Ucrânia - Kiev e Chernobyl - Junho 2016

David sf

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Já estive em muitos locais com História, mas nunca estive num local em que a História fosse tão recente. Tão actual, que este capitulo ainda está por finalizar. Como todos sabem a Ucrânia encontra-se neste momento em guerra, na sua metade Oriental, entre pró-russos e pró-europeus. Há pouco mais de dois anos houve uma revolução nas ruas de Kiev contra o Presidente Yanukovitch, com a população a exigir na rua uma maior aproximação à UE e um afastamento da esfera de influência russa (EuroMaidan). Nos últimos dois anos ocorreu a declaração unilateral de independência da Crimeia e o estalar do conflito armado no Donbass (parte Oriental da Ucrânia).

Este é apenas o mais recente episódio da atribulada História recente ucraniana. Nos últimos 100 anos houve pelo menos dois episódios de assassinato em massa (definido por alguns como genocídio), duas declarações de independência, duas ocupações russas intervaladas pela ocupação nazi durante a II Guerra Mundial que afectou fortemente Kiev, o maior acidente nuclear do Século XX, entre vários outros episódios.

Percorrer a cidade de Kiev é também percorrer um pouco desta História. Mas não só, Kiev surpreendeu-me pela positiva em vários aspectos. É uma cidade imponente e muito bem conservada. As ruas têm grande animação, cheias de artistas de rua, pessoas a confraternizar, fazendo lembrar as cidades espanholas ao fim do dia. A cidade é bastante organizada e limpa com vários espaços verdes bem tratados. Para um turista a quantidade de Museus, Mosteiros, Igrejas, parques e edifícios interessantes permitem passar três dias bem entretidos nesta cidade.

Tudo isto numa cidade com cerca de 2,7 milhões de habitantes, o dobro da população da Estónia, ou da soma das populações de Tallinn, Riga e Vilnius. Estas pessoas habitam essencialmente em bairros nos limites da cidade, cheios de prédios de enorme volumetria, mas sempre com bom aspecto. A margem esquerda do rio Dnieper, que atravessa Kiev, é dominada pela construção em altura.

O centro da cidade e a zona turística é enorme, o que parece ser apenas dois quarteirões (e são de facto dois) pode medir quase 1 km. Apesar disso, os percursos no centro da cidade fazem-se bem a pé (para quem tem boa preparação física – há várias colinas e como já referi as distâncias são longas), uma vez que garantidamente se passa por algo interessante, seja um edifício, um parque, etc. Mas por vezes é preciso atalhar caminho e apanhar o Metro, mas sempre evitando a hora de ponta, onde se viaja “como sardinha em lata”.

Relativamente à insegurança, seja a criminalidade comum, seja a instabilidade política, não se fizeram minimamente notar durante a minha estadia (não quer dizer que seja sempre assim). Pelo contrário, nada em Kiev aparenta que o país está em guerra civil, e apenas as várias homenagens espalhadas pela cidade aos mortos durante a revolução de 2014 nos lembram que esta de facto ocorreu.

Apenas na zona da estação de comboio vi alguma mendigagem, e é preciso ter cuidado na praça Maidan, uma vez que há muito oportunista a tentar “chular” o turista, seja para pedir dinheiro para as crianças do Donbass, ou para os hospitais de campanha, ou para tirar fotos com dois pombos na mão ou ao lado da Minie.

Chego a Kiev por volta das 13 horas, troco dinheiro e apanho o autocarro da SkyBus (60 hryvnias=2.2 euros) até à estação principal de Kiev. A viagem é longa, mais de uma hora, uma vez que apanhei algum trânsito devido a um acidente e a obras na estrada:

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Logo nesta viagem nota-se a ampla zona residencial, com prédios enormes, na margem esquerda do Dnieper:

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Da estação até ao meu apartamento situado junto à Praça Maidan, apanho a linha vermelha do Metro. Compro 5 tokens (moedas de plástico que abrem os torniquetes de entrada na estação) por 20 hryvnias (4 hryvnias por cada viagem, cerca de 0,13 euros por viagem!!!).

A Estação de comboio de Kiev:

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Em Kiev há um forte apoio ao estreitar de relações com a UE. Há várias bandeiras da UE espalhadas pela cidade:

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A primeira paragem que faço é na Praça Maidan, ponto central da revolução laranja de 2004 e no EuroMaidan de 2014:

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Fotos de 2014:

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Várias homenagens aos mortos na revolução de 2014, quase todos durante o mês de fevereiro, devido a disparos de snipers instalados no topo dos prédios:

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E algumas barricadas montadas pela população estão agora recriadas:

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A cerca de 500 m da Praça Maidan, outro local simbólico do EuroMaidan, junto à entrada do estádio do Dynamo de Kiev, onde se registaram as primeiras vítimas mortais da revolução, em 22 de janeiro:

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Homenagem às vítimas neste local:

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Em 2014:

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Junto à entrada do estádio, uma homenagem à lenda Valery Lobanovsky, que se notabilizou como jogador, e principalmente, como treinador:

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Paelagius

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27 Set 2013
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Já estive em muitos locais com História, mas nunca estive num local em que a História fosse tão recente. Tão actual, que este capitulo ainda está por finalizar. Como todos sabem a Ucrânia encontra-se neste momento em guerra, na sua metade Oriental, entre pró-russos e pró-europeus. Há pouco mais de dois anos houve uma revolução nas ruas de Kiev contra o Presidente Yanukovitch, com a população a exigir na rua uma maior aproximação à UE e um afastamento da esfera de influência russa (EuroMaidan). Nos últimos dois anos ocorreu a declaração unilateral de independência da Crimeia e o estalar do conflito armado no Donbass (parte Oriental da Ucrânia).

Este é apenas o mais recente episódio da atribulada História recente ucraniana. Nos últimos 100 anos houve pelo menos dois episódios de assassinato em massa (definido por alguns como genocídio), duas declarações de independência, duas ocupações russas intervaladas pela ocupação nazi durante a II Guerra Mundial que afectou fortemente Kiev, o maior acidente nuclear do Século XX, entre vários outros episódios.

Percorrer a cidade de Kiev é também percorrer um pouco desta História. Mas não só, Kiev surpreendeu-me pela positiva em vários aspectos. É uma cidade imponente e muito bem conservada. As ruas têm grande animação, cheias de artistas de rua, pessoas a confraternizar, fazendo lembrar as cidades espanholas ao fim do dia. A cidade é bastante organizada e limpa com vários espaços verdes bem tratados. Para um turista a quantidade de Museus, Mosteiros, Igrejas, parques e edifícios interessantes permitem passar três dias bem entretidos nesta cidade.

Tudo isto numa cidade com cerca de 2,7 milhões de habitantes, o dobro da população da Estónia, ou da soma das populações de Tallinn, Riga e Vilnius. Estas pessoas habitam essencialmente em bairros nos limites da cidade, cheios de prédios de enorme volumetria, mas sempre com bom aspecto. A margem esquerda do rio Dnieper, que atravessa Kiev, é dominada pela construção em altura.

O centro da cidade e a zona turística é enorme, o que parece ser apenas dois quarteirões (e são de facto dois) pode medir quase 1 km. Apesar disso, os percursos no centro da cidade fazem-se bem a pé (para quem tem boa preparação física – há várias colinas e como já referi as distâncias são longas), uma vez que garantidamente se passa por algo interessante, seja um edifício, um parque, etc. Mas por vezes é preciso atalhar caminho e apanhar o Metro, mas sempre evitando a hora de ponta, onde se viaja “como sardinha em lata”.

Relativamente à insegurança, seja a criminalidade comum, seja a instabilidade política, não se fizeram minimamente notar durante a minha estadia (não quer dizer que seja sempre assim). Pelo contrário, nada em Kiev aparenta que o país está em guerra civil, e apenas as várias homenagens espalhadas pela cidade aos mortos durante a revolução de 2014 nos lembram que esta de facto ocorreu.

Apenas na zona da estação de comboio vi alguma mendigagem, e é preciso ter cuidado na praça Maidan, uma vez que há muito oportunista a tentar “chular” o turista, seja para pedir dinheiro para as crianças do Donbass, ou para os hospitais de campanha, ou para tirar fotos com dois pombos na mão ou ao lado da Minie.

Chego a Kiev por volta das 13 horas, troco dinheiro e apanho o autocarro da SkyBus (60 hryvnias=2.2 euros) até à estação principal de Kiev. A viagem é longa, mais de uma hora, uma vez que apanhei algum trânsito devido a um acidente e a obras na estrada:

PYRfSgh.jpg


Logo nesta viagem nota-se a ampla zona residencial, com prédios enormes, na margem esquerda do Dnieper:

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Da estação até ao meu apartamento situado junto à Praça Maidan, apanho a linha vermelha do Metro. Compro 5 tokens (moedas de plástico que abrem os torniquetes de entrada na estação) por 20 hryvnias (4 hryvnias por cada viagem, cerca de 0,13 euros por viagem!!!).

A Estação de comboio de Kiev:

VXULKEv.jpg


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Em Kiev há um forte apoio ao estreitar de relações com a UE. Há várias bandeiras da UE espalhadas pela cidade:

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T650IJx.jpg


A primeira paragem que faço é na Praça Maidan, ponto central da revolução laranja de 2004 e no EuroMaidan de 2014:

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Fotos de 2014:

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Várias homenagens aos mortos na revolução de 2014, quase todos durante o mês de fevereiro, devido a disparos de snipers instalados no topo dos prédios:

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JYcjS9O.jpg


E algumas barricadas montadas pela população estão agora recriadas:

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A cerca de 500 m da Praça Maidan, outro local simbólico do EuroMaidan, junto à entrada do estádio do Dynamo de Kiev, onde se registaram as primeiras vítimas mortais da revolução, em 22 de janeiro:

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Homenagem às vítimas neste local:

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vhS4GBi.jpg


fISCzjj.jpg


Em 2014:

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cv7LRSo.jpg


Junto à entrada do estádio, uma homenagem à lenda Valery Lobanovsky, que se notabilizou como jogador, e principalmente, como treinador:

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Presumo que ainda estejas a carregar as fotografias de Chernobyl.

Algumas pessoas dizem que os níveis de radiação já não constituem tanto perigo — Eu é que não confiava. Quais foram as recomendações que te deram?
 
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David sf

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Junto ao Estádio do Dynamo há uma enorme área verde, onde existe um palco de espectáculos em forma de folha:

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O Jardim, com os holofotes do estádio em 2º plano:

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Uma estátua com dois idosos, que recentemente se encontraram, depois de se terem conhecido num campo de concentração nazi:

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Vistas desde o jardim para a parte baixa da cidade:

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O antigo Reservatório de água, hoje Museu da Água:

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Vista para o rio com estátua do Príncipe Volodymyr em fundo:

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A principal artéria da cidade, a Rua Khreschatyk:

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Que aos domingos, está fechada ao trânsito:

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O património edificado de Kiev é bastante rico, seguem alguns exemplos relativamente aleatórios:

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Outro aspecto em que a cidade é bastante rica é no património religioso. Há várias catedrais e mosteiros ortodoxos na cidade, especialmente na área verde que ladeia o vale do Dnieper.

Catedral e Mosteiro São Miguel:

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Logo à saída da Catedral de São Miguel, vê-se a Catedral de Santa Sofia ao longe:

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Catedral de Santa Sofia:

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Catedral de Santo André, em obras de conservação:

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Descida da rua Andriiv’skyi, que costuma ter muito comércio tradicional e típico, mas que às 10 da manhã ainda se encontrava vazia:

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A parte baixa da cidade é menos rica, mas ainda tem algumas áreas interessantes, como a Praça Kontraktova:

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David sf

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Presumo que ainda estejas a carregar as fotografias de Chernobyl.

Algumas pessoas dizem que os níveis de radiação já não constituem tanto perigo — Eu é que não confiava. Quais foram as recomendações que te deram?

Basicamente, se seguires nos trilhos "habituais" é totalmente seguro. As recomendações são seguir sempre o guia, não entrar nos edifícios (esta ninguém seguiu), cobrir o máximo o corpo, uma vez que a roupa protege de algum tipo de radiação e pouco mais.
Durante a viagem passamos por três diferentes testes de radiação, e todos deram negativo. A dose de radiação que acumulei no meu corpo em 7 horas e meia de permanência na Zona de Exclusão foi inferior àquela que acumulamos num voo comercial de meia hora.
 

David sf

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É na parte baixa que se situa o Museu de Chernobyl, um bom complemento à visita ao local do acidente. Infelizmente grande parte da informação não está em inglês:

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Mais afastada do centro, fica a colina de Babin Yar, onde se estima que as forças nazis tenham morto, em 5 dias, cerca de 35 000 judeus de Kiev. Ao longo de toda a ocupação nazi estima-se que tenham sido mortas cerca de 100 000 pessoas e enterradas em vala comum neste local:

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Uma das características únicas do metro de Kiev é a sua enorme profundidade. A estação de Arsenalna, a mais profunda de todas, situa-se a mais de 100 m da superfície. Subir a imensa escada rolante demora 4 minutos nesta estação (e a escada é bem rápida). Fica uma fotografia tirada à socapa, uma vez que é proibido fazê-lo:

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A profundidade excessiva explica-se pela localização da cidade. O rio Dnieper e a sua margem esquerda situam-se a uma cota cerca de 100 m inferior ao centro da cidade, localizado na margem direita. O metro para passar a ponte que se vê na foto tem que entrar na área sob o centro urbana a grande profundidade:

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Na extensa área verde que ocupa a colina até ao vale do rio, existem vários monumentos. O primeiro em que passo, vindo da estação de metro Arsenalna, é o Monumento aos mortos na II Guerra Mundial:

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Logo em seguida o Monumento às vítimas do Holodomor (a grande fome) e respectivo museu. Durante os anos de 1932 e 1933 terão morrido cerca de 7 milhões de ucranianos à fome. As autoridades soviéticas decidiram nacionalizar toda a produção de cereais da Ucrânia para financiar a industrialização da União prevista no plano quinquenal. Há a tese de que a fome foi originada por mau planeamento, na Ucrânia defende-se que os ucranianos foram propositadamente deixados morrer à fome, uma vez que Estaline considerava-os uma ameaça por estes sempre se terem oposto às políticas de colectivização da agricultura:

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As mós desmontadas, simbolizando a paragem dos moinhos por falta de cereal:

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Entrada para o Museu, onde é proibido tirar fotografias:

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Uns 500 m para Sul encontra-se o Pechersk Lavra, importante mosteiro Ortodoxo, Património Mundial da UNESCO. A entrada custa 20 hryvnias (menos de 1 euro), mas a autorização para tirar fotos custa 200 hryvnias. Apesar de achar desproporcional, achei que 220 hryvnias (8 euros) para visitar um monumento Património Mundial, com quase 1 km2 de área, não havendo nada parecido na Europa Ocidental é um bom preço. É possível visitar as catacumbas onde existem múmias de antigos monges, mas não achei que valesse a pena pagar mais para me meter numa cave claustrofóbica para ver múmias de monges cuja identidade e História eu desconheço:

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O Interior de uma das Igrejas:

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O Motherland Monument, na extremidade Sul da vasta área verde:

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Vista para o Lavra desde o Motherland Monument:

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Na mesma zona situa-se o Museu Militar, com vários veículos de guerra, pesados, expostos na rua de acesso ao monumento:

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David sf

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Chernobyl

Desde Kiev partem todas as visitas guiadas à Zona de Exclusão de Chernobyl, criada após o desastre nuclear de 26 de abril de 1986. A Zona de Exclusão compreende a área localizada a uma distância inferior a 30 km do reactor 4 da Central Nuclear de Chernobyl (onde ocorreu o acidente) e o acesso ao seu interior só é permitido mediante determinadas condições.

Para se visitar esta área é necessário incorporar-se numa visita guiada organizada por algumas agências de viagem de Kiev. Há várias opções, de um dia (a que eu fiz), dois dias com dormida em Chernobyl e até algumas opções com maior duração. É possível fazer a visita guiada de forma privada ou incluído num grupo. Ainda em Portugal marquei a viagem (é necessário marcar com antecedência de uma semana, para a agência tratar das “burocracias” necessárias para que cada pessoa possa passar no checkpoint) pela internet,numa das agências que oferece esta viagem. Os preços são bastante elevados, variando, dependendo do dia, entre os 90 e os 120 euros para a visita de um dia incluído num grupo (a opção mais barata).

A viagem inicia-se em Kiev, às 8 da manhã, e a viagem até ao Checkpoint de Dityatki, situado a 30 km da central dura cerca de duas horas, incluindo uma paragem técnica de meia hora numa área de serviço. Durante a viagem é passado um documentário sobre o acidente e os dias seguintes, com ênfase na (péssima) gestão dos acontecimentos feita pelas autoridades soviéticas.

Fotografia no interior do autocarro:

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Entrada na zona de exclusão, no checkpoint de Dityatki:

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Onde se concentravam as várias excursões desse dia:

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A entrada demora um pouco, o militar verifica detalhadamente o passaporte (é mandatória a apresentação de passaporte, não é permitida a entrada apenas com Cartão de Cidadão). A primeira paragem é na aldeia de Zalesye, onde foi possível entrar em casas abandonadas. Apesar de tal ser proibido há mais de uma centena de pessoas que resolveram voltar para as suas casas no interior da zona de exclusão. As autoridades fecham os olhos, uma vez que sempre que estas pessoas eram retiradas, acabavam sempre por voltar. Estive na casa de uma senhora que morreu há poucos meses com 93 anos, de morte natural, após ter vivido durante as últimas duas décadas nesta aldeia. A vida é complicada: não há qualquer bem essencial, não há gás, água canalizada, a água dos poços é imprópria para consumo,…

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Após alguns quilómetros entra-se na cidade de Chernobyl, a 16 km da Central:

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Nesta cidade há pessoas a viver de forma permanente, legalmente, principalmente cientistas que estudam o efeito da radiação na flora e fauna da região. Há também um hotel onde se hospedam as pessoas que fazem tours com duração superior a um dia:

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Monumento às vítimas da radiação, um anjo (segundo algumas interpretações já havia avisado na Bíblia que o desastre iria ocorrer):

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10 O terceiro anjo tocou a sua trombeta, e caiu do céu uma grande estrela, queimando como tocha, sobre um terço dos rios e das fontes de águas;

11 o nome da estrela é Absinto. Tornou-se amargo um terço das águas, e muitos morreram pela ação das águas que se tornaram amargas.

(Chernobyl é a palavra ucraniana para absinto)

As placas de entrada nas localidades que foram evacuadas (o mesmo pode-se ver no museu de Chernobyl em Kiev):

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Homenagem a Fukushima, onde em 2011 ocorreu outro acidente nuclear, de escala semelhante a Chernobyl:

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Monumento aos bombeiros que acudiram à explosão, a maior parte morreu poucos dias depois pela exposição à radiação:

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Robots usados na limpeza dos destroços, antes da construção do sarcófago:

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Após Chernobyl, passa-se por outro checkpoint a 10 km da central (o que se pode mostrar, era proibido fotografar o posto militar):

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Uma visita interessante, fora do assunto “nuclear” é ao radar Duga, construído pela URSS, com 750 m de comprimento e 250 m de altura. Este radar permitia detectar o lançamento de mísseis na costa americana, permitindo à URSS responder em tempo útil. A sua existência era secreta, os militares responsáveis por este espaço tinham que dizer às famílias que havias estado em Cuba.

Estrada para o radar:

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Radar:

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Já perto da hora de almoço chega-se à central. Fotografia dos Reactores 5 e 6, que nunca foram finalizados, uma vez que estavam em construção aquando do acidente:

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O canal de arrefecimento da central:

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O Reactor 4 dentro do sarcófago construído em 1986. A vida útil deste sarcófago já foi ultrapassada, estando o novo praticamente construído, ao lado do reactor. Dentro de poucos meses o novo sarcófago será movido para cima deste reactor, e nunca mais ninguém verá esta imagem:

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O novo sarcófago, a ser construído ao lado do reactor. Será transportado sobre carris até ao seu local de instalação:

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A central nuclear continuou a operar com os restantes 3 reactores até ao ano 2000, quando após muita pressão internacional o governo ucraniano decidiu pela sua desactivação. Actualmente há várias pessoas a trabalhar tanto na construção do sarcófago como na desactivação da central (cujos trabalhos deverão terminar em 2065) pelo que existe uma cantina na central nuclear, onde decorre o almoço de todas as visitas guiadas. A comida, como bem definiu a guia, é soviética. Pouca quantidade, o arroz demasiado cozido e sem sabor, um panado de frango todo mole, quase não comestível.

E o menu deve ser sempre o mesmo, pois retirei esta foto de um blog, tirado há dois anos atrás, em que a refeição era exactamente a mesma:

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À porta da cantina estava um grupo de cães, à espera de alguns restos:

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David sf

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O grande momento da visita fica para depois de almoço: a cidade fantasma de Pripyat.

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Pripyat foi fundada em 1970 para albergar os trabalhadores da central. Era a cidade modelo da URSS, com habitantes jovens, qualificados e representantes da elite intelectual ucraniana. Mesmo em tempos de racionamento, em Pripyat havia de tudo, o que levava a que muita gente das cidades próximas, inclusive de Kiev, viesse aqui abastecer-se em tempos mais complicados. Diz a guia que o governo soviético fazia isso para incentivar mais pessoas a virem para Pripyat.

A cidade, contruída de raiz segundo o urbanismo soviético, foi evacuada apenas 36 horas após o desastre, numa série de equívocos que deve ter custado a vida ou a saúde a muitos dos seus habitantes. O facto do vento soprar de Sul no dia do acidente, fez com que a poeira radioactiva tivesse atingido directamente a cidade, e durante várias horas a vida prosseguiu normalmente, pensando toda a gente que se tratava de um banal incêndio na central. A evacuação (definida como temporária no aviso feito pela rádio) foi feita através de 1 200 autocarros que transportaram os cerca de 50 000 habitantes da cidade.

A praça central da cidade, hoje:

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O aspecto geral da cidade é este. Assemelha-se a uma selva, no dia em que eu fui fiquei muito afectado da garganta devido ao pólen das árvores. Havia também muitos mosquitos:

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O antigo Hotel:

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A entrada no interior dos edifícios de Pripyat está proibida, pelo que ninguém entrou em nenhum edifício. As fotos de interiores aqui apresentadas foram retiradas da internet, mais concretamente do Imgur de um tal David sf:

O Palácio da Cultura:

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O Ginásio:

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O Parque de diversões que seria inaugurado a 1 de maio de 1986, 5 dias após o acidente:

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O Estádio:

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A Escola, com algum material escolar ainda disponível:

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A Piscina. Os funcionários da central utilizaram-na até 1998:

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Durante a viagem, aqueles que querem pagar mais 10 euros alugam um medidor de radiação. Eu achei que não valia a pena, mas algumas pessoas do meu grupo levaram-no. O nível de radiação foi sempre relativamente baixo, ao nível ou inferior ao que se apanha num voo comercial. Apenas nalguns “hot spots”, como a guia os definia, a radiação era um pouco mais elevada, mas muito longe das doses que se consideram prejudiciais à saúde:

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No fim do dia, e após 7 horas e meia na Zona de Exclusão, os medidores de radiação acumularam um total de 0,003 mSv, o equivalente ao que se apanha em 30 minutos de voo. A dose máxima recomendada para os profissionais do sector é de 7,25 mSv e a dose letal entre 2 e 6 000 000 mSv.

Na passagem dos dois checkpoints (a 10 e a 30 km da central) todos os participantes na excursão passam pelo detector de radiação. Caso dê positivo, a roupa e sapatos terão que ser lavados com um produto especial. O mesmo se aplica aos autocarros. No dia em que eu fui, ninguém deu positivo.

E chega o dia do regresso. Dá para apanhar uns aviões “raros” no aeroporto de Kiev:

UTAir:

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Windrose:

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Este já não é raro, mas é o que me levaria até Munique:

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O Terminal de partidas do aeroporto de Kiev:

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E a chegar a Lisboa com o Pôr-do-Sol sobre a Ria de Aveiro:

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A Figueira da Foz:

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E a Lagoa de Óbidos e Peniche:

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Vince

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Uma visita interessante, fora do assunto “nuclear” é ao radar Duga, construído pela URSS, com 750 m de comprimento e 250 m de altura. Este radar permitia detectar o lançamento de mísseis na costa americana, permitindo à URSS responder em tempo útil. A sua existência era secreta, os militares responsáveis por este espaço tinham que dizer às famílias que havias estado em Cuba.

O mítico "Woodpecker" (Duga) que a par do "Buzzer"(UVB-76) e do "Pip" alimentaram imensas teorias durante décadas :)

Há aí algumas fotos que são de cortar a respiração, como a dos carrinhos de choque ou da rua com as placas de localidades que "morreram". E a comida na cantina era mesmo má, ou dificilmente alguém consegue ter apetite em tal local depois de ver e sentir tudo isso?

Que brutalidade de reportagem, arrepiante, obrigado de novo.
 
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Há aí algumas fotos que são de cortar a respiração, como a dos carrinhos de choque ou da rua com as placas de localidades que "morreram". E a comida na cantina era mesmo má, ou dificilmente alguém consegue ter apetite em tal local depois de ver e sentir tudo isso?

A comida é mesmo má. Na fotografia está muito favorecida. Apetite eu ia tendo, por sorte tinha víveres na mochila.
 
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Nimbostratus
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27 Set 2013
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Porto
A comida, como bem definiu a guia, é soviética. Pouca quantidade, o arroz demasiado cozido e sem sabor, um panado de frango todo mole, quase não comestível.

E o menu deve ser sempre o mesmo, pois retirei esta foto de um blog, tirado há dois anos atrás, em que a refeição era exactamente a mesma:

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Essa sopa parece-me ser borscht, muito comum também na Rússia. Leva beterraba. Já a fiz em casa.
Namorei durante 5 anos com uma cidadã da Geórgia. A gastronomia georgiana não se compara a essa comida dita "soviética".