Floresta portuguesa e os incêndios

Há padrões que são favoráveis a incêndios, e os mesmos são praticamente de conhecimento comum de muita gente aqui e certamente da maioria dos bombeiros que conhecem melhor que ninguém as "manhas" do fogo. Há coisas que são previsíveis em determinada escala, e essa informação que é possível produzir existe hoje e é devidamente fornecida pelas entidades oficiais.

Agora, a maior parte destes acidentes são coisas de micro-escala, orografia, vales, ventos, os incêndios adquirem por vezes dinâmicas próprias criando gradientes térmicos por vezes explosivos que fazem rodar ou intensificar o vento de forma completamente caótica e imprevisível. Esse tipo de coisas não se prevê, apenas se acautela conhecendo os riscos. E mesmo conhecendo os riscos, nem tudo é possível acautelar, às vezes bastam uns instantes para tudo mudar. Acho que os bombeiros deviam apenas proteger casas e pessoas, e não enfiarem-se em serras onde tudo pode acontecer. Pelo menos nestas alturas do ano em que as condições são perigosas.

Do ponto de vista da meteorologia, parece-me que ontem (posso estar enganado) nem foi daqueles dias que por norma consideramos ter um risco muito extremo (corrente leste, ar muito seco, muito calor, etc). Há é um acumular de factores, muita biomassa aguentou-se verde e húmida ainda bastante tempo devido à muita chuva que caiu até relativamente tarde (Março, etc), e dá a sensação que nesta altura se continuar calor que as coisas se podem descontrolar seriamente. Eu vejo aqui pelo Minho, em que o verde intenso se aguentou até estas semanas, mas agora já se nota alguma vegetação a secar, e os incêndios dia a dia começam a multiplicar-se apesar das últimas noites e manhãs frescas e húmidas.

Atenção à próxima semana, como referiu mais acima o Agreste.
 
Vince, ontem a %HR esteve muito baixa, ainda agora estão 22% com 26C às 11h em castelo branco, imagina às 16h devem estar uns 35C e humidade inferior a 15%. Para os incêndios isto é um factor que dificulta o combate.

É verdade que este ano o coberto vegetal é significativo, em virtude das chuvas ocorridas, e do acumulado vegetal de anos anteriores.

Estranho é ver certos distritos como viseu, vila real que chegam a ter 5 incêndios na página da proteção civil onde só aparecem os relevantes (>2horas). É muito estranho.. Hoje na covilhã temos um incêndio praticamente no mesmo local onde já ocorreram este ano.

Na tv só sabem mostrar os incêndios e as vítimas, mas já li jornais onde se refere ter sido encontrados balões incendiarios. A tv não mostra tudo.

Por último, se os bombeiros se restringissem à proteção das povoações, os incêndios só terminavam com chuva suficiente daqui a meses.

Uma coisa é certa: é de loucos meterem-se em encostas com desnível de mais de 45% e mesmo 60%, onde só máquinas de rasto conseguem entrar e sair. É suicídio! Julgo que por vezes há mais coração do que razão no combate, e quando assim é acontecem desastres.
 
Convido-vos a dar uma vista de olhos no site da proteção civil, só para confirmarem a que horas começam os incêndios:

http://www.prociv.pt/cnos/Pages/HistoricodeOcorrencias.aspx

Incêndios que começaram à meia-noite, às 4h, às 5h, às 7h30, enfim ainda julgam que é das condições climatéricas? Ou é do mato que começa a arder à noite??

Negligência? Hum.. Só não vê quem não quer!
 
O jornal Público tem um trabalho interessante sobre os últimos 12 anos. É verdade que há incêndios de madrugada mas...

http://publico.pt/floresta-em-perigo/doze-anos-de-incendios

Este ano choveu até mais tarde mas o verão tem anulado rapidamente algum verde que existia. Penso que já tivemos 4 vagas de calor, 1 em junho, 2 em julho e agora todos estes dias após 10 de agosto com mais de 200 incêndios diariamente. Apenas no dia 16 tivemos menos de 200 incêndios.
 
O jornal Público tem um trabalho interessante sobre os últimos 12 anos. É verdade que há incêndios de madrugada mas...

http://publico.pt/floresta-em-perigo/doze-anos-de-incendios

Este ano choveu até mais tarde mas o verão tem anulado rapidamente algum verde que existia. Penso que já tivemos 4 vagas de calor, 1 em junho, 2 em julho e agora todos estes dias após 10 de agosto com mais de 200 incêndios diariamente. Apenas no dia 16 tivemos menos de 200 incêndios.

A página do Público está muito interessante, bem conseguida, deve ter dado muito trabalho! Mas a estatística vale o que vale, pois apesar de ser positivo consolidar dados de há 12 anos para cá, também é negativo correr o risco de em 12 anos diluir eventuais variações diárias ou mensaris.

Eu diria que os dados nesses 12 anos não refletem em nada, a realidade do que ocorreu este mês. Basta ir espreitar as estatísticas do proprio site de proteção civil:

http://www.prociv.pt/cnos/Pages/Estatisticas.aspx

À volta de 40% dos incendios ocorrem de noite, contrariando os valores apresentados pela página do Público. Não é que estejam mal, mas a realidade de agosto de 2013 é a seguine:


Data
(dd-mm-yyyy) Ocorrências Operacionais Veículos Total Missões
Meios Aéreos Total Missões
Meios Aéreos ATI
Total Diurnas**
4/8/2013 152 111 2.937 757 73 70
5/8/2013 75 44 1.232 314 31 31
6/8/2013 89 55 1.445 372 29 29
7/8/2013 75 36 1.234 312 13 13
8/8/2013 104 76 2.276 598 51 46
9/8/2013 196 130 3.578 959 63 58
10/8/2013 244 158 6.076 1.631 107 102
11/8/2013 269 187 6.181 1.619 98 93
12/8/2013 224 129 6.007 1.518 134 118
13/8/2013 270 166 5.169 1.370 128 116
14/8/2013 253 135 4.966 1.356 87 79
15/8/2013 274 170 6.457 1.704 106 101
16/8/2013 179 81 4.041 1.007 58 52
17/8/2013 208 128 4.569 1.188 93 86
18/8/2013 211 134 4.042 1.040 85 83
19/8/2013 235 144 5.050 1.302 99 91
20/8/2013 350 226 8.525 2.224 149 135
21/8/2013 311 174 6.798 1.817 118 108
22/8/2013 234 143 4.051 1.086 76 68

Nota: aqui o número de horas diurnas tem a ver com o período em que os meios aéreos estão disponíveis. Não sei se é 12h diurnas, caso contrário o número de horas diurnas é muito superior às noturnas, pelo que o número de incêndios à noite e por hora pode até ser equivalente às diurnas 50% / 50%
 
Convido-vos a dar uma vista de olhos no site da proteção civil, só para confirmarem a que horas começam os incêndios:

http://www.prociv.pt/cnos/Pages/HistoricodeOcorrencias.aspx

Incêndios que começaram à meia-noite, às 4h, às 5h, às 7h30, enfim ainda julgam que é das condições climatéricas? Ou é do mato que começa a arder à noite??

Negligência? Hum.. Só não vê quem não quer!

Vou te contar uma situação: num concelho que agora não interessa ha 2 ou 3 anos foi feita uma grande campanha de sensibilização sobre o periodo critico. Que havia equipas a vigiar e as multas eram pesadas...basicamente era isto! um certo dia fui mais cedo trabalhar e cheguei por volta das 6 da manha a esse concelho...não imaginas a quantidade de fogueiras que havia nos quintais...
ha fogo posto, sim, mas a maioria são descuidos, não tenhas duvidas disso!
ah!esquece os baloes incendiarios...esses só os do S.Joao!
 
O jornal Público tem um trabalho interessante sobre os últimos 12 anos. É verdade que há incêndios de madrugada mas...

http://publico.pt/floresta-em-perigo/doze-anos-de-incendios

Este ano choveu até mais tarde mas o verão tem anulado rapidamente algum verde que existia. Penso que já tivemos 4 vagas de calor, 1 em junho, 2 em julho e agora todos estes dias após 10 de agosto com mais de 200 incêndios diariamente. Apenas no dia 16 tivemos menos de 200 incêndios.

o dispositivo "aguenta" ate 300 ignições diarias...mais do que isso "rebenta"!
Ha não muitos anos chegamos a ter 400...
para a semana vamos, talvez, ultrapassar as 300...
vai haver muitos reacendimentos...vai haver descuidos (especialmente com o vento que vai estar vai ser terrivel)...vai haver saltos de fogo provavelmente com centenas de metros...portanto, ~esta criada uma "dinamica" terrivel...
 
Boa noite, Sendo Bombeiro Voluntário, e visitante assíduo a este forum, quero lançar um desafio aos moderadores e a outros users.
Como se sabe, Portugal está a ser fustigado por um grande numero de incêndios florestais na última semana, e o meu desafio passa por se fazer a nível distrital, a PREVISÃO a 3 dias (caso seja possível), dos vários parâmetros associados, humidade relativa, vento ao longo do dia, temperatura ao longo do dia. Esta informação seria pertinente para se obter dados mais concretos sobre, mudanças de direcção do vento ao longo do dia, altura mais perigosa/favorável para o combate.
Gostaria de contar com vosso apoio. Com os melhores cumprimentos.

Trata-se de informação pertinente, mesmo até certo ponto sensível, que deve ser tratada a nível interno junto das entidades competentes, nomeadamente das instituições oficiais para esse efeito.
Não vejo que seja mais valia disponibilizar essa informação para todo o público.
 
Seria engraçado ter acesso aos dados das ocorrências POR MÊS.

Estranhamente, na vaga de calor de Julho ( das mais intensas desde que há registos ) não houve praticamente incêndios nenhuns.

E a esta altura já estava tudo sequinho e prestes a arder. Não são necessário meses para que a camada de entulho acumulado e matos diversos sequem. 2 boas semanas de calor e está armada a barraca.

Mesmo no início do mês de Agosto o verão estava estranhamente calmo....

No entanto, coincidindo com a chegada dos emigrantes, a coisa explodiu.

É apenas uma teoria mas que se repete quase todos os anos. É claro que há incêndios durante o ano mas, em Agosto, é sempre um exagero injustificável.

Muitos negócios e heranças devem por as gentes ao barulho com os resultados que agora conhecemos.

__________________________

Quanto à questão do tempo, que me perdoem os amigos bombeiros, mas acho que a questão da humidade e temperatura, nesta fase, não é muito relevante.

Enquanto não chover o combustível estará pronto a arder. Os potenciais dias de calor dificultam o combate mas não são responsáveis pelos incêndios. As pessoas é que o são e, quando existem vagas de calor, ainda mais os pirómanos se lembram de perpetuar o seu vício.
 
Seria engraçado ter acesso aos dados das ocorrências POR MÊS.

Estranhamente, na vaga de calor de Julho ( das mais intensas desde que há registos ) não houve praticamente incêndios nenhuns.

E a esta altura já estava tudo sequinho e prestes a arder. Não são necessário meses para que a camada de entulho acumulado e matos diversos sequem. 2 boas semanas de calor e está armada a barraca.

Mesmo no início do mês de Agosto o verão estava estranhamente calmo....

No entanto, coincidindo com a chegada dos emigrantes, a coisa explodiu.

É apenas uma teoria mas que se repete quase todos os anos. É claro que há incêndios durante o ano mas, em Agosto, é sempre um exagero injustificável.


Muitos negócios e heranças devem por as gentes ao barulho com os resultados que agora conhecemos.

__________________________

Quanto à questão do tempo, que me perdoem os amigos bombeiros, mas acho que a questão da humidade e temperatura, nesta fase, não é muito relevante.

Enquanto não chover o combustível estará pronto a arder. Os potenciais dias de calor dificultam o combate mas não são responsáveis pelos incêndios. As pessoas é que o são e, quando existem vagas de calor, ainda mais os pirómanos se lembram de perpetuar o seu vício.

Essa teoria sinceramente parece-me tão inconsistente como preconceituosa.

-Nem sempre os incendios predominam em Agosto... Já houve meses de Julho e de Setembro piores que Agosto.
-A sequência de dias quentes e os valores muito baixos de humidade foram agravando consecutivamente a situação em termos de matéria orgânica combustível. É normal que com o avançar do periodo mais seco as condiões se agravem.
- O padrão de detenções efetuado pelas autoridades não parecem indicar que o regresso dos emigrantes tenha qualquer influência do número de incêndios.
 
Seria engraçado ter acesso aos dados das ocorrências POR MÊS.

Estranhamente, na vaga de calor de Julho ( das mais intensas desde que há registos ) não houve praticamente incêndios nenhuns.

E a esta altura já estava tudo sequinho e prestes a arder. Não são necessário meses para que a camada de entulho acumulado e matos diversos sequem. 2 boas semanas de calor e está armada a barraca.

Mesmo no início do mês de Agosto o verão estava estranhamente calmo....

No entanto, coincidindo com a chegada dos emigrantes, a coisa explodiu.

É apenas uma teoria mas que se repete quase todos os anos. É claro que há incêndios durante o ano mas, em Agosto, é sempre um exagero injustificável.

Muitos negócios e heranças devem por as gentes ao barulho com os resultados que agora conhecemos.

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Quanto à questão do tempo, que me perdoem os amigos bombeiros, mas acho que a questão da humidade e temperatura, nesta fase, não é muito relevante.

Enquanto não chover o combustível estará pronto a arder. Os potenciais dias de calor dificultam o combate mas não são responsáveis pelos incêndios. As pessoas é que o são e, quando existem vagas de calor, ainda mais os pirómanos se lembram de perpetuar o seu vício.

em Julho houve de facto bastantes ocorrencias, a questão é que os niveis de humidade na vegetação eram muito superiores! Repara, é pior 25 cº em setembro do que 35 em Junho...
tens 3 tipos de combustiveis: de 1 hora (finos), de 10 horas (regulares)100 horas (médios) e 1000 horas (grossos)...se os dois primeiros rapidamente ganham ou perdem humidade, ja os ultimos so estao disponveis para arder mais tarde..daí teres agora mais e mais graves incendios que em Julho...
a HR do ar e o vento saõ (em termos de meteo) os factores determinantes para a progressao do fogo...a temperatura nem tanto...
os emigrantes potenciam o tipo de comportamento perigoso que existe ca durante todo o ano...limpezas e eliminação (com recurso ao fogo) dos sorntes florestais..
 
Essa teoria sinceramente parece-me tão inconsistente como preconceituosa.

-Nem sempre os incendios predominam em Agosto... Já houve meses de Julho e de Setembro piores que Agosto.
-A sequência de dias quentes e os valores muito baixos de humidade foram agravando consecutivamente a situação em termos de matéria orgânica combustível. É normal que com o avançar do periodo mais seco as condiões se agravem.
- O padrão de detenções efetuado pelas autoridades não parecem indicar que o regresso dos emigrantes tenha qualquer influência do número de incêndios.

a questão das detenções e do reforço de meios de fiscalização é para acalmar a população...isto que esta a acontecer deve se sem duvida a comportamentos enrraizados (mal) na população portuguesa...
a questão dos emigrantes, concordo contigo em parte...não devemos ser preconceituosos...mas de facto (em Bragança or exemplo) ha um habito terrivel de antes de irem embora queimarem os sobrantes florestais que cortaram enquanto ca estiveram...sei que a ANPC tem (caso a situação dos incendios o permita) um dispositivo de prevenção preparado...
 
vitamos disse:
Essa teoria sinceramente parece-me tão inconsistente como preconceituosa.

-Nem sempre os incendios predominam em Agosto... Já houve meses de Julho e de Setembro piores que Agosto.
-A sequência de dias quentes e os valores muito baixos de humidade foram agravando consecutivamente a situação em termos de matéria orgânica combustível. É normal que com o avançar do periodo mais seco as condiões se agravem.
- O padrão de detenções efetuado pelas autoridades não parecem indicar que o regresso dos emigrantes tenha qualquer influência do número de incêndios.

Eu fui emigrante a maior parte da minha vida pelo que sei que certas atitudes são fortemente reprováveis.

Hoje em dia menos mas, há anos, lembro-me de conversas do tipo "se a bouça ficar para ele chego-lhe lume". Não me admirava nada que certas pessoas, mais no interior onde as mentalidades das populações rurais são ainda menos sensíveis a questões ambientais, tenham ainda estes modos de pensar. Há anos lembro-me de um emigrante ser apanhado por, ano após ano, incendiar um monte que ficou para o seu irmão aquando da herança.

E até digo mais! Há 20 anos atrás, apenas por aborrecimento, crianças iam fazer coisas destas para verem alguma animação.

Isso, claro, é válido tanto para residentes como emigrantes mas, com o substancial aumento de pessoas em pique-niques e outras actividades fora da norma, as coisas só podem piorar.

- Por norma o mês de Agosto é sempre aquele com mais incêndios. Falo sem dados concretos mas parece-me que é costuma ser assim. Se a questão fosse a secura dos montes mais do que as actividades das populações, o mês de Setembro teria valores iguais ou superiores aos de Agosto. O que não me parece acontecer.

- É lógico que as condições se agravam. Mas se não houver fogo posto não há incêndios. Por isso é que acho que a questão da humidade e do material acaba, em Agosto e Setembro, por ser relativo. Os fogos tornam-se mais difíceis de combater e de apagar mas, na verdade, a ignição não tem a ver com esses problemas.

- Seria interessante saber se existe uma relação com o perfil destas pessoas. É que ouvimos muitas vezes dizer "foi apanhado um homem" mas, na prática não sabemos qual a sua motivação e condição social. A piromania é uma doença rara e será responsável por muito poucos casos.

No fundo, Agosto torna-se mais propenso porque há muita mais gente sem fazer nada e com tempo para se embebedar e imaginar vinganças e brincadeiras de mau gosto.

Isso é o grande problema e não as condições climatéricas em si.
 
Eu fui emigrante a maior parte da minha vida pelo que sei que certas atitudes são fortemente reprováveis.

Hoje em dia menos mas, há anos, lembro-me de conversas do tipo "se a bouça ficar para ele chego-lhe lume". Não me admirava nada que certas pessoas, mais no interior onde as mentalidades das populações rurais são ainda menos sensíveis a questões ambientais, tenham ainda estes modos de pensar. Há anos lembro-me de um emigrante ser apanhado por, ano após ano, incendiar um monte que ficou para o seu irmão aquando da herança.

E até digo mais! Há 20 anos atrás, apenas por aborrecimento, crianças iam fazer coisas destas para verem alguma animação.

Isso, claro, é válido tanto para residentes como emigrantes mas, com o substancial aumento de pessoas em pique-niques e outras actividades fora da norma, as coisas só podem piorar.

- Por norma o mês de Agosto é sempre aquele com mais incêndios. Falo sem dados concretos mas parece-me que é costuma ser assim. Se a questão fosse a secura dos montes mais do que as actividades das populações, o mês de Setembro teria valores iguais ou superiores aos de Agosto. O que não me parece acontecer.

- É lógico que as condições se agravam. Mas se não houver fogo posto não há incêndios. Por isso é que acho que a questão da humidade e do material acaba, em Agosto e Setembro, por ser relativo. Os fogos tornam-se mais difíceis de combater e de apagar mas, na verdade, a ignição não tem a ver com esses problemas.

- Seria interessante saber se existe uma relação com o perfil destas pessoas. É que ouvimos muitas vezes dizer "foi apanhado um homem" mas, na prática não sabemos qual a sua motivação e condição social. A piromania é uma doença rara e será responsável por muito poucos casos.

No fundo, Agosto torna-se mais propenso porque há muita mais gente sem fazer nada e com tempo para se embebedar e imaginar vinganças e brincadeiras de mau gosto.

Isso é o grande problema e não as condições climatéricas em si.

Em setembro secam as fontes e ardem os montes...
claro que isso não acontece se chover...
lembraste de outubro e Novembro de 2007? Bem piores que agosto...lembraste de Março de 2009?bem pior que agosto...mesmo em 2012 março foi terrivel comparando com agosto...
vamos la ver: para haver ignições não é necessario estar muito calor u vento, basta não chover uma manha e a tarde ja se consegue fazer uma ignição (alias o fogo controlado realizado no inverno apenas precisa, em algusn combustiveis florestais, de um dia sem chuva)...mas a questão não é essa e aí vem mais um facto para comrovar a negligencia como principal causa das ignições. Passo a explicar!
Um agricultor queima alguns matos em Junho. Nesta altura (este ano por exemplo) a humdade dos combustiveis era extremamente elevada, logo mesmo que o agricultor fosse a casa buscar uma enxada e voltasse a queima, ela não se propagaria ao monte e mesmo que isso acontecesse ele com relativa facilidade a controlaria (salvo outros factores que agora demorariam a explicar).
O mesmo agricultor agora faz a mesma actividade, alias nem precisa de fazer o mesmo, basta chegar ao campo e começar a cortar o mato com a motorroçadoura e voila...provavelmente tem uma ignição. Nem que chame a esposa, o filho e o vizinho...ja não a controla!
um outro factor que justifica esta situação em Agosto é o termino das culturas e a necessidade de eliminar os restos.
Mais um factor são os pastores que queimam nestas alturas pois este ano não tiveram oportunidade em março ou abril...
Isto tudo para te mostrar que o acumular do grau de secura potencia o que esta a acontecer...
naturalmene que ha mão humana intencional, mas é uma minoria! Achas mesmo que alguem se atreve a ir nesta altura para a zona de viseu ou de chaves para pegar fogo? nem pensar!
a proxima semana, ja a partir de amanha, com o vento que vai estar e a baixa %HR são factores preocupantes para os descuidos que te falei...basta (grosso modo) pegares em duas pedras e arde...
 
naturalmene que ha mão humana intencional, mas é uma minoria! Achas mesmo que alguem se atreve a ir nesta altura para a zona de viseu ou de chaves para pegar fogo? nem pensar!
a proxima semana, ja a partir de amanha, com o vento que vai estar e a baixa %HR são factores preocupantes para os descuidos que te falei...basta (grosso modo) pegares em duas pedras e arde...

Concordo com tudo menos com o facto dos fogos terem uma minoria de motivos criminosos.

Eu acho que são maioria.

Em Espanha, Itália, Sul de França etc,. todos estes países tem mais actividade agrícola do que nós e não se vê metade da calamidade anual com levamos.

Na minha opinião, a vasta maioria são criminosos.