Floresta portuguesa e os incêndios

Orion, a minha leitura
E continuas a relacionar o número de ignições com a extensão queimada :D

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Em Abril houveram quase 4x mais ignições e a área queimada foi 6x maior.

Em Julho só ocorreram 2/3 das ocorrências médias mas a área queimada foi 6x superior.

O número de ocorrências de Junho/Julho/Verão deste ano está abaixo (Julho) ou mais ou menos na média '07-'16. Mas a área ardida este ano disparou 4x. Porquê?
Duas respostas em minha opiniao: a seca meteo e a incompetencia tecnica no ataque a grandes incendios
Ano também complicado para os espanhóis. Tiveram mais ou menos o mesmo número de ocorrências (a rondar os 10 mil) do que os portugueses mas têm menos de metade da área queimada (75 mil hectares).

Porque será?

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Dejá vu, não? :rolleyes:



http://www.antena3.com/noticias/soc...-de-ano_201708145991c40b0cf2e2ea354bca8d.html



http://www.elmundo.es/sociedad/2017/08/08/598984cbca47413d238b461d.html

Um exemplo entre muitos -> http://www.antena3.com/noticias/soc...stales_20170812598f67460cf2e2ea3547e0f5.html#
Porque la ha tecnica, estrategia...enfim, cabeca a pensar nos incendios!
Ca e mais importante falar de siresp, do bife mal passado na alimentacao dos bbs e nos carros que se compram com dinheiro da prevencao!!
 
Mais aprofundadamente faltou escrever, que ajustando à população, as ignições em PT são 4x mais do que em Espanha.

Contudo, da mesma maneira que em Espanha mais de metade das ignições tende a ocorrer no noroeste peninsular (especialmente na Galiza), em Portugal, e de acordo com o relatório do ICNF, só os distritos de Braga, Porto e VIseu tiveram quase 1/3 das ignições registadas. Em contrapartida, os distritos de Castelo Branco, Santarém e Coimbra tiveram mais de 1/3 da área queimada total.

Porque é que não há mais ignições em Espanha? Tal como em Portugal, Espanha não tem uma meteorologia uniforme. Espanha também tem uma das menores densidades populacionais da Europa (e com uma distribuição bastante desigual).

Não obstante Espanha ser, se não me engano, o 2º país mais florestado da Europa provavelmente o tipo de espécies cultivadas influencia muito a progressão dos incêndios (eucaliptos vs sobreiros por exemplo). Quando há uns tempos abordei isto no tópico da Europa o @Pek publicou uns gráficos acerca da distribuição das espécies no país vizinho. Importas-te de publicar novamente?

O tópico dos incêndios é bastante multidimensional e, por falta de conhecimentos, não abordo mais a questão do combate.
 
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Mais aprofundadamente faltou escrever, que ajustando à população, as ignições em PT são 4x mais do que em Espanha.

Contudo, da mesma maneira que em Espanha mais de metade das ignições tende a ocorrer no noroeste peninsular (especialmente na Galiza), em Portugal, e de acordo com o relatório do ICNF, só os distritos de Braga, Porto e VIseu tiveram quase 1/3 das ignições registadas. Em contrapartida, os distritos de Castelo Branco, Santarém e Coimbra tiveram mais de 1/3 da área queimada total.

Porque é que não há mais ignições em Espanha? Tal como em Portugal, Espanha não tem uma meteorologia uniforme. Espanha também tem uma das menores densidades populacionais da Europa (e com uma distribuição bastante desigual).

Não obstante Espanha ser, se não me engano, o 2º país mais florestado da Europa provavelmente o tipo de espécies cultivadas influencia muito a progressão dos incêndios (eucaliptos vs sobreiros por exemplo). Quando há uns tempos abordei isto no tópico da Europa o @Pek publicou uns gráficos acerca da distribuição das espécies no país vizinho. Importas-te de publicar novamente?

O tópico dos incêndios é bastante multidimensional e, por falta de conhecimentos, não abordo mais a questão do combate.

Não é tanto a especie que influencia a ocorrencia de incendios/área ardida mas sim a existencia ou não de gestão florestal!
Naturalmente a especie é importante, mas não se sobrepoe à manutenção/gestão, i.é, ardem mais folhosas sem gestão do que eucaliptais geridos!
 
Mais de 70 municípios não cumprem obrigações na defesa da floresta

A denúncia parte da associação ambientalista Quercus que garante que um quarto dos municípios de Portugal Continental não cumpre as suas obrigações na defesa da floresta contra incêndios.

Segundo a associação, há 72 municípios que não têm em vigor o Plano Municipal de Defesa da Floresta Contra Incêndios (PMDFCI), que é obrigatório por lei.

http://www.agrotec.pt/noticias/mais-de-70-municipios-nao-cumprem-obrigacoes-na-defesa-da-floresta/
 
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Não é tanto a especie que influencia a ocorrencia de incendios/área ardida mas sim a existencia ou não de gestão florestal!
Naturalmente a especie é importante, mas não se sobrepoe à manutenção/gestão, i.é, ardem mais folhosas sem gestão do que eucaliptais geridos!

Não me convences de que há melhor gestão espanhola em todo o seu território. A maior parte de Espanha é um deserto (metáfora).

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De 2006 (agora deve ser ligeiramente pior):



Podem ter um melhor corpo de combate mas ajuda o facto de a maior parte da área florestada estar situada nas zonas interiores montanhosas (com acumulados superiores às redondezas) com pouca gente. Se 90% dos fogos têm mão humana, quando esta desaparece o cenário fica muito mais calmo. Não é à toa que a Galiza está à frente nas ignições -> muita gente e muitas árvores.

O corpo de combate deles pode ser mais eficiente nas zonas mais urbanizadas (como a Galiza) mas se a malta começa a pegar fogo nas matas interiores de forma sustentada eles também terão muitas dificuldades em gerir a situação. Mas duvido que o incendiário comum percorra 300 ou 400 kms para pegar fogo à mata.

Em Espanha a espécie predominante também não é o Eucalipto -> http://www.lavanguardia.com/vangdata/20150915/54435265171/cual-es-el-arbol-mas-comun-en-espana.html
 
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Não obstante Espanha ser, se não me engano, o 2º país mais florestado da Europa provavelmente o tipo de espécies cultivadas influencia muito a progressão dos incêndios (eucaliptos vs sobreiros por exemplo). Quando há uns tempos abordei isto no tópico da Europa o @Pek publicou uns gráficos acerca da distribuição das espécies no país vizinho. Importas-te de publicar novamente?
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Acabo de hacer este Excel sobre el porcentaje de pies mayores de las principales especies arbóreas con los datos más actualizados existentes (Tercer Inventario Forestal Nacional (1997-2007))

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Cuando tenga un poco más de tiempo iré poniendo más cosas en esta interesante conversación :)

Edición: Actualizo gráfico y tabla incluyendo el número de pies mayores, los datos totales y los de "otras especies arbóreas".
 
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O Noroeste Espanhol (sobretudo a Galiza, central e Sul, mas também parte da Cantábria e Astúrias) é o campeão Espanhol no número de ocorrências! Digamos que em Portugal seriam os Distritos do Porto, Braga, Viana e Aveiro).
A resposta a este facto, ja o escrevi, prende-se com o ENORMISSIMO interface urbano(rural)-florestal, a cultura de uso do fogo nas atividades diárias da agricultura de subsistência e (especialmente na zona da Cordilheira Cantábrica e Sanábria) o uso do fogo para renovação de pasto!
Estas são as causas das ocorrências, está perfeitamente identificado!
Os grandes incendios, pelo contrario ocorrem nas zonas mais interiores e aí o fator diferenciador prende se com o combate... Lá, ao contrario de cá...onde é que se verifica uma ENORME diferença é no combate aos incendios que "fogem" ao ataque inicial e passam a ataque ampliado! O maior incendio florestal este ano em Espanha ocorreu na zona de Sanábria a 21 de agosto e teve 10500 ha! Reparem na zona em que foi, o potencial que tinha e na área ardida final...lá, ao contrario de cá, pensa se ao combater um incendio, antecipam e agem em função de estrategias pre-definidas...cá reagimos, andamos atras do incendiario e das mangueiras...enfim...
 
Os copio un post que hice en su día en el tópico de incendios:

Un vistazo a la problemática de los incendios en España:
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Ampliando a la zona noroeste
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Un matiz muy importante, al contrario que en la inmensa mayoría de Galicia la mayor parte de los incendios en Cantabria y casi toda Asturias se producen en invierno, que es cuando más seco está todo por el frío y la nieve, en momentos de viento foehn sur propicio y tras la retirada del manto nivoso de zonas medias o bajas. Se hace para "limpieza de pastos" y las subvenciones de la Política Agraria de la UE tienen mucho que decir aquí.

Con respecto a Galicia, la "cultura del fuego" es un elemento claro, si bien yo he visto incendios en esa zona por todo tipo de causas (regeneración de pastos, eliminación de matorral, intereses forestales, pirómanos desequilibrados, venganzas, caza, intereses urbanísticos, despistar a la policía (narcotráfico), etc.). Estuve apagando incendios allí 15 días en la terrible ola incendiaria de 2006 como parte de un dispositivo especial enviado por la Comunidad de Madrid y vi de todo. Por supuesto los eucaliptos y otras especies pirófitas maderables (artificialmente extendidas para producción) tenían mucho que ver, pero no eran la única causa. Con todo pude ver auténticas tormentas de fuego en eucaliptales de 45-50 metros de altura que cruzaban la autopista como si tal cosa. Sus hojas están especialmente diseñadas para volar con las corrientes ígneas que crea el propio incendio y crear nuevos focos a centenares de metros prendiendo a copas (lo de abajo estaba verde, son zonas muy húmedas, se prenden arriba). Además su capacidad de resistencia al fuego y la regeneración y germinación tras el mismo en el caso de Eucalyptus globulus es altísima. Es una razón más, pero como he dicho en Galicia la cultura del fuego es algo profundamente enraizado (especialmente en Ourense). Algún día también os contaré meteodologías para provocar incendios, había de todo!!.
Con respecto a los eucaliptales de interior un matiz importante, Eucalyptus globulus tenía como claro limitante el frío y las heladas, de forma que en Galicia y Asturias queda relegado al litoral y zonas bajas hasta unos 250-300 metros de altitud como máximo, pero recientemente se ha empezado la plantación de Eucalyptus nitens en zonas de interior con heladas y nevadas frecuentes que se sitúan entre los 300 y los 850-900 metros.

Zonas con una elevada superficie forestal (al nivel de la de Galicia) que no registran incendios prácticamente. Algunas nunca en la historia reciente conocida. Prácticamente todo es arbolado autóctono: Fagus sylvatica, Abies alba, Pinus sylvestris, Pinus nigra, Quercus rotundifolia, Quercus suber, Abies pinsapo, Betula alba, Betula pendula, Quercus pyrenaica, Quercus petraea, Quercus canariensis, Acer pseudoplatanus, Acer platanoides, Quercus humilis, Tylia platyphyllos, Tylia cordata, Ulmus glabra y un largo etcétera. En algunas hay un uso importante y tradicional del arbolado (como en los pinares de Pinus sylvestris de Soria o los alcornocales de Cádiz, pero en la mayoría no) :

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Con respecto a lo que decía de que en las comunidades cantábricas la mayor parte de los incendios se producen en invierno aprovechando la sequedad de la vegetación por el frío y la nieve, un par de cuadros:

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Esa circunstancia se extiende igualmente en lo que respecta al número de siniestros a otras zonas del entorno cantábrico o del Valle del Ebro, por las mismas circunstancias antes explicadas, teniendo incluso reflejo a nivel nacional:

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En las comunidades no puramente cantábricas (estrictamente cantábricas son Asturias, Cantabria, País Vasco y, parcialmente, Navarra), las mayores superficies afectadas se producen en verano pese a no registrar en esa época el mayor número de incendios, se debe a una cuestión climática. son comunidades menos húmedas que las cantábricas y los incendios veraniegos, pese a ser menos que los del final del invierno, pueden "correr" más.

Por cierto, esta misma circunstancia de los incendios invernales ocurre en otras zonas de la Europa no mediterránea.
 
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Con respecto a lo que decía de que en las comunidades cantábricas la mayor parte de los incendios se producen en invierno aprovechando la sequedad de la vegetación por el frío y la nieve, un par de cuadros:

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Esa circunstancia se extiende igualmente en lo que respecta al número de siniestros a otras zonas del entorno cantábrico o del Valle del Ebro, por las mismas circunstancias antes explicadas, teniendo incluso reflejo a nivel nacional:

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En las comunidades no puramente cantábricas (Asturias, Cantabria, País Vasco y Navarra), las mayores superficies afectadas no se producen en verano pese a registrar en esa época el mayor número de incendios, se debe a una cuestión climática. son comunidades menos húmedas que las cantábricas y los incendios veraniegos, pese a ser menos, pueden "correr" más.

Por cierto, esta misma circunstancia de los incendios invernales ocurre en otras zonas de la Europa no mediterránea.
Ganaderos :)
 
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Eso es. Aprovechan momentos de viento foehn sur propicio tras la retirada del manto de nieve de zonas medias o bajas. Se hace para "limpieza de pastos" y las subvenciones de la Política Agraria de la UE tienen mucho que decir aquí. Generalmente ocurre al final del invierno (finales de febrero-finales de marzo). Es habitual que tras las quemas y el episodio de foehn sureño vuelva la nieve a cubrir las zonas afectadas. Los daños finales sobre la vegetación suelen ser menores por cuestiones del reposo vegetativo, el letargo invernal y la preparación de las distintas especies para el mismo y para las condiciones adversas (frío y nieve), la ausencia de hojas en especies caducifolias, etc.
 
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Não me convences de que há melhor gestão espanhola em todo o seu território. A maior parte de Espanha é um deserto (metáfora).

VdXmo57.png


BV9tQBn.png


De 2006 (agora deve ser ligeiramente pior):



Podem ter um melhor corpo de combate mas ajuda o facto de a maior parte da área florestada estar situada nas zonas interiores montanhosas (com acumulados superiores às redondezas) com pouca gente. Se 90% dos fogos têm mão humana, quando esta desaparece o cenário fica muito mais calmo. Não é à toa que a Galiza está à frente nas ignições -> muita gente e muitas árvores.

O corpo de combate deles pode ser mais eficiente nas zonas mais urbanizadas (como a Galiza) mas se a malta começa a pegar fogo nas matas interiores de forma sustentada eles também terão muitas dificuldades em gerir a situação. Mas duvido que o incendiário comum percorra 300 ou 400 kms para pegar fogo à mata.

Em Espanha a espécie predominante também não é o Eucalipto -> http://www.lavanguardia.com/vangdata/20150915/54435265171/cual-es-el-arbol-mas-comun-en-espana.html


A Espanha não é bem um deserto ao nível da conservação da natureza encosta Portugal a um canto.

vale ordesa
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asturias
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serra morena

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Entao afinal foi reativacao??!! E eu ja a pensar que tinham sido os sacanas dos terroristas!!! Um foi preso, mas a rede e extensa!!
Ainda ha quem acredite na carochinha...

Qual carochinha? A carochinha de acreditar que todos os incêndios florestais são reacendimentos ou descuídos do pastor Zé Manel que estava a fazer uma fogueira junto ás suas ovelhas? Devia verificar melhor a sua posição aquando dos comentários que faz, porque qualquer pessoa que aqui venha irá estranhar à partida a sua postura de defesa de potenciais crimes ambientais que possam ou não estar na origem de alguns incêndios florestais. É isso e a ignição ás 2h04 da madrugada na Torre Cimeira.

http://24.sapo.pt/atualidade/artigos/pj-deteve-suspeito-de-atear-incendios-florestais-em-tarouca <- Agora não me venha virar o bico ao prego se faz favor e muito menos argumentar pela via da Politiquice mesquinha.
 
Qual carochinha? A carochinha de acreditar que todos os incêndios florestais são reacendimentos ou descuídos do pastor Zé Manel que estava a fazer uma fogueira junto ás suas ovelhas? Devia verificar melhor a sua posição aquando dos comentários que faz, porque qualquer pessoa que aqui venha irá estranhar à partida a sua postura de defesa de potenciais crimes ambientais que possam ou não estar na origem de alguns incêndios florestais. É isso e a ignição ás 2h04 da madrugada na Torre Cimeira.

http://24.sapo.pt/atualidade/artigos/pj-deteve-suspeito-de-atear-incendios-florestais-em-tarouca <- Agora não me venha virar o bico ao prego se faz favor e muito menos argumentar pela via da Politiquice mesquinha.
Não vale a pena entrar aqui em dialogos paralelos que em nada contribuem para o enriquecimento do topico, mas não retiro uma virgula ao que disse! Acrescento até que, com respeito, que quem afirma que ha mão criminosa em grande parte dos incendios florestais em Portugal ou é ignorante (tecnicamente) ou desonesto (intelectualmente! Porque? Porque vai contra todos os relatorios técnicos da PJ/GNR/ICNF! Se não acreditas nas instituições do estado é outra coisa, mas se assim for acreditas num estado de direito??