Climas segundo Koppen

Tópico em 'Climatologia' iniciado por belem 12 Out 2007 às 00:26.

  1. Daniel Vilão

    Daniel Vilão
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    Super Célula

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    Pois, o Geofísico anda à volta dos 725/726 mm anuais nas normais de 1971-2000. ;)
     
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  2. belem

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    Cumulonimbus

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    Exacto.
    O macroclima é mediterrânico . Existem contudo 3 subdivisões em 3 macroregiões: mediterrânico com influência marítima, no norte litoral a norte do Rio Douro ( embora tb surja de forma degradada a Norte do conjunto Montejunto-Estrela), mediterrânico com influência continental nos planaltos transmontanos e mediterrânico puro no Centro, Sul e Vales do Douro.
    Os microclimas é que se diversificam. Existem zonas quentíssimas em alguns vales do interior com níveis de precipitações semidesérticos, assim como zonas montanhosas no Minho, praticamente sem meses secos.
    Mas para descrever esses microclimas e tantos outros era preciso literalmente anos de estudo e trabalho de campo intensivo.
    Isto para Portugal continental só, claro.
     
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  3. stormy

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    sim claro refiro-me á precipitação, RH, horas e intensidade solar, especies e amplitude termica.
    topem esta minha classificação como apenas uma opiniao baseada na vontade de diferenciar o clima do litoral sul de lis com o interior centro e sul
     
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  4. belem

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    Cumulonimbus

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    Claro que existem diferenças.
    Mas acho que aí já vais para o âmbito dos microclimas.
    Eu concordo também muito, com a divisão criada por Koppen: mediterrânico de tipo Csa ou Csb.

    Parece-me é que Koppen colocou o Grupo Ocidental dos Açores no clima subtropical húmido ( será o mesmo tom ( não tenho a certeza absoluta mas é o mais escuro por isso é o que me parece)).
    Curiosamente vai de encontro, ao que tinha dito no tópico sobre o clima subtropical.
    São ilhas sem meses secos, sem nenhum frio, estáveis climaticamente e com um mar quente.
    Mas também tem defeitos: nos EUA, muitas zonas onde esse clima é atribuído tem invernos mais frios que Lisboa. Algumas zonas até têm invernos com médias quase negativas, sendo a neve um fenómeno relativamente comum ( isto a meu ver já de tipo temperado continental).
    A Madeira, tem zonas tb subtropicais , até mais quentes que qualquer outro local da Europa ( com a excepção das Canárias) e no caso dos Açores, a Corrente do Golfo aquece certas zonas da ZEE , que a não haver nenhuma catástrofe, poderão até ser de tipo tropical.
    Se os dados não se alterarem muito até Março e não descerem dos 20ºc, assim o é. E será a zona mais quente da Europa e a única tropical!
    Para já está neste momento ainda está entre 24-25ºc.
     
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  5. stormy

    stormy
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    as ilhas desertas são tao quentes como as canarias penso que teem um clima desertico quente com pouquissima amplitude termica
     
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  6. belem

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    Cumulonimbus

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    As Desertas não sei, mas as Ilhas Selvagens sim.
    Embora acredite que Las Palmas seja um pouco mais quente, porque está abrigada por uma montanha, mais a sul/leste e perto do Sul de Marrocos ( já no Sahara).
    É o local mais quente das Canárias que conheço, terá cerca de 21-22 graus de média anual.
     
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  7. frederico

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    Eu não diria o litoral a norte do Rio Douro mas sim o litoral a norte de Aveiro. Penso que é mais correcto, já que até coincide com o limite da distribuição do Quercus robur a cotas litorais, e tendo também em conta os valores de precipitação e de temperatura médios da Beira Litoral Norte.
     
  8. Fabio_R_21

    Fabio_R_21
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    Cirrus

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    Nesta classificaçao um dos factores importantes era a vegetação, tendo em conta temperaturas e precipitaçao.

    lembro-me de decorar isto tudo o ano passado :lol:
     
  9. belem

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    Cumulonimbus

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    Eu não sei se o Quercus robur é utilizado como espécie chave para definir essa diferenciação microclimática, mas por exemplo, diz-se que a zona Eurossiberiana só começa no Minho, devido à predominância de flora nativa da Europa Atlântica sobre a da Europa Mediterrânica, que não é visível em todo o resto de Portugal continental.
    Contudo, acredito que mesmo antes dessa diferenciação existir, possa ser considerada a zona de Aveiro como área meridional limite em Portugal onde a distribuição do carvalho-alvarinho atinge espontâneamente a cota litoral e onde possivelmente a influência marítima torna o clima mediterrânico local semelhante a outras áreas do Norte Litoral e diferente do resto do país.
    Apenas para completar, como disse anteriormente, a influência marítima surge também no clima mediterrânico que fica a norte do conjunto montanhoso Montejunto-Estrela ( junto ao litoral), mas de forma degradada.
     
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  10. belem

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    Cumulonimbus

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    Mais quente que as Canárias, só estou a ver certas zonas das águas territoriais portuguesas situadas nos Açores, em que as temperaturas marítimas e consequentemente as atmosféricas, ultrapassam qualquer outro local da Europa.
     
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  11. frederico

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    Digo litoral a norte de Aveiro porque é o que me recordo de ler num livro do Orlando Ribeiro. E sim, o carvalho-alvarinho não é a única espécie chave, mas lembro-me de ler algures que a norte de Aveiro a percentagem de espécies de flora mediterrânica é muito reduzida. E para além disso, há outros factores a ter em conta, como o tipo de agricultura, a distribuição da propriedade, factores sociais e culturais, etc. Importa salientar que quando os geógrafos dizem Minho estão por vezes a considerar o Douro Litoral e a Beira Litoral Norte como um prolongamento natural da região do Minho, por isso penso ser mais correcto considerarmos o termo Noroeste Português, que será uma área com os seguintes limites:

    Norte: Rio Minho;

    Sul: vale do Vouga;

    Ocidente: Oceano Atlântico;

    Oriente: conjunto de serras que compreende as serras do Gerês, Peneda, Alvão, Marão, Montemuro, Freita e Caramulo (entre outras), que constituem a chamada «barreira de condensação», e que ultrapassam frequentemente os 1000 metros de altitude.

    Toda esta região, de acordo com Orlando Ribeiro, é no seu todo mais atlântica que mediterrânica; as precipitações são muito elevadas durante a maior parte do ano, os verões são moderados, a paisagem está sempre verde, os cursos de água mantêm o seu caudal todo o ano e predominam as espécies atlânticas. Contudo, nos meses de Julho e de Agosto as precipitações são inferiores a 30 mm, com excepção das serranias, onde não existem meses secos, e por esse motivo o clima do Noroeste português não pode ser considerado temperado oceânico. Alguns autores consideraram em tempos a designação de «clima lusitânico» para o clima do Noroeste português e da Galiza, e que se caracterizaria por precipitações elevadas durante a maior parte do ano e pela existência de um curto período mais seco de um a dois meses, e amplitudes térmicas anuais reduzidas.



    A sul de Aveiro consideraria a existência de uma região de transição gradual, com os seguintes limites:


    Norte: vale do Vouga;
    Sul: serra de Sintra;
    Oriente: cordilheira central e maciço calcáreo da Estremadura (serras de Montejunto, Aire, Candeeiros, Sicó).


    Dentro desta região, poderemos considerar ainda algumas sub-regiões. Uma bem evidente estará localizada entre o vale do Vouga e o vale do Mondego, onde ainda surgem algumas características do Noroeste. A sul do vale do Mondego, ocorre uma transição gradual. Toda esta região apresenta uma mistura de características mediterrânicas e atlânticas, e à medida que caminhamos para sul as características mediterrâncias vão-se acentuando. Se Coimbra tem uma precipitação média anual próxima de 1000 mm e apenas dois meses secos, já Lisboa tem uma precipitação média ligeiramente superior a 700 mm e quatro meses secos. Se o carvalho-alvarinho ainda marca presença na Cordilheira Central, mais a sul, na Serra de Aire, dominaria no passado o carvalho-cerquinho. A sul do cabo Mondego já surgiria espontanemente o pinheiro-manso, nas terras do litoral, ao passo que a norte deste cabo o litoral estaria ocupado pelo pinheiro-bravo.

    Tanto a Cordilheira Central, como as serras de Sicó, Aire, Candeeiros, Montejunto e Sintra constituem uma barreira de condensação para as massas húmidas do Atlântico, mas dado a sua latitude mais meridonal, aqui a passagem de superfícies frontais será menos frequente que no Noroeste português.


    É interessante que um observador atento poderá observar frequentemente se se colocar a sul do sistema montanhoso Sintra-Montejunto-Estrela a presença de nuvens a norte deste sistema, enquanto goza de um céu limpo e de uma temperatura agradável, e se depois viajar para norte do mesmo sistema montanhoso poderá observar a presença de um céu nublado, precipitação e temperaturas inferiores. Como viajo frequentemente entre o norte e o sul, já constatei várias vezes o fenómeno.


    Bem de momento não tenho tempo, mas quando tiver logo coloco as fontes bibliográficas nas quais me baseei para fazer este pequeno texto.:thumbsup:
     
  12. belem

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    Cumulonimbus

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    Concordo com tudo o que disseste e a minha opinião pouco ou nada difere da tua.
    Obrigado por completares o que disse com mais dados.;)
     
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  13. stormy

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    :thumbsup::) mas continuo a achar que o litoral a sul de lisboa tem caracteristicas muito propias e que se pode ou deve destacar do clima do restante sul do pais
     
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  14. frederico

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    Sim é verdade.


    Falarei então melhor do litoral Alentejano e do litoral oeste do Algarve. Toda a faixa litoral situada entre Sagres e a Baía de Setúbal apresenta características muito próprias. Aliás, houve um geógrafo que referiu este facto, e que considerou a área que de seguida vou caracterizar como uma sub-região climática e geográfica. Não tenho tempo agora para procurar em bibliografias mas lá para Março tentarei por referências bibliográficas de tudo o que tenho dito.


    Então esta região que vou caracterizar situa-se aproximadamente entre Sagres e Setúbal, e tem como limites orientais uma linha de serras que inclui as serras de Grândola, do Cercal, de Monchique e de Espinhaço Cão. Com excepção da serra de Monchique, são elevações pouco significativas, mas que conseguem influenciar o micro-clima desta região.

    Junto da linha litoral as precipitações médias anuais são reduzidas, rondam os 450-550 mm, mas nas serras são mais elevadas e em Monchique podem atingir valores bem superiores a 1000 mm. A estação seca tem quatro a cinco meses, mas em contrapartida, dada a influência moderadora do oceano, os verões são pouco quentes e os invernos muito suaves. Para além disso, os nevoeiros e as neblinas são frequentes, mesmo no verão, ajudando assim a manter a humidade do solo. Já em Monchique, a estação seca pode ser mais curta, pois todo este conjunto de serras constitui em maior ou menor grau uma barreira de condensação às massas de ar húmido provenientes do oceano. E é de salientar que esta faixa litoral ainda é afectada com alguma frequência pelas extremidades das superfícies frontais que apenas atingem o Norte e o Centro do país, deixando por vezes alguma precipitação que não atinge o resto da região Sul.

    A vegetação assume algumas características interessantes. A região de Odemira e de Monchique foi em tempos ocupada pelo Quercus canariensis, uma espécie rara nos dias de hoje, um carvalho de grande porte também conhecido como carvalho-de-monchique. O carvalho-cerquinho e o sobreiro também marcariam presença, bem como o medronheiro, mas não a azinheira, atestando o carácter mais húmido do clima. E o castanheiro também terá marcado presença no passado, e em força. Em tempos, as castanhas de Monchique eram as primeiras a surgir no mercado, ainda no final do verão. E Monchique é o limite meridional da distribuição de algumas espécies vegetais no continente europeu.

    A principal característica desta faixa litoral é sem dúvida a reduzida amplitude térmica anual, uma das menos acentuadas do território português.


    Já no litoral sul do Algarve, temos o clima mediterrânico «puro e duro», com cinco meses secos, verões mais quentes, invernos com mínimas mais baixas que a faixa ocidental, mas máximas mais elevadas, e a influência da circulação do ar no Golfo de Cádiz. Faro já só tem 524 mm de precipitação média (1961-1990), Tavira 576 mm e Vila Real de Santo António cerca de 490 mm. Toda esta faixa litoral está isolada das massas de ar húmido vindas de Noroeste pelas serras algarvias, e as depressões que se localizam no Golfo de Cádiz no Outono e no Inverno têm um papel fundamental na ocorrência de precipitação nesta faixa litoral, que nessas situações assume com frequência um carácter torrencial, como sucedeu no Outono de 1989, ou mais recentemente em Setembro de 2008.

    Mas muito mais há a dizer sobre o clima da costa sul do Algarve, fica para outro dia.

    Por sua vez, para oriente das serras de Grândola, do Cercal, e dos prolongamentos de Monchique para norte, temos o clima mediterrânico do Baixo Alentejo, de feições continentais, com verões muito quentes, invernos por vezes frios e precipitações que se situam entre os 450 mm do Vale do Guadiana e os quase 600 mm de Beja.


    Stormy espero que tenha conseguido corroborar a tua opinião.

    E espero não ter cometido nenhum erro, pois a minha área de formação não é esta, nem tenho agora os livros à mão para especificar melhor alguns dados.
     
  15. stormy

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    Super Célula

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    é isso mesmo essa zona tem um clima muito suave ( mas tende mais para o quente do que para o frio sendo a variação anual das temperaturas entre -2Cº e 35Cº-40Cº) quanto á humidade é de facto um lugar humido mas pouco pluvioso, já os nevoeiros acontecem , mas não sao assim tao frequentes, pelo menos hoje em dia.
    quanto á extensão essa zona faz fronteira a W e a S com o atlantico e a E e N com uma linha entre o guincho-lisboa-alverca-alcochete-alcaçer do sal-grandola-odemira-monchique-serra do caldeirão e espanha sendo que a este de monchique o clima torna-se mais seco e com amplitudes termicas um pouco maiores, em altitude esta regiao climatica prolonga-se entre 0m e 300m.
    fiz esta descrição com base na flora e na flora tropical que consegue desenvolver-se nessa zona e nas normais climatologicas que encontrei.
    depos diz o que achas:thumbsup:
     
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