Vendaval - Alentejo - 7 Julho 2010 (Tornado, Downburst, Frente de rajada ?)

Tópico em 'Eventos Meteorológicos' iniciado por trepkos 7 Jul 2010 às 11:52.

  1. rozzo

    rozzo
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    Acho que a explicação da Wikipedia sobre microbursts está bastante simples e intuitiva, em especial para perceber a diferença entre os "dry microbursts" e "wet microbursts". (No nosso caso seco claro!)

    http://en.wikipedia.org/wiki/Microburst#Dry_microbursts

    Este também está muito bom, a descrever estas trovoadas secas de base alta, e os mecanismos e efeitos envolvidos:

    http://www.weather.com/blog/weather/8_13021.html

    Claro que o termo "micro" aqui pode estar desajustado, pois a escala disto foi larga, ao longo de toda a linha de nuvens a atravessar o país desde o Algarve até se dissipar algures a meio do país..
    Portanto talvez mais "dry downburst".

    Também há outra coisa interessante, os "heatbursts", que no fundo têm esse mecanismo, e são gerados em trovoadas em dissipação, onde a "morte" das correntes convectivas força a queda das gotas, e assim uma corrente descendente. O resto do processo, equivale ao referido nos outros sites, com evaporação por haver camada seca e quente em baixo, etc.
    E tem a correspondência com o que vimos ontem de nestas rajadas a temperatura ter subido a pique.

    http://www.islandnet.com/~see/weather/storm/bursts.htm

    Não penso que aqui seja um "heatburst" puro como os descritos na página anterior, pois penso que estão associados a trovoadas "completas", de base baixa, profundas, que não era o caso de ontem.
    Mas de cada um destes links, vejo fenómenos e explicações físicas, ligados uns aos outros, que juntos me parecem explicar bastante bem a situação de ontem..

    Algo assim do tipo:

    1) celulas em dissipaçao -> morte das correntes ascendentes
    2) morte das correntes ascendentes -> queda das gotas e consequente downdraft
    3) cb's de base alta (donwdraft com ar seco por baixo) -> evaporação das gotas (virga)
    3) evaporação por baixo da nuvem -> mais arrefecimento da camada descendente
    4) mais arrefecimento da camada descendente -> mais downdraft
    5) downdraft com ar já extremamento seco -> aquecimento por compressão
    6) chegada à superfície de rajadas fortes, de ar seco, em aquecimento, que foi o que vimos..
     
  2. Zerrui

    Zerrui
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    Cirrus

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    Nessa data, a atmosfera esteve muito instável a sul do rio Tejo. Haveria células convectivas, movimentos ascendentes e descendentes. Os tornados são hidrometeoros, trombas nebulosas que atingem o solo, descendo de uma nuvem. Não será possível determinar uma direcção predominante do vento pois o ar circula e espalha os destroços. Um tornado é coisa visível! Não se podendo observar, e durando quase 20 minutos... seria um downdraft, uma espécie de queda de ar que, no entanto, deveria ser mais fria... Só conversando com estudiosos, não com esses que não hesitam em inventar "tsunamis meteorológicos", "mini tornados" ou quejandos por não conhecerem o que já foi estudado e descrito até à exaustão. Não se fiem também em mim: confirmem nos organismos oficiais de meteorologia pois é lá que moram os conceitos credíveis (reserve-se sempre a tolerância científica...).
    Caro parceiro de conversa, agradeço a descrição e a documentação (conduzir a filmar deve ser punível e o melhor é omitir a identificação... mas sendo também perigoso para si e para os outros, o melhor é evitá-lo!). A METEO ganha com estes testemunhos! Obrigado.
     

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