Acumulação de neve vs permanência de Neve em Portugal

AJB

Nimbostratus
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5 Mar 2009
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Re: Seguimento Interior Norte e Centro - Fevereiro 2014

Relativamente à quantidade de neve e de dias com neve no solo deixo aqui um exemplo elucidativo.

Seta esquerda Gerês, seta direita Larouco.
dia 10-02-2009
3iv2.jpg


Após 7 dias sem precipitação
dia 19-02-2009
6yyv.jpg

Após 15 dias sem precipitação
dia 27-02-2009
ixsa.jpg

Acredito que a maior superficie coberta de neve do Gerês, neste caso em concreto) se deva a que provavelmente a uma maior área do Gerês acima dos 1400 metros, comparativamente ao Larouco! No Gerês temos desde o Borrageiro (próximo do Vale do Gerês) até à Fonte Fria (ja na área de Pitões das Junias)...o Larouco é a parte central do planalto, no topo, nada mais...
pena não conseguirmos ver por satelite estas serras desde Dezembro (grosso modo):lmao:
 
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AJB

Nimbostratus
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5 Mar 2009
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Baião
Re: Seguimento Interior Norte e Centro - Fevereiro 2014

Como se pode ver, trata-se de uma diferença mínima, a serra do Gerês tem é uma área bastante maior acima dos 1300 metros o que se vê na imagem.. E claro que só um exemplo não faz um panorama global.. Mas vê-se que mesmo que a serra do Gerês acumule mais, o "rate" a que a neve derrete é muito semelhante..

Estamos a falar aqui, como o André disse e muito bem, num plano teórico...
consensual será que depois da Estrela temos Gerês, Larouco e Montesinho...
se falassemos exclusivamente deste ano, acho que o Gerês tava na frente não?
Lá estão os pós frontais das entradas de Noroeste e Oeste a favorece-lo...
Aparte:Estive ha uns anos em montesinho, na Lama Grande, a 1380 metros sensivelmente, (talvez no ano de 2009) e depois de MUITOS dias sem precipitação, aquilo tinha meia duzia de neveiros BRUTAIS...com uma espessura fantástica...:thumbsup:
 
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Cirrus
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4 Fev 2014
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Re: Seguimento Interior Norte e Centro - Fevereiro 2014

Estamos a falar aqui, como o André disse e muito bem, num plano teórico...
consensual será que depois da Estrela temos Gerês, Larouco e Montesinho...
se falassemos exclusivamente deste ano, acho que o Gerês tava na frente não?
Lá estão os pós frontais das entradas de Noroeste e Oeste a favorece-lo...
Aparte:Estive ha uns anos em montesinho, na Lama Grande, a 1380 metros sensivelmente, (talvez no ano de 2009) e depois de MUITOS dias sem precipitação, aquilo tinha meia duzia de neveiros BRUTAIS...com uma espessura fantástica...:thumbsup:

Sim penso que este ano em concreto o Gerês esteja na frente! E sim Montesinho em certos anos com entrada de ar frio continental e com uma boa nevada anteriormente (não os mais comuns no nosso território), terá grande período temporal com permanência de neve..
 

AnDré

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22 Nov 2007
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Re: Seguimento Interior Norte e Centro - Fevereiro 2014

Relativamente à quantidade de neve e de dias com neve no solo deixo aqui um exemplo elucidativo.

Seta esquerda Gerês, seta direita Larouco.
dia 10-02-2009
3iv2.jpg

Boa vinc7e,

Era exactamente essa região que eu falava (região mais a oeste - primeira seta).
Fica a NE da Vila do Gerês e a SO das Minas dos Carris.

É a tal região, cuja precipitação média anual, segundo o GranNevada, um especialista neste tema (faleceu há poucos anos), poderia ultrapassar os 4000mm anuais.

As estações que existiam mais próximas dessa região, ficavam todas a cerca de 900 metros, e todas com uma precipitação média anual a rondar os 2800mm (1971-2000) e os 3300-3400mm em séries anteriores.

-> Local mais húmido de Portugal

Daí eu dizer que nessa região, quando dá para nevar, é logo ao metro.

De acrescentar que é uma região montanhosa que beneficia de todos os quadrantes de precipitação, excepto com entradas de Este e Nordeste - normalmente secas.
 
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vinc7e

Nimbostratus
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30 Nov 2008
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Relativamente à quantidade de neve parece-me consensual que o Gerês leva a melhor sobre o Larouco, quer pela precipitação mais elevado como pela área acima dos 1300m que é muito superior.
Quanto à permanência de neve no solo creio que o Gerês leva também vantagem pelo facto de ser mais escarpado o que propicia muito menos insolação em muitas encostas viradas a N/NE.
Digo isto baseado apenas na minha observação. já estive várias vezes tanto no Gerês como no Larouco e foi a sensação com que fiquei...
 

AnDré

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Odivelas (140m) / Várzea da Serra (900m)
Noticia de um grande nevão nas Minas dos Carris, em Fevereiro de 1955.

Nos nossos dias a actividade mineira atinge aspectos que nos impressionam. Todos nós já teremos visto num momento ou outro, as imagens dos mineiros a abandonar a boca da mina. Os seus rostos cerrados e cansados ou o sorriso branco que se destaca no rosto negro da poeira mortal que cobre as suas faces e contamina os pulmões. Nos nossos dias as condições de trabalho são ainda arriscadas e os acidentes vão acontecendo com mais ou menos frequência. Imagine-se então há dezenas de anos atrás onde a procura cega do volfrâmio e a consideração pela qualidade de vida do operário mineiro era inversamente proporcional à riqueza que os grandes senhores do volfrâmio iam acumulando.

A vida nas minas era dura, mortal e deixava marcas para a vida. Todas estas características eram aumentadas pelas duras condições de vida que na Serra do Gerês adquiriam particularidades extremas. As condições meteorológicas na Serra do Gerês por vezes fizeram sublinhar a dureza do trabalho naquela zona. As temperaturas desciam vários graus abaixo dez erro como recorda Virgílio Murta, “Lembro-me do frio na Mina dos Carris, embora, pela roupa que usávamos e como pode ver por algumas fotos com neve, pareça que não era assim tanto. Aí pelas sete e meia da manhã, nesta época do ano, quando tomava o pequeno-almoço com o nosso «meteorologista», tenente Silva Pereira, ele sempre me informava que a temperatura estava entre menos 6ºC e menos 8ºC, e que o termómetro de máxima e mínima existente no nosso «observatório» marcava, às vezes, menos 17ºC, durante a noite, claro... Isto quando o vento e a neve lhe permitiam acesso ao local, para verificar. Eu não sei se o tenente informava os Serviços Meteorológicos Oficiais e se haverá ainda dados arquivados.”

Episódio singular das dificuldades originadas pelo mau tempo, ocorreu em Fevereiro de 1955. Naquela altura, e durante mais de uma semana, nevou intensamente e de forma contínua na Serra do Gerês de tal maneira que em alguns pontos a neve chegou a atingir cerca de quatro metros de espessura, tornando impossível o trânsito de veículos e mesmo de peões. A mais de 1400 metros de altitude, os mineiros e o pessoal técnico e administrativo num total de cerca de duzentas pessoas que na altura trabalhavam nas Minas dos Carris, ficaram isolados nas sua instalações, tornando-se problemática a situação que de dia para dia o estado do tempo foi criando. Pelo telefone, uma vez que os fios resistiram ao peso da neve, foi sendo mantido contacto, até que as notícias se tornaram alarmantes: o pessoal, em especial os mineiros (que eram cento e vinte) estavam sem pão nem legumes, com escassa roupa e cada vez mais à mercê dos lobos, que segundo o jornal ‘O Século’ que uivavam famintos, noite e dia, por aquelas redondezas.

Devido à situação alarmante que se desenvolvia nos píncaros do Gerês, foi decidido organizar uma brigada de socorro e depois de organizada, esta brigada saiu da Portela de Leonte e percorreu em circunstâncias difíceis a distância ate à Água da Pala, onde entrou em contacto com o pessoal dos Carris. Os mineiros tiveram de descer até ao ponto de contacto, ligados uns aos outros por uma corda e meio enterrados na camada de neve. Segundo relatos de Carlos Sousa, filho de um dos então sócios gerentes da Sociedade das Minas do Gerês, os mineiros percorreram o caminho no Vale do Homem cantando canções patrióticas e ‘A Portuguesa’ para assim manter o ânimo durante a difícil operação. Foram necessários oito dias de trabalho intenso para desobstruir as vias de acesso às minas bloqueadas. Vinte e oito operários ofereceram-se para essa difícil tarefa, a fim de se conseguir passagem para uma camioneta carregada de pão, visto ser este o alimento que fazia mais urgente falta e não ser possível levar simultaneamente legumes e roupas. Após trabalho fatigante e perigoso, pôde a brigada fazer chegar a camioneta ao ponto combinado onde os mineiros esperavam, havia bastante tempo, sob um frio cortante e com receio de que não desse resultado o plano que se traçara. Quase quatro horas duraram a heróica escalada daqueles sete quilómetros. Por fim viveu-se outra faceta da dramática e abnegada aventura: os mineiros tardavam a chegar ao ponto combinado e, dada a intensidade do nevão que caía e que tapava os sulcos abertos horas antes, receava-se que os homens se perdessem ou, ligados uns aos outros, perecessem todos na tragédia da queda em algum precipício encoberto. Quando o telefone retiniu com a boa nova da chegada, soltaram-se gritos de entusiástica alegria.

Por Rui C. Barbosa
In http://carris-geres.blogspot.pt/2012/09/o-grande-nevao-de-fevereiro-de-1955.html
 
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PortugalWeather

Cumulus
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4 Fev 2014
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Se não vierem temperaturas quentes fora de época, nem depressões de sul de massas de ar quente, a neve na Serra da Estrela irá permanecer durante muito tempo e com excelentes acumulações, boas noticias para o Turismo daquela região.
 

AJB

Nimbostratus
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Re: Seguimento Interior Norte e Centro - Fevereiro 2014

Boa vinc7e,

Era exactamente essa região que eu falava (região mais a oeste - primeira seta).
Fica a NE da Vila do Gerês e a SO das Minas dos Carris.

É a tal região, cuja precipitação média anual, segundo o GranNevada, um especialista neste tema (faleceu há poucos anos), poderia ultrapassar os 4000mm anuais.

As estações que existiam mais próximas dessa região, ficavam todas a cerca de 900 metros, e todas com uma precipitação média anual a rondar os 2800mm (1971-2000) e os 3300-3400mm em séries anteriores.

-> Local mais húmido de Portugal

Daí eu dizer que nessa região, quando dá para nevar, é logo ao metro.

De acrescentar que é uma região montanhosa que beneficia de todos os quadrantes de precipitação, excepto com entradas de Este e Nordeste - normalmente secas.

Esse local (área) que referes é a zona do Borrageiro (1433 metros)...acredito que no eixo Carris-Nevosa-Altar de Cabrões seja mais favoravel a acumulação/permanencia de neve...
Uma outra área favorável, esta ja no Larouco, é toda a zona voltada a Norte do planalto central! Digamos que é a encosta (nem toda Portuguesa) a sul de Sendim (bombas de gasolina na fronteira é um ponto de referencia para quem conhecer)...mais sombria e em altitude (+1350 metros)
 

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Cirrus
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Passos Mirandela (490 m)
Relativamente à quantidade de neve parece-me consensual que o Gerês leva a melhor sobre o Larouco, quer pela precipitação mais elevado como pela área acima dos 1300m que é muito superior.
Quanto à permanência de neve no solo creio que o Gerês leva também vantagem pelo facto de ser mais escarpado o que propicia muito menos insolação em muitas encostas viradas a N/NE.
Digo isto baseado apenas na minha observação. já estive várias vezes tanto no Gerês como no Larouco e foi a sensação com que fiquei...

Concordo com a parte da quantidade e da área acima dos 1300m, o ser mais escarpado não me parece que ajude a acumulação, pois a neve "escorrega" mais, deixando essas partes descobertas, pode acumular mais nos locais onde ela "escorrega" e acumulado pelo vento mas nas encostas, principalmente a Sul e sudoeste ela desaparece muito mais rapidamente... O Larouco como referiu o AJB, e muito bem "zona voltada a Norte do planalto central" esta sim planáltica que acumula mais, e sombria.. Mas pode-se a dizer que ambas as serras estão equiparadas, (mais acumulação no Gerês e talvez mais permanência no Larouco) e seguidas de Montesinho, é o que fica aqui em consenso.
 

AJB

Nimbostratus
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5 Mar 2009
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Concordo com a parte da quantidade e da área acima dos 1300m, o ser mais escarpado não me parece que ajude a acumulação, pois a neve "escorrega" mais, deixando essas partes descobertas, pode acumular mais nos locais onde ela "escorrega" e acumulado pelo vento mas nas encostas, principalmente a Sul e sudoeste ela desaparece muito mais rapidamente... O Larouco como referiu o AJB, e muito bem "zona voltada a Norte do planalto central" esta sim planáltica que acumula mais, e sombria.. Mas pode-se a dizer que ambas as serras estão equiparadas, (mais acumulação no Gerês e talvez mais permanência no Larouco) e seguidas de Montesinho, é o que fica aqui em consenso.

Sim...o concenso é esse, entre nós, seria importante outras opiniões ou confirmações...
Vou lançar um "desafio" ao MeteoMontalegre, que esta no "coração" da área aqui em estudo, pois talvez tenha visibilidade para o Gerês (Nevosa-Altar de Cabrões)e tem certamente para o Larouco (para o Norte do Larouco é que talvez não...):thumbsup:
 
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MSantos

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3 Out 2007
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Azambuja / Mte. Barca (Coruche)
A regiao de Pitoes das junias , no Planalto da Mourela e uma zona extraordinaria de acumulacao de neve , comparavel a Serra da Estrela .

E tem uma combinacao fantastica de elevada pluviosidade / zona abrigada .

Acumulação talvez, mas permanência da neve no solo não pois tem menos 500 metros de altitude logo também chove muitas vezes derretendo as acumulações.
 

Dan

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Bragança (675m)
Para além da chuva, um factor que dificulta bastante a permanência dos neveiros é a humidade.

Regiões mais secas são normalmente mais favoráveis à manutenção dos neveiros.
 
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Bracaro

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5 Jan 2014
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Bracara - Gallaecia
Daquilo que eu até hoje tenho podido constatar aqui no Gerês, penso que a zona de Carris deve ser onde há mais acumulação de neve, mas todas as principais serras do Minho costumam ter bastantes dias de neve anualmente: Peneda, Soajo, Amarela, Gerês e Cabreira; o Larouco já pertence a Trás-os-Montes.
Ter em conta que na serra da Peneda e no planalto de Castro Laboreiro, a neve pode permanecer muito tempo sem derreter. Lembro-me de ver neve na Peneda em Maio.
 

Norther

Nimbostratus
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25 Nov 2010
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Tortosendo 600m Encosta sul Serra da Estrela
Realmente a Serra da Estrela tem dificuldade em ter boa precipitação nos pós-frontais, entradas de N costumam ser muito fracas, mas Invernos como o que estamos a ter a acumulação no planalto central pode ser bem grande mesmo que venham 1 ou 2 dias de chuva intercalados com dias de nevões, agora abaixo dos 1700m a neve derrete a grande velocidade derivado a alta Humidade e aumento da temperatura embora eu esteja um pouco admirado este ano depois de chover bem nestes 2 dias anteriores e ainda há neve a cota 1200m, encosta da Covilhã, coisa que já não via a uns anos.
Também é preciso ver que no norte o frio chega com mais facilidade.
Se a Estrela tivesse apenas 1500m certamente o Gerês ganhava :)