Vão ser abatidos 250 touros

Mário Barros

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Vão ser abatidos 250 touros que andam à solta em Idanha-a-Nova
Até as tropas especiais da GNR já intervieram, mas ninguém consegue apanhar os animais bravios

O caso é insólito: segundo as contas da Direcção-Geral de Veterinária (DGV), existem cerca de 250 touros bravos à solta no concelho de Idanha-a-Nova. A história remonta a 2000 e já deu origem a dezenas de processos judiciais. A câmara, a GNR local e a DGV têm tentado, nos últimos anos e através de vários métodos, capturar os animais, mas sem sucesso. Até os militares das operações especiais da GNR já foram chamados e estiveram em campo para resolver o problema, mas em vão. Agora, diz a DGV, a única solução é partir para uma acção de caça para abater as centenas de animais bravios que têm causado prejuízos nos arredores da aldeia de Segura. O último incidente ocorreu a semana passada, quando um pastor apareceu morto aparentando sinais de ter sido atacado por gado bravo. O caso está a ser analisado pelo Ministério Público.

Fonte da DGV conta ao i que não é a primeira vez que populares são atacados por animais bravios. "Nos últimos anos, um caçador e um idoso ficaram feridos e um homem ficou cego na sequência de ataques", adianta. Além disso, segundo a mesma fonte, os habitantes de Segura queixam-se de que os touros invadem a aldeia, destroem carros e até já terão atacado uma viatura da GNR. "Além disso, há uma estrada nacional por perto onde se registam acidentes por causa dos touros."

A situação arrasta-se desde 2000, quando um veterinário – que exerce funções no município de Albergaria – comprou um conjunto de propriedades junto à aldeia. Os habitantes não terão visto com bons olhos a chegada do forasteiro e, por diversas vezes, destruíram as vedações da quinta, para que o dono perdesse todos os animais. O veterinário ripostou comprando touros para a propriedade.

O conflito acentuou-se quando um antigo presidente da junta defendeu, numa entrevista a um jornal regional, que o veterinário deveria ser morto. Face a essas declarações, continua a mesma fonte, o dono da quinta passou a pedir protecção policial à GNR sempre que se deslocava à propriedade – mas nunca lhe foi concedida. Por isso, terá começado a alegar que não tinha condições para cuidar dos animais e deixou de frequentar o local. Com o tempo, as vedações foram ficando danificadas e os touros passaram a andar à solta – sem estarem registados, brincados ou vacinados.

Em Junho, a Câmara de Idanha e a DGV pediram ajuda a campinos da Companhia das Lezírias para capturar os animais. Contudo, só foram apanhados oito touros das centenas que andam à solta. Este mês foram chamados os militares das operações especiais da GNR para procederem ao abate, mas a acção foi suspensa para reavaliação pelo Ministério da Agricultura.

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12 anos pra resolverem a situação, 12, e foi porque houve uma morte.

"O conflito acentuou-se quando um antigo presidente da junta defendeu, numa entrevista a um jornal regional, que o veterinário deveria ser morto." Pior que o far west.
 

frederico

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Há uns anos passei quinze dias na casa da Quercus na aldeia do Rosmaninhal e confirmo que aquilo é mesmo o Far West. É um interior que desconhecia, com crianças a fumar nas ruas e gente a tentar criar pancadaria quando vê um forasteiro!
 

MSantos

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Há uns anos passei quinze dias na casa da Quercus na aldeia do Rosmaninhal e confirmo que aquilo é mesmo o Far West. É um interior que desconhecia, com crianças a fumar nas ruas e gente a tentar criar pancadaria quando vê um forasteiro!

Já fui bastantes vezes a essa zona da Beira Baixa e não tenho ideia nenhuma disso.:confused:
 

DMigueis

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Já fui bastantes vezes a essa zona da Beira Baixa e não tenho ideia nenhuma disso.:confused:

Também estive por lá durante uma semana, embora que na aldeia mesmo, estive pouco tempo, mas também não tenho nada essa ideia, apesar de ter notado a desconfiança por quem não é da terra...
 

MSantos

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O grupo com que estava foi apedrejado e alguns membros foram ameaçados de pancada. Até teve de vir a GNR.

Não estava a duvidar Frederico, apenas nunca me deparei com casos desses e como o meu pai tem amigos com família no Rosmaninhal e na Zebreira acabo por ir quase todos os anos a essa região e nunca me senti estrangeiro nem indesejado.
 

Mário Barros

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lreis

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A história da luta de um povo contra a manada selvagem do "doutor Neco"


Que "história", caneco :shocking:.

Há males que vêm por bem....
Hoje a imprensa escrita deixa entender que para os lados de Segura, tem sido um festival para a população de abutres e equivalentes.
O Público apresenta uma fotografia de um exemplar de gado cavalar (parece que não só touros , também existem cavalos ou equivalente pelo meio??!!!), praticamente "limpo", por abutres que voaram pouco antes do jornalista chegar.
As fontes locais do jornalista relatam que frequentemente os touros são objecto de tiros por parte de agricultores e caçadores, sendo que vão depois morrer mais ou menos longe em função da gravidade final do tiro.
Quer isto dizer que nos últimos meses existem presas mortas para abutres, etc, e que estas aves são vistas com frequência.
Enfim, no meio desta tragédia, alguém que ganhe algo...
 

belem

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Interessantes estes comentários:

«Tem piada, a inversão de valores que a nossa sociedade nos impinge. Comer carne cheia de hormonas e antibióticos, daquela que vai parar aos hamburguers dos McDonalds e afins , ah isso é muito bom... mas a carne dos animais que vivem em liberdade e se alimentam naturalmente, sem rações aberrantes ... ah isso é que não... «... quem é que vai comer essa carne... »

Pois, não sei quem são as mentes brilhantes que dizem que a carne de gado de Raça Brava, não presta.
Mais provavelmente são pessoas que nunca a comeram.



«As vacas e os touros não têm culpa. Nós humanos há anos que lhes estamos a tirar o seu habitat, quer com construções megalómanas, quer com o aumento de população humana, com a mudança de terrenos agrícolas e de reserva ecológica em campos de golfe, empreendimentos turísticos, infra-estruturas etc... de forma desordenada, irresponsável e descontrolada. Eles têm direito e mais do que nós. É o habitat deles. Temos de fazer um plano bem fundo de ordenamento territorial, quer florestal, habitacional, ecológico, costeiro e agrícola. É complicado sobretudo, com a população pouco instruída e sensibilizada para estas questões e também em relação aos políticos e empresários ganaciosos. Vamos todos morrer um dia, e ter mais ou menos bens materiais não nos define como seres, só nos empobrece. Pensem.»


Penso que este é um caso complicado.
Talvez hajam outras soluções do que andar à chumbada, mas também compreendo o lado de quem se quer defender. Os animais também estão mais agressivos do que é normal, só quem não os conhece é que acha que isto é normal. Talvez seja uma retaliação ( somada à falta de recursos alimentares), pois os bovinos também sabem reconhecer quem lhes faz mal e vingam-se para se defender.
A juntar a isso, a Raça Brava é mais agressiva do que a norma (pois foi selecionada para as arenas), ainda que hajam animais com temperamentos díspares.

E como vai sendo habitual, no fim, são sempre os animais que pagam as asneiras que os humanos fazem.
 

Aristocrata

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Há uns anos passei quinze dias na casa da Quercus na aldeia do Rosmaninhal e confirmo que aquilo é mesmo o Far West. É um interior que desconhecia, com crianças a fumar nas ruas e gente a tentar criar pancadaria quando vê um forasteiro!

Parece um relato tirado das aventuras de um estranho, que entra num qualquer bairro na Grande Lisboa ou Grande Porto:shocking: