II (Horta) 2.1ML
29.05.2008 03:41 II (Salão) 2.2ML
29.05.2008 03:55 II (Ribeirinha) 2.0ML

De uma forma geral, os sismos registados continuam a ser de baixa magnitude. Até ao momento, o sismo com maior magnitude 2.7 ML (escala de Richter), ocorrido nesta crise foi sentido com Intensidade III (Escala de Mercalli Modificada) na freguesia da Ribeirinha.

Se a situação o justificar serão emitidos novos comunicados.

Alguém sabe mais alguma coisa sobre este assunto?
Parece ser algo de certo modo preocupante e a acompanhar.:confused:
 

Vince

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Alguém sabe mais alguma coisa sobre este assunto?
Parece ser algo de certo modo preocupante e a acompanhar.:confused:

Um bom site de acompanhamento sismovulcânico dos Açores é o CVARG do Observatório Vulcanológico e Sismológico da Universidade dos Açores:
http://www.cvarg.azores.gov.pt/Cvarg/

Se é preocupante ? Ninguém sabe obviamente. No ano passado houve várias crises sismicas que duraram muito tempo e depois passaram. Uma foi a Oeste do Faial e outra nas Formigas. Desta vez é mesmo na ilha do Faial na estrutura tectónica Graben de Pedro Miguel. A maioria dos sismos são de fraca magnitude, havendo a destacar dois ou três mais fortes mas até agora nada de muito especial. Penso que o mais preocupante é mesmo serem na própria ilha, pois mesmo sismos por exemplo de 6.0 provocam muitos estragos e deslizamentos. O sismo mais recente que provocou percas humanas e materiais no Faial foi de 6.0 em 1998.

Para teres uma ideia da quantidade de sismos que ocorrem nos Açores, vê esta sequência de imagens/zoom dos sismos desde 2000. Na última imagem estão indicados dois desta crise.

sismosup9.gif

(c) http://www.cvarg.azores.gov.pt/Cvarg/
 

Mário Barros

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18 Nov 2006
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Cavaleira (Sintra)
O Instituto de Meteorologia informa que no dia 2008/05/30 pelas 08:06 (hora local) foi registado nas estações da Rede Sismica dos Açores, um sismo de magnitude 1.8 (Richter) e cujo epicentro se localizou a cerca de 4 km a Oeste-Noroeste dos Flamengos (Faial).

Este sismo, de acordo com a informação disponível até ao momento, não causou danos pessoais ou materiais e foi sentido com intensidade máxima II (escala de Mercalli modificada) na região de Flamengos Ilha do Faial.

A festa continua :angry: vamos lá ver se não dá molho.
 

Vince

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Aviso de Sismo Sentido no Arquipélago dos Açores 06-08-2008 14:05


O Instituto de Meteorologia informa que no dia 06-08-2008 pelas 14:05 (hora local) foi registado nas estações da Rede Sísmica no Arquipélago dos Açores, um sismo de magnitude 4.0 (Richter) e cujo epicentro se localizou a cerca de 35 km a Norte-Noroeste da Fajã Praia do Norte (Faial).


De acordo com a informação disponível, este sismo foi sentido, devendo em breve ser emitido novo comunicado com informação instrumental e macrossísmica actualizada.


Se a situação o justificar serão emitidos novos comunicados.

http://www.meteo.pt/pt/sismologia/comunicados/index.jsp


sismobd1.jpg
 

Thomar

Cumulonimbus
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19 Dez 2007
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Cabanas - Palmela (75m)
Aviso de Sismo no Continente 29-08-2008 19:26

O Instituto de Meteorologia informa que no dia 29-08-2008 pelas 19:26 (hora local) foi registado nas estações da Rede Sísmica no Continente, um sismo de magnitude 3.1 (Richter) e cujo epicentro se localizou a cerca de 12 km a Sul-Sudeste de Grândola.

Até à elaboração deste comunicado não foi recebida nenhuma informação confirmando que este sismo tenha sido sentido.

Se a situação o justificar serão emitidos novos comunicados.

Sugere-se o acompanhamento da evolução da situação através da página do IM na Internet (www.meteo.pt) e a obtenção de eventuais recomendações junto da Autoridade Nacional de Protecção Civil (www.prociv.pt).
 

rijo

Cumulus
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19 Nov 2007
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Queluz
Sismo em Ferreira do Alentejo

O Instituto de Meteorologia informa que no dia 24-09-2008 pelas 17:13 (hora local) foi registado nas estações da Rede Sísmica do Continente, um sismo de magnitude 3.0 (Richter) e cujo epicentro se localizou a cerca de 20 km a Noroeste de Ferreira do Alentejo.

Este sismo, de acordo com a informação disponível até ao momento, não causou danos pessoais ou materiais e foi sentido com intensidade máxima II (escala de Mercalli modificada) na região de Ferreira do Alentejo.

Se a situação o justificar serão emitidos novos comunicados.

Instituto Meteorologia


Escala de Mercalli
II - Muito fraco
Sentido pelas pessoas em repouso nos andares elevados de edifícios ou favoravelmente colocadas.