Floresta portuguesa e os incêndios

Relativamente aos Eucaliptos...
Pessoalmente considero uma invasora, dadas as suas caracteristicas de expansão e adaptação! Para mim, onde ele entra...não sai!
Julgo que (e aí concordo com esta "reforma" do Governo) não se deve expandir mais o Eucalipto! Se por um lado há a natural dificuldade de expansão (Terra fria Transmontana, Beira Alta, Alto Tâmega), com a altitude a ser o agente limitante, por outro não se deveria permitir plantações em espaços onde ele ainda não entrou!
No entanto dever se ia salvaguardar uma situação, através de um mecanismo de compensação, i,é, se eu morar em Vimioso (por ex) não posso plantar, mas um habitante de Braga pode...ora, o lucro dele será a curto prazo, coisa que o habitante de Vimioso não poderá tirar!!
Daí haver necessidade de criar um mecanismo de compensação dos proprietários que (dada a sua localização geográfica) não podem plantar espécies de rápido crescimento!
Quanto à combustibilidade e rebentação (por toiça)...de facto é uma espécie altamente pirófita (gosta de fogo) pois o fogo é um ótimo aliado na limitação de outras especies e favorecimento desta...mas esta combustibilidade naõ é muito diferente da do pinheiro.
 
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Floresta: só quando Portugal arde é que aumenta a produção de leis
 
O eucalipto esgota os solos devido ao crescimento contínuo (enquanto houver água), sem matos, a chuva "lava" as terras tornando-as progressivamente inférteis. E se um dia quisermos livrar-nos dos eucaliptos, têm de ser arrancadas as raízes com uma máquina, caso contrário estão sempre a surgir novos rebentos.

Independentemente da tenacidade do eucalipto, que é real, há muitas maneiras de eliminar eucaliptos, se se quiser. Com fungos, que levam ao apodrecimento (biodegradação), com destroçadores que os escavacam no local, etc., etc. Vê-se muito aí pelos montes.

Hoje em dia arrancar cepos de eucaliptos é uma má alternativa, só se for para construir casas ou estradas. Na minha terra estão sempre a tirar e por eucaliptos e pinheiros, para cultivos agrícolas (milho, ervilha, etc.), e alguns, uns anos depois, até voltam a plantar floresta outra vez, quando acabam os arrendamentos e ninguém quer pegar nas terras.

Também no vale do Baixo Mondego, nos arredores de Coimbra, há uns 30 anos havia grandes plantações de choupos (que é igualmente uma árvore muito vivaz) e, quando chegaram os subsídios da CEE, em meia dúzia de anos foram todas arrancadas para campos de milho e arroz!

Há um livrinho já antigo (anos 80 ou 90) chamado "Novos aproveitamentos em antigos eucaliptais" onde são descritas inúmeras transformações de eucaliptais em várias culturas agrícolas e florestais diferentes, com sucesso. É muito elucidativo, sobretudo porque é um tema em que há um abismo entre o que as pessoas (algumas) pensam e aquilo que é o mundo real.

Não se preocupem, é muito fácil fazer desaparecer uma mata, desde que não seja de mimosas.
 
De invasora não tem nada...é o que vulgarmente se designa por Feto, e cresce em zonas com alguma humidade até aos 1000 metros

Essa espécie de feto é o Pteridium aquilinum e rebenta logo após os incêndios (ou cortes) a partir de rizomas subterrâneos - que compõem 70 ou 80% da planta - e por isso é que rapidamente recupera, com base em reservas subterrâneas. É uma espécie que existe em praticamente todos os continentes, e em Portugal ocorre mais frequentemente em sítios ensombrados, com solos ácidos e não demasiado secos, no Norte e Centro (e ilhas).
 
Relativamente a este tópico, interessante perceber as percepções/sensibilidades de alguns membros relativamente a implicação da floresta (da composição quanto a especie) e a sua propensão em arder...
Declaração de interesses: não trabalho em nenhuma empresa de celulose, nem sou nenhum fã da espécie Eucalipto, bem pelo contrário!
Genericamente temos 3 tipos de floresta:
Florestas de Produção
Florestas de Proteção
Florestas de Conservação
A que mais me identifico é esta ultima sem duvida. E nesta ultima os matos são MUITO importantes (isto é para aqueles que tem a fobia de limpar tudo na floresta...).
O Eucalipto é o principal contribuinte da floresta de produção...floresta essa muito necessaria...
Daqui a algum tempo abordaremos isso...para já, acham que ha alguma relação entre o Eucalipto e o numero/área de incêndios?

Caro AJB,

Há mais tipos de florestas para além dos que referiu... é o caso das "florestas de recreio", como o Parque Florestal de Monsanto (cheia de eucaliptos, mas nem por isso deixando de ser usufruída maciçamente pelos cidadãos...), ou as de enquadramento de infraestruturas especiais, como as matas dos campos de treino e de tiro das Forças Armadas...

Mas não é isto que me traz aqui, é o magnífico texto do Eng. Jorge Capelo, do Instituto Nacional de Investigação Agrária, que abaixo partilho e que é uma verdadeira lição de inteligência, sólido conhecimento do mundo real (e do Homem) e - sobretudo - bom senso, vinda daquele que é um dos mais conceituados e experientes botânicos da Península Ibérica.

Num período em que, vendo os meios de comunicação social e a blogosfera, sinto que estou a assistir a um concurso de quem diz os maiores disparates (seja por razões inconfessáveis, seja por grosseira ignorância), posições como esta são uma verdadeira "frente de ar fresco" numa discussão cheia de ideias-feitas e preconceitos.


A quem interessar: notas de um ecólogo da vegetação a remoer sobre incêndios.

Jorge Capelo·Monday, July 3, 2017

Relativamente à vegetação que cresce debaixo das árvores e arde, ele há várias coisas. A primeira é o sub-bosque. Este termo refere-se aos estratos verticais de uma floresta natural (espontânea), que não o das árvores mais altas ou dominantes. É constituído por ervas, arbustos, pequenas árvores e trepadeiras de folhas largas, luzidias e por vezes herbáceas adaptadas ao ambiente sombrio sob o copado. É a chamada flora ‘nemoral’ (i.e. de bosques). Tem uma estrutura vertical e horizontal tipicamente descontínua. Estes estratos são uma parte integrante da comunidade florestal, isto é, são a flora própria do bosque, como as próprias árvores. Diria que arde mal ou muito mal. O busílis é que florestas naturais com esta estrutura e composição são muitíssimo raras e pequenas em Portugal. Há umas florestas secundárias antigas que recuperam ou mantêm alguma desta flora.

Nas matas artificiais, plantadas ou em massas de árvores semi-artificiais, como os montados, soutos, ou florestas secundárias de árvores espontâneas, a vegetação sob as árvores não faz parte da comunidade florestal correspondente. É outra flora. É, numa primeira hipótese, um mato heliófilo (urzal, esteval) resultante de sucessão ecológica e que está no lugar de uma antiga floresta espontânea, entretanto destruída. Pode-lhe ter sido plantado em cima ou regenerado o que quiserem: pinheiros, eucaliptos, rebentos de carvalho, sobreiros, acácias. Pode também, como segunda possibilidade, existir um mato heliófilo que se foi reconstituindo sob coberto das árvores. Muitas vezes é um bocadinho mais pobre em espécies que um mato ao sol, sem árvores. Na prática, para efeitos da estrutura resultante, a origem é indiferente. Por isso, não se designa por ‘sub-bosque’, tratando-se ao invés de ‘vegetação sob coberto’ ou só ‘sob coberto’. Sobretudo no caso da recuperação secundária de carvalhais, mas em geral em qualquer caso, alguma coisa da flora nemoral até pode regressar, se a mata for suficientemente cerrada. Mas, em geral, domina esta vegetação ecologicamente estranha aos bosques naturais, com grande biomassa, continuidade e inflamabilidade. As ericáceas e as leguminosas arbustivas são boas de arder. A maioria dos carvalhais, salvo exceções encontra-se também neste caso. Em geral, a quantidade de mato sob coberto é controlada maioritariamente pela densidade de árvores, isto é, consoante a quantidade de luz solar que atinge o sob coberto. Secundariamente é também controlada por fatores climáticos, como a intensidade de frio e a água disponível ao longo do ano e ainda a trofia do solo; mas o essencial é a densidade de árvores. As árvores, como são grandes e altas, tendem a monopolizar a luz, a água, os nutrientes e o espaço disponível: quanto mais densas, menos sobra para a vegetação sob coberto. A pujança do sob coberto também varia com a gestão, claro está: roças de mato, a sua extensão e frequência, técnica da roça. Isto vale para carvalhais, pinhais, acaciais, sobreirais, eucaliptais e tudo em geral.

Por isso, sendo que a situação acima descrita é largamente dominante (matas artificiais ou carvalhais secundários constituídos por varas e árvores juvenis mais ou menos densas; e as matas análogas a florestas naturais são raras relíquias), a maioria da floresta portuguesa tem matos heliófilos, de biomassa variável, independente da espécie de árvore dominante e dependente da densidade de árvores acima.

Considerando apenas os incêndios em que arde principalmente o mato sob coberto, i.e. excluindo aqueles muito violentamente turbulentos, em que o próprio copado transmite diretamente as chamas (fogo de copa), eu diria que para a maioria do país, é bastante indiferente qual a espécie de árvore dominante no povoamento em termos de probabilidade de ignição e propagação do fogo, porque quase todos tem matos heliófilos por baixo.

Post scriptum: As situações de faixas de folhosas que protegem as aldeias no meio de um inferno queimado, parecem-me uma ‘nuance’, nem sequer vou por serem, talvez, evidência anedótica, escolhidas a dedo entre todos os outros casos em que também as folhosas arderam, não sei. A ‘nuance’ é esta: são pequenas faixas no fundo de vales correspondentes a biótopos temporhigrófilos. Traduzo: zonas de base de encostas sujeitas ao efeito temporário de toalhas freáticas de ribeiras próximas, com solos húmidos no inverno e primavera. Aí a flora nemoral é bastante e dominante (os matos heliófilos, pelo contrário são de ambientes secos) e os teores de água dos tecidos é elevado uma parte do ano. Especulo que a descontinuidade da flora nemoral, aliada à ausência de polifenois (resinas, como as dos pinheiro e eucaliptos) diminua a probabilidade de transmissão do incêndio. Parece-me que tem algum sentido, isto. Mas ainda me lembro que os silvados, em sítios destes também podem transmitir fogo com alguma facilidade. Sorte que não os havia.

Postscritum 2: as acções de silvicultura de restauro de florestas ou paisagens com maior proporção de folhosas espontâneas até atingirem as fases de povoamentos adultos iriam estar cheias de matos heliófilos, que só começam a morrer com sombra intensa.

Post scriptum 3.: Não creio ser realista a reconversão-relâmpago da floresta portuguesa em carvalhais por eucaliptais. Sabeis vós, que eu estudo vegetação natural e é do que mais gosto; mas é tal como termos sido todos felizes quando éramos crianças e não podermos regressar à infância. Vivemos a vida que temos, com o que temos. Na floresta portuguesa, eu gostaria que a proporção de manchas de folhosas, fosse no futuro, gradualmente, a maior possível. Também gostava que o meu país não tivesse sido vítima da circunstância histórica de se ter enchido de matas de pinheiros e eucaliptos ao abandono, sem gestão e sem planeamento. Mas isso é a História. Responsabilidade é construir uma nova floresta mais próxima das pessoas, da Natureza e da Realidade; pelo que julgo que temos que gerir o que temos sobre aquilo que se é cada vez mais e mais uma ruína de floresta, (exótica, pobre, queimada e invadida) ir fazendo uma melhor sobre a batata quente que nos é legada.
 
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Caro AJB,

Há mais tipos de florestas para além dos que referiu... é o caso das "florestas de recreio", como o Parque Florestal de Monsanto (cheia de eucaliptos, mas nem por isso deixando de ser usufruída maciçamente pelos cidadãos...), ou as de enquadramento de infraestruturas especiais, como as matas dos campos de treino e de tiro das Forças Armadas...

Mas não é isto que me traz aqui, é o magnífico texto do Eng. Jorge Capelo, do Instituto Nacional de Investigação Agrária, que abaixo partilho e que é uma verdadeira lição de inteligência, sólido conhecimento do mundo real (e do Homem) e - sobretudo - bom senso, vinda daquele que é um dos mais conceituados e experientes botânicos da Península Ibérica.

Num período em que, vendo os meios de comunicação social e a blogosfera, sinto que estou a assistir a um concurso de quem diz os maiores disparates (seja por razões inconfessáveis, seja por grosseira ignorância), posições como esta são uma verdadeira "frente de ar fresco" numa discussão cheia de ideias-feitas e preconceitos.


A quem interessar: notas de um ecólogo da vegetação a remoer sobre incêndios.

Jorge Capelo·Monday, July 3, 2017

Relativamente à vegetação que cresce debaixo das árvores e arde, ele há várias coisas. A primeira é o sub-bosque. Este termo refere-se aos estratos verticais de uma floresta natural (espontânea), que não o das árvores mais altas ou dominantes. É constituído por ervas, arbustos, pequenas árvores e trepadeiras de folhas largas, luzidias e por vezes herbáceas adaptadas ao ambiente sombrio sob o copado. É a chamada flora ‘nemoral’ (i.e. de bosques). Tem uma estrutura vertical e horizontal tipicamente descontínua. Estes estratos são uma parte integrante da comunidade florestal, isto é, são a flora própria do bosque, como as próprias árvores. Diria que arde mal ou muito mal. O busílis é que florestas naturais com esta estrutura e composição são muitíssimo raras e pequenas em Portugal. Há umas florestas secundárias antigas que recuperam ou mantêm alguma desta flora.

Nas matas artificiais, plantadas ou em massas de árvores semi-artificiais, como os montados, soutos, ou florestas secundárias de árvores espontâneas, a vegetação sob as árvores não faz parte da comunidade florestal correspondente. É outra flora. É, numa primeira hipótese, um mato heliófilo (urzal, esteval) resultante de sucessão ecológica e que está no lugar de uma antiga floresta espontânea, entretanto destruída. Pode-lhe ter sido plantado em cima ou regenerado o que quiserem: pinheiros, eucaliptos, rebentos de carvalho, sobreiros, acácias. Pode também, como segunda possibilidade, existir um mato heliófilo que se foi reconstituindo sob coberto das árvores. Muitas vezes é um bocadinho mais pobre em espécies que um mato ao sol, sem árvores. Na prática, para efeitos da estrutura resultante, a origem é indiferente. Por isso, não se designa por ‘sub-bosque’, tratando-se ao invés de ‘vegetação sob coberto’ ou só ‘sob coberto’. Sobretudo no caso da recuperação secundária de carvalhais, mas em geral em qualquer caso, alguma coisa da flora nemoral até pode regressar, se a mata for suficientemente cerrada. Mas, em geral, domina esta vegetação ecologicamente estranha aos bosques naturais, com grande biomassa, continuidade e inflamabilidade. As ericáceas e as leguminosas arbustivas são boas de arder. A maioria dos carvalhais, salvo exceções encontra-se também neste caso. Em geral, a quantidade de mato sob coberto é controlada maioritariamente pela densidade de árvores, isto é, consoante a quantidade de luz solar que atinge o sob coberto. Secundariamente é também controlada por fatores climáticos, como a intensidade de frio e a água disponível ao longo do ano e ainda a trofia do solo; mas o essencial é a densidade de árvores. As árvores, como são grandes e altas, tendem a monopolizar a luz, a água, os nutrientes e o espaço disponível: quanto mais densas, menos sobra para a vegetação sob coberto. A pujança do sob coberto também varia com a gestão, claro está: roças de mato, a sua extensão e frequência, técnica da roça. Isto vale para carvalhais, pinhais, acaciais, sobreirais, eucaliptais e tudo em geral.

Por isso, sendo que a situação acima descrita é largamente dominante (matas artificiais ou carvalhais secundários constituídos por varas e árvores juvenis mais ou menos densas; e as matas análogas a florestas naturais são raras relíquias), a maioria da floresta portuguesa tem matos heliófilos, de biomassa variável, independente da espécie de árvore dominante e dependente da densidade de árvores acima.

Considerando apenas os incêndios em que arde principalmente o mato sob coberto, i.e. excluindo aqueles muito violentamente turbulentos, em que o próprio copado transmite diretamente as chamas (fogo de copa), eu diria que para a maioria do país, é bastante indiferente qual a espécie de árvore dominante no povoamento em termos de probabilidade de ignição e propagação do fogo, porque quase todos tem matos heliófilos por baixo.

Post scriptum: As situações de faixas de folhosas que protegem as aldeias no meio de um inferno queimado, parecem-me uma ‘nuance’, nem sequer vou por serem, talvez, evidência anedótica, escolhidas a dedo entre todos os outros casos em que também as folhosas arderam, não sei. A ‘nuance’ é esta: são pequenas faixas no fundo de vales correspondentes a biótopos temporhigrófilos. Traduzo: zonas de base de encostas sujeitas ao efeito temporário de toalhas freáticas de ribeiras próximas, com solos húmidos no inverno e primavera. Aí a flora nemoral é bastante e dominante (os matos heliófilos, pelo contrário são de ambientes secos) e os teores de água dos tecidos é elevado uma parte do ano. Especulo que a descontinuidade da flora nemoral, aliada à ausência de polifenois (resinas, como as dos pinheiro e eucaliptos) diminua a probabilidade de transmissão do incêndio. Parece-me que tem algum sentido, isto. Mas ainda me lembro que os silvados, em sítios destes também podem transmitir fogo com alguma facilidade. Sorte que não os havia.

Postscritum 2: as acções de silvicultura de restauro de florestas ou paisagens com maior proporção de folhosas espontâneas até atingirem as fases de povoamentos adultos iriam estar cheias de matos heliófilos, que só começam a morrer com sombra intensa.

Post scriptum 3.: Não creio ser realista a reconversão-relâmpago da floresta portuguesa em carvalhais por eucaliptais. Sabeis vós, que eu estudo vegetação natural e é do que mais gosto; mas é tal como termos sido todos felizes quando éramos crianças e não podermos regressar à infância. Vivemos a vida que temos, com o que temos. Na floresta portuguesa, eu gostaria que a proporção de manchas de folhosas, fosse no futuro, gradualmente, a maior possível. Também gostava que o meu país não tivesse sido vítima da circunstância histórica de se ter enchido de matas de pinheiros e eucaliptos ao abandono, sem gestão e sem planeamento. Mas isso é a História. Responsabilidade é construir uma nova floresta mais próxima das pessoas, da Natureza e da Realidade; pelo que julgo que temos que gerir o que temos sobre aquilo que se é cada vez mais e mais uma ruína de floresta, (exótica, pobre, queimada e invadida) ir fazendo uma melhor sobre a batata quente que nos é legada.


eu tenho um familiar em Figueiró dos vinhos com um terreno grande onde só existem folhosas e em volta só eucaliptos, estive lá na semana passada e posso te garantir que em volta tudo ardeu inclusivamente o fogo saltou quintas de pasto com distancias enormes mas os carvalhos sobreiros e castanheiros lá ficaram e não se situa em nenhuma linha de água.

Algo que não entendo no texto é que responsabiliza os matos heliófilos pelos incêndios mas os eucaliptais não têm praticamente mato nenhum, como ardem então?

se a casa ou aldeia deste senhor fosse rodeada de eucaliptos eu acharia uma enorme anedota era se ele não os cortasse, enfim ridículo....
 
Última edição:
Devido à presença, nos lençóis freáticos da nossa captação de água, de grandes quantidades de cinza resultantes dos incêndios e transportadas pela chuva dos últimos dias, vemo-nos na necessidade de interromper essa captação.

Esta interrupção poderá conduzir a faltas de água ocasionais, em alguns locais do concelho, durante este fim de semana. É uma situação temporária mas que, podendo estar em causa a saúde pública, nos obriga a esta decisão.

Apelando à compreensão, pedimos desculpa pelo incómodo.



Fonte: Município de Ansião

E depois de um grande problema que é os incendios, e agora são outros problemas que surgem devido á falta de vegetação, na retenção de águas quando chove, causando o arrastamento de todo o tipo de detritos, aliás como aconteceu na praia fluvial em Góis, onde até cadáveres de animais aparaeceram, que tinham sido quimados pelo incendio.
 
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Governo aprova quatro novas centrais de biomassa num investimento de 185 milhões de euros
O Governo deu luz verde a quatro novas centrais eléctricas de biomassa florestal, a instalar nos concelhos de Vila Velha de Rodão, Mangualde, Figueira da Foz e Famalicão, representando um investimento de cerca de 185 milhões de euros.

De acordo com a secretaria de Estado da Energia, os promotores dos projectos são a Sociedade Bioelétrica do Mondego, a EDP Produção Bioelétrica, a PA Biomassa, SA e a SIAF – Sociedade Iniciativa e Aproveitamentos Florestais, Energia, S.A., cujas centrais possuem potências instaladas de 55 MW, 35 MW, 15 MW e 12 MW, respectivamente.


Referentes a concursos anteriores a 2011, os projectos aprovados dispõem de remuneração garantida e têm que entrar em exploração até ao final de 2019, refere a nota do gabinete de Seguro Sanches (na foto).


Com a atribuição destas quatro licenças de produção, elevam-se para oito o número de projectos e de reforços de centrais de biomassa já licenciados durante a actual legislatura, juntando-se às anteriores em Famalicão, Fundão, Viseu e Porto de Mós.


Em 2006, foram lançados procedimentos de concurso público para construir e explorar centrais de biomassa florestal residual, mas a iniciativa privada deixou por instalar 50% da potência de injecção então colocada a concurso e que agora o Governo quer atribuir.


"Esta medida enquadra-se assim na estratégia do Governo de prevenção e minimização do risco de incêndios, com intervenção ao nível da floresta, bem como de promoção e diversificação da economia regional e de aproveitamento dos recursos endógenos", refere fonte oficial da secretaria de Estado da Energia.


Em paralelo, o Governo criou um regime especial e extraordinário para instalação e exploração de centrais de biomassa pelos municípios ou, por decisão destes, por comunidades intermunicipais ou por associações de municípios, potenciando o objectivo de assegurar aos produtores florestais o valor do material lenhoso.


A potência de injecção na rede eléctrica a atribuir, ao abrigo desta legislação, não deverá exceder um total de 60 MW e um máximo de 15 MW por central, as quais beneficiarão de medidas de apoio à venda da electricidade, cujo processo de aprovação já se iniciou.
http://www.jornaldenegocios.pt/empr...es-de-euros?ref=HP_DestaquesdebaixoNegociosTV
 
Pedrógão Grande: Gestão do fundo de apoio às áreas ardidas nomeado até quinta-feira
O fundo de apoio às populações e áreas afectadas pelos incêndios de Pedrógão foi oficialmente lançado este sábado, por diploma publicado na sexta-feira para vigorar no dia seguinte, determinando a nomeação do conselho de gestão até quinta-feira.
...
http://www.jornaldenegocios.pt/econ...uinta-feira?ref=HP_Destaques3notíciascompatro
 
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PJ contesta dados do IPMA
08.07.2017
Num relatório de 120 páginas, entregue esta semana ao Governo, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) revela que não há provas meteorológicas de que o fogo de Pedrógão tenha começado com um raio. Por volta das 14h30 de dia 17 de junho não foi detetada qualquer descarga elétrica em Escalos Fundeiros, existindo apenas uma probabilidade de 5% de a ignição ter sido causada por uma trovoada seca, lê-se no documento. A conclusão parece contrariar a tese defendida pela Polícia Judiciária (PJ), de que a catástrofe teve “causa acidental de origem natural”, mas fontes da investigação garantem ao Expresso que as convicções “não se alteraram um milímetro” e que foram recolhidas provas forenses para as atestar.

“Não trabalhamos com probabilidades, trabalhamos com factos. Já temos factos e questionamos até as probabilidades apresentadas pelo IPMA”, disse ao Expresso fonte da PJ. Em causa está o sistema de deteção nacional das descargas elétricas “de apenas quatro sensores, e em que só três estavam operacionais, ficando aquém dos padrões internacionais mínimos exigidos para uma cobertura eficaz e, consequentemente, pondo em causa a validação científica”.

RAIO, CABO, CARVALHO
Contactado pelo Expresso, o IPMA esclarece que o relatório conclui que é pouco provável terem ocorrido descargas nuvem-solo naquela zona, àquela hora, naquele dia, não detetadas pela rede, mas “não exclui na totalidade essa possibilidade, porque há uma margem de erro, reduzida mas existe”, frisa a meteorologista Sandra Correia. Quanto ao sistema, reconhece — tal como consta do relatório — que o sensor de Alverca estava inoperativo (aguarda substituição), mas garante que a rede nacional (Braga, Castelo Branco, Olhão) tira (e tirou) partido de seis detetores adicionais da rede espanhola, principalmente dos três mais próximos da fronteira.

No ponto zero do incêndio, em Escalos Fundeiros, a PJ terá detetado um corte de raspão num dos cabos de média tensão (15 mil volts) que passam na zona. Esse ponto “descarnado mas não cortado”, explica um especialista que esteve no local, será a marca do primeiro impacto da descarga atmosférica. Aí terá feito ricochete, ganhando mais força e caindo depois num carvalho, ‘a árvore’ de que o diretor-nacional Almeida Rodrigues anunciou a descoberta no dia seguinte à tragédia.

O carvalho foi queimado de cima para baixo. No tronco há um risco vertical a marcar a passagem do raio e, no solo, os torrões de terra viraram areia. Daí a chama alastrou ao mato circundante e teve início a tragédia. Moradores confirmam por volta daquela hora uma breve quebra de luz.
http://expresso.sapo.pt/sociedade/2017-07-08-PJ-contesta-dados-do-IPMA
 
Mais gasolina :D

O que está mal no combate aos incêndios? Conheça o diagnóstico das autarquias

São também inúmeras as queixas das câmaras de pareceres ignorados sobre eucaliptos. Não são vinculativos, são ignorados. É recorrente. “A crescente proliferação de povoamentos de eucalipto (…), pese embora mereçam parecer desfavorável por parte do município, é aprovada pelo ICNF [Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas]”, diz Oliveira do Hospital (PS). “Considerando que os pareceres têm sido desfavoráveis às ações de arborização com espécies de rápido crescimento (…) verifica-se que o ICNF não tem em consideração o parecer da câmara, licencia ações sem condicionantes”, refere Leiria.

De vez em quando até o PDM é atropelado, acrescenta a Câmara da Sertã: “Não existe preocupação por parte do ICNF em que sejam cumpridos os planos de ordenamento municipais.” E em Castro Daire, onde 90% dos pedidos visam “rearborização com eucalipto”, critica-se a falta de acompanhamento. “Em alguns casos a plantação efetiva é diferente da aprovada, pelo que se entende que seria tanto ou mais importante a vistoria posterior.” É preciso fiscalizar e deixar de ignorar o “não vinculativo”, pedem.

E já encontrei dados mais atuais - 2016:

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eu tenho um familiar em Figueiró dos vinhos com um terreno grande onde só existem folhosas e em volta só eucaliptos, estive lá na semana passada e posso te garantir que em volta tudo ardeu inclusivamente o fogo saltou quintas de pasto com distancias enormes mas os carvalhos sobreiros e castanheiros lá ficaram e não se situa em nenhuma linha de água.

Algo que não entendo no texto é que responsabiliza os matos heliófilos pelos incêndios mas os eucaliptais não têm praticamente mato nenhum, como ardem então?

se a casa ou aldeia deste senhor fosse rodeada de eucaliptos eu acharia uma enorme anedota era se ele não os cortasse, enfim ridículo....

Vamos por a questão de outra maneira: os proprietários florestais, incluindo as celuloses, gastam anualmente MILHÕES de € a limpar os matos de eucaliptais. Isto é um facto.

Será que andarão a limpar matos imaginários? Será que não têm amor ao dinheiro?

Sinceramente, não consigo perceber de onde vem essa sua afirmação recorrente de que "os eucaliptais não têm praticamente mato nenhum". Simplesmente não cola com a realidade, a menos que se trate de uma das seguintes situações, francamente minoritárias:

1) Eucaliptais plantados em terrenos agrícolas, sem matos previamente, e onde estes ainda não tiveram tempo de colonizar (às vezes acontece o mesmo com terrenos de pastagens pobres, onde uma agricultura depredadora lhes tenha retirado toda a fertilidade), ou onde a terra foi lavrada exageradamente;
2) Eucaliptais em zonas extremamente secas (eg. Alentejo interior);
3) Eucaliptais acabados de serem limpos pelos seus proprietários.

De resto, os eucaliptais enchem-se num instante de matos e árvores (inclusivamente sobreiros, carvalhos e pinheiros, se os houver por perto), se não forem limpos, por uma simples razão: o seu copado é muito ralo, deixam passar muita luz. Havendo luz e água, os matos e árvores crescem bem - e alguns até agradecem a sombra.

Quanto às "ilhas" não ardidas, as explicações são muitas e não só as que referiu. As mais óbvias e frequentes são as seguintes: em muitos destes casos as pessoas têm as envolventes com culturas agrícolas ou jardins regados (o que baixa muito a continuidade e inflamabilidade dos estratos de combustíveis), ou ficam a defender as suas casas (ainda que com baixa pressão de água) ou, as mais das vezes, os bombeiros ou os meios aéreos dão uma boa ajuda na proteção das casas e envolventes, com fortes descargas de água (as descargas para protecção de casas ou aldeias são prioritárias).

Usar árvores de baixa inflamabilidade ajuda? Claro que sim, e deverá ser fomentado.

Mas não é isso que impede um incêndio intenso de chegar a uma casa. Infelizmente os centos de casas destruídos nestes incêndios estão aí para comprová-lo. Uma grande faixa de proteção agrícola ou regada é essencial.
 
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O que dizem as autarquias é simplesmente conversa da treta, a sacudirem a água do capote.

Há uns anos atrás o Governo teve que retirar às câmaras o processamento das multas que a GNR levantava (aos proprietários que não faziam as limpezas de matos obrigatórias na lei), porque nem uma chegava ao fim!!!! Era tudo arquivado ou morriam nas gavetas!!! Os senhores presidentes e vereadores não se querem chatear com os seus eleitores, e portanto nada faziam...

Que fiscalizações fazem as câmaras (e até dizem que estão mais próximas do terreno!!!), tendo elas competências previstas na lei para o fazer??? Nada, empurram para a GNR e para o Estado... a culpa é sempre dos outros, só lá estão para cobrar as taxas das autorizações das arborizações...
 
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