Urso-pardo de volta a Portugal?

psm

Nimbostratus
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estoril ,assafora
Re: Urso-pardo de volta à Peneda Gerês?

Frederico,
Quando referi o litoral centro queria dizer toda a região costeira entre Aveiro, e a região do Oeste. Relativamente ao facto do Pinus pinaster ser endémico, parece-me que não existem dúvidas,pelo menos nesta região. Uma referência:"Florestas públicas" de Francisco Castro Rego, DGF, 2001. Trata da evolução da floresta em Portugal. Interessante e escrito num bom português, o que é sempre agradável.

Psm,
Quando escrevia o "post" , o anterior, veio-me à mente a palavra utopia. Eu sei que é um sonho, mas enquanto se sonha vive-se.
Desconhecia a existência de faias na serra de Sintra. Qual a área ocupada, como têm evoluido a espécie ao longo do tempo e que tipo de vegetação existe sob a copa das árvores?
No núcleo do Gerês o solo apresenta uma camada espessa de folhas. As faias orientadas, sobretudo, a norte (entre 800 e 1100 metros) são acompanhadas de azevinhos e de alguns pequenos arbustos, mais ou menos como na Cordilheira Cantâbrica. No Outono imprimem à paisagem um colorido fantástico, quase irreal. Mas é uma espécie que de ano para ano vai ocupando o espaço deixado pelos carvalhos.






A resposta não devia ser neste topico mas sim no biodiversidade, mas respondo:).
Elas ocupam uma pequena area(não sei de quanto) e lá elas dominam o seu espaço no sobcoberto mas estão rodeadas de acácias que não conseguem lá entrar, mas não se conseguem expandir porque ao seu redor está tudo cheio de acacias, e elas estão situadas a uma altura de 380 m este pequeno nucleo.
 

Kodiak

Cumulus
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Re: Urso-pardo de volta à Peneda Gerês?

Relativamente à questão florestal concordo com tudo o que foi dito. Parece-me no entanto que uma das vias é reorganização da floresta utilizando quer espécies autóctones de crescimento lento, quer espécies de crescimento mais rápido (excluindo o eucalipto), isto porque existem muitas famílias que vivem ainda da produção florestal. A floresta compartimentada é importante porque é também um travão aos incêndios florestais e favorece a biodiversidade. É possível criar áreas com espécies de crescimento mais rápido alternadas com manchas de espécies autóctones resistentes ao fogo. As linhas de água deveriam ser revestidas unicamente com vegetação ripícola, por exemplo. Depois caberia ao Estado, sobretudo ao Estado, a gestão da floresta de protecção e quando falo deste tipo de floresta refiro-me às manchas ainda existentes de floresta autóctone (a verdadeira floresta). Em Portugal ainda existem boas manchas de norte a sul, em Montesinho, no Gerês, Amarela, Soajo, Peneda, Arrábida, Madeira etc, vestígios da nossa flora e vegetação primitivas. Mas é tudo muito complicado, pela falta de sensibilidade, pelo desordenamento e sobretudo porque a maioria da "floresta" portuguesa encontra-se profundamente retalhada e muitas vezes abandonada.
Relativamente ao urso. Não sei de que barragem falas. Em que ano? Acho tudo muito estranho. Na foz do Minho e nas zonas circundantes não existem ursos há séculos. A região foi sempre muito humanizada. Nem estou a ver ursos de grande porte em Portugal, como o urso de KodiaK.
 

belem

Cumulonimbus
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10 Out 2007
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Re: Urso-pardo de volta à Peneda Gerês?

Relativamente à questão florestal concordo com tudo o que foi dito. Parece-me no entanto que uma das vias é reorganização da floresta utilizando quer espécies autóctones de crescimento lento, quer espécies de crescimento mais rápido (excluindo o eucalipto), isto porque existem muitas famílias que vivem ainda da produção florestal. A floresta compartimentada é importante porque é também um travão aos incêndios florestais e favorece a biodiversidade. É possível criar áreas com espécies de crescimento mais rápido alternadas com manchas de espécies autóctones resistentes ao fogo. As linhas de água deveriam ser revestidas unicamente com vegetação ripícola, por exemplo. Depois caberia ao Estado, sobretudo ao Estado, a gestão da floresta de protecção e quando falo deste tipo de floresta refiro-me às manchas ainda existentes de floresta autóctone (a verdadeira floresta). Em Portugal ainda existem boas manchas de norte a sul, em Montesinho, no Gerês, Amarela, Soajo, Peneda, Arrábida, Madeira etc, vestígios da nossa flora e vegetação primitivas. Mas é tudo muito complicado, pela falta de sensibilidade, pelo desordenamento e sobretudo porque a maioria da "floresta" portuguesa encontra-se profundamente retalhada e muitas vezes abandonada.
Relativamente ao urso. Não sei de que barragem falas. Em que ano? Acho tudo muito estranho. Na foz do Minho e nas zonas circundantes não existem ursos há séculos. A região foi sempre muito humanizada. Nem estou a ver ursos de grande porte em Portugal, como o urso de KodiaK.

Eu vou procurar pelo post e depois ponho aqui.
Não fui eu que escrevi tal opinião.
Eu sei que não existem ursos há séculos no Minho ( pelo menos a reproduzir-se).
A questão do porte, estava relacionada com uma dieta rica em salmão.
Como os ursos costeiros, estão extintos há muito em Portugal nesta zona, é que tentei saber se saberias de alguma coisa, que pudesse estar presente em alguns documentos antigos.
Na minha opinião, antes que salmão tivesse sido afectado na zona, já o urso-pardo estaria extinto.
Por isso uma coisa não leva a outra.
 

belem

Cumulonimbus
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10 Out 2007
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Re: Urso-pardo de volta à Peneda Gerês?

Caro Trevinca,

Sem dúvida que aquilo que contas é interessante. Farto-me de procurar documentos históricos e nunca me lembrei de vasculhar os arquivos da Galiza. Onde posso comprar a Crónica da provincia de Orense? O diccionario de Madoz está acessível? Também estou interessado no livro do Ramón Grande del Brio.
Não duvido da ocorrência esporádica do urso e a prova é o urso morto em 1946.
Mas devemos ter muita cautela com as conclusões, sobretudo vindas das populações rurais da montanha. Os medos e as superstições, muito próprios destas áreas, levam por vezes a conclusões erradas. E depois criam-se lendas. O Gerês está cheia delas. Nos anos cinquenta e mesmo nos anos setenta do século passado acreditava-se ainda no lobisomem.
Isto para dizer que o facto de alguem encontrar uma uma cilha (alverice) destruída por um animal não significa nada. Há tempos encontrei um documento muito interessantes, de 1730, que termina da seguinte maneira: "...a pelle deste bicho levou-a o caçador ao Dom Abade do Convento de Bouro aonde todos os Religiosos averiguarem ser de Tigre (sic). Outro documento de 1758 dizia a certa altura: "...tambem se tem mortos alguns tygres e outros bichos desconhecidos..." São documentos sobre o Gerês e que mostram bem os exageros cometidos. Um outro documento da mesma época relata a morte de uma rapariga degolada por um lobo-cerval (lince), abundante por aquelas paragens, mas que não tinha capacidade para matar ninguém.


Eu li no forum do lince-ibérico que as referências ao termo tigre, poderiam estar ligadas a outra espécie que outrora também existiu em Portugal: O lince-boreal europeu ( Lynx lynx)!
Pelo menos até à Idade Média, o lince-boreal esteve presente na zona eurossiberiana da P. Ibérica, como por exemplo Noroeste de Portugal e Galiza. A meu ver, a sua extinção, foi claramente provocada e não foi natural.
Contudo é possível que em algumas zonas, ambas as espécies, fossem simpátricas, embore no geral ocupassem zonas diferentes, sendo que Lynx lynx é Eurossiberiano e o Lynx pardinus é Mediterrânico.

http://www.ellinceiberico.com/foro/viewtopic.php?f=2&t=801

http://www.ellinceiberico.com/foro/viewtopic.php?f=2&t=857

Claro que as referências « tigre» também são conhecidas para o L. pardinus, mas o lince-boreal atinge um tamanho maior e é potencialmente capaz de feitos maiores.
Contudo tenho a ideia de o Lynx pardinus ser mais agressivo.
Enfim, isto apenas é uma opinião pessoal.
 

Kodiak

Cumulus
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Re: Urso-pardo de volta à Peneda Gerês?

É interessante essa questão do Lynx lynx. De facto é certo, ou quase certo, que a espécie existiu no Noroeste peninsular em épocas históricas. Tudo aponta para isso. E é claro que era muito mais possante que o lince-ibérico. Existe um ou outro relato de lince morto no Gerês descrito com dimensões superiores ao lince ibérico - medido em palmos e com a descrição do tamanho das garras. Mas é verdade que temos que descontar o natural exagero dos caçadores.
Há cerca de quatro anos tive a ocasião de observar um casal desta espécie em cativeiro. Era um cativeiro muito especial porque era amplo e encontrava-se longe da curiosidade humana. Fiquei impressionado com a elegância, a agilidade e a beleza do animal. E sobretudo fiquei impressionado com o seu tamanho, quando comparado com o lince-ibérico.
Está mais ou menos para breve a publicação de um livro dedicado ao lince. Aí terás ocasião para ler algumas passagens sobre a história do lince na Península Ibérica e também sobre a presença Lince boreal.
 

trevinca

Cirrus
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8 Mar 2009
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Re: Urso-pardo de volta à Peneda Gerês?

Boas noites desde Espanha:

Os comunico que acaba de ponerse a la venta un nuevo libro sobre el oso de la zona fronteriza con Portugal. Su título: "Informe sobre el oso pardo y las Montañas Galaico-Leonesas". Tiene 144 páginas y fotos en color y blanco y negro, tamaño 21 x 30 cm. Son varios autores, participando Grande del Brío en su redacción.
Los interesados pueden contactar con el editor en esta dirección electrónica: maceiras_abogados@yahoo.es

Seguiremos comentando, un saludo.
 

belem

Cumulonimbus
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Re: Urso-pardo de volta à Peneda Gerês?

Boas noites desde Espanha:

Os comunico que acaba de ponerse a la venta un nuevo libro sobre el oso de la zona fronteriza con Portugal. Su título: "Informe sobre el oso pardo y las Montañas Galaico-Leonesas". Tiene 144 páginas y fotos en color y blanco y negro, tamaño 21 x 30 cm. Son varios autores, participando Grande del Brío en su redacción.
Los interesados pueden contactar con el editor en esta dirección electrónica: maceiras_abogados@yahoo.es

Seguiremos comentando, un saludo.

Olá

Muito obrigado pela referência.
É vergonhosa a indiferença das autoridades dos parques naturais ( e de muitos portugueses) em relação à presença dos ursos-pardos. Dizem que está extinto há séculos, mas depois é o que se vê.
As populações locais sabem mais do que muita gente junta.
 

trevinca

Cirrus
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Re: Urso-pardo de volta à Peneda Gerês?

Con permiso do editor do libro sob o urso, os podo ponher uma mostra do mesmo por fora. Mais nao sei como se fai. Podedes ajudarme? Obrigado.
 

trevinca

Cirrus
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Re: Urso-pardo de volta à Peneda Gerês?

BREVE RESUMEN del LIBRO DO URSO-PARDO

La obra se divide en varios capítulos y anexos. Cuenta con fotografías, gráficos y mapas de distribución de la especie oso. Hay alguna referencia a Portugal, incluyendo alguna fotografía que os será conocida.

La primera parte de la obra trata sobre la conveniencia de publicar este trabajo, un análisis de la presencia histórica del oso en la Europa del Sur, así como su situación europea actual. Se describen, a continuación, las Montañas Galaico-Leonesas, mencionando su fauna y flora características. Le sigue, ya sin interrupción, una relación bastante amplia de datos y noticias sobre los osos de las Montañas Galaico-Leonesas, desde 1960 hasta la actualidad. La última parte de la obra contiene la correspondiente conclusión, así como una bibliografía extensa. Igualmente, existe un resumen en francés e inglés para todos aquellos que no entiendan la lengua española.

Sobre la posibilidad de existencia de osos en Portugal, el mismo Ramón Grande del Brío menciona en las primeras páginas de la obra lo que sigue:

Resulta innegable el peligro que representa para dichos plantígrados, una dispersión excesiva en ciertas áreas boscosas de las provincias de León, Orense y Zamora, y, posiblemente, también de algunos puntos del norte de Portugal.
 

belem

Cumulonimbus
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Re: Urso-pardo de volta à Peneda Gerês?

BREVE RESUMEN del LIBRO DO URSO-PARDO

La obra se divide en varios capítulos y anexos. Cuenta con fotografías, gráficos y mapas de distribución de la especie oso. Hay alguna referencia a Portugal, incluyendo alguna fotografía que os será conocida.

La primera parte de la obra trata sobre la conveniencia de publicar este trabajo, un análisis de la presencia histórica del oso en la Europa del Sur, así como su situación europea actual. Se describen, a continuación, las Montañas Galaico-Leonesas, mencionando su fauna y flora características. Le sigue, ya sin interrupción, una relación bastante amplia de datos y noticias sobre los osos de las Montañas Galaico-Leonesas, desde 1960 hasta la actualidad. La última parte de la obra contiene la correspondiente conclusión, así como una bibliografía extensa. Igualmente, existe un resumen en francés e inglés para todos aquellos que no entiendan la lengua española.

Sobre la posibilidad de existencia de osos en Portugal, el mismo Ramón Grande del Brío menciona en las primeras páginas de la obra lo que sigue:

Resulta innegable el peligro que representa para dichos plantígrados, una dispersión excesiva en ciertas áreas boscosas de las provincias de León, Orense y Zamora, y, posiblemente, también de algunos puntos del norte de Portugal.

Hola Trevinca

Muchas gracias por las referencias!
Me parece que tenemos que estar más atentos a la situación de lo oso, porque su dispersión me parece más extensa en nuestros dias.
Lo abandono de las tierras por la parte de los agricultores, lo incremento de los carbajales en area y tamaño ( y incluso de los jabalís y otras presas naturales), la protección legal, son factores que seguramente pueden influenciar la presencia de lo oso en algunos locales de la frontera.
Yo voy encomendar esa obra, porque estoy muy curioso de saber más sobre lo oso peninsular y porque me gusta mucho de Ramón Grande Del Brío, quase sino mismo un representante actual de lo fallecido :( Felix Rodriguez de la Fuente!!

Buenas noches. :)
 

Minho

Cumulonimbus
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6 Set 2005
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Melgaço
Re: Urso-pardo de volta à Peneda Gerês?

Cá vão os links para a capa e contra-capa


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ISBN: 978-84-613-2960-1