Árvores e Florestas de Portugal

Tópico em 'Biosfera e Atmosfera' iniciado por Pedro 6 Jul 2011 às 12:18.

  1. Paulo H

    Paulo H
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    Cumulonimbus

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    A toponímia das localidades, ou o estudo dos nomes das localidades, sua origem e evolução, dá-nos bons indícios da distribuição de algumas árvores em Portugal. Eu diria que quando do nome de uma árvore ou floresta, resulta o nome de uma localidade, é porque tem relevância face às restantes árvores. Como podemos observar, o freixo deu nome a várias localidades, embora todas elas a norte do Tejo, em especial na Beira Alta e Trás-os-montes.

    Freixeda (Mirandela)
    Freixeda do Torrão (Figueira de Castelo Rodrigo)
    Freixedas (Pinhel)
    Freixial do Campo (Castelo Branco)
    Freixianda (Ourém)
    Freixieiro de Soutelo (Viana Castelo)
    Freixiel (Vila Flor)
    Freixinho (Sernancelhe)
    Freixiosa (Mangualde)
    Freixo (Almeida)
    Freixo (Marco de Canaveses)
    Freixo (Ponte de Lima)
    Freixo da Serra (Gouveia)
    Freixo de Baixo (Amarante)
    Freixo de Cima (Amarante)
    Freixo de Espada à Cinta
    Freixo de Numão (Vila Nova Foz Coa)

    Eu procurei nesta página:
    https://pt.wikipedia.org/wiki/Wikipédia:Projectos/Países/Portugal/Localidades/lista

    Mas além de localidades, há lugares povoados (aldeias), que não constam na listagem.

    Podemos fazer o mesmo exercício para outras árvores, exemplo: peral, figueira/figueiró, castanheira / souto, Macieira, Teixo, Sobreira / Sobral, Azinheira/Azinhal, Carvalhal / Alvarinho, Abrunheira, Amoreira, Pinheiro, Nogueira,..
     
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    #181 Paulo H, 20 Fev 2020 às 10:21
    Última edição: 20 Fev 2020 às 10:41
  2. camrov8

    camrov8
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    Cumulonimbus

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    mais um bocado e tinhas dito metade do nome de terras perto de onde vivo que por si já tem uma árvore no nome
     
  3. frederico

    frederico
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    No sotavento algarvio ocorrem-me estes.

    - Marmeleiro (Alcoutim)
    - Cerro da Vinha (Alcoutim)
    - Laranjeiras (Alcoutim)
    - Álamo (Alcoutim)
    - Zambujal (Alcoutim)
    - Vale da Rosa (Alcoutim)
    - Junqueira (Castro Marim)
    - Sítio da Alfarrobeira (Cacela)
    - Ribeiro do Álamo (Cacela/Altura)
    - Ribeiro do Junco (Cacela)
    - Funchosa (Castro Marim)
    - Palmeira (Alcoutim)
    - Pereiro (Alcoutim)
    - Pinheiro (Tavira)
    - Azinhal (Castro Marim)
    - Ameixial (Loulé)



    Mas há mais.

    Alecrineira (Olhão), Murteira (Olhão), Murtais (Olhão), Poço das Figueiras (Olhão), Zimbral (Tavira), Hortas (VRSA), Murteira (Castro Marim), Carvalhal (Tavira), Garrobo (Tavira), Azinhosa (Tavira), Medronhal (Faro), etc.

    - Garrobo vem provavelmente do espanhol algarrobo, que significa alfarrobeira. O sotavento algarvio tem influências do castelhano que estão ausentes no barlavento. E a província de Huelva nas zonas próximas da fronteira tem influências do português.

    - Pode parecer estranho o topónimo Carvalhal na serra de Tavira, mas eu identifiquei carvalhos no vale de uma ribeira nesta serra (Quercus Marianica). É altamente provável que a espécie fosse abundante nas zonas húmidas antes das campanhas do trigo do século XIX e do século XX.

    - O topónimo Pereiro pode referir-se à macieira, espécie cultivada no Algarve mas ausente no estado selvagem ou ao catapereiro, espécie abundante no passado na serra algarvia e no nordeste algarvio ou terras do Andévalo andaluz.

    - O Álamo é o choupo-branco. Os mais velhos recordam a presença de choupos-brancos de enormes dimensões em vários cursos de água da região que desapareceram na segunda metade do século XX.

    - Antigamente não havia motores de rega... as laranjeiras eram cultivadas preferencialmente em vales próximos de cursos de água, como sucedia na ribeira do Beliche, nos últimos quilómetros do seu curso, ou nas terras junto ao rio Guadiana. Daí a presença do topónimo Laranjeiras no concelho de Alcoutim, bem perto do rio, já que era zona de pomares. Os alentejanos e serranos que se estabeleceram a partir do século XIX nos arredores de VRSA também fizeram os seus pomares, daí o topónimo Hortas. Lamentavelmente, as hortas desapareceram por causa da expansão urbana da antiga vila conserveira.
     
  4. Paulo H

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    Cumulonimbus

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    Tudo tem a sua razão de ser.. Com a expansão do pinheiro e do eucalipto, o nome de algumas localidades / lugares já nem faz sentido atualmente, mas tem um significado histórico importante.

    Teixoso (Covilhã): Já não tem Teixos (taxus baccata) na floresta ocupada por pinheiros, carvalhos e mimosas. Para encontrar teixos, o melhor é procurar junto do poço do inferno (S. Estrela).Teixoso (Covilhã): Já não tem Teixos (taxus baccata) na floresta.

    Sobreira Formosa (C. Branco, Proença-a-Nova): Tem alguns escassos sobreiros, cujas bolotas os pássaros (Gaios) teimam em distribuir pela região. Mas a área é ocupada 90% por pinhal e eucalipto.
     
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  5. camrov8

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    que saiba a maioria dos nomes não são motivados pela árvore (espécie ) em si, por exemplo freixo de espada à cinta podia ser qualquer uma mas o cinto com a espada estava num freixo e depois com a abundância suspeito que o Amial no Porto seja por la ter existido uma plantação de amieiros, desviando um bocado aqui há tempos ouvi que sobre nomes com árvores ou plantas entraram na altura dos cristãos novos e que eram um código para esconder as origens judaicas por isso nomes como silva, pereira e carvalho adveem daí, mas actualmente ja esquecido e corriqueiro
     
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  6. Mammatus

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    Os freixos têm boa resistência à secura do verão no Alentejo?

    O meu pai é natural de Cuba, no Alentejo, pelo que conheço relativamente bem a região (Cuba, Alvito, Vidigueira) e sempre a achei muito monótona em termos de flora, basicamente montados de azinho, não fazia ideia da existência de algumas manchas de bosques de freixo.

    A avaliar por essa composição florística, o Alentejo de há 2 séculos teria um clima mais húmido.
     
  7. Gates

    Gates
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    Cirrus

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    Até depois da faculdade morei sempre na rua do Freixo, no Porto :)
    Que deu o nome à ponte que serve o lado oriental da cidade.
     
  8. frederico

    frederico
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    O freixo que temos em Portugal está adaptado ao nosso clima e é mais resistente à secura do que se pensa. Quando as condições são menos favoráveis, fica com um tamanho mais pequeno. Na zona da Vidigueira os freixos que vi estavam ainda na área dos barros de Beja, solos portanto profundos. Um pouco mais a norte na serra da Vidigueira os solos já são mais desfavoráveis e a vegetação potencial muda.

    O Alentejo não é assim tão seco como se diz, Évora tem mais de 600 mm por ano, mais ou menos o mesmo que Londres. O Alto Alentejo tem zonas com mais de 800 mm, e o Litoral Alentejano tem mais de 600 mm e é relativamente ameno. A área efectivamente fica agreste fica no Baixo Alentejo, solos de xisto grauvaque e precipitações em alguns locais abaixo dos 500 mm. É o que acontece nos concelhos de Castro Verde, Ourique, Mértola ou Serpa, onde existem áreas com clima semi-árido frio. Com precipitações acima dos 550/600 mm quando há solos profundos podemos ter espécies a resistir bem aos 4 a 5 meses secos do Verão.

    O Alentejo que vemos hoje em dia é uma construção do Homem, especialmente nos últimos dois séculos, já que muito do montado que temos vem do século XIX. Antes disso havia a «charneca», matagais extensos que impressionaram estrangeiros nos séculos XVII ou XVIII. O Alentejo séculos atrás teve soutos na região de Portalegre ou nas serras do Cercal e de Grândola, carvalhais extensos no distrito de Portalegre com carvalho-negral, montado com carvalho-cerquinho na maior parte do Litoral ou na serra do Monfurado e no noroeste do distrito de Évora, pinhais nas zonas arenosas, matas ripícolas com muita variedade de espécies, desde carvalhos-roble a amieiros nas zonas mais húmidas ou com freixos e loendros nas zonas mais áridas, zambujais e estepes nas zonas semi-áridas perto do Guadiana, etc, etc, etc.
     
  9. frederico

    frederico
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    Acrescento ainda que o Alentejo em termos relativos era muito mais povoado no tempo dos Romanos. Segundo Orlando Ribeiro após a Reconquista o repovoamento da região foi muito pouco eficaz. Excepção para parte do Alto Alentejo, as regiões de Estremoz, Borba ou Vila Viçosa, e para a zona em torno da serra de São Mamede, para onde foram colonos do Sul de França após a Reconquista. O próprio Salazar tentou repovoar a região com as juntas de colonização interna.
     
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  10. Super Trovoada

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    Cirrus

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    Na sexta-feira fui à serra procurar lódãos e encontrei mais de 100 plantados/escapados no convento, vários deles de grande tamanho, sendo o da foto o mais impressionante. Há quantos séculos terá morrido o monge que o plantou (se é que foi o caso)? Para comparação a rede entomológica tem 40cm de diâmetro...
    [​IMG]
     
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  11. frederico

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    A ver se vou lá espreitar dentro de um ou dois fins-de-semana. Quero ir a Portugal para ver uma exposição em Évora e vou de carro.
     
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  12. camrov8

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    esse facto já foi referido noutro topico não me lembro qual, mais uma vez os números enganam quando fora do contexto, em Londres esses 600 são distribuídos ao longo do ano, chove muito a típica morrinha no Alentejo é mais concentrado em tempestades que pouco se infiltram e que pouco ajudam a combater a seca
     
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  13. frederico

    frederico
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    Ainda assim Évora tem mais de 70 dias de chuva por ano, se a memória não me falha. E o Inverno é relativamente frio. Ou era... mas sim a estação seca como referi é longa.
     
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  14. Super Trovoada

    Super Trovoada
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    Cirrus

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    Infelizmente, tem a vida por um fio uma vez que tem o tronco quase todo oco e não deve demorar muito até começarem a pensar em abatê-lo. Este por outro lado também tinha um tamanho considerável e não apresentava nenhum sinal de doença.
    [​IMG]
     
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  15. Mammatus

    Mammatus
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    Cumulus

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    Ainda acerca da toponímia das localidades relacionada com distribuição das espécies vegetais dominantes...

    Alandroal (loendro, no Alentejo também chamam aloendro)
     
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