Biodiversidade

frederico

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Agora estou no Algarve, mas não estou bem de férias, já que trouxe a faculdade «às costas». Mas no Verão poderei fazer uma pequena reportagem ecológica e publicar aqui :thumbsup:
 

stormy

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Mas se a vegetação dessas ribeiras desaparceu como é que vai funcionar como corredor ecológico para o lince? Não restou mesmo nada? Acho estranho a vegetação autóctone desaparecer por completo após um incêndio. a não ser que o meio seja muitíssimo árido. Quando há um fogo nos carvalhais, por exemplo, regra geral o estrato arbóreo aguenta, morrendo apenas as árvores mais isoladas, para além do estrato sub-arbustivo.
No recente incêndio do Gerês que atingiu aproximadamente 600 hectares o carvalhal aguentou o embate e o faial ficou intacto. Arderam as zonas de mato e algumas áreas de pinheiro-silvestre. Entretanto a vegetação do solo já começou a brotar.
 

psm

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Mas se a vegetação dessas ribeiras desaparceu como é que vai funcionar como corredor ecológico para o lince? Não restou mesmo nada? Acho estranho a vegetação autóctone desaparecer por completo após um incêndio. a não ser que o meio seja muitíssimo árido. Quando há um fogo nos carvalhais, por exemplo, regra geral o estrato arbóreo aguenta, morrendo apenas as árvores mais isoladas, para além do estrato sub-arbustivo.
No recente incêndio do Gerês que atingiu aproximadamente 600 hectares o carvalhal aguentou o embate e o faial ficou intacto. Arderam as zonas de mato e algumas áreas de pinheiro-silvestre. Entretanto a vegetação do solo já começou a brotar.




Pois, mas nisto da ecologia, e do meio ambiente entra o factor geologia, esta parte do Algarve é constituida por xistos, e os solos na melhor das hipoteses poderam ter uma espessura de 80 cm, e geralmente estes solos de xistos são facilmente arrastados pelas chuvas.
 

frederico

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9 Jan 2009
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Mas se a vegetação dessas ribeiras desaparceu como é que vai funcionar como corredor ecológico para o lince? Não restou mesmo nada? Acho estranho a vegetação autóctone desaparecer por completo após um incêndio. a não ser que o meio seja muitíssimo árido. Quando há um fogo nos carvalhais, por exemplo, regra geral o estrato arbóreo aguenta, morrendo apenas as árvores mais isoladas, para além do estrato sub-arbustivo.
No recente incêndio do Gerês que atingiu aproximadamente 600 hectares o carvalhal aguentou o embate e o faial ficou intacto. Arderam as zonas de mato e algumas áreas de pinheiro-silvestre. Entretanto a vegetação do solo já começou a brotar.



São duas realidades distintas. Os incêndios da serra da Caldeirão em 2004 duraram vários dias, e intercaladas com os bosquetes de azinheira e sobreiro havia áreas de mato com muitas estevas que são verdadeiros barris de pólvora. Depois, nos últimos anos a doença que está a afectar os sobreiros e as azinheiras está a matar as árvores que ficaram. Para além disso, a regeneração no Gêres é mais rápida, pois as condições edafo-climáticas são mais favoráveis. Os solos com origem no xisto-grauvaque nas encostas inclinadas dos montes são facilmente erodidos, e em anos recentes surgiu um novo problema: a proliferação das reservas de caça está a levar à plantação de trigo em solos muito inclinados o que intensifica a erosão e impede a regeneração da vegetação natural. E depois há as silviculturas de pinheiro-manso que proliferaram nos últimos dez anos.

Quanto à vegetação ripícola, já antes dos incêndios era muito incipiente. As populações locais até há poucas décadas atrás tinham o hábito de limpar completamente as margens das ribeiras. Contudo, havia áreas mais isoladas com bons núcleos de freixo, e estava a haver uma regeneração muito nteressante. Quando falei em corredores ecológicos estava a abordar a possibilidade de haver um projecto de recuperação das galerias ripícolas para que daqui a algumas décadas as ribeiras voltassem a funcionar como corredores ecológicos.
 

Thomar

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Saiu hoje no jornal Público na sua versão online, uma notícia sobre mais uma espécie invasora a "Salvinia molesta".


"Trabalho escolar evita in extremis alastramento de planta infestante"

Praga vegetal está à venda no país e já causou danos
10.04.2009 - 08h41 Ricardo Garcia

Ninguém estava à espera de que aquela simpática planta aquática, comprada num viveiro de Aljezur, se pudesse transformar num assustador problema ecológico. Mas quando deu por isso, José Ricardo, de 63 anos, tinha a pequena barragem da sua propriedade rural, em Odemira, de tal forma atafulhada por um espesso tapete verde, que já nem se via a água. "Os patos andavam ali como andam no chão", conta.

E foi assim que, no final do ano passado, uma reconhecida praga vegetal que está a causar enormes prejuízos em países como a Austrália e os Estados Unidos fez a sua estreia em Portugal. Nove anos de vigência de uma lei que prometia pôr ordem na introdução de espécies exóticas no país não valeram de nada. Temos mais uma infestante.

Chama-se Salvinia molesta e está à venda em supermercados, viveiros e
lojas de produtos vegetais. É comercializada como planta ornamental, serve também para decorar aquários. Mas tem um brutal poder de multiplicação em lagos, albufeiras e rios, facilmente impedindo o seu uso para recreio, navegação e como fonte de água.

Susana Caetano, de 17 anos, neta de José Ricardo, não fazia a menor ideia daqueles perigos, quando trouxe a planta para casa. Importada da Holanda, não há nada na sua embalagem que alerte para o facto de se tratar de uma espécie invasora. Introduzida na barragem, alastrou-se de forma imparável, formando uma camada sobre a qual ainda cresceram outras plantas.

A jovem não ficou de braços cruzados. Levou o assunto para o premiado clube de ciências da Escola Secundária Dr. Manuel Candeias Gonçalves, em Odemira (ver caixa), onde faz o 12.º ano. E ali nasceu um projecto para se estudar uma solução para o problema. Susana e duas colegas - Vanessa Viegas e Ângela Mestre, de 18 anos - identificaram a planta através da Internet e descobriram os problemas que já causava em outros países.

O projecto extravasou o âmbito escolar. A professora Paula Canha, coordenadora do clube de ciências, contactou um biólogo da Universidade de Lisboa, que confirmou os riscos de a planta se espalhar pela a bacia do rio Mira.

Falta de meios
Para avaliar o que fazer, reuniram-se várias entidades junto à barragem. Menos uma: o Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB). É ao ICNB que cabe, em primeiro lugar, preocupar-se com as espécies invasoras em Portugal. E a albufeira em causa estava dentro do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina.

Mas o parque não tinha recursos para lidar com a questão e nem sequer enviou um técnico para ver o que se passava. "Não foi dada a atenção que se devia", reconhece Sandra Moutinho, porta-voz do ICNB.
A Câmara Municipal de Odemira, que contactara um responsável do parque natural, estranhou a resposta. "Disseram-nos que não tinham meios para actuar, mas deram-nos luz verde [para resolver o problema]", diz José Alberto Guerreiro, vice-presidente da autarquia. "Esperava uma atitude mais actuante".

Preocupada que a barragem pudesse transbordar no Inverno, espalhando a planta infestante, a câmara pôs mãos à obra. "Não olhámos nem a meios nem a custos", afirma José Alberto Guerreiro. Durante um mês, removeram mecanicamente as plantas da barragem. Hoje, estão a secar numa zona mais elevada da propriedade de José Ricardo, à espera de serem queimadas. Meses depois, ainda há ali plantas vivas.

O caso também preocupou a Associação de Beneficiários do Mira, que alertou os cantoneiros de rega para informarem se avistassem a salvínia nos canais. "Se aparecesse algo, seriam os primeiros a notar", afirma a técnica Carla Lúcio. "Mas em águas correntes, a probabilidade é muito menor".

As alunas fizeram ainda muito mais. Distribuíram pelo concelho cartazes e autocolantes, com uma foto da planta e uma explicação dos seus perigos. Visitaram todas as lojas que as pudessem estar a vender e falaram com os comerciantes. Entregaram a cada agrupamento escolar uma apresentação sobre o problema.

Bomba ao retardador
Hoje, a Salvinia molesta é tema de estudo nas escolas do concelho. "Tenho um primo que me disse que estava a fazer um trabalho sobre a planta", diz Vanessa Viegas.O trabalho não terminou. "Agora, estamos a monitorizar para ver se a planta reaparece", afirma Susana Caetano.

Naquela pequena barragem, a situação parece estar controlada. Mas esteve a um passo do resultado oposto. A primeira sugestão que deram a José Ricardo foi abrir uma brecha no paredão da barragem, para deixar escoar a água e as plantas. "Teria sido o desastre total", avalia o biólogo Francisco Carrapiço, do Centro de Biologia Ambiental da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

De qualquer forma, a Salvinia molesta continua à venda e o que se passou em Odemira pode acontecer a qualquer momento em outro ponto do território. "Com a planta espalhada por todo o país, é uma bomba ao retardador", diz Francisco Carrapiço.

ICNB quer agora proibir a venda da salvínia
O ICNB começou por não ligar muito à nova infestante identificada em Odemira, num parque natural. Mas agora quer proibir a venda da Salvina molesta em Portugal. A salvínia deverá ser incluída na lista das espécies invasoras ou de risco ecológico conhecido, numa revisão em curso da lei aprovada em 1999 para o controlo da introdução de animais e plantas exóticas em Portugal.

A espécie ainda não figura no novo texto da lei que está em consulta pública há poucos meses, apesar de o ICNB ter sido alertado em Outubro. Mas será adicionado, segundo Sandra Moutinho, porta-voz do instituto.

A legislação proíbe o cultivo, a criação, a detenção, a compra, a venda e o transporte das espécies constantes daquela lista. Por ora, a venda da salvínia é legal. Este facto, aliado à falta de familiaridade com a planta, pesou para que o ICNB não tenha prestado a devida atenção ao caso de Odemira, diz Sandra Moutinho.

A legislação original previa a elaboração de um plano nacional para o controlo e erradicação de espécies invasoras não-indígenas já introduzidas no país. Até hoje, dez anos depois, este plano não existe.

Espero que tenham lido o último parágrafo.
 

stormy

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Saiu hoje no jornal Público na sua versão online, uma notícia sobre mais uma espécie invasora a "Salvinia molesta".
Espero que tenham lido o último parágrafo.

é um facto que devemos eliminar os especimes introduzidos mas acho que apenas os de maior risco biologico como as acacias ou o eucalipto ou o nematode do pinheiro ou a arvore-do-incenso....existem especies que já se ambientaram de tal maneira que hoje começam a ser menos nefastas establecendo uma relação relativamente boa com as nossas especies autocones, refiro-me aos bicos-de-lacre, papagaios-de-colar, algumas palmaceas,etc.
boas:thumbsup:
 

psm

Nimbostratus
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é um facto que devemos eliminar os especimes introduzidos mas acho que apenas os de maior risco biologico como as acacias ou o eucalipto ou o nematode do pinheiro ou a arvore-do-incenso....existem especies que já se ambientaram de tal maneira que hoje começam a ser menos nefastas establecendo uma relação relativamente boa com as nossas especies autocones, refiro-me aos bicos-de-lacre, papagaios-de-colar, algumas palmaceas,etc.
boas:thumbsup:



O problema é que algumas camaras municipais abusam das palmeiras nos arruamentos, e a sorte é que são de crescimento lento.

Volto a referir as especies exoticas são como uma caixa de pandora, no entanto algumas conseguiram assilvestrar, mas outras são o que são, e a ignorancia é enorme da população, seja com plantas ou animais.
 

Kodiak

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Psm
Mudando para este tópico o assunto das faias de Sintra,

Pois a mim parece-me que existindo um núcleo de faias em Sintra rodeado de acácias é uma boa ocasião para estudar o comportamento de umas e de outras. Quem vencerá a luta? A faia trava os fogos a acácia arde com facilidade. Porque não tentam favorecer a expansão da faia combatendo ao mesmo tempo as acácias? É provável que o coberto do faial impeça a progressão da acácia. Era uma boa experiência a levar a cabo. Fiquei sem saber em que condições vegeta a faia, a não ser o facto de aparecer a cerca de 300 metros. Como é o clima na zona?
 

psm

Nimbostratus
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Psm
Mudando para este tópico o assunto das faias de Sintra,

Pois a mim parece-me que existindo um núcleo de faias em Sintra rodeado de acácias é uma boa ocasião para estudar o comportamento de umas e de outras. Quem vencerá a luta? A faia trava os fogos a acácia arde com facilidade. Porque não tentam favorecer a expansão da faia combatendo ao mesmo tempo as acácias? É provável que o coberto do faial impeça a progressão da acácia. Era uma boa experiência a levar a cabo. Fiquei sem saber em que condições vegeta a faia, a não ser o facto de aparecer a cerca de 300 metros. Como é o clima na zona?


Elas vegetam em sienitos, e o clima e não tenho as percipitações dali:(, mas eu posso referir que é um local muito afectado por nevoeiros e percipitações ocultas, a sua localização fica na parte central oeste da serra, ligeiramente a norte da peninha, e o subcoberto tem silvas, é o que posso me lembrar:).

Na luta entre umas e outras, digo com grande tristeza minha que são as acacias(melanoxylon) que venceram, pelo o que dá para ver, são implacaveis, e o seu depósito de sementes é eterno:sad:.
 

stormy

Super Célula
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Elas vegetam em sienitos, e o clima e não tenho as percipitações dali:(, mas eu posso referir que é um local muito afectado por nevoeiros e percipitações ocultas, a sua localização fica na parte central oeste da serra, ligeiramente a norte da peninha, e o subcoberto tem silvas, é o que posso me lembrar:).

Na luta entre umas e outras, digo com grande tristeza minha que são as acacias(melanoxylon) que venceram, pelo o que dá para ver, são implacaveis, e o seu depósito de sementes é eterno:sad:.

sim, elas sao os coelhos/roedores em geral do mundo vegetal:disgust:
não há nenhuma especie que coma as acacias ou as sementes? ou que se possa adaptar a isso? era optimo pois assim as acacias seriam controladas de um modo natural e entrariam em equilibrio como os bicos-de-lacre,etc:thumbsup::rolleyes:
 

Veterano

Cumulonimbus
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sim, elas sao os coelhos/roedores em geral do mundo vegetal:disgust:
não há nenhuma especie que coma as acacias ou as sementes? ou que se possa adaptar a isso? era optimo pois assim as acacias seriam controladas de um modo natural e entrariam em equilibrio como os bicos-de-lacre,etc:thumbsup::rolleyes:

Também na serra do Gerês as acácias estão a infestar a região! Começam por ser agradáveis, dando côr aos montes, mas rapidamente dominam as outras espécies.:(