Biodiversidade

MSantos

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3 Out 2007
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é de facto muito triste os homens matarem os pequenos carvalhos:sad:mas tambem num pinhal abandonado os pinheiros nao desaparecem assim tao facilmente pois eles reproduzem-se com grande facilidade estado o solo de pinhais como o da lagoa de sto andre cobertos de pinheiros juvenis:shocking:
na lagoa de sto andre tambem há cedros "selvagens" ( aqueles que por vezes aparecem nos cemiterios altos e finos) penso que foram introduzidos e agora veem-se bastantes e alguns deles juvenis ( nesta fase assemelham-se a pinheiros).
é verdade tambem que na lagoa aparecem por vezes sobreiros e azinheiras no meio do pinhal mas sao relativamente poucos sendo que adultos há mesmo muito poucos e os juvenis acabam mortos quando o pinhal é limpo :sad::mad:

Não são cedros são ciprestes;)
 

Kodiak

Cumulus
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7 Fev 2009
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Bem, mas é um facto que em condições normais se deixarmos um habitat evoluir sem a intervenção humana as espécies autóctones acabarão por vencer, pelo menos no caso dos carvalhais frente aos pinhais. E a prova disso são esses tais sobreiros e azinheiras da lagoa de Santo André que só não vingam porque não os deixam. É claro que existem excepções como algumas espécies de acácias que tudo "devoram", tudo vencem.
 

psm

Nimbostratus
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25 Out 2007
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Responder a esta temática dos cedros ou não cedros:)

Existe o ciprestecomum que tem a designação cientifica de cupressus sempervirens é do Mediterraneo este ou central e Ásia menor e é uma especie exotica.

Quanto ao "cedro" do alentejo não é mais que a sabina da praia de nome cientifico juniperos phoenicea e é autoctone.
 

belem

Cumulonimbus
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10 Out 2007
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Responder a esta temática dos cedros ou não cedros:)

Existe o ciprestecomum que tem a designação cientifica de cupressus sempervirens é do Mediterraneo este ou central e Ásia menor e é uma especie exotica.

Quanto ao "cedro" do alentejo não é mais que a sabina da praia de nome cientifico juniperos phoenicea e é autoctone.

Exacto e a sabina da praia também é mediterrânica na sua origem.
Embora chegue a crescer até nas montanhas da Arábia Saudita.

Queria só enaltecer um aspecto.
As Câmaras e alguns silvicultores por vezes mandam «limpar» pinhais e matas mistas por causa dos incêndios e por vezes o resultado disso é o corte de espécies nativas importantes que até têm um efeito protector em relação ao fogo.
Sobretudo as espécies de carvalhos, deveriam ver o seu corte limitado a casos extremos apenas.
O corte deve ser selectivo e não indiscriminado.
 

stormy

Super Célula
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7 Ago 2008
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Exacto e a sabina da praia também é mediterrânica na sua origem.
Embora chegue a crescer até nas montanhas da Arábia Saudita.

Queria só enaltecer um aspecto.
As Câmaras e alguns silvicultores por vezes mandam «limpar» pinhais e matas mistas por causa dos incêndios e por vezes o resultado disso é o corte de espécies nativas importantes que até têm um efeito protector em relação ao fogo.
Sobretudo as espécies de carvalhos, deveriam ver o seu corte limitado a casos extremos apenas.
O corte deve ser selectivo e não indiscriminado.

esses cedros sao arbustivos , quando digo que sao altos e finos quero dizer que teem até 3m de altura e 1-2m de diametro;)
na zona da serra de grandola há uma grande floresta de sobreiros e pinheiros:D mas alguns sobreiros estao a morrer:huh::(
tambem sei que o nematode só ataca o pinheiro bravo sendo que o manso, tipico do litoral a sul do cabo raso, é poupado......penso que o facto dos pinheiros bravos morrerem pode ser bom para a regiao sul já que o pinheiro bravo foi introduzido nessa zona e ocupa muito espaço aos sobreiros e etc.....o que acham?
já agora, em portugal plantam-se só eucalyptus globus ou mais sub-especies?
boas:thumbsup::thumbsup:
 

belem

Cumulonimbus
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10 Out 2007
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esses cedros sao arbustivos , quando digo que sao altos e finos quero dizer que teem até 3m de altura e 1-2m de diametro;)
na zona da serra de grandola há uma grande floresta de sobreiros e pinheiros:D mas alguns sobreiros estao a morrer:huh::(
tambem sei que o nematode só ataca o pinheiro bravo sendo que o manso, tipico do litoral a sul do cabo raso, é poupado......penso que o facto dos pinheiros bravos morrerem pode ser bom para a regiao sul já que o pinheiro bravo foi introduzido nessa zona e ocupa muito espaço aos sobreiros e etc.....o que acham?
já agora, em portugal plantam-se só eucalyptus globus ou mais sub-especies?
boas:thumbsup::thumbsup:

Existem mais espécies, sim.
 

frederico

Super Célula
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9 Jan 2009
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CIMG0024.jpg



Ribeira do Beliche na Serra do Caldeirão, perto da aldeia dos Cintados, concelho de Tavira, em 2003, antes dos grandes incêndios de 2004. Ao fundo, observar um pequeno bosque de azinheiras já bem desenvolvido, e um pequeno freixeiro do lado direito, atrás da alfarrobeira. A ribeira possuía boas populações de várias espécies ameaçadas, nomeadamente saramugo e cágado-de-carapaça-estriada. Nas encostas havia muitos bosques de azinheira num estadio ecológico avançado, e nas margens havia vários exemplares de freixeiro de grande porte. A população de anfíbios também era considerável (sapos, rãs e salamandras). É uma região muito isolada e com solos ainda bem conservados. No inverno, nas encostes umbrias do montes, os solos nos bosquetes de azinheira e medronheiro ficavam completamente cobertos de musgos e líquenes!
 

belem

Cumulonimbus
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10 Out 2007
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Excelente testemunho. Mas agora deixaste-me curioso...
Então e após o incêndio, tendo em conta a actualidade, qual o rescaldo?
A ribeira tem água e ainda dá guarida a esses animais? E a flora como está escalonada? As árvores maiores sobreviveram ou não?
 

frederico

Super Célula
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A montante da aldeia dos Cintados ainda há alguns bosquetes de azinheira com alguns exemplares interessantes, pois essa zona não foi afectada pelos incêndios, bem como nas encostas de alguns afluentes. Os freixeiros de grande porte desapareceram. Entre a aldeia dos Cintados e do Pego dos Negros havia alguns núcleos de medronheiro que também desapareceram. Neste momento estão muitas azinheiras a morrer. A jusante da aldeia dos Cintados os bosques de azinheira e os sobreiros desapareceram, e há muita erosão nos solos. Há três ou quatro anos que não faço uma caminhada dentro de água na ribeira, portanto não sei como está a população de cágado-de-carapaça-estriada e de saramugo, bem como de outros anfíbios. Só tenho passado de carro na zona, a última vez foi em Dezembro do ano passado. Este ano a ribeira já deve ter o caudal interrompido em diversos pontos, já que com excepção de Janeiro a precipitação tem sido muito escassa. Mas num ano de precipitação normal o caudal aguenta de Outubro até ao final de Maio/início de Junho, e em muitas áreas de maior profundidade e antigos açudes a água permanece até ao Outono seguinte. Essas pequenas poças denominam pegos, e são essenciais para a fauna, especialmente para o saramugo. Infelizmente, nos últimos anos os agricultores começaram a utilizar motores de rega que consomem a água dos pegos, extinguindo-os logo no final da Primavera, o que poderá aumentar o risco de extinção do saramugo ou do cágado-de-carapaça estriada. Também havia muitas cobras-de-água, mas na altura não soube identificar a espécie.


PS: nesta aldeia há relatos de existência do lobo há muitas décadas atrás (mais de 50/60 anos).
 

belem

Cumulonimbus
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A montante da aldeia dos Cintados ainda há alguns bosquetes de azinheira com alguns exemplares interessantes, pois essa zona não foi afectada pelos incêndios, bem como nas encostas de alguns afluentes. Os freixeiros de grande porte desapareceram. Entre a aldeia dos Cintados e do Pego dos Negros havia alguns núcleos de medronheiro que também desapareceram. Neste momento estão muitas azinheiras a morrer. A jusante da aldeia dos Cintados os bosques de azinheira e os sobreiros desapareceram, e há muita erosão nos solos. Há três ou quatro anos que não faço uma caminhada dentro de água na ribeira, portanto não sei como está a população de cágado-de-carapaça-estriada e de saramugo, bem como de outros anfíbios. Só tenho passado de carro na zona, a última vez foi em Dezembro do ano passado. Este ano a ribeira já deve ter o caudal interrompido em diversos pontos, já que com excepção de Janeiro a precipitação tem sido muito escassa. Mas num ano de precipitação normal o caudal aguenta de Outubro até ao final de Maio/início de Junho, e em muitas áreas de maior profundidade e antigos açudes a água permanece até ao Outono seguinte. Essas pequenas poças denominam pegos, e são essenciais para a fauna, especialmente para o saramugo. Infelizmente, nos últimos anos os agricultores começaram a utilizar motores de rega que consomem a água dos pegos, extinguindo-os logo no final da Primavera, o que poderá aumentar o risco de extinção do saramugo ou do cágado-de-carapaça estriada. Também havia muitas cobras-de-água, mas na altura não soube identificar a espécie.


PS: nesta aldeia há relatos de existência do lobo há muitas décadas atrás (mais de 50/60 anos).

Tens aí espécies com interesse proteccionista.
O saramugo, por exemplo:

http://gomestorres.blogspot.com/2007/10/o-que-um-saramugo.html

O cágado de carapaça estriada:

http://www.naturlink.pt/canais/Artigo.asp?iArtigo=6710&iLingua=1

Essa zona tem algum estatuto de conservação?
 

frederico

Super Célula
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Não sei se está incluída na Reserva Ecológica Nacional.

Outro problema grave que começou há cerca de 7,8 anos foi a extracção de areias e cascalhos. As máquinas destruíam os pequenos freixeiros e a outra vegetação ripícola, para além de outros possíveis efeitos na fauna. Para além disso, há projectos para uma ou duas novas barragens na zona da aldeia dos Cintados, o que poderia por em causa a população de saramugo.

Mas já se justificava a existência de 4 novas reservas naturais das seguintes ribeiras: Vascão, Foupana, Odeleite e Beliche. As acções a promover seriam a recuperação dos bosquetes de azinheira e sobreiro que ainda existam, a interdição da caça, a recuperação da vegetação ripícola e a proibição da captação de água tendo em vista a preservação do saramugo e do cágado-de-carapaça-estriada.

Não nos podemos esquecer que estas ribeiras poderão funcionar como corredores ecológicos para o lince, caso este venha a ser reintroduzido.

Já agora, nas serranias do sotavento algarvio foram feitas mega plantações de pinheiro-manso. Um dos pretextos foi que os solos se encontravam muito erodidos e que não se encontravam adequados para a plantação de Quercus. Mas a verdade é que em muitas encostas extramamente erodidas estão a surgir azinheiras! Seria também interessante que a reflorestação fosse feita de outra foma, identificando os bosquetes já existentes, e interligar esses bosquetes utilizando vegetação autócne, para que dentr de algumas décadas tivessemos já bosques de grandes dimensões.
 

belem

Cumulonimbus
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Não sei se está incluída na Reserva Ecológica Nacional.

Outro problema grave que começou há cerca de 7,8 anos foi a extracção de areias e cascalhos. As máquinas destruíam os pequenos freixeiros e a outra vegetação ripícola, para além de outros possíveis efeitos na fauna. Para além disso, há projectos para uma ou duas novas barragens na zona da aldeia dos Cintados, o que poderia por em causa a população de saramugo.

Mas já se justificava a existência de 4 novas reservas naturais das seguintes ribeiras: Vascão, Foupana, Odeleite e Beliche. As acções a promover seriam a recuperação dos bosquetes de azinheira e sobreiro que ainda existam, a interdição da caça, a recuperação da vegetação ripícola e a proibição da captação de água tendo em vista a preservação do saramugo e do cágado-de-carapaça-estriada.

Não nos podemos esquecer que estas ribeiras poderão funcionar como corredores ecológicos para o lince, caso este venha a ser reintroduzido.

Já agora, nas serranias do sotavento algarvio foram feitas mega plantações de pinheiro-manso. Um dos pretextos foi que os solos se encontravam muito erodidos e que não se encontravam adequados para a plantação de Quercus. Mas a verdade é que em muitas encostas extramamente erodidas estão a surgir azinheiras! Seria também interessante que a reflorestação fosse feita de outra foma, identificando os bosquetes já existentes, e interligar esses bosquetes utilizando vegetação autócne, para que dentr de algumas décadas tivessemos já bosques de grandes dimensões.


Eu vou tentar saber se essa zona faz parte da REN.
Se puderes preparar um «apanhado» da fauna e flora que conseguires identificar aí, seria ainda melhor...
Um dos maiores problemas é a colisão de interesses, entre populações locais e a conservação ambiental. Típico neste país...
Os agricultores podiam era fazer furos, nas suas propriedades e captarem a água que quiserem sem comprometer a água dos pegos. Não convém mesmo nada, nem para eles, andarem a bebericar a água toda que está por lá.
Ainda há pouco tempo, vi quem dissesse: « Para que me interessa que tenham nascido mais linces-ibéricos»?
Então e esse senhor, que só come, polue, cag*, respira o nosso ar e não faz nada para ajudar a melhorar a vida dos outros e a dele, está cá a fazer o quê?
Enfim, são estas mentalidades que fazem com que o nosso país não avance.
Nem sempre as gentes da terra, são amigas da terra...
Um lince, é sempre muito útil a diversos níveis e tem um papel sem igual no equilíbrio dos ecossistemas.
Faz com que as populações dos animais que caça, apresentem exemplares cada vez mais fortes e saudáveis, pois como bom oportunista que é , caça sobretudo os pequenos, fracos e doentes. É na verdade um agente de limpeza genética e reciclador de energia super eficaz. Os carnívoros, tão mal amados por alguns caçadores, são na verdade seus amigos e caçam apenas aquilo que precisam, fazendo sobressair os mais fortes e aptos.
Enfim...
O pinheiro-manso é plantado é a pensar no pinhão, enfim... Contra a erosão, é uma desculpa sem sentido, não ligues ao que eles dizem. Nas grandes estepes do Parque Natural do Guadiana, às vezes, vê-se esse pinheiro, plantado em linhas minúsculas, parecendo quase definhados. Alguns estão assim há anos, pois não há quase elementos nutritivos para sustentar tal árvore e vivemos no El Dorado das ilusões. Nem pinhões, nem solos recuperados. A Natureza sabe muito bem o que faz, para isso existe a flora espontânea. Recupera melhor os solos, do que a treta dos pinheiros-mansos.
Assim que quiseres envia-me esses dados e poderei tentar colaborar com alguma coisa.