Árvores e Florestas de Portugal

Tópico em 'Biosfera e Atmosfera' iniciado por Pedro 6 Jul 2011 às 12:18.

  1. Pedro1993

    Pedro1993
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    Super Célula

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    A murta é uma das espécies que eu gosto muito, há 2 anos, plantei umas 30 unidades, para fazer uma sebe, e tem crescido bem, pois ainda para mais nem precisam de água, são lindas praticamente todo o ano, mas mais ainda quando estão em floração e depois na frutificação, aqui as murtas apenas se observam em algumas bermas de estradas rurais, por vezes com cerca de 5 a 10 metros de extensão. Tinha aqui um bosque lindo de carvalho-cerquinho com mais de 100 anos, numa zona de vale, que eram lindo de ver quando mudavam de cor, na sua folhagem, foi até vir um incendio, fez agora 1 ano, no verão passado, e está tudo queimado, que até mete pena, muitos deles estão agora a rebentar a partir da raiz, mas são preciso agora décadas para toda a zona recuperar novamente.
     
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  2. PedroNTSantos

    PedroNTSantos
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    Cumulus

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    Sobre este tema, ou seja, sobre o tipo de associações botânicas existentes nos diferentes tipos de bosques autóctones de toda a Península, não deve haver obra que se lhe compare.
    São 500 páginas, incluindo uma descrição muito completa sobre a evolução dos bosques peninsulares desde o final da última glaciação, com mapas climáticos; acresce que para além da descrição da flora lenhosa (árvores e arbustos) associada a um determinado tipo de bosque, descreve igualmente, de forma exasutiva, a flora herbácea associada.
    Estamos a falar de uma obra que tem 12 autores identificados e, como se fosse pouco, inclui ainda no final um anexo sobre a fauna que podemos encontrar nos diferentes espaços florestais.

    Estou-me agora a lembrar da coleção que o jornal Público lançou há uns anos sobre as principais formações florestais do país, não sei se conheces mas surpreendeu-me muito positivamente. O problema é que não deve ter tido nenhuma reedição.

    Detesto o Facebook mas tenho conta para poder participar nalguns alguns grupos de discussão sobre este tipo de temas; há um em particular (Os carvalhos de Portugal, Quercus L.) que tem gente que percebe muito sobre este assunto (se calhar conheces e até és um dos administradores, pois parece-me que sabes bastante sobre a distribuição das quercíneas no Algarve).

    (Nota: Não quero, convém sublinhar, passar por especialista na matéria. Tirei o curso de Biologia, mas sempre fui professor. Acontece que sempre tive o bichinho das árvores e das florestas (aprofundado pelo facto de ter tido a sorte de ter sido aluno do professpr Jorge Paiva) e, como também sou um meteolouco, também me agrada o tema da evolução na distribuição das espécies em função das diferentes condições climáticas ao longo do tempo.)
     
  3. Mammatus

    Mammatus
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    Cumulus

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    A única obra que tenho sobre flora portuguesa e europeia é o Guia Fapas.

    [​IMG]

    Gostaria de arranjar uma obra mais completa sobre este tema..
     
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  4. bandevelugo

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    Concordo, só acho que a culpa não há-se ser só dos autarcas, mas dos técnicos que fazem os projetos. Quando foi da reabilitação da Ribeira das Naus em Lisboa, entre o Cais do Sodré e a Praça do Comércio plantaram junto ao rio Tejo grandes... amieiros!!!! Não se pode pensar numa árvore mais desajustada, claro que já não resta nenhum, e isso não foi ideia do presidente da câmara ou dos vereadores...

    Também acho que deva haver liberdade para usar espécies que sendo ornamentais, sejam exóticas (não infestantes), mas sempre preferindo autóctones que se adaptem (o problema é que muitas vezes as autóctones crescem demasiado lentamente para o desejo de todos, a começar pelos cidadãos que não percebem nada de plantas e ue votam nos autarcas). Aqui e acolá, porque não podem ser usados eucaliptos de flor vermelha? Não chateiam e aumentam a diversidade, sendo benéficos por exemplo também para os insetos polinizadores.
     
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  5. bandevelugo

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    Nunca vi um pinhal que não fosse bom para o aparecimento de outras espécies. Na minha terra (zona de Aveiro) havia dunas e areais sem qualquer vegetação e com a "pinheirização" encheram-se de outras espécies como camarinhas, zimbros, samoucos e infelizmente acácias, mas o balanço é positivo para biodiversidade. Há um site interessante: http://www.drapc.min-agricultura.pt/base/documentos/fixacao_dunas.htm. É pena que os incêndios tenham passado tudo a pente fino (Quiaios, Mira, etc.), pinheiros e companhia, mas já estão muitos a renascer.

    Também por esta zona mesmo em muitos eucaliptais antigos, sobretudo se há luz, vê-se o aparecimento de pinheiros, carvalhos, etc., etc., de tal forma que fica uma brenha impenetrável. Tudo depende do objetivo com que se faz a gestão do terreno. Também não estou à espera de carvalhos num campo de milho.
     
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  6. bandevelugo

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    Na minha terra a planta que está na imagem chamam-lhe carvalhiço e não passa de meio metro, não é uma verdadeira árvore.
     
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  7. frederico

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    Concordo. O problema em si é a falta de diversiicação, a monocultura.
     
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  8. bandevelugo

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    Concordo, mas nota que Sintra não é Lisboa, e o Porto tem o parque da Cidade, que sempre que lá vou visito e que tem uma enorme diversidade de espécies de árvores e outras. Lisboa não tem nada que se compare.

    As árvores têm é que crescer mais uns anitos...
     
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  9. frederico

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    A Quercus há muitos anos tinha um projecto de criação de uma rede de espaços protegidos em torno do Porto. Serra de Freita, Barrinha de Esmoriz, Serra de Valongo. Mas nunca avançou. A ver se se eleva a Serra de Arga a área protegida.
     
  10. belem

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  11. bandevelugo

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    No Forte da Barra (Gafanha), junto à estrada que levava para a antiga ponte da Barra existe um palmeiral muito interessante plantado pela antiga Junta Autónoma do Porto de Aveiro (JAPA) que tem sido alvo de "requalificação" pela Câmara (ou pelo Porto?). As palmeiras canarienses já haviam sido dizimadas pelo escaravelho (o mesmo está a acontecer na Costa Nova, mas aqui parece que estão a resistir melhor) e por acaso no até estão a substituir as outras que faltavam.
     
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  12. MSantos

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    Também tenho esse! :D

    Há uma coleção de 9 livros do Jornal Público com muito bom conteúdo a "Árvores e Florestas de Portugal" infelizmente nunca mais fizeram uma nova edição. Para se conseguir tem que se comprar em segunda mão. Eu já li alguns livros desta coleção, mas não tenho nenhum exemplar. :(

    Era esta::http://static.publico.pt/coleccoes/arvoresflorestasportugal/microsite.htm
     
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  13. Super Trovoada

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    Boa tarde @frederico nas suas idas à Serra d'Ossa viu ou já encontrou referências a lódãos na serra? Encontrei uma espécie dependente de lódãos mas não conheço a árvore na serra e queria saber se seria um indivíduo errante ou uma população desconhecida...
     
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  14. frederico

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    Super Célula

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    Bom dia eu só vi lódãos em dois locais em Portugal, em estado selvagem, foi no Douro Internacional e foi numa ribeira do sotavento algarvio. Na serra da Ossa nunca os vi. Parte da serra foi muito alterada pela eucaliptização.
     
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  15. frederico

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    Super Célula

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    Costuma dizer-se que os freixos são árvores de galerias ripícolas. Não é bem assim. Os freixos também surgem em abundância em zonas com solos profundos e formam bosques, como se pode ver em algumas regiões do Alentejo (já muito, muito alterados pelo Homem).

    Os freixos chegam a formar uma espécie de montado em alguns locais da Península Ibérica, como sucede na Comunidade de Madrid. Em Portugal vi vestígios deste tipo de paisagem em alguns pontos do Alentejo, nos concelhos da Vidigueira ou Évora, ou a Sul de Portalegre.

    O Alentejo coberto de sobreiros e azinheiras é uma paisagem fabricada por elites que preenche o imaginário dos portugueses. Mas se fosse possível recuar 200 anos, encontraríamos um Alentejo com carvalhais, soutos, bosques de freixo, montado de carvalho, zambujais, densas galerias ripícolas... além, claro está, de sobrais e azinhais.

    [​IMG]

    Foto tirada daqui: https://arbolesdemadrid.wordpress.com/tag/fresno/
     
    #180 frederico, 20 Fev 2020 às 09:52
    Última edição: 20 Fev 2020 às 11:30

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