Cheias em Moçambique - Janeiro 2008

Tópico em 'Brasil e outros países de expressão portuguesa' iniciado por Gerofil 2 Jan 2008 às 17:27.

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    Fenómeno La Niña em curso e chuvas ainda não atingiram o pico

    As intensas chuvas que assolam anormalmente Moçambique desde Outubro de 2007, fruto também do fenómeno "La Niña", ainda não atingiram o seu pico, temendo-se que, até Março, o nível das águas nos principais rios possa ultrapassar recordes. A constatação é do director do Instituto Nacional de Meteorologia de Moçambique (INAM), Moisés Benesene, que, numa entrevista telefónica à Agência Lusa, atribuiu à "La Niña" a precocidade da queda das chuvas em toda a África Austral, que começaram em Setembro de 2007 e se intensificaram no mês seguinte.
    "Há, na região, nove bacias hidrográficas e as chuvas que têm caído abundantemente em toda a África Austral, em conjugação com a saturação dos solos das cheias do ano passado e com a «La Niña», têm enchido o leito dos principais rios que desaguam no oceano Índico, passando todos por Moçambique", sublinhou o director do INAM. Para Moisés Benesene, o pior ainda não chegou, uma vez que os meses mais chuvosos em Moçambique costumam ser Janeiro, Fevereiro e Março. No entanto, o nível dos caudais dos principais rios do país está quase idêntico ao das cheias de 2000 e 2001. "Falta muito pouco e os meses mais chuvosos vêm aí", avisou.
    Segundo Moisés Benesene, a "La Niña" é provocada pelo arrefecimento anormal das águas do oceano Pacífico, fenómeno que, "sendo já considerado global", afecta, por essa razão, outras regiões do mundo, levando à abundância da precipitação. Ao contrário, acrescentou, o "El Niño" é provocado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico, o que provoca, tal como aconteceu no passado na África Austral, situações de seca anormais e graves.
    Segundo Moisés Benesene, as chuvas têm começado a cair a montante, em plenas montanhas da África Austral ocidental, nomeadamente em Angola e na RDCongo, pelo que, quando a água chega às bacias hidrográficas, a jusante, sobretudo às que se situam em território moçambicano, os caudais dos rios são já muito fortes. O director do INAM lembrou, a título de exemplo, o caso do rio Zambeze, que nasce na Zâmbia, realçando que as zonas das bacias hidrográficas, pela sua tipologia e morfologia, são áreas facilmente inundáveis.
    Segundo a Rede de Rios Internacionais, organização não governamental que estuda a problemática envolvente das diferentes bacias hidrográficas em todo o mundo, o delta do Zambeze é, biologicamente, das zonas húmidas mais abundantes da África Austral, tendo, em 2003, na "Convenção de Ramsar", sido declarado "Zona Húmida de Importância Internacional". A Convenção sobre Zonas Húmidas de Importância Internacional, especialmente como habitat de aves aquáticas, conhecida como "Convenção de Ramsar", foi aprovada na cidade iraniana homónima a 02 de Fevereiro de 1971 e entrou em vigor em 1975. É um tratado internacional sobre a conservação e a utilização responsável das zonas húmidas e dos seus recursos, através de regulamentação nacional ou de projectos de cooperação internacional. Até Janeiro de 2006, a convenção foi ratificada por 150 países, com 1.578 áreas incluídas na Lista das Zonas Húmidas de Importância Internacional, totalizando 133,8 milhões de hectares.
    O rio Zambeze, como um dos rios mais importantes de toda a África - da sua nascente, na Zâmbia, até à foz, no Índico, existem 30 barragens -, congrega ecossistemas valiosos e uma grande fauna bravia, razão pela qual as populações se mantêm nas zonas ribeirinhas, de onde retiram o seu sustento. "Em caso de grandes cheias, como as que se perspectivam para este ano, nada há a fazer e nem a construção de novas barragens ajudaria. Apenas se podem minimizar os estragos, nomeadamente através da prevenção, dos avisos prévios e de programas concertados de evacuação das populações ribeirinhas", sublinhou o director do INAM.
    Questionado pela Lusa sobre se a frequência das cheias em Moçambique tem vindo a aumentar nas últimas décadas, Moisés Benesene afirmou não poder responder, uma vez que os estudos até agora efectuados ainda não são conclusivos. "Estamos ainda a tentar perceber se se trata apenas de um ciclo ou se este fenómeno se deve às alterações climáticas", observou, dando como ponto de referência as cheias de 2000, em todo o país, e as de 2001, que afectou todo o vale do Zambeze, as maiores de que há registo na antiga colónia portuguesa, que se tornou independente em 1975. "Anualmente, sempre houve cheias. Umas maiores outras menores. Mas as deste ano preocupam-nos. Pode ser o prenúncio das alterações climáticas como pode ser um ciclo, integrado na «La Niña»", concluiu.

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    Nota aos moderadores do meteoPT: Este artigo também pode ser interessante para ser colocado no Fórum de CLIMATOLOGIA.
     
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    ONG Oikos e Save The Children apelam a donativos

    As organizações não-governamentais Oikos e Save The Children iniciaram hoje campanhas de recolha de donativos para acudir às vítimas das cheias em Moçambique, acção já lançada também a nível internacional pela Cruz Vermelha moçambicana.
    A britânica Save The Children pretende angariar com a campanha hoje lançada um total de um milhão de libras (1,3 milhões de euros), destinados a operações de auxílio a crianças deslocadas devido a subida do nível das águas de alguns dos principais rios de Moçambique, enquanto que a portuguesa Oikos necessita de 350 mil euros para uma operação de quatro meses no país.
    No vale do Zambeze, centro de Moçambique, as cheias já obrigaram à deslocação de 53.982 pessoas, das quais 2.121 foram resgatadas hoje para centros de acomodação temporária, de acordo com o último balanço oficial. Os números totais deverão, no entanto, ser mais elevados já que ao longo do rio, sobretudo em localidades sitiadas como Mutarara, Mopeia, Chine e Inhangoma, permanecem populações por resgatar, como adiantou João Ribeiro, director-adjunto do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) de Moçambique.
    A Save The Children alerta hoje que "estão previstas para as próximas semanas fortes chuvas e prolongada subida do nível das águas, fazendo destas as piores cheias em Moçambique nos últimos anos". "Já estamos no terreno, respondendo a esta emergência, mas não há qualquer sinal de que as cheias estão a terminar. Na realidade, há todos os sinais de que vão piorar. Mais crianças serão forçadas a sair das suas casa e a procurar refúgio em campos de realojamento, onde vivem em condições de ajuntamento e insegurança, e com risco elevado de doenças", afirma Chris McIvor, director da ONG britânica em Moçambique.
    A Save The Children diz estar já a distribuir "kits" de emergência com cobertores, utensílios alimentares, sabão, purificadores de água, cordas e coberturas de plástico para construir abrigos. "Também estamos a trabalhar com as autoridades locais para assegurar que as crianças deslocadas pelas cheias estão em segurança. Onde possível, estamos a disponibilizar tendas escolares a tempo do começo do novo período escolar, dentro de duas semanas", afirma a organização. Os donativos podem ser feitos através do "site da ONG", de uma linha telefónica no Reino Unido e também nas lojas Save The Children, em dinheiro ou géneros.
    Quanto à portuguesa Oikos, estima em perto de 350 mil euros as suas necessidades para um período de quatro meses de acções em Moçambique. "Mais uma vez a Oikos está a mobilizar recursos e vontades no terreno. Com uma equipa de 17 elementos estamos a apoiar 4.000 famílias nas zonas afectadas através de construção de poços, distribuição de materiais agrícolas e medidas de redução de impacto de inundações", refere a ONG em comunicado hoje divulgado.
    Actualmente, a Oikos já beneficia em Moçambique perto de 12 mil famílias, cerca de 49 mil pessoas. A ONG esteve presente nas cheias do ano passado, que obrigaram à deslocação de perto de 163 mil pessoas e destruíram perto de 80 mil campos agrícolas. Para recolher os donativos, foi aberta uma conta na Caixa Geral de Depósitos.
    A Cruz Vermelha de Moçambique está a focalizar-se nos depósitos para residentes no estrangeiro, através de uma conta no Bank of New York, Estados Unidos. As agências humanitárias no terreno estimam que o total de deslocados ascenda já a 65 mil em todo o país, com 12 mil famílias a necessitar de abrigo, água, alimentação e produtos de primeira necessidade.
    Na segunda-feira, a UNICEF anunciou que vai intensificar os seus esforços no centro de Moçambique, devido ao aumento do afluxo de população a centros de realojamento. Uma segunda equipa de emergência da UNICEF foi enviada para Mutarara, uma das zonas mais atingidas no Vale do Zambeze. A primeira equipa encontra-se em Caia desde a semana passada.
    "O número de pessoas deslocadas está rapidamente a atingir um nível crítico. É crucial acção urgente para prevenir a eclosão de doenças, que são uma grande preocupação no início de uma crise, especialmente entre doenças", afirmou a representante da UNICEF em Moçambique, Leila Pakkala. Particular preocupação representa o paludismo, que está agora no período de pico anual, dado que as inundações criam condições particularmente favoráveis à reprodução dos mosquitos, principalmente do tipo transmissor da doença.

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    Águas no Zambeze superam níveis de 2007

    As cheias no rio Zambeze, centro de Moçambique, ultrapassaram hoje em alguns pontos da região os níveis atingidos nas inundações de 2007, dificultando as operações de resgate em curso e tornando intransitáveis vias de acesso. A confirmação foi hoje avançada em Caia (província de Sofala, centro) à Agência Lusa pelo director-adjunto do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC), João Ribeiro.
    Caia, onde é feita a ligação fluvial do trânsito rodoviário que atravessa a principal estrada do país, ligando o norte ao sul de Moçambique, foi precisamente um dos locais onde o nível das águas ultrapassou durante o dia o nível das cheias do ano passado. Ao ancoradouro de Caia, como constou a agência Lusa, já se chega com bastante dificuldade, tendo a água galgado a estrada nacional em dois pontos (num deles, a água chega ao nível da porta de um veículo todo-o-terreno e está a despedaçar o asfalto). No local, embarcações estão a colocar enormes blocos de metal para impedir que as águas impeçam por completo a circulação na estrada, interrompendo a ligação rodoviária entre o norte e o sul do país. Nas imediações do embarcadouro, o estaleiro que serve as obras de construção da ponte sobre o Zambeze, a cargo das empresas portuguesa Mota Engil e Soares da Costa, está também a enfrentar a subida das águas, que estão muito próximo do ponto mais alto do dique de terra que circunda o local.
    Como explicou o "número dois" do INGC, esta nova subida do nível das águas são um reflexo das descargas que têm sido feitas nos últimos dias pela barragem de Cahora Bassa, que durante alguns dias "despejou" na direcção do vale do Zambeze 6.600 metros cúbicos de água por segundo. A tendência é, no entanto, para uma estabilização - nalguns pontos mesmo para uma diminuição - do nível das águas do rio, já que a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) tem vindo a reduzir progressivamente as descargas de água, atingindo 5.500 metros cúbicos de água por segundo.
    Entretanto, adiantou João Ribeiro, o número de pessoas afectadas pelas cheias subiu para 59.275 (de 53.982 contabilizados na segunda-feira). Ao mesmo tempo, prosseguem as operações de resgate de populações sitiadas, sobretudo em ilhas fluviais, não se sabendo ao certo o número de pessoas que poderão estar ameaçadas, como adiantou o "número dois" do INGC.
    Em Matilde, uma das ilhas fluviais ameaçada de submersão "nos próximos dois dias", estão cerca de duas mil pessoas que têm que ser resgatadas. "As operações vão continuar. Ainda persiste a renitência das pessoas em abandonar os locais inundados, o que nos vai obrigar a reforçar os efectivos policiais e das forças armadas. Teremos nalguns locais que retirar as populações compulsivamente", disse.
    Para quarta-feira está prevista a chegada de dois helicópteros para transporte de alimentos que poderão, em caso de necessidade, servir para resgate de pessoas - na maioria dos locais afectados pelas cheias só se consegue chegar por via aérea. De Maputo e da Beira chegam também na quarta-feira quatro embarcações cedidas pelos fuzileiros da Marinha moçambicana, que deverão ser reforçadas por mais quatro, disponibilizadas por organizações não-governamentais presentes no terreno.

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    Bispo da Beira defende que país precisa da ajuda internacional

    O bispo da Beira, D. Jaime Gonçalves, duvida que Moçambique esteja preparado para dar assistência a todas as vítimas das cheias e acredita que o governo moçambicano vai ter de pedir ajuda internacional. "Apesar de o governo ter dito que ainda não vai pedir ajuda internacional, a comunidade internacional deve esperar porque será necessária ajuda", disse o bispo por telefone à Agência Lusa. "Temos falta de enfermeiros em Moçambique. O nosso sistema de saúde está a ser reestruturado. Como vamos conseguir médicos e enfermeiros se não formos assistidos pelos Médicos Sem Fronteiras e pelos Médicos do Mundo?", questionou D. Jaime Gonçalves.
    O bispo da Beira disse ainda à Lusa não acreditar que o país esteja preparado para prestar assistência às vítimas se, como prevêem os meteorologistas, a situação ainda piorar antes de melhorar. "Ainda não se prevêem todas as consequências. Mas há que prevenir doenças como a cólera, que pode eclodir facilmente, garantir água potável para toda a gente, distribuir alimentos, assegurar que as crianças tenham aulas, entre outros. É um trabalho grande e pormenorizado porque trata-se de manter a vida das pessoas. O país estar preparado para tudo, é que duvido um bocado", afirmou.
    Para já, a igreja moçambicana está a prestar ajuda local às vítimas das cheias, tendo permitido que as suas missões nas zonas das cheias fossem transformadas em centro de alojamento. "Todos os padres (da diocese da Beira) estão envolvidos no processo (de ajuda às vítimas), que exige também assistência na alimentação, distribuição de medicamentos e transporte. É todo um trabalho que a Igreja presta", indicou o bispo. D. Jaime Gonçalves destacou ainda que a igreja católica desenvolve também um "forte" trabalho após as cheias, nomeadamente na reconstrução das casas "em tijolo e cimento, em vez do tradicional pau-a-pique (onde se utiliza bambu e barro)".
    O bispo da Beira disse à Lusa que a sua diocese é uma das "maiores vítimas" das cheias porque está junto de quatro rios que transbordaram: o Save, o Búzi, o Cungo e o Zambeze.

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    ONU admite que inundações podem ser as piores dos últimos anos

    As cheias que estão a assolar Moçambique e já causaram cerca de 60 mil desalojados podem ser as piores dos últimos anos, afirmou hoje o porta-voz das Nações Unidas, Luís Zaqueu. O responsável disse ainda que, apesar de os serviços de emergência moçambicanos estarem bem preparados, o cenário pode alterar-se à medida que as águas engolem terras agrícolas e destoem infra-estruturas como estradas e pontes no centro de Moçambique. "Como as chuvas começaram mais cedo do que o previsto e o nível da água está muito alto - e aumenta a cada momento - é provável que a situação seja pior do que em 2000-2001", disse Luís Zaqueu, citado pela Reuters. As cheias de 2000-2001 foram as piores de que há memória em Moçambique, tendo causado a morte a 700 pessoas e danos na ordem dos 500 milhões de dólares (341,3 milhões de euros).
    Entretanto, a Organização Não-Governamental (ONG) Save the Children disse hoje à Agência Lusa que lançou um apelo de emergência para ajudar as milhares de crianças e famílias desalojadas pelas cheias em Moçambique. "As cheias obrigaram 65 mil pessoas - cerca de metade das quais são crianças - a deixarem tudo para trás e a procurar refúgio em campos de emergência. São esperadas mais chuvas e a situação deve piorar", afirmou a ONG. "Estamos a providenciar abrigos, água potável e comida. Estamos também a trabalhar com as autoridades locais para garantir que as crianças desalojadas pelas cheias estejam salvas", acrescentou.
    Por seu lado, a ONG ActionAid avisou hoje que as cerca de 250 mil pessoas que foram atingidas pelas cheias em Fevereiro de 2007, em Moçambique, podem perder tudo outra vez. "Há 250 mil pessoas a viver a jusante (em relação à barragem Cahora Bassa). Este é o segundo ano em que vão perder tudo", disse o director da ActionAid, Alberto Silva. O responsável disse ainda que trabalhou com o governo moçambicano para resgatar 5 400 pessoas que estavam isoladas pelas águas do rio Zambezi.
    Pelo menos 60 mil pessoas foram resgatadas, a maioria por helicóptero de árvores e telhados, mas estima-se que cerca de sete mil estejam em zonas muito perigosas e precisam de ser retiradas. O Programa Alimentar Mundial das Nações Unidas disse que a distribuição de alimentos nas áreas afectadas precisa de ser reforçado.
    Além de Moçambique, outros países da África Austral como a Zâmbia, Zimbabué e Malaui também estão a ser atingidos pelas cheias, que já mataram várias pessoas e deixaram milhares de desalojados.

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    Se não vierem a ser as piores de sempre já eles tem muita sorte :(:(
     
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    Número de deslocados sobe para 61.149; primeira morte registada no Zambeze

    As cheias no rio Zambeze, centro de Moçambique, fizeram até ao momento 61.149 deslocados e uma vítima mortal, a primeira registada oficialmente nesta bacia hidrográfica desde que tiveram início as inundações no país. Em conferência de imprensa em Caia, onde está instalado o "quartel-general" da resposta das autoridades moçambicanas às cheias, o director-adjunto do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC), João Ribeiro, adiantou ainda que foram resgatadas nas últimas 24 horas 1.874 pessoas (no vale do Zambeze vivem 286 mil pessoas).
    As populações, provenientes de locais sitiados ao longo do rio, principalmente ilhas fluviais, foram reencaminhadas para centros de "reassentamento", designação atribuída pelas autoridades aos locais onde os deslocados são temporariamente alojados. Hoje foi registado o "primeiro óbito no vale do Zambeze" atribuído às cheias que assolam a região, o quinto na soma nacional. Outras quatro pessoas morreram por arrastamento pela corrente na bacia do rio Púnguè, noutra região do país, totalizando cinco mortes devido às inundações que afectam o país. As três mortes divulgadas terça-feira pelo INGC no Púnguè por ataque de crocodilos não entram nas estatísticas oficiais de vítimas de cheias. "Houve informação de que foi avistado um corpo a ser arrastado pelas correntes, que não foi possível ainda resgatar. De acordo com as nossas informações, trata-se de um homem que estava numa canoa", disse João Ribeiro.
    O nível do rio Zambeze mantém-se, por seu turno, irregular, com subidas registadas nas últimas horas em alguns pontos (casos de Caia e Marromeu) e descidas noutros. A tendência é, no entanto, para uma descida progressiva ao longo dos próximos dias, já que as descargas efectuadas pela barragem de Cahora Bassa (a principal razão das cheias registadas no vale do Zambeze) mantiveram a descida verificada na terça-feira (5.500 metros cúbicos por segundo). Chuvas intensas no Malaui podem, no entanto, aumentar o caudal do rio Chire (um dos principais afluentes do Zambeze), e inverter esta tendência, de acordo com o "número dois" do INGC.
    No vale do Zambeze continuam por resgatar um número ainda indeterminado de pessoas (as estimativas iniciais apontavam para 55 mil), numa altura em que foi atrasada a chegada dos dois helicópteros pesados que deveriam ter iniciado hoje, em Caia, operações de transporte aéreo (podem ser usados em busca e salvamento, mas apenas acessoriamente, adiantou João Ribeiro). O primeiro dos aparelhos deverá chegar a Caia na quinta-feira. O segundo chegará "brevemente", informou o director-adjunto do INGC.
    O "número dois" do INGC acrescentou ainda que, apesar de as autoridades moçambicanas terem chamado a si a coordenação das operações no terreno, as organizações não-governamentais têm "um espaço" para se envolverem neste processo.

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    A fuga lenta rumo ao porto de abrigo de Mutarara, no coração das cheias

    O minúsculo porto de abrigo natural de Mutarara, no coração das cheias provocadas pela subida do rio Zambeze, centro de Moçambique, assemelha-se hoje a um terminal fluvial de uma qualquer grande cidade. Aqui chegavam durante a manhã de hoje, a espaços de poucos minutos, dezenas de canoas de madeira, estreitas e compridas, carregando pessoas, bicicletas, animais e enormes sacos de ráfia com tudo o que foi possível resgatar pelos habitantes de ilhas já submersas pelas águas do rio Zambeze.
    Nas encostas que ladeiam este porto natural, há militares de armas automáticas em punho, atentos a todos os movimentos para evitar pilhagens. No rio, há barcos a motor em operações de resgate que passam semi-vazios. Há também crocodilos e hipopótamos que as cheias trazem do leito para as margens. Longe, do lado oposto do rio, está um batelão que, noite alta, há-de atracar trazendo as pessoas a quem não restou alternativa senão deixar o seu resgate nas mãos das autoridades (só na terça-feira foram resgatadas 2.112 pessoas ao longo do vale do Zambeze).
    Mutarara é uma cidade sitiada, a cerca de 80 quilómetros de Caia (por onde passa a estrada nacional, que liga o norte ao sul do país), de onde só se entra ou sai por via aérea ou arriscando uma travessia incerta pelo Zambeze. As canoas de tronco de árvore escavado, muitas já remendadas, são navegadas a custo por entre densa vegetação ainda não totalmente submersa, como um pântano gigante, para a reentrância do rio, sempre contra a corrente, à força de braços e de enormes varas que usam como propulsão o fundo do rio. É esta a forma que tem sido escolhida nos últimos dias por muitos milhares de pessoas para fugir pelos seus próprios meios da subida das águas do Zambeze em direcção a terra firme.
    Numa das frágeis embarcações, que quase não se acredita poderem vencer a força a que corre o rio, viaja Lúcia Domingos, 24 anos, que traz pela mão um filho que segura uma galinha amarrada pelas patas e, às costas, tem outro filho de colo enrolado numa capulana (pano tradicional moçambicano). Neste baixio natural localizado na cidade sitiada de Mutarara (os caminhos que conduzem ao Maláui, Sofala e Tete estão todos submersos), Lúcia Domingos tem de enfrentar o recomeço de uma vida agora que "a água já entrou dentro de casa" na ilha de Chirembué. Como todos aqui, sobe ao atrelado vermelho de um tractor agrícola, onde cabem pessoas, animais e muitos sacos, para se dirigir ao centro de reassentamento (local para onde os desalojados estão a ser encaminhadas) de Baué, onde estão já cerca de 3.500 pessoas. Mais do que assustado, tem o semblante fechado e circunspecto. Resignado. O mesmo que a criança que tem ao colo. Fala apenas o estritamente necessário, em dialecto local.
    Até Baué, um lugar remoto e incógnito encravado no imenso vale do Zambeze, são 30 minutos de viagem aos solavancos por um caminho acidentado e poeirento, sob um sol abrasador (em grande parte desta região de Moçambique não chove há vários dias. A cheias são motivadas sobretudo pelas descargas contínuas que têm sido efectuadas desde o final do ano passado, pela barragem de Cahora Bassa). Ao chegar a Baué, a odisseia de Lúcia Domingos dilui-se num mar de tantos dramas pessoais quantas as pessoas que se reúnem à sombra do embondeiro gigante onde quase tudo o que é importante acontece, que se tornou no centro nevrálgico desta "quase" localidade.
    Debaixo da árvore maciça cabe tudo: crianças que correm ou se juntam em bando, homens sentados no chão a comer batata-doce, mulheres que moem grãos de milho num pilão ou ateiam pequenas fogueiras para cozer feijão. Lucas Oliveira, 42 anos, está debaixo do embondeiro. Segura a bicicleta enferrujada e gasta que o trouxe das margens do rio até Baué. Deixou a família em Inhangoma, com a água a tocar-lhes os pés e veio até aqui de canoa em missão de reconhecimento: quer conhecer primeiro o local onde deverá passar a viver daqui em diante. "A minha casa não está inundada, mas toda a machamba em volta de casa está tudo inundado. A minha família continua na área de Inhangoma. Uma mulher, quatro filhos, mãe e irmãos", exclama.
    Tal como para Lúcia Domingos e para todos os que se abrigam à sombra do majestoso embondeiro, a viagem numa canoa carregada em direcção a terra prepara-se para ser, muito mais que uma mera travessia, o virar de uma página de vida, longe de uma tragédia líquida a que não querem voltar.

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    Sombreiro, cidade de "lego" com vidas inundadas dentro

    Sombreiro, um lugar desconhecido de muito poucos, cerca de quatro quilómetros floresta adentro a partir de Caia, junto ao rio Zambeze, no centro de Moçambique, está por estes dias transformado num imenso estaleiro. Numa clareira imensa, aberta a golpes de catana na densa floresta do vale do Zambeze, constrói-se por todo o lado. Mas, ao contrário de um estaleiro tradicional, aqui os alicerces e as estruturas das casas são feitos de ramos de árvore espetados na terra e os telhados são de capim seco ou caniço. É esta, por estes dias, a rotina das quase 3.500 pessoas que encontraram na colina de Sombreiro, um sítio seguro para refazerem as suas vidas, subitamente alteradas pelas cheias que este ano, tal como em 2007, assolam o vale do Zambeze.
    Ninguém melhor do que António Almeida, 22 anos, secretário do régulo (autoridade tradicional moçambicana) define o que é o centro de reassentamento de Sombreiro, igual a outros 75 que as autoridades moçambicanas definiram ao longo do vale do Zambeze para oferecer às populações afectadas pelas cheias a possibilidade de refazerem as suas idas. "Centro de reassentamento é um lugar seguro, fixo, para as pessoas que vivem nas zonas baixas quando houver cheias saírem de lá para as zonas seguras", diz, lapidar, António Almeida, com o ar grave e circunspecto de um juiz que acaba de proferir uma sentença.
    Nas mãos, este rapaz tem um pequeno caderno escolar esverdeado onde toma notas vagarosamente com um pequeno lápis sobre tudo o que vê - no meio do mato, não se há-de esquecer de assentar, com uma caligrafia cuidada, o nome dos que lhe fazem perguntas sobre o local. A escassos metros, sentado debaixo de um alpendre feito de palha assente em quatro ramos toscos de árvore, está Mariano Raposo Sombreiro, um homem desdentado de 57 anos, que é uma espécie de soberano para as pessoas que ali vivem e a quem cabe indicar aos recém-chegados os locais onde podem construir as casas. "Aqui zona do regulado de Sombreiro", afirma, enquanto abarca com um gesto de mão o aglomerado de casas precárias e estruturas inacabadas de galhos diante de si.
    É a este homem de pêra e boné que incumbe coordenar a edificação desta nova cidade primordial, arrancada à floresta e que da floresta recolhe os materiais de que são feitas as casas pequenas e frágeis de que há-de ser composta. Quando chegam, fugidos da subida das águas em Mpfumocongo, Taue, Chuissi e Dangua Pequeno, os deslocados são registados e é-lhes cedido um "talhão", o pedaço de terreno em que poderão construir as suas casas. Muitos, como Domingos Mafambisse, 75 anos, realizaram a operação da maneira mais simples: desmontaram a casa de tectos de palha e estrutura de ramos de madeira em que viviam na zona baixa, juntaram-na em fardos e transportaram-na para Sombreiro. Os fardos, amarrados em capim seco, repousam ainda um pouco por todo o lado em redor da casa que já ganha forma e em que há-de viver com a mulher e dois sobrinhos.
    "A minha casa é sobra de cheia. Desmanchei a minha casa", diz Domingos Mafambisse, de compleição seca e atlética, enquanto desata os fardos sob o sol abrasador que aquece o vale do Zambeze e ao som de um pequeno rádio a pilhas que está no chão de terra. Nestes dias de reconstrução de uma vida, o idoso só queria ter "um plástico": "Quando chover, lá para 20 de Janeiro há-de apanhar grande chuva aqui. É preciso uma organização vir apoiar com plásticos", reclama.
    Mais adiante está Dinicholi Bacari, 45 anos, que chegou há dois dias a Sobreiro e se dedica a reconstruir, como um lego, a casa de "caniço e palmito" que tinha junto do rio Zambeze - com uma catana rudimentar, a mulher corta capim de mais de um metro de altura para preparar o terreiro. A condição imposta aos que se estabelecem no centro de reassentamento de Sombreiro, como em todos os outros, é que não voltem a residir nas zonas propensas a cheias no vale do Zambeze, como explica o "monarca" local.
    "Como o governo deu prioridade para fazer a casa aí, você não pode voltar outra vez na ilha ou na zona baixa, deve ficar aqui na zona alta. Sentar aqui. Só ir na zona baixa para fazer machamba (plantação). Pode ficar aí de manhã, almoçar aí, jantar e vir para cá", refere. Com o ar cerebral com que sempre expõe as suas sentenças, o secretário do régulo há-de apontar a tensão que só se percebe ao segundo olhar: "as pessoas preferem ir lá para cultivar porque essa terra é argilosa, não sai nada sobre a produção. É na zona baixa onde sai toda a produção. Aqui não se cultiva nada mesmo". O régulo concorda: "lá tem produção. Milho, mapira, machuere, mandui, feijão nhemba. Sai tudo muito bem. É por isso que toda a população gosta de ficar na zona baixa, porque dá alimentação".
    E do centro de reassentamento às zonas de cultivo são vários quilómetros, que as populações têm de vencer a pé pelo meio do mato. Este não é a única nuvem negra sobre esta pequena cidade emergente, com todos os desafios de uma cidade emergente. "Há problemas de alimentação, falta de alimento. Começa a provocar problemas", começa por apontar o régulo. Dez passos depois, outro: "É o problema desta margem. A água sai salgada. Esta água está a servir para lavar e para cozinhar", diz, apontando para um aglomerado de mulheres que operam uma bomba manual de água.
    Para esta "equação" entra também o "grande problema" da falta de escola, de médicos, de saneamento básico e o convívio nem sempre pacífico com as cobras, os crocodilos e os hipopótamos que circundam o local. Mas com estes todos aqui estão mais habituados a lidar. Em Sombreiro existe apenas uma enorme tenda da Cruz Vermelha onde trabalham voluntários coordenados por Emília José, 56 anos. "Aqui a maioria dos problemas que temos são malárias, diarreias, conjuntivites. Como muitas pessoas estão a sair das zonas baixas montámos uma tenda para apoiar essas populações em situações de saúde", diz esta mulher maciça, de pano tradicional enrolado à cintura.
    Um pouco por todo o centro de reassentamento começam a ver-se pilhas de tijolos rudimentares cozidos em fogueiras de lenha pelos habitantes mais antigos de Sombreiro.
    Para já, apenas o régulo teve direito a uma "casa melhorada" - "A primeira deve ser a do régulo, não é", diz Sombreiro -, mas no futuro, próximo ou longínquo, será este o tecto de todos aqui. Não longe, Domingos Mafambisse ergue vagarosamente a sua casa de ramos e palha. O pequeno rádio a pilhas que tem no chão debita o sim esganiçado de uma música cantada em português brasileiro em cujo refrão muitos aqui se poderiam rever: "Quanta gente anda perdida procurando uma saída/Um remédio pra curar sua aflição/ E pelo caminho errado com o coração quebrado/ Não conseguem encontrar a solução".

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    Nível das águas do rio Zambeze diminui pelo terceiro dia consecutivo

    O nível das águas do rio Zambeze voltou hoje a descer pelo terceiro dia consecutivo em consequência de mais uma redução nas descargas efectuadas pela barragem de Cahora Bassa, contribuindo para atenuar progressivamente a situação de cheias na região. De acordo com o director do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) moçambicano, João Ribeiro, nas últimas 24 horas, a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) reduziu para 4.600 metros de cúbicos o volume das descargas de água da sua albufeira em direcção ao vale do Zambeze (há três dias o nível de descargas era de 5.500 metros cúbicos por segundo). Nas cheias do ano passado as descargas superaram os 8.000 metros cúbicos por segundo.
    A diminuição do caudal do rio permitiu, de resto, reabrir algumas estradas na região que estavam intransitáveis. Ao longo das próximas semanas, as autoridades moçambicanas vão, no entanto, continuar atentas às flutuações do nível das águas, já que existem previsões de chuvas nos países vizinhos, nomeadamente na Zâmbia e Malaui.
    Entretanto, subiu para 66.825 o número de pessoas deslocadas em consequência das cheias (as cheias de há um ano no vale do Zambeze obrigaram à retirada de quase 108 mil pessoas). Até ao momento, foi registada apenas uma vítima mortal no vale do Zambeze. Noutras regiões do país morreram outras quatro pessoas, por arrastamento pela corrente na bacia do rio Púnguè.
    Nas últimas horas foram resgatadas e conduzidas para centros de reassentamento (locais onde os deslocados estão a ser concentrados) no vale do Zambeze 4.858 pessoas. Cerca de 95 por cento das pessoas em risco foram já conduzidas a centros de reassentamento, informou ainda João Ribeiro. Concluído o processo de resgate, as atenções das autoridades moçambicanas vão voltar-se agora para os locais onde os deslocados estão concentrados, estando prevista a chegada no sábado de um grupo de 35 militares com o objectivo de apoiar as populações em tarefas como a construção de casas.
    Nos próximos dias vai também ser intensificada a distribuição de víveres às populações reunidas nos centros de reassentamento, estando já disponíveis 420 toneladas de alimentos reunidas pelo Programa Alimentar Mundial (PAM). Para as próximas semanas está também prevista a chegada de escolas-tenda (o ano escolar em Moçambique começa no início de Fevereiro) "kits domésticos".
    "A nossa preocupação agora são os centros de reassentamento. Gerir um centro é como gerir uma cidade. Estamos a fazer o registo das pessoas que chegaram aos centros de reassentamento e a motivá-las a fixarem-se no sentido de não voltarem às zonas de risco", referiu João Ribeiro, afirmando a intenção das autoridades moçambicanas de fazer deste locais "pólos de reconstrução e desenvolvimento".

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    Reportagens em vídeo sobre as cheias em Moçambique (ordem cronológica):

    [SAPO]81zuKwn9UP9lPKFrYUOj[/SAPO]​
    20 de Janeiro de 2008

    [SAPO]H2m6ZapBVLzZZOl6lSKD[/SAPO]​
    18 de Janeiro de 2008

    [SAPO]dnJzzkWzcubc0vNDeaQc[/SAPO]​
    17 de Janeiro de 2008

    [SAPO]kqbsonMvTh0PMNy0Vvcv[/SAPO]​
    16 de Janeiro de 2008
     
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    Número de deslocados pelas cheias sobe para 77.150

    [SAPO]qKqwpzLC4fvpdjs0Puli[/SAPO]​

    O número de pessoas deslocadas pelas cheias no vale do Zambeze, centro de Moçambique, elevou-se para 77.150, enquanto as descargas efectuadas pela barragem de Cahora Bassa estabilizaram. De acordo com o porta-voz do Centro Nacional Operativo de Emergência (CENOE), Belarmino Chivambo, não se registou nas últimas 24 horas nenhum óbito relacionado com as cheias, mantendo-se em quatro o número de pessoas mortas em consequência das inundações, arrastadas pelas correntes, mais três óbitos devido a ataques de crocodilos, que proliferam na área devido à subida das águas.
    A barragem de Cahora Bassa, uma das principais fontes de inundações no vale do Zambeze, continua a registar pequenas oscilações nas suas descargas, mas com uma tendência para a estabilização. Nas últimas 24 horas o volume das descargas de água da sua albufeira em direcção ao vale do Zambeze era de 4.800 metros cúbicos por segundo quando há dois dias era de 4.600 metros cúbicos por segundo (depois de ter atingido um pico de 5.500 metros cúbicos por segundo na actual estação chuvosa). Nas cheias do ano passado, as descargas superaram os 8.000 metros cúbicos por segundo.
    O porta-voz do CENOE apontou o rio Púngué como um dos principais focos de preocupação das autoridades, já as chuvas que têm caído a montante, no Zimbabué, poderão reflectir-se nos próximos dias no caudal do rio em Moçambique.
    O governo estimou, entretanto, em 24 milhões de euros o montante necessário para fazer face às inundações no centro de Moçambique. Ainda assim, o executivo moçambicano continua a pôr de lado a hipótese de lançar um apelo internacional, confiando nos recursos internos e noutros prometidos pelos parceiros de cooperação.
    As autoridades moçambicanas prevêem para Fevereiro a ocorrência de ciclones que, a juntarem-se às cheias, poderão contribuir para mais de um milhão o número de desalojados por calamidades naturais em 2008 e provocar necessidades financeiras acima dos 300 milhões de euros.

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    Deslocados no Zambeze ultrapassam 91 mil, chuvas fortes nos países vizinhos

    As cheias que desde o início do ano assolam o vale do Zambeze, centro de Moçambique, já levaram à deslocação de 91.955 pessoas, de acordo com o último balanço feito pelo Instituto Nacional de Gestão de Calamidades moçambicano. Paralelamente, nas últimas 24 horas as descargas efectuadas pela barragem de Cahora Bassa diminuíram para 3.700 metros cúbicos por segundo (já estiveram a mais de seis mil no pico das cheias).
    Segundo João Ribeiro, director adjunto do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC), nas últimas 24 horas foram resgatadas das áreas cercadas por água no vale do Zambeze 2.976 pessoas. Ribeiro indicou que as preocupações estão novamente centradas nas quatro bacias hidrográficas do centro de Moçambique, pois deverão registar novas enchentes, na sequência de chuvas fortes que têm caído nas últimas horas no Zimbabué, Zâmbia e Malawi depois de alguns dias de redução dos caudais. "As previsões apontam para chuvas muitos fortes nos países vizinhos até ao próximo dia 27, o que faz recear novas enchentes nas bacias do centro do país", sublinhou o director-adjunto do INGC.
    Depois de ter registado uma situação calma nesta época chuvosa, "o sul de Moçambique conhece agora um quadro crítico, apesar de não preocupante, devido a sinais de cheias no principal rio desta região, o Limpopo", afirmou João Ribeiro. A evolução da situação no sul dependerá do comportamento das bacias hidrográficas na África do Sul, onde nascem os rios que desaguam no sul de Moçambique, assinalou João Ribeiro.
    Para enfrentar a crise humanitária originada pelas inundações, o Governo está a pedir apoios no valor de 24 milhões de euros, a serem usados em acções de busca, resgate, realojamento e assistência social às vítimas das calamidades naturais no vale do Zambeze. A verba é parte dos cerca de 30 milhões de euros previstos para esta emergência, dos quais estão apenas disponíveis 5,5 milhões de euros, segundo indicou esta semana o ministro moçambicano da Administração Estatal, Lucas Chomera.
    Do valor já pronto para ser utilizado, dois milhões de euros foram garantidos pelo governo moçambicano e pouco mais de três milhões de euros pela comunidade internacional, acrescentou Lucas Chomera.

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    Ciclone "Fame" muda de rumo e desloca-se na direcção da ilha de Madagáscar

    O número de deslocados devido às cheias no centro de Moçambique aumentou, fixando-se agora em 94.225, numa altura em que os caudais dos rios voltaram a subir, indica o último balanço oficial. O porta-voz do Centro Nacional Operativo de Emergência (CENOE), Belarmino Chivambo, afirmou que cerca de duas mil famílias chegaram nas últimas 48 horas, pelos seus próprios meios ou resgatadas pelas equipas de salvamento, aos 41 centros de "reassentamento" no Vale do Zambeze.
    A subida nos últimos dois dias do nível dos caudais de três dos quatro principais rios do vale do Zambeze constitui motivo de grande preocupação para o CENOE, pois poderá aumentar o perímetro das áreas inundadas e o número de pessoas afectadas, disse Chivambo. "Houve nas últimas 48 horas precipitações intensas e o incremento nos caudais dos principais rios do Zambeze, isso terá um impacto nas áreas inundadas", sublinhou o porta-voz do CENOE.
    As descargas da Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), uma das fontes das inundações no centro de Moçambique, mantém-se em 3.700 metros cúbicos por segundo (já estiveram a mais de seis mil no pico das cheias), afirmou o porta-voz do CENOE. As autoridades estão preocupadas com o regresso de algumas famílias às zonas de onde foram evacuadas, apostando agora na colocação de elementos das forças armadas e da polícia nas áreas de risco, como forma de desencorajar a presença de pessoas e a protecção de bens deixados pelos deslocados, assinalou Belarmino Chivambo.
    A médio e longo prazo, o Governo moçambicano projecta a construção de diques ao longo do vale do Zambeze, para permitir que a população continue com a actividade agrícola, sem correr o risco de perda de culturas, por causa das cheias. Nos centros de "reassentamento", montados no vale do Zambeze e noutras regiões do país, o Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) de Moçambique tem procurado organizar a distribuição em curso de alimentos, face à necessidade de evitar uma ruptura de stocks.
    Numa reunião realizada no fim-de-semana entre a direcção do INGC e parceiros de cooperação ficou ainda decidido que os alimentos começarão a ser distribuídos segundo o critério "comida pelo trabalho" - a atribuição de alimentos mediante prova de trabalho efectivo na beneficiação dos centros de "reassentamento", nomeadamente na construção de casa própria. As atenções das autoridades moçambicanas viram-se também para o sul do país, onde as descargas efectuadas em represas na África do Sul têm provocado o aumento do nível de água armazenado na barragem de Massingir.
    Durante o fim-de-semana as autoridades estiveram também alerta face à formação, ao largo da costa norte do país, de um ciclone - o "Fame" - , que acabou por mudar de rumo na direcção da ilha de Madagáscar.

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    As últimas imagens de satélite confirmam a ocorrência, desde o meio-dia de hoje, de fortes precipitações ao longo do litoral do norte do país, associadas a uma linha de instabilidade do Ciclone Fame.
     
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