Floresta portuguesa e os incêndios

Desculpem as palavras.. Não é que eu seja fascista e muito menos seguidor de salazar! :)

Mas no tempo desse senhor, não havia tanto lixo na floresta, não havia tantos fumadores, não havia tantas estradas à mercê de fumadores, não havia tantas idas ao campo (para acampar, para fazer piqueniques, para o que fosse), tudo tinha dono. Havia muita gente que trabalhava habitando muitas horas do dia na floresta. E os cidadãos das aldeias entreajudavam-se, não esperavam pelos bombeiros, incêndios? Muito, mas muito raro! Também não havia tantos espectáculos pirotecnicos, e embora não houvesse postos de vigia, havia guarda rios, a GNR territorial também zelava pela floresta!

São estas pequenas diferenças, que dizem tudo, e que fazem toda a diferença!

Descuidos sempre houve. E apesar de estatisticamente muitos fogos começarem com descuidos, a verdade é que os grandes incêndios têm praticamente todos mão criminosa. Focos que começam em diversos sítios à mesma hora, e muitas vezes de noite.

Se os responsáveis fossem severamente castigados, com punições exemplares, aí sim, acredito que houvesse uma diminuição dos incêndios.
 
Descuidos sempre houve. E apesar de estatisticamente muitos fogos começarem com descuidos, a verdade é que os grandes incêndios têm praticamente todos mão criminosa. Focos que começam em diversos sítios à mesma hora, e muitas vezes de noite.

Se os responsáveis fossem severamente castigados, com punições exemplares, aí sim, acredito que houvesse uma diminuição dos incêndios.

Todos os actos negligentes são crime! Desde o acto mais insignificante como deitar o cigarro pelo vidro fora do automóvel!

Naquela reserva natural, que falei há pouco em Monforte da Beira (20kms a este de castelo branco), o mato é quase tão velho como os seus vizinhos sobreiros e azinheiras com mais de 50anos de idade. Porque é uma reserva fechada com vedação, não ocorrem por lá incêndios, que me lembre nunca!
 
Desculpem as palavras.. Não é que eu seja fascista e muito menos seguidor de salazar! :)

Mas no tempo desse senhor, não havia tanto lixo na floresta, não havia tantos fumadores, não havia tantas estradas à mercê de fumadores, não havia tantas idas ao campo (para acampar, para fazer piqueniques, para o que fosse), tudo tinha dono. Havia muita gente que trabalhava habitando muitas horas do dia na floresta. E os cidadãos das aldeias entreajudavam-se, não esperavam pelos bombeiros, incêndios? Muito, mas muito raro! Também não havia tantos espectáculos pirotecnicos, e embora não houvesse postos de vigia, havia guarda rios, a GNR territorial também zelava pela floresta!

São estas pequenas diferenças, que dizem tudo, e que fazem toda a diferença!

:lmao::lmao::lmao:

Eso é porque era ESTADO NOVO, en una coisa nova é dificil queimar, queima melhor o velho:D

Agora falando en serio.

Mesmo asim acontecia en España, nao havia tantos fogos e os aldeanos iam tudos a apagar os fogos, unas aldeias ajudavan as outras, eu tinho visto esto ainda na década dos 90s.
Si vose olha para o topic que eu fize aqui do meu val, comprende o motivo.
Os bombeiros fican lonje e os aldeanos deven fazer tudo eles.

http://www.meteopt.com/forum/natureza-viagens/sierra-de-ancares-4713.html

Mais nao é coisa de Salazar, nem Pinochet, nem Franco.

É outra coisa, falo por que acontecera en España.

As aldeias tinhan pesoas, e hoje moitas fican só con unos poucos velhos, pois os filhos moran na cidade.

As casas o único combustivel que tinhan fora o combustivel vegetal, e os rapazes iam por o monte a apanhar todo o que pouderam queimar no inverno na casa, lenha, matos, tudo que podera ser combustivel apanhaban, é por iso tudo era ben limpinho.

As florestas ficaban sem lixo nenhum pois aproveitaran tuda a floresta.

Havia mesmo vacas e porcos por o monte, e cabras, e sempre rapazes a vigilar, e os animais deixaban o monte tudo limpinho.

Sim, é verdade os montes ficaban limpios porque as pesoas ainda moraban nas aldeias é nao tinhan outra coisa a fazer, é nao tinhan outra energia para escaldar a casa, eles só tinhan a lenha e os matos para fazer os fogos na casa, e cocinar, e escaldar a casa no inverno.
En ocasioes nem tinhan energia electrica nenhuma.


"não havia tantas estradas à mercê de fumadores"

Acho que nao havia tantas estradas a mercé de ninguen, ainda lembro cando a estrada do val das fotos, era camino de terra.

Acho que nao havia tanto carro, pois moitas pesoas nas aldeias o único transporte fora o burro ou asno.

"Havia muita gente que trabalhava habitando muitas horas do dia na floresta."

Sim, sen duvida, esto tambén acontezia, trabalhaban moito mais ganhaban pouco.

Ainda eu ha unos dias dizera a unos velhos da aldeia, que sería bó que as aldeias ficaram con jovenes e crianzas, eles dizean que sim, mais tambén dezian que por vezes fora melhor morrer que nao viver como eles vivian.

E ainda mais.

OS VELHOS ESTAVAN A DIZER QUE AS PESOAS JOVENES DE AGORA, NAO PODERIAN VIVER COMO ELES, AS PESOAS JOVENES DE AGORA NAO PODERAM RESISTIR A VIDA QUE ELES TINHAN CANDO ELES ERAN JOVENES.

Os velhos estavan a dizer que se o filho do seu filho tivera que viver como ele, tudo o dia con as vacas no monte, e apanhando lenha e mato, o filho do seu filho ja morrera de fome, pois nao resisteria.

Acho que eles estao certos, os rapazes de 15 anos de hoje nao poderam viver como os rapazes de 15 anos de ha 40 ou 50 anos.

Nem as pesoas de 30 anos de hoje poderam fazer o que fazian os seus avos, moito trabalho no monte, tudo o día, para nao morrer de fome.

Mesmo os velhos dizen que eso nao é vida.


Sen duvida nenhuma con Franco a autoridade era a autoridade, e tudas as pesoas pensavan dous ou trez vezes antes de fazer calqueira coisa: tirar o cigarro, acampar, fazer reunioes.....

Mesmo en España oficialmente nao era posivel reunioés de mais de 10 pesoas sen permiso da autoridade, embora nas aldeias nao eran moito estricto, e mesmo nas cidades eso era para pesoas que "pensaram" como os académicos.
 
Na altura do Estado Novo ainda não se tinham feito sentir os efeitos do êxodo rural, havia muita gente no campo e os camponeses iam regularmente à floresta para apanhar pinhas e lenha para os fogões e lareiras, as pessoas trabalhavam no campo e se houvesse algum foco de Incêndio era rapidamente combatido pelos populares. Agora as aldeias estão quase desertas e só habitadas por idosos os fogões são a gás e a lenha para a lareira é comprada em vez de apanhada, os tempos mudaram e tornaram a floresta muito mais vulnerável hoje do que era à umas décadas.

À alguns meses tive uma visita de estudo ao CDOS (Comando Distrital de Operações de Socorro de Bragança) e pelo que me foi dado a perceber o problema não está na falta de meios ou bombeiros nem em falhas no combate. Pois nas alturas em que as condições para o fogo são perfeitas deflagram por todo o País centenas de fogos ao mesmo tempo e é impossível combate-los todos por mais meios que existam. O problema está na floresta portuguesa constituída em boa parte por monoculturas de pinheiro bravo e eucalipto, sem ordenamento e com uma grande continuidade horizontal e vertical.

Não se resolve o problema com cada vez mais meios se não houver durante o Outono/Inverno operações para reduzir a combustibilidade das floresta. Não há muito mais a fazer no que refere aos meios e ao combate temos que investir AGORA na prevenção se queremos que a nossa floresta tenha futuro.
 
À alguns meses tive uma visita de estudo ao CDOS (Comando Distrital de Operações de Socorro de Bragança) e pelo que me foi dado a perceber o problema não está na falta de meios ou bombeiros nem em falhas no combate. Pois nas alturas em que as condições para o fogo são perfeitas deflagram por todo o País centenas de fogos ao mesmo tempo e é impossível combate-los todos por mais meios que existam. O problema está na floresta portuguesa constituída em boa parte por monoculturas de pinheiro bravo e eucalipto, sem ordenamento e com uma grande continuidade horizontal e vertical.

Não se resolve o problema com cada vez mais meios se não houver durante o Outono/Inverno operações para reduzir a combustibilidade das floresta. Não há muito mais a fazer no que refere aos meios e ao combate temos que investir AGORA na prevenção se queremos que a nossa floresta tenha futuro.

O combate aos incêndios tem correspondido com alguma eficiência, dada a calamidade, pois chegou-se a atingir um pico de 490 incêndios num só dia. Será possível, como é possível?? Apesar de tudo, os meios aereos apenas podem ser utilizados durante o dia, sendo que os helicópteros conseguiram extinguir na fase inicial mais de 80% das ocorrências de incêndios.

É verdade que existe muito mais combustível nas nossas florestas, o comburente oxigénio é o mesmo, falta apenas explicar o CLICK "Ignição"!

Dão-se alvissaras a quem descubra como se procede este CLICK!

A prevenção passa por entender como se passa a coisa, e garanto que não é nenhuma ciência oculta!

Prevenção passa também por haver leis penais mais pesadas e que se cumpram até ao fim.
 
O combate aos incêndios tem correspondido com alguma eficiência, dada a calamidade, pois chegou-se a atingir um pico de 490 incêndios num só dia. Será possível, como é possível?? Apesar de tudo, os meios aereos apenas podem ser utilizados durante o dia, sendo que os helicópteros conseguiram extinguir na fase inicial mais de 80% das ocorrências de incêndios.

É verdade que existe muito mais combustível nas nossas florestas, o comburente oxigénio é o mesmo, falta apenas explicar o CLICK "Ignição"!

Dão-se alvissaras a quem descubra como se procede este CLICK!

A prevenção passa por entender como se passa a coisa, e garanto que não é nenhuma ciência oculta!

Prevenção passa também por haver leis penais mais pesadas e que se cumpram até ao fim.

As leis existem, já tive a oportunidade de ler alguma da legislação sobre as florestas, visto estar a estudar Eng. Florestal, o problema é que na maioria dos casos não se cumprem e não existe ninguém que as faça cumprir.

De qualquer forma o País está mais preparado actualmente para os incêndios do que estava em 2003 quando arderam 400mil hectares de floresta, foram feitas coisas muito positivas desde essa altura, mas infelizmente ainda é claramente insuficiente:(
 
As leis existem, já tive a oportunidade de ler alguma da legislação sobre as florestas, visto estar a estudar Eng. Florestal, o problema é que na maioria dos casos não se cumprem e não existe ninguém que as faça cumprir.

De qualquer forma o País está mais preparado actualmente para os incêndios do que estava em 2003 quando arderam 400mil hectares de floresta, foram feitas coisas muito positivas desde essa altura, mas infelizmente ainda é claramente insuficiente:(

Por mais legislação que haja, se não houver vigilância nas florestas e condenação efectiva dos incendiários e pessoas que cometam actos negligentes, os incêndios continuarão a ocorrer quer em zonas limpas de mato (como se verificou este e noutros anos), quer em zonas de mato.

Não são os pequenos proprietários, os crimonosos! Criminoso é quem provoca a ignição. ;)
 
Por mais legislação que haja, se não houver vigilância nas florestas e condenação efectiva dos incendiários e pessoas que cometam actos negligentes, os incêndios continuarão a ocorrer quer em zonas limpas de mato (como se verificou este e noutros anos), quer em zonas de mato.

Não são os pequenos proprietários, os crimonosos! Criminoso é quem provoca a ignição. ;)

"condenação efectiva dos incendiários e pessoas que cometam actos negligentes,"

«Que no pongan fuego para quemar los montes,
e más que otra cosa las encinas.
E al que lo fallareis faciendo
que lo echen dentro»

ALFONSO X "EL SABIO" Rey de Castilla y León. (1221-1284)
 
"condenação efectiva dos incendiários e pessoas que cometam actos negligentes,"

«Que no pongan fuego para quemar los montes,
e más que otra cosa las encinas.
E al que lo fallareis faciendo
que lo echen dentro»

ALFONSO X "EL SABIO" Rey de Castilla y León. (1221-1284)


Duero, no imaginas lo importante que es tu post!

Significa mucho, pues significa que hace cassi 800 años atras habia un rey que se preocupaba de verdad com los incendios!!

Significa que hace 800 años atras, amenudo habia problemas con los incendios tal como hoy en la actualidad.

Es un registro historico, 5 estrellas!! :thumbsup::thumbsup::thumbsup:
 
Devia era de haver uma lei, que ditasse:
"Acima dos 34C e abaixo dos 30% de HR, é proibido estar na floresta, lei marcial!" Para complementar a lei anterior, quem deitar cigarro fora do automóvel fora das cidades e vilas vai preso 1mês ou 1semana a limpar mato!
 
Duero, no imaginas lo importante que es tu post!

Significa mucho, pues significa que hace cassi 800 años atras habia un rey que se preocupaba de verdad com los incendios!!

Significa que hace 800 años atras, amenudo habia problemas con los incendios tal como hoy en la actualidad.

Es un registro historico, 5 estrellas!! :thumbsup::thumbsup::thumbsup:


Ainda antes ja hubo leis.

LIBER IUDICIORUM ou LEX VISIGOTORUM

Foi un codigo de leis feitas por o Rey Visigodo RECESVINTO no ano 654.

É moito importante para a nosa historia, pois godos e hispanorromanos ja sao un pobo.

-Por primeira vez os matrimonios de godos e hispanorromanos foram legales (antes a lei prohibia, mais houvera).

-Por primeira vez godos e hispanorromanos foram igais, é por iso que ja os godos nao pensan que sao invasores, se nao que eles ja pensan que sao da terra, levaban aquí mais de 200 anos.

-Os godos ja levaban 50 anos de católicos (antes foram arrianos), e por tanto ja nao havia diferencia religiosa nenhuma entre eles e os hispanorromanos.

- Mais as leis sao moito anti-judeus. Por primeira vez ha un intento sistematico de fazer desaparezer as practicas judeas en Hispania, prohibiçao de festividades judeas, prohibiçao de circuncisao das crianzas masculinas, os judeus nao podian ser testigos nem acusar aos católicos, etc....As penas para tudo eso fora a morte en fogueiras.
Os católicos que ajudaram aos judeus en manter as creencias tamben castigabanles.



E fala tambén dos que fazen arder os montes e os matos.

O código sao 12 libros (o último está a falar só sobre judeus).

Cada libro dividese en titulos (cada libro ten de media 5 ou 6 titulos).

Cada titulo ten varias leis.

Cando se fala de esas leis, sempre ha tres numeros, o primeiro e o número de libro, o segundo é o numero do titulo e o terceiro é o numero da lei.


Por exemplo, no tema que estamos a falar, vose ten que olhar para:

Lei VIII, II, II (libro VIII, título II, lei II).


LIBRO VIII. DE LAS FUERZAS ET DANOS ET QUEBRANTAMENTOS.

TITULO II. DE LAS QUEMAS Y QUEMADORES.

LEI II. DE LOS OMES QUE QUEMAN MONTE.


O código fora escrito en latín, mais o rei FERNANDO III "EL SANTO" (a sua ava, a mae do seu pai fora URRACA DE PORTUGAL) fizera traduçao de ele ao castelhano, e instaurara de novo moitas leis de ese código no ano 1241, practicamente mais do 80% das lei que o Rei visigodo Recesvinto fizera en 654
Fernando III instauro de novo en 1241 (600 anos despois).

Esto era para ter legitimidade, os reis cristianos estavan a dizer que eles eram os "filhos" dos reis godos, e por tanto eles tinhan legitimidade sobre o árabo invasor.

Esto foi chamado VISIGOTIZACIÓN e fora tambén una luita cultural contra as influencias árabas. Moitos investigadores estrangeiros surprenden das poucas palabras árabas das linguas ibéricas, embora eles estiveram tanto tempo por ca. Eso foi por que tudos os reis cristianos pensaram que eles eram "filhos" dos visigodos, e por eso os reis cristianos casaban entre eles. O avo de Fernando III fora Fernando II que casara con Urraca de Portugal, filha de Alfonso Enríquez.

Fora Fernando III quem fizera traduzir do latín o LIBER IUDICIORUM ou LEX VISIGOTORUM, e fora chamado en castelhano FUERRO JUZGO, tomando de novo as leis godas, 600 anos despois.

A lei que estamos a falar, a lei VIII, II, II en latin comenza mesmo asim:
“Si quis qualem cumque silvam incenderir alienam, sive piceas arbores”, mais vou postear a traduçao de 1241.

"Si algun omne enciende monte aieno o arbores de qual manera quier, prendalo el iuez e fagal dar C azotes e faga emienda de lo que se quemo, cuemo asmaren omnes buenos...."

100 azotes, e enmienda, mais si fora siervo a pena sao 150 azotes, tambén fala despois das pesoas que fazen fogos nos caminos, do dano do ganado ao monte.

EU PENSO QUE ESAS LEIS BEN PODERAM SER VALIDAS NO S.XXI, POIS AINDA HA UNA REGIAO DE ESPAÑA ONDE AS LEIS LOCAIS SAO AS VISIGODAS E MAIS DO 90% DO TERRITORIO É FLORESTA DE PINUS SILVESTRIS E NUNCA HUVO INCENDIO NENHUM.

É UN TERRITORIO DE 170.000 ha. DE FLORESTA CONTINUA DE PINUS SILVESTRIS CON QUERCUS, E FAIAS, ONDE A FLORESTA OCUPA O 90% DO TERRITORIO.

SAO AS MONTANHAS DE BURGOS E SORIA ONDE NASCE O RIO DOURO, E A AREA ONDE FICARAM MAIS GODOS, ONDE O 90% DO TERRITORIO E DO MUNICIPIO, E MENOS DO 10% DO TERRITORIO É PRIVADO, MESMO ASIM DESDE A ÉPOCA VISIGODA.

NUNCA HOUVERA FOGO NENHUM, AINDA CON MAIORIA DE PINUS.


Como vose viu ja no ano 654 houvera leis contra os quemadores de montes e matos, e no S.XIII retomose la lei pois estavan a continuar a fazer quemas.


Si vose quer olhar as leis pode fazer aquí:

EN INGLES

http://libro.uca.edu/vcode/visigoths.htm

EN CASTELHANO DO S.XIII (é mais parecido ao portugues que o castelhano de hoje).

INICIO DO CÓDIGO.

http://www.cervantesvirtual.com/servlet/SirveObras/68071641745461741643380/thm0000.htm

PAGINA 136 E 137, QUE ESTAO A FALAR DOS QUEIMADORES.

http://www.cervantesvirtual.com/servlet/SirveObras/68071641745461741643380/ima0388.htm

http://www.cervantesvirtual.com/servlet/SirveObras/68071641745461741643380/ima0389.htm
 
He estado leyendo de nuevo todas las intervenciones y se ha hablado de que en algunos casos habria que proponer el asociacionismo, en otras ocasiones se habla de expropiaciones, se habla del papel del estado.

Yo trabajo con la historia, ya en un post inclui parte de una entrevista a Antonio Oliveira Salazar.

Como su nombre ya apareció en este post, voy a colocar una entrevista que le hiciera la revista argentina EXTRA en Junio de 1968.

La entrevista, al ser una revista argentina, fue redactada en castellano.

Habla de muchas cosas, incluido el papel del estado y la situación del medio rural portugués.

Quiero aclarar una cosa.

YO NO JUZGO A LAS PERSONAS, NI ME INTERESA LA POLÍTICA, EL ÚNICO INTERÉS QUE TENGO ES HISTÓRICO, NO DIGO QUE SALAZAR FUERA BUENO NI MALO, SOLO UNA PERSONA QUE ME INTERESA DESDE EL PUNTO DE VISTA HISTÓRICO, COMO TAMBIEN ME INTERESA DESDE ESE PUNTO DE VISTA FRANCO, DE GAULLE, HITLER, CHURCHILL, MUSSOLINI, STALIN, MAO, ETC......

Posteo la entrevista como documento histórico, sin apología ninguna, así también se puede observar la evolución del país.



REVISTA EXTRA - AÑO IV - Nº 35 - JUNIO 1968
40 AÑOS EN EL PODER
Entrevista a António de Oliveira Salazar

Extra estuvo en Lisboa exactamente el día que el profesor Oliveira Salazar –ahora presidente del Consejo del Gobierno- cumplía 40 años de PODER-PODER. Nunca había recibido a un periodista argentino, ni sudamericano. Además, hace ya tiempo que prefiere los largos silencios y la meditación al escaparate. Desde esa suerte de retraimiento, gobierna un Portugal sano, brioso, que se permite además el lujo de inmenso de mantener provincias africanas, en un ideal estado de convivencia, y donde el "natural" se siente totalmente portugués. 8 millones de almas en unos 160.000 km. cuadrados de Portugal, y 15 millones en Angola, Mozambique, Guinea, Macao, saben que el nombre de Oliveira Salazar, significa orden, estabilidad, progreso sin gritos.


"Renuncié a la emoción"

Durante 70 minutos Extra conversó con Oliveira Salazar, un obstinado célibe, de cuya soledad, misticismo y honestidad, hay pruebas concluyentes. Este fue el diálogo:


Antonio de Oliveira Salazar: ¿Qué les pasa a los argentinos...? ¡Qué lástima!...

Extra: Estamos buscándonos por dentro... Revisando nuestro estilo de vida. Como Uds. en 1928.

Oliveira Salazar: Yo recuerdo que por el año 1930, los pocos argentinos que llegaban a Lisboa se mostraban tan orgullosos del país que hasta me aseguraban que "la Argentina hacía llover cuando quería..." Y en los últimos años, los argentinos que pasan por aquí, sólo se quejan... se quejan... ¡Qué lástima!

Extra: Hemos tenido 7 presidentes en 22 años. Más de 200 ministros...

Oliveira Salazar: Claro, la continuidad es muy importante. Pero, además, los pueblos de América y los países del sur de Europa no pueden darse el lujo –creo yo- de vivir en una democracia representativa liberal parlamentaria. Porque tenemos mucha pasión. Y la pasión escinde. Desordena. Impide construir. Tuve que renunciar a la emoción para gobernar... No puedo evanecerme, puesto que no realicé todo lo que deseaba... Pero ejecuté lo suficiente para que no se pueda decir que fallé en mi misión. No siento, pues, la amargura de los que merecida o inmerecidamente no vieron coronados sus esfuerzos y maldicen a los hombres y a la suerte. Ni siquiera me acuerdo de haber recibido ofensas que me lleven a ser menos justo. Por el contrario; en este país donde tan a la ligera se aprecia y desprecian los hombres públicos, gozo del raro privilegio del respeto general... PUDE SERVIR...

Extra: Sin embargo hay gente que sostiene que tras 40 años de gobierno, Portugal pudo crecer más...

Oliveira Salazar: En política lo que valen son los resultados. El dirigente tiene que calcular la cantidad de ideal que soporta lo real y la dosis de libertad compatible con la salvaguardia de la autoridad y el mantenimiento del orden. Cuando llegué al Poder podía haber enajenado la nación con pedir préstamos al exterior. Un gran proceso de industrialización rápido, urgente y equivocado... No... De ningún modo; Portugal tenía que optar entre ESTAR MEJOR y SER MEJOR. Prefirió SER MEJOR...

Extra: Hemos visto mujeres y hombres de larga edad torcidos, sobre los hermosos campos, en minifundios marcados por el tiempo. Sin asistencia técnica casi... ¿Es un problema económico, educacional?

Oliveira Salazar: Es un problema sentimental. Nacieron allí. Trabajaron así... Los estamos convenciendo de que acepten por lo menos las Cooperativas para unirse allí, adquirir maquinaria y cambiar el método. ¿Pero usted cree que a mí, realmente me puede halagar que la gente se sienta esclava de la tierra, encorvada por la vida...? Una vez yo tenía un campo similar al de un vecino. Igual dimensión, igual cultivo. Lo quise cambiar. Entonces él me contestó: "NO SEÑOR DOCTOR... Yo sé que es igual que el suyo... Pero aquí yo venía cuando tenía 8 años con mi abuelo y la cabra... No lo puedo trocar..."

Extra: ¿Lo asusta la transformación?

Oliveira Salazar: (riendo mucho, mucho...) No me conoce usted. No quiero hacer pagar a mi país el precio caro de las transformaciones cuyo valor está todavía a demostrar... Por ejemplo, creo que en ese error incurrió la Argentina; seguí el proceso de Perón que parecía interesante, pero que se desvió. Llevar a un país de estructura agrícola – ganadera sin más ni más a un proceso industrial sin transición es peligroso y ruinoso...

Extra: ¿Entonces usted qué hizo al encontrarse en el Poder?

Oliveira Salazar: Me encontré con un país desordenado y endeudado. Sin fervor. Primero, como le dije, no volver a recurrir al crédito internacional sin sentido. Resolví que el camino más indicado si queríamos Seguir siendo PORTUGAL, era el que adoptan los católicos a la hora de la cuaresma: AYUNAR. Crecer demasiado pronto hubiera sido tentar al fracaso demasiado rápido. El estado no debe ser señor de la riqueza nacional, ni colocarse en condiciones de ser corrompido por ella. Para ser árbitro supremo de todos los intereses, es preciso no dejarse maniatar por ninguno de ellos... Sin cerrar los ojos a las enseñanzas que otras formas de organización traen como remedio, consideré como saludable para el cuerpo social un margen amplio concedido a la iniciativa privada y hasta a la competencia, siempre que EL ESTADO MANTENGA LA POSICION DE ARBITRO SUPREMO ENTRE LOS INTERESES EN JUEGO. Hubo que poner mano dura. No lo niego. Pero en circunstancias así, cada uno procura bastarse a sí mismo y es inútil en las economías que tienen la agresividad enfermiza de la miseria, encontrar fórmulas de colaboración amistosa...

Extra: ¿Qué es el socialismo de Estado?

Oliveira Salazar: Es un régimen burgués por excelencia. La moneda es una medida delicada, destinada a servir y no a dominar...

Extra: Según usted, la democracia representativa parlamentaria es contraindicada para países de América y sur de Europa. ¿Por qué?

Oliveira Salazar: Porque tienen muchos Jefes. Mucha deliberación. Escaso resultado. Aquí la Asamblea Nacional funciona 3 veces al año. Nada más. Los ministros no van a su seno, sino a las comisiones. No queremos discursos espectaculares y ataques indiscriminados para "salir en los diarios". Somos un país pequeño con problemas serios y no podemos abrir frentes de debilidad con el sólo fin de proclamar que "jugamos a la democracia".

Extra: A su juicio, ¿cómo hay que crecer?

Oliveira Salazar: Con inteligencia. Ustedes los argentinos, por ejemplo, deberían crecer desde el campo hacia la industria, elaborando al pie de los trigales los productos manufacturados. Y no intentar aventuras.

Extra: Pero en un mundo tecnológico, urgido, eso significa no ya crecer despacio, sino estancarse...

Oliveira Salazar: Le insisto; hay que elegir ESTAR MEJOR O SER MEJOR...

Extra: ¿Me permite que le cuente una anécdota que puede afectarlo?

Oliveira Salazar: Como no...

Extra: Los otros días en Coimbra, concurrí a visitar una República de Estudiantes. En el cuarto de uno de ellos, estaba inscripta en la pared una frase suya: "Sin el consentimiento del pueblo no se puede gobernar un minuto... Salazar". Debajo de ella el ocupante de la habitación había escrito en rojo vivo: ENTONCES PORQUE NO SE VA...

Oliveira Salazar: (con una extraña y larga sonrisa que le nacía en los ojos ampliaba las comisuras de los labios). Sí... me imagino. A ese joven universitario usted le pregunta: ¿Lo quiere a Salazar? Le contesta: NO. Pero le pregunta: ¿Y a quién quiere? Y él no sabe. La juventud del mundo sabe TODO LO QUE NO QUIERE. En eso coincide. Pero no sabe lo qué quiere... Ellos forman EL PARTIDO DE LOS QUE NO QUIEREN PARTIDOS.

Extra: ¿Cómo ve usted desde su balcón el problema de la Sorbona, del fragor de lo que hoy vive París...?

Oliveira Salazar: Con mucha preocupación. Le aseguro. Puede ser un polvorín. Creo que mi buen amigo De Gaulle tras decir las palabras justas fue cediendo. Y eso es muy peligroso. Fíjese; en Europa hay un gran jefe: De Gaulle. Pero como tiene resentimientos inolvidables contra EEUU y con Inglaterra, cada vez que habla, siempre rosa de paso a sus adversarios.
Esto no, esto no, esto no... Me hace acordar al chico de Coimbra; sabe lo que no quiere... Si De Gaulle invirtiera los términos y empezara a sazonar lo positivo...

Extra: Justamente hablando de crecimiento, España se desarrolla vertiginosamente y no como es su gusto, profesor...

Oliveira Salazar: Nosotros y España somos dos hermanos, con casa separada. Tan vecinos que podemos hablarnos desde los balcones, pero seguramente más amigos por ser independientes y celosos de nuestra autonomía. Miro con alegría el esfuerzo español. Su progreso. Me acuerdo que al término de la guerra mundial, cuando España fue prácticamente BOYCOTEADA por casi todos los países, solo dos naciones permanecieron a su lado; dejando sus embajadores y siguiendo las relaciones comerciales: la Argentina y Portugal. Hoy –recién hoy- todos admiran la labor de Franco... En fin... Pero le digo también que el crecer como España supone un riesgo; despersonalizarse. Esto no invalida mi admiración...

Extra: Permítame otra irreverencia; aquí en Portugal se practica abiertamente la Censura de Prensa...

Oliveira Salazar: Es extraño que usted no nos llamó "incivilizados" por eso. Le quiero aclarar; existe Censura previa, pero no se practica. Después de tantos años, los periodistas ya saben lo que NO DAÑA A LA NACION. No podíamos permitirnos, le repito, "el lujo de la libertad". A veces cuando leo algún editorial, se queja de una censura previa que solo figura en las normas, llamo a los periodistas y le propongo: suprimo la norma de censura previa, pero ordenamos el secuestro de toda publicación que atente contra seguridad del país y de sus instituciones. Entonces todos saltan y dicen: "¡NO... Preferimos el actual estado de las cosas...!" Es que hay que saber vivir en libertad con responsabilidad.

Extra: Otra cosa que molesta "AL MUNDO" es que Portugal insista en mantener la autoridad sobre Angola, Mozambique, Macao...

Oliveira Salazar: ¿Al mundo? No. A los intereses del EXTRAÑO MUNDO... Angola, Mozambique, Guinea, Macao, son provincias portuguesas, de notable identificación. De estupenda convivencia. La mala información norteamericana lleva a confundir las cosas. Es raro que un país que no logra que el seno de su sociedad pueda integrarse pretos y blancos, intenten en el Africa que los pretos se autogobiernen, en una actitud que llamó demagógica e irresponsable. Piden la libertad fuera de sus límites, pero tiene problemas raciales insolubles dentro de sus fronteras. Y no sé realmente si un día no nos levantamos y estamos ante una guerra civil en EEUU.

Extra: ¿Sostiene usted entonces que los países del Africa no se pueden autogobernar?

Oliveira Salazar: Así es...

Extra: Pero, ¿cuándo podrán?

Oliveira Salazar: Es un problema de siglos. Dentro de 300 a 500 años... Mientras tanto tendrán que ir participando del proceso... Llámelo a eso neocolonialismo o como quiera, si la palabra está agotada...

Extra: ¿Y mientras tanto cuánto tiempo más podrá Portugal soportar la guerra terrorista...?

Oliveira Salazar: Indefinidamente. Es apenas en la frontera y son mercenarios. Nos cuesta 6 millones de contos que salen íntegramente del presupuesto natural... de mayores ingresos...

Extra: Pero la juventud que tiene que ir allí se queja...

Oliveira Salazar: Extraño. Porque una estadística prueba que se afirma el sentimiento nacional. Y que el 40% de los que retornan a Portugal tras cumplir la exigencia militar, vuelven a instalarse en Luanda, o en Mozambique... Conocen el país integralmente y aprenden a amarlo... Porque defenderlo es amarlo...

Extra: Le quiero hacer una pregunta difícil... Complicada...

Oliveira Salazar: Ya sé; como tengo 79 años, muchos preguntan qué va a ocurrir e Portugal cuando yo no esté... Pues nada. Respetando las instituciones creadas, no pasará nada. El Presidente de la Nación designará un nuevo Presidente del Consejo de Gabinete...

Extra: ¿Pero hay quién lo pueda suceder?

Oliveira Salazar: Hay figuras insospechadas...

Extra: Hágame nombres. Porque sino habría que buscar a Diógenes y su linterna...

Oliveira Salazar: (amplia risa). No. No hará falta... Lo único es que habrá que tener paciencia al principio y DARLE PLAZO PARA GOBERNAR. No apurarse... Darle tiempo...

Extra: ¿Qué le pediría usted a la Argentina...?

Oliveira Salazar: Que nos conociera un poco más... Conocernos, conocernos...

Extra: Nosotros también buscamos un estilo de vida o un sistema...

Oliveira Salazar: Sí, pero no hable usted de corporativismo en su país que lo van a acusar de facista... Este traje portugués a lo mejor no le queda bien al país, pero algunas experiencias que tenemos para administrar y conducir, pueden ser dignas de estudio... Aquí los intereses de los más están representados; tenemos una Cámara Política, la Asamblea Nacional y una cámara de carácter eminentemente social que es la Cámara Corporativa. Aquí no falta ningún sector de interés. Empresarios, obreros, profesionales, técnicos, profesores universitarios. Tan mal no nos ha ido; el analfabetismo que era de un 70% en 1928 fue anulado totalmente en cuanto a la población con edad escolar; el producto bruto nacional se elevó en un 65% en los últimos 10 años; la producción industrial subió de 9 millones de contos, en 1938, a 50 millones de contos en 1967; la tasa de producción de electricidad pasó de 187 millones klw/hora en 1926 a 5.200 klw/hora en 1967. La organización mundial de la Salud ha felicitado a Portugal por su capacidad sanitaria; se cuadriplicaron las escuelas primarias. Liceos universidades, en Portugal, en Angola y en Mozambique, son otras pruebas innegables de que hemos trabajado en un tiempo en que se habla mucho, todo parece depender de los subsidios y ayuda técnicas y esto lo hemos hecho SOLOS.

Extra: Ustedes tienen relaciones diplomáticas y comerciales con Cuba...

Oliveira Salazar: Eso no puede causar extrañeza. Si Estados Unidos obligado a desempeñar casi un papel de Gendarme Mundial, aboga y practica una política de acercamiento de relaciones comerciales y hasta de auxilio a países del bloque socialista; no veo yo que Cuba amenace más la seguridad del Hemisferio Occidental más de lo que la amenaza Rusia... Yo veo que la República Arabe Unida o Ghana, hostilizan públicamente a EEUU y, sin embargo, no cesan de recibir ayuda. Washington tiene una política muy extraña.

Extra: Por fin, profesor Salazar, ¿prevé o favorece usted algunas mudanzas en el sistema político portugués para los próximos años?

Oliveira Salazar: 40 años no es nada en la vida de un pueblo. Nada... Sin embargo, hemos avanzado. ¿Sabe lo que pasa? Hoy ya no hay grandes partidos; HAY PATRULLAS POLITICAS por un lado y por el otro, ESTADOS MAYORES POLITICOS sin fuerzas importantes que lo sigan... Hay mucha gente sedienta de cambio. Todos podrían unirse, pero sólo lo hacen para la subversión. No podrían gobernar un minuto. No se puede ser liberal y socialista al mismo tiempo. Además, frente al orden ofrecen el caos... Esta experiencia es la que mejor se ajustó a nuestro modo de ser. Claro; hubo errores, injusticias, deficiencias, atrasos, abusos; todo eso lo podemos admitir, porque nada es bastante para destruir el valor de la comparación. El orden, la tranquilidad pública, el crecimiento educacional y cultural, el prestigio, la cohesión nacional, todo eso, aceptamos, que con otras personas se hubiesen podido conseguir; CON OTROS PRINCIPIOS, NO. Lo que está indicado no es volver al desorden parlamentario y a la debilidad de los gobiernos. No es destruir la experiencia que se acreditó por su eficacia, sino renovarla en personas y métodos, pero proseguir... El liberalismo económico murió. Y nosotros somos por tanto, libres de tener una organización. Fuimos hacia la organización corporativa. Y nos dio la síntesis deseable de los intereses. Sustituimos la lucha de clases. En fin... El Poder cansa, gasta, disgusta a los que lo soportan, incluso cuando no hay razón. Son como los enfermos; volviéndose al lecho, siguen con los mismos dolores, pero les parece que están mejor... Yo siempre he sido refractario a mudar por mudar. Comprendo las impaciencias o las necesidades políticas, para cuya creación, NO DESEO CONTRIBUIR. El inmovilismo es terrible; pero cambiar el orden por el caos, es peor. Estoy siempre preparado para partir; no digo sin disgusto, pero sí, sin desilusiones...
 
É moito posivel que a situaçao de os predios e as terras con tantos propietarios e divisioes dos campos seja una coisa sentimental, se eso é asim, acho que a soluçao e mesmo moito dificil, pois nao ha coisa mais dificil de mudar que una situaçao sentimental.
 
É moito posivel que a situaçao de os predios e as terras con tantos propietarios e divisioes dos campos seja una coisa sentimental, se eso é asim, acho que a soluçao e mesmo moito dificil, pois nao ha coisa mais dificil de mudar que una situaçao sentimental.

Palavras sabias Duero!
Estou agradecido pela bibliografia que indicaste, servirá para algumas crónicas que precisam ser contadas brevemente! É importante que o povo saiba que a história passada há muitos séculos atrás, também enfrentou a problemática dos incêndios!

Os sucessivos governos de há 30anos para cá vêm contando uma mentira, esperando subrepticiamente pelo contínuo abandono das aldeias e seu envelhecimento. A idéia da expropriação das terras, é uma idéia que para já ainda lhes mete algum medo avançar, mas os políticos esperam até poderem avançar, sabem que neste momento lhes sairia o tiro pela culatra, ou pior, por excesso de chumbo no sangue. É que com estas coisas não se brinca!

É necessário entender um português! O português não gosta de ser enganado e sabe bem aquilo que é seu comprado ou herdado dos seus antepassados! Vocês imaginam a guerra que é um vizinho passar com trator no caminho mas 20cm em cima da propriedade alheia?! Em termos teóricos, o caminho parece vir a deslocar-se com o tempo 20cm para o lado, mas na prática o vizinho arrisca-se a uma guerra de consequências desastrosas!

Sim, é um problema sentimental, mas por pouco que valha uma propriedade ardida, tem dono! Ou não fôssemos portugueses!

Que político se passearia por aquela região??

Sei o que o governo pretende.. Daqui a 20 anos, aquilo é deserto.. Expropria-se e depois como nem dos parques nacionais tomam conta, vendem às grandes empresas como as da indústria do papel e aglomerados de madeira, para baixar o défice! Ah e para meter lá dentro mais uns quantos boys!! Essa é a verdade..

A culpa dos pequenos proprietários florestais não passa de uma grande MENTIRA repetida durante 20 anos, a grande dos leitores vivem esta mentira com naturalidade, pois assim viveram desde que começaram a se preocupar com o mundo! Os verdadeiros culpados ninguém quer saber, na vida temos de perguntar-nos porque é que as coisas acontecem, mas perguntar 5 vezes: porque, porque, porque, porque, porque.. Inocente ou não, negligente ou não, CRIME!
 
Mitos e verdades sobre o fogo e a florestaMitos e verdades sobre o fogo e a floresta


1.

Este ano ardeu mais, ou menos, do que a média da última década?

Até 15 de Agosto, segundo os dados da Autoridade Florestal Nacional, arderam 71.687 hectares, ou seja, menos 30.962 hectares que a média dos últimos dez anos no mesmo período. Esta média inclui anos trágicos como 2003 (425 mil hectares) e 2005 (338 mil hectares) - no conjunto perto de 14 por cento da área florestal nacional -, mas também anos benignos como 2007, com pouco mais de 17 mil hectares ardidos, o valor mais baixo desde que há registos. A área ardida deste ano é muito superior à dos últimos três anos. No ano passado, até 15 de Agosto tinham ardido 26 mil hectares, mais vinte mil hectares que em 2007. Em 2003, nesta altura as chamas já tinham destruído 372 mil hectares. Mariana Oliveira



2.

As condições do clima este ano foram piores do que em anos anteriores?

O valor médio mensal do índice de risco de incêndio FWI para o mês de Julho foi ligeiramente inferior ao valor de 2005, estando acima dos valores dos últimos cinco anos e do valor médio considerado, refere o Instituto de Meteorologia (IM). Até meados de Agosto, o índice de severidade diário era superior ao de 2003 e apenas inferior ao de 2005 e 2006. O IM nota que, entre 1 a 12 de Agosto, o território continental registou uma média da temperatura máxima do ar de 33,9ºC, o que significa uma anomalia de mais 5,1ºC em relação ao valor normal de 1971-2000 (28,8ºC) para este mês. "Estas condições traduziram-se num aumento significativo do risco meteorológico de incêndio e, consecutivamente, do índice de severidade diário, resultando em maiores dificuldades no controlo e supressão dos incêndios florestais", lê-se no último relatório da Autoridade Florestal Nacional. Em termos do clima, Julho foi um mês seco e muito quente, registando o maior valor da temperatura máxima do ar, 31,7ºC, desde 1931. Neste mês ocorreram duas ondas de calor e, em relação à precipitação, Julho foi o mais seco dos últimos 24 anos. M.O.





3.

Como se pode explicar o elevado número de incêndios registados por dia em Agosto?

O número de ignições registadas em Portugal é um dado que ainda hoje intriga os especialistas, que alertam para a necessidade de se estudar melhor este fenómeno. É que Portugal sozinho regista mais ocorrências do que a Espanha, um país com uma área cinco vezes superior. E mais do que qualquer país do Sul da Europa, com quem partilha o mesmo tipo de clima. Até 15 de Agosto tinham sido registados 14.661 fogos, a maioria dos quais com uma área ardida inferior a um hectare (12.212). Em 2006, por exemplo, Portugal contabilizou perto de 22 mil ocorrências, enquanto a Espanha registou pouco mais de 16 mil. A França teve 1871 ocorrências, a Itália 5471 e a Grécia 8874. Mas mais grave do que o número de ocorrências é a sua concentração, já que o dispositivo de combate só está preparado para responder a um máximo de 250 ignições/dia. Contudo, a 8 de Agosto registaram-se 501, sendo a média dos primeiros quinze dias do mês 324 fogos/dia. E a grande maioria acontece em cinco distritos: Porto (4125), Aveiro (2147), Braga (1703), Viana do Castelo (1552) e Viseu (1264). M.O.



4.

O dispositivo de combate tem sido eficaz?

O dispositivo de combate aos incêndios florestais foi reforçado depois dos anos trágicos de 2003 e 2005. O Estado adquiriu dez helicópteros, em grande parte devido aos fogos, e há mais meios aéreos a operar no Verão, tendo sido adoptada uma nova estratégia de os utilizar, que privilegia a primeira intervenção. Introduziu-se a filosofia do comando único e criou-se a Força Especial de Bombeiros com mais de 250 elementos e o Grupo de Intervenção, Protecção e Socorro da GNR, com mais de 600 militares, ambos numa lógica de profissionalização do combate. Trouxe-se conhecimento para o dispositivo, com a criação do Grupo de Análise e Uso do Fogo. Os especialistas concordam que o dispositivo de combate está mais eficaz, mas há quem saliente que há muito por onde evoluir. A formação dos comandantes, a coordenação das várias entidades no teatro de operações e a logística no terreno são algumas das áreas a melhorar. M.O.





5.

Como tem evoluído o dispositivo de combate nos últimos anos?

As tragédias de 2003 e 2005 obrigaram a mudanças profundas no dispositivo de combate. Hoje há mais meios do que nunca. A frota aérea é composta por 56 aparelhos, contra os 38 contratados para actuar em 2003 e os 49 em 2005. Também significativo foi o aumento a nível dos meios humanos, que, entre 2003 e 2010, quase triplicaram (de 3344 passaram para 9985 elementos). O que também triplicou foram os custos, que em cinco anos aumentaram de 36,6 milhões de euros para 103 milhões de euros. M.O.





6.

Quem manda no combate aos fogos?

Em 2006, na sequência da nova lei de bases da Protecção Civil, foi criado o Sistema Integrado de Operações de Protecção e Socorro, que define as regras de articulação entre as várias entidades ligadas a esta área no teatro das operações. Introduziu-se assim a filosofia do comando único, que salvaguarda, contudo, a dependência hierárquica de cada organismo. Na Autoridade Nacional de Protecção Civil está o Comando Nacional de Operações de Socorro (o CNOS possui um comandante nacional, um segundo comandante e três adjuntos), que está no topo da hierarquia de comando das operações. A nível distrital existem os Comandos Distritais de Operações de Socorro, também com um comandante e um segundo comandante, responsável por este nível. Todos os anos o CNOS emite uma directiva operacional, que dá conta dos meios disponíveis em cada fase dos incêndios e do funcionamento do dispositivo. Mas quem comanda no combate de um fogo é o primeiro a lá chegar, sendo depois substituído normalmente por um comandante dos bombeiros locais. Os casos mais complexos são geridos pelos comandantes distritais ou por um responsável do CNOS. M.O.





7.

A maioria dos fogos tem origem criminosa?

Não. Este ano, o Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) da GNR, responsável pela investigação das causas dos incêndios florestais, já terminou 3943 inquéritos, tendo concluído que a maioria (44 por cento) é de origem negligente. Os fogos intencionais representam 22 por cento do total e as causas naturais são responsáveis por apenas dois por cento das ignições investigadas. Não foi possível determinar a causa de um terço dos fogos. Os números não são muito diferentes dos do ano passado, em que foram investigadas 12.176 ocorrências. As queimadas estiveram na origem de 33 por cento dos incêndios, enquanto a queima de lixo, o fumar e as fogueiras explicaram, cada um, um por cento das ignições. O incendiarismo foi a causa de 26 por cento das ocorrências. Até 2005, a investigação das causas estava a cargo do Corpo Nacional da Guarda Florestal, extinto nesse ano e cujos profissionais foram integrados na GNR. Nessa altura fazia-se uma média de 1200 investigações por ano. No entanto, era maior a taxa dos casos em que se concluía por uma determinada causa. M.O.





8.

O papel reservado às autarquias na prevenção e combate aos fogos está a ser cumprido?

Os incêndios de 2003 resultaram numa profunda reforma nesta área, com os municípios a assumirem novas competências. Em 2004, criam-se as Comissões Municipais de Defesa da Floresta contra Incêndios para substituírem as anteriores estruturas - as CEFF. Até ao início do ano só três concelhos não dispunham ainda deste organismo, nos 278 existentes no continente. Estas comissões são responsáveis pela promoção e execução a nível local da política de Defesa da Floresta contra Incêndios, sendo obrigatório a elaboração dos planos municipais (os PMDFCI), o que quase todos (270) os municípios cumpriram. Mas já são menos (250) os que possuem Gabinetes Técnicos Florestais, que põem em prática as políticas definidas pela câmaras, e menos ainda (149) os que dispõem de Planos Operacionais Municipais que concretizam os PMDFCI. No terreno muitos queixam-se de que há planos desactualizados, que não servem para nada. Um estudo do Instituto de Estudos Sociais e Económicos, de 2007, apontou três problemas ao trabalho dos Gabinetes Técnicos Florestais: profissionais inexperientes, estruturas isoladas nas câmaras e muitas vezes desviadas para outras funções. No combate foi criada, em 2007, a figura de comandante operacional municipal, contra a vontade dos municípios. Em Agosto, a Associação Portuguesa de Técnicos de Segurança e Protecção Civil estimava que apenas 20 por cento das autarquias portuguesas tivessem este comandante de nível municipal. M.O.





9.

A floresta do Estado arde mais do que a privada?

A Autoridade Florestal Nacional (AFN) tem sob sua gestão 529.620 hectares de matas nacionais e perímetros florestais, a maior parte dos quais são baldios. O ano de 2005 foi, no último decénio, aquele que apresentou maior área ardida nas florestas de gestão públicas, tendo os incêndios florestais destruído mais de 16 mil hectares. O ano passado os incêndios ocorridos em áreas sob gestão directa da AFN queimaram 13,3 mil hectares, o que representa 15 por cento da área ardida. Foram registadas nestas áreas 577 ocorrências, o que significa dois por cento do total. Em 2009, percentualmente, ardeu bastante mais nas áreas geridas pelo Estado do que nas áreas geridas por privados. Já em 2005, a situação inverteu-se, com a floresta privada a arder duas vezes mais que a de gestão pública. M.O.





10.

As espécies florestais portuguesas são mais vulneráveis ao fogo?

Pinheiro-bravo, eucalipto e sobreiro são as três espécies florestais que mais área ocupam no país, de acordo com o Inventário Florestal Nacional (2005

2006). As primeiras duas são especialmente atreitas a incêndios e entram em ignição mais facilmente, devido às suas características intrínsecas, explica Joaquim Sande Silva, investigador em fogos florestais na Escola Superior Agrária de Coimbra e no Centro de Ecologia Aplicada Prof. Baeta Neves. As folhas do eucalipto e do pinheiro-bravo têm menor teor de humidade em relação a outras espécies. Para agravar o cenário, estas árvores têm óleos (eucaliptos) e resinas (pinheiro), lembra Joaquim Sande Silva. Mas não é tudo."Estes povoamentos florestais criam um ambiente seco ao nível do solo, propício aos incêndios", disse, lembrando que os fogos começam sempre na vegetação. Já o sobreiro, a nossa folhosa autóctone com maior representação, "resiste muito ao fogo por ter uma casca grossa, apesar de também arder como as outras árvores". Os montados conseguem manter mais humidade ao nível do solo. Helena Geraldes



11.

Há interessados nos incêndios?

Muito se fala na gíria popular das redes criminosas ligadas ao fenómeno dos incêndios. Contudo, as alegadas máfias do fogo, ligadas à indústria da madeira, aos interesses imobiliários ou às empresas de meios aéreos, nunca foram detectadas nas investigações da Polícia Judiciária, que tem competência exclusiva para investigar os incêndios dolosos. Desde 1997 que o Instituto Superior de Polícia Judiciária e Ciências Criminais estuda os incendiários condenados e, a partir de 2000, os detidos pelas autoridades, tendo concluído que mais de 90 por cento são homens e a maioria tem mais de 36 anos. Na generalidade, fazem-no fruto de perturbações psíquicas ou por vingança. Desde que em Setembro de 2007 o Código Penal autonomizou o crime de incêndio florestal, a Direcção-Geral dos Serviços Prisionais contabiliza vinte pessoas condenadas, 12 das quais foram consideradas inimputáveis e obrigadas a cumprir medidas de internamento em instituições psiquiátricas. "A opinião pública sobrestima fortemente as causas intencionais com objectivos económicos (que são insignificantes) e praticamente ignora as associadas a produção agro-pecuária, as realmente mais comuns", nota Tiago Oliveira, engenheiro florestal, que fez parte da equipa que elaborou a proposta técnica do Plano Nacional de Prevenção e Protecção da Floresta contra Incêndios. M.O.





12.

Os incêndios são um bom negócio para os madeireiros?

Em casos específicos, sim. Enquanto no caso do eucalipto as empresas de celulose recusam madeira com qualquer vestígio de carvão (o que afecta a qualidade da celulose) e pagam exactamente o mesmo preço por metro cúbico à entrada da fábrica, no caso do pinho a realidade pode ser diferente. Depois de um fogo, os troncos de uma floresta de pinheiro-bravo ou são imediatamente cortados e entregues às serrações, ou começam a ganhar uma espécie de bolor que lhe muda a cor e impede a sua utilização, por exemplo, na indústria do mobiliário. Quer isto dizer que, após um incêndio, os produtores afectados tratam imediatamente de colocar o que resta dos seus espaços florestais à venda, aumentando a pressão da oferta sobre a procura. Este cenário acaba por beneficiar os madeireiros, que aproveitam para baixar os preços e escolher os melhores lotes da madeira que chega ao mercado. Esta baixa de preços repercute-se igualmente na indústria. Mas, no processo, são os madeireiros, que, regra geral, dominam o mercado de uma determinada área florestal, quem mais pode ganhar com os fogos. Manuel Carvalho





13.

Os incêndios são um bom negócio para a especulação imobiliária?

Desde 1990 que a lei proíbe a construção, pelo prazo de 10 anos, em povoamentos florestais percorridos por incêndios, em áreas não classificadas nos planos municipais de ordenamento do território como solos urbanos. Contudo, a partir de 2007, introduziu-se a possibilidade de, por despacho conjunto dos ministros do Ambiente e da Agricultura, serem levantadas as proibições, desde que se comprove que a origem do incêndio se fica a dever a causas a que os interessados são alheios. Actualmente a legislação também proíbe a construção de edificações para habitação, comércio, serviços e indústria nos terrenos classificados nos Planos Municipais de Defesa da Floresta contra Incêndios com risco de incêndio elevado ou muito elevado. Há, contudo, quem interrogue a aplicabilidade destes diplomas, alegando que muitas vezes ninguém os fiscaliza. M.O.





14.

Existe legislação específica para o ordenamento florestal?

Um dos problemas que repetidamente se associam ao drama florestal relaciona-se com o labirinto da legislação. Depois de vários anos de debate, a Assembleia da República aprovou em 1996 a Lei de Bases da Política Florestal, que, naturalmente, se tornou a matriz do ordenamento florestal português. Aí se previam dois níveis principais de intervenção: a escala regional e a escala da associação local de produtores. Para a primeira, foram lançados os Planos Regionais de Ordenamento Florestal (PROF), para as segundas as Zonas de Intervenção Florestal (ZIF), cuja aprovação estaria dependente de planos de acção nos quais se determinariam as regras básicas do ordenamento e da gestão desses espaços, incluindo medidas ao nível da prevenção dos fogos. Os PROF, porém, demoraram três anos a ser regulamentados e a sua publicação só aconteceu depois de 2006. As ZIF, por seu lado, tiveram enquadramento legal em 2005 (nove anos depois de previstas na lei de bases) e, entretanto, foram-se disseminando pelo território. Actualmente há 27 no Norte, 64 no Centro, 18 em Lisboa e Vale do Tejo, duas no Alentejo e 16 no Algarve. Mais crítico do que o seu número é a sua operacionalidade: na sua grande maioria, as ZIF continuam no papel, sem qualquer acção concreta ao nível do planeamento e ordenamento. Falta-lhes uma competência básica: a de poderem vender os produtos da exploração florestal. Sem este estímulo, "vai ser difícil obter os resultados que se esperavam das ZIF", diz João Soares, agrónomo e ex-secretário de Estado das Florestas. M.C.





15.

O abandono rural explica o drama dos incêndios?

Os especialistas concordam que o abandono rural explica em grande parte o problema dos incêndios. Até à década de 50, nota Américo Mendes, professor da Faculdade de Economia da Universidade Católica e produtor florestal, o risco de incêndio estava controlado "devido à existência de uma população rural numerosa e com usos e costumes que permitiam o controlo da massa combustível na floresta a níveis que reduziam esse risco de incêndio". Com o êxodo rural, os custos de mão-de-obra para uma gestão florestal sustentável começaram a ser cada vez mais elevados, conduzindo a rentabilidade privada da produção florestal para níveis negativos. "Os grandes incêndios de 2003 e 2005 não são mais do que o auge das consequências negativas desse problema económico de fundo, que tem vindo a desenvolver-se, pelo menos, desde os anos 50, sem políticas públicas que ajudem a resolvê-lo ou, pelo menos, atenuá-lo", defende o docente na apresentação "Política Florestal em Portugal depois de 2003". M.O.





16.

O que vale a floresta portuguesa?

A floresta é o mais importante recurso renovável do país. Por alturas da integração europeia, acreditou-se que a prazo se poderia transformar numa espécie de petróleo verde. Com o início da razia dos incêndios, nos anos 90 e principalmente entre 2000 e 2005, esse "sonho florestal português" deixou de fazer sentido. Mas, apesar de todas as dificuldades por que o sector passa, principalmente na fileira do pinheiro-bravo, a floresta tem um valor estimado por Tiago Oliveira em 7750 milhões de euros e é a base de uma fileira que gera aproximadamente cinco mil milhões de euros por ano, representando três por cento do valor acrescentado bruto da economia (VAB) e 15 por cento do total das exportações. Olhando para estes valores, vale a pena notar que, de acordo com as estimativas de Américo Carvalho Mendes para 2001 e 2004, a venda de produtos lenhosos, a caça, a recolha de cogumelos, o sequestro de carbono acrescentavam cerca de 1300 milhões de euros à economia. A maior fatia da riqueza florestal provém, no entanto, de produtos transformados, com destaque para o papel e derivados da cortiça, que representam 61 por cento do valor das exportações do sector. A floresta gera aproximadamente 150 mil postos de trabalho directos. M.C.





17.

De quem é a floresta portuguesa?

A floresta portuguesa é quase exclusivamente privada. Ao contrário da regra que se verifica em boa parte dos países da Europa, a propriedade pública florestal é muito reduzida, limitando-se a 86 mil hectares, entre matas nacionais ou parques naturais. Ou seja, cerca de dois por cento dos 3,4 milhões de hectares ocupados pela floresta nacional, de acordo com o inventário de 2005/06. O domínio absoluto dos espaços florestais pertence a cerca de meio milhão de proprietários privados, que dispõem de pouco mais de 84 por cento da área florestal. A maioria destes proprietários (61 por cento) possui uma área inferior a cinco hectares, uma dimensão com pouca viabilidade económica que estimula o abandono. "Alguns herdaram e não sabem, outros emigraram, alguns desistiram de cuidar dos terrenos, outros mudaram-se para as cidades", lamentou, numa entrevista ao DN, o secretário de Estado das Florestas, Rui Barreiro. No capítulo da floresta privada, vale a pena notar que as empresas produtoras de pasta e de papel detêm já uma área florestal estimada em 250 mil hectares, ou seja, 7,7 por cento do total. Finalmente, uma área da floresta nacional correspondente a meio milhão de hectares é ocupada pelos espaços comunitários, mais conhecidos por baldios. M.C.





18.

O Estado devia intervencionar as matas abandonadas?

O princípio de que deve haver penalizações para quem não cuida de um bem privado de interesse público como é a floresta é defendido por vários especialistas. Quanto à possibilidade de ser o Estado a exercer essa penalização através da intervenção directa nas explorações florestais, as divergências são mais nítidas. Mesmo estando prevista na legislação florestal de alguns países europeus, a ingerência directa do Estado exigia que as taxas de abandono de espaços florestais fossem reduzidas e reclamava uma administração pública capaz de identificar e punir as infracções. Ora, a Autoridade Florestal Nacional, herdeira da outrora poderosa e qualificada Direcção-Geral das Florestas que se diluiu na máquina do Ministério da Agricultura, não tem recursos capazes sequer para garantir a gestão das matas do Estado. Como alternativa, há quem defenda penalizações de natureza fiscal para os absentistas. João Soares é há anos um convicto advogado desta medida, que passa pelo agravamento do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) para as propriedades abandonadas. Esta medida teria de ser antecipada pela construção de um cadastro florestal, que espera há décadas para ser concretizado, e a fiscalização do absentismo e da negligência seriam transferidos do Ministério da Agricultura para o Ministério das Finanças. "Tendo de pagar impostos elevados, os proprietários absentistas teriam mais disponibilidade para vender, o que dinamizaria o mercado fundiário em Portugal", diz João Soares. M.C.





19.

Em que estado estão as matas comunitárias?

As matas comunitárias, mais conhecidas por baldios, são actualmente um dos principais problemas da floresta nacional. O Governo lançou este ano um debate público para se avaliar o que fazer com uma área de meio milhão de hectares que se encontra num limbo de indefinição entre a memória comunitária de outrora e a realidade actual do mundo rural, onde rareiam pastores e a floresta deixou de ser uma fonte providencial de recursos. Regidos por uma lei de 1983, os baldios podem ser geridos por assembleias de compartes eleitos pelos povos de uma determinada área, ou, por delegação, pelo Estado via serviços florestais. A maioria dos baldios segue esta modalidade. Pelo lado dos serviços florestais, o que tem sido feito são apenas cortes ("uma actividade mineira", na expressão de João Soares), não havendo recursos nem disponibilidade para operações de silvicultura. Pelo lado dos compartes, as receitas obtidas com a venda de madeira servem para reparar capelas ou fontes, quase nunca para reinvestir na floresta. Face a estas lacunas, os baldios degradaram-se ou arderam mais rapidamente que o resto da floresta. Em muitos casos, os compartes são apenas representantes de facções políticas que ali encontram outra forma de prolongar ou de se oporem à acção das juntas de freguesia ou dos municípios. M.C.





20.

A floresta portuguesa está na pior situação de sempre?

Errado. A floresta está hoje numa situação muito mais complicada do que há dez anos. Mas a crença de que Portugal era há 100 anos um país coberto de árvores de Norte a Sul não resiste à análise da História. De acordo com o investigador Inocêncio Seita Coelho, em 1867 a área florestal representava 14,1 por cento do território; em 1995 ocupava 38,2 por cento, um valor muito próximo do actual. Olhando em perspectiva desde os anos 80, houve uma espécie florestal que reforçou a sua presença no espaço florestal: o sobreiro. O eucalipto, a segunda espécie mais importante da floresta, recuou ligeiramente. A azinheira e o carvalho, a quarta e quinta espécies em termos de área, assinalaram recuos mais pronunciados. Mas, no caso do pinheiro, a situação é trágica: em dez anos, a sua área reduziu-se 266 mil hectares, ao ponto de pôr em causa a sobrevivência económica da importante fileira industrial que lhe está associada. Esta espécie foi a principal vítima dos incêndios que devastaram o país entre 2000 e 2006. Enquanto os eucaliptais se regeneram naturalmente após um incêndio, os pinhais exigem operações silvícolas de manutenção para sobreviver. Se o pinhal destruído tiver mais de 15 anos, pode ter deixado no solo sementes para germinar. Mas as plantas jovens têm de conviver com mato altamente combustível. E "há sempre uma forte probabilidade de este mato arder antes de os pinheiros atingirem os 15 anos". Quando esta situação acontece, o pinhal desaparece. Como tem desaparecido. M.C.

(C) Público