Aneís das árvores NÃO mostram aquecimento global

Cacá Smith

Cirrus
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1 Mai 2010
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O que observei?

- Os anéis mostram um crescimento lento entre 1900 e 1910 (clima frio)
- Seguido de um período de elevado crescimento entre 1910 e 1940 (clima mais quente)
- Depois, crescimento bastante lento entre 1940 e 1960 (clima mais frio)
- E depois uma subida gradual no crescimento a partir da década de 1970, mas somente mais notória na década de 1990 (clima mais quente).

Reparem no clima quente das décadas de 20 e 30, aparentemente superior ao clima das últimas décadas.Reparem também no clima frio do pós-guerra, das década de 40 e 50.

Olá Irpsit,

Me esclarece duas dúvidas por favor:

- Como você determina se o clima foi quente, frio ou ameno durante as décadas (ou mesmo em um ano)?
- E como você relaciona isso com os anéis de crescimento já que esses registros de anéis são anuais?

Desculpe se minha pergunta não for relevante, mas não ficou muito claro para mim.

:)
 

charlynickel

Cirrus
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22 Jul 2010
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Acredito que as condições climáticas se tornaram menos favoráveis para esta espécie. Eu sei que as autoridades responsáveis pelas florestas na Alemanha, estão testando novas variedades e espécies exóticas, que possam substituir as antigas no futuro, devido ao aquecimento.
 

Rui Sousa

Cirrus
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9 Dez 2009
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Outro estudo de Anéis de Arvores que não mostra aquecimento global :

https://instaar.metapress.com/content/2207413850845747/resource-secured/?target=fulltext.pdf (é preciso pagar 15 USD)


Regional Summer Temperature Reconstruction in the Khibiny Low Mountains (Kola Peninsula, NW Russia) by Means of Tree-ring Width during the Last Four Centuries

Yu. M. Kononov, M. Friedrich, and T. Boettger

This study presents a new pine (Pinus sylvestris L.) ring-width chronology and a summer temperature reconstruction for the last 400 years from the Khibiny Low Mountains (Kola Peninsula, NW Russia). Pine trees from sites at the altitudinal timberline of Khibiny Mountains show pronounced climatic signals in tree-ring width. We found a strong positive correlation with summer temperature of July–August (r = 0.58). The reconstruction shows lower summer temperatures from A.D. 1630 to 1840, a subsequent warming up to the mid-20th century and a cooling trend afterwards. According to our data, a temperature increase is observed during the past decade. The good coherence of multi-decadal to secular trends of our reconstruction and series of observed solar activity indicate that solar activity may have been one major driving factor of past climate on Kola Peninsula.

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adiabático

Cumulus
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19 Nov 2007
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Irpsit, uma iniciativa muito interessante!

Entrentanto, como aqui foi dito, há vários factores que podem interferir numa correlação entre a dimensão dos anéis de crescimento de um dado indivíduo (árvore) e o clima global. Para começar, cada indivíduo (árvore) tem uma história individual, que se reflecte talvez mais intensamente no registo do seu desenvolvimento do que variáveis globais ou, mesmo, regionais (como a poluição).

Por exemplo, imaginemos que a árvore germinou num povoamento florestal denso e maduro, à sombra de outras árvores e arbustos maiores e tendo que competir com estes pelos mesmos recursos no solo. Isso explicaria um crescimento muito lento nos primeiros anos, quando uma árvore que nesse mesmo período estivesse já na sua maturidade, com bom acesso à luz solar e aos recursos do solo, poderia até manifestar um crescimento particularmente grande. Se imaginarmos muitas pequenas árvores na mesma situação que a primeira, todas mais ou menos "latentes" à espera de uma oportunidade, compreenderemos que a tal oportunidade pode chegar primeiro para umas e mais tarde para outras, consoante, por exemplo, a morte de árvores mais velhas vá abrindo clareiras no povoamento. Ao longo da sua vida, cada indivíduo (árvore) pode sofrer influências directas sobre o seu ritmo de crescimento que se sobrepõem facilmente à influência do clima global.

Assim, se um dia fossem cortadas duas árvores centenárias desta "geração" as mesmas podem (e, quase certamente, devem) exibir histórias completamente díspares.

Isto pode relativizar bastante a relevância das conclusões tiradas de uma análise dos anéis de crescimento: de cada indivíduo, só se pode inferir a história deste indivíduo. Se fizermos, por outro lado, uma amostragem muito maior, recorrendo a espécies diversas, de idades diversas, em microclimas diversos, etc... pode ser que uma análise estatística possa permitir arriscar alguma correlação... Embora eu ache pouco provável, o ruído seria demasiado...

Mas podia ser um bom programa escolar, analisar e catalogar tantos exemplares quantos se conseguir encontrar ao longo de um ano e tentar ajustar uma curva aos dados recolhidos, aferir o desvio e concluir se há um padrão válido aceitável ou se se obteve apenas ruído...
 

adiabático

Cumulus
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19 Nov 2007
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Lumiar
Acredito que as condições climáticas se tornaram menos favoráveis para esta espécie. Eu sei que as autoridades responsáveis pelas florestas na Alemanha, estão testando novas variedades e espécies exóticas, que possam substituir as antigas no futuro, devido ao aquecimento.

Em sistemas naturais, a adaptação a variações climáticas não se faz mais com recurso ao "pool" genético local/regional, pela selecção de indivíduos das espécies já presentes que se encontrem melhor adaptados e formação, assim, de populações geneticamente diferenciadas das mesmas espécies? A grande excepção será nas zonas de transição climática, geograficamente bem referenciadas, onde se pode notar um avanço de espécies de uma região para território antes ocupado pelas espécies de uma região vizinha. Deste modo, temos carvalhos no continente europeu e carvalhos no continente americano, mas não são as mesmas espécies, embora os climas tenham grandes semelhanças. Não se encontram carvalhos no hemisfério Sul... Nem faias, nem castanheiros. Na verdade, toda a família das Fagáceas é exclusiva do hemisfério Norte. No hemisfério Sul, em climas análogos, existem espécies diferentes.

Nesse sentido, acho que a desculpa das alterações climáticas é um mau álibi para a introdução sistemática de exóticas (se é esse o objectivo final dos ditos estudos). Acredito que se se permitir a existência de reservas naturais suficientes, os próprios povoamentos naturais encarregar-se-ão de seleccionar as linhas genéticas mais adequadas às variações climáticas e provavelmente as populações de faias naturais dentro de duas ou três gerações ter-se-ão diferenciado das actuais.

As espécies exóticas interessam, apenas, à silvicultura e isso só acontece porque persiste uma miopia neo-positivista, ou seja, porque tudo o que é complexo, difícil e demorado de estudar não justifica economicamente o investimento no seu estudo.:mad: