Floresta portuguesa e os incêndios

O incêndio desta tarde em Aljezur foi causado http://www.sulinformacao.pt/2017/09/incendio-em-aljezur-pode-ter-sido-causado-por-trabalhos-da-edp/

@AJB , mais um incêndio causado pelos terroristas, eles andam aí ... :rolleyes:

No mesmo local, que ardeu há 2 ou 3 anos atrás e foi a mesma EDP, tal como o incêndio em 2012 no Caldeirão causado também pelos trabalhos da CME (empresa que trabalha para a EDP), no Algarve a grande terrorista é a EDP, ninguém prende ela. :rolleyes:
Rede muito vasta...o isis nao e nada a beira disto;)
 
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Um bocado para o exagero não? Indo na mesma lógica também devo respirar oxigénio dos eucaliptos da Austrália mas não é por isso que sou fã da árvore :D

Algumas das restantes afirmações são também discutíveis.

O apicultor nem sempre pode escolher a flora circundante. Como tal, o eucalipto no mel na maioria das vezes é quase um subproduto (o tal mel 'multiflora'). Não haveriam grandes consequências se a árvore não existisse.

O eucalipto na construção? Como bem sabes não é esse o propósito principal da árvore. Quanto muito só deve servir para obras baratas ou como madeira de apoio para determinadas atividades. Novamente, se a árvore não existisse não haveriam grandes consequências nesse domínio.


Caro Orion, peço desculpa pelo atraso no feed-back à sua mensagem, que segue agora.

Sermos ou não fãs da árvore (e eu também não o sou!) não altera as os factos do mundo real. São duas coisas distintas.

Lamento, mas (na minha perspetiva) não tens razão. Provavelmente és vítima - como todos nós, um pouco, de persistentes campanhas de desinformação sobre a realidade do mundo rural e do interior do país, que (sobre)vive com base nas suas matas, sejam elas de árvores autóctones, sejam de árvores introduzidas.

Por razões ideológicas, o eucalipto é hoje o alvo preferido dessas campanhas, como o foi no passado o pinheiro e, antes ainda disso, os matos (aliás na altura apelidados pejorativamente de incultos!)

Quanto ao mel, como é óbvio, o apicultor escolhe a base da flora para as suas abelhas. É a essência do seu negócio. E o mel de eucalipto é dos mais valorizados do ponto de vista da sua qualidade organoléptica, para além de uma característica essencial à viabilidade da apicultura (e à demais fauna polinizadora selvagem): é que o eucalipto floresce sobretudo no outono e inverno, quando há uma enorme falta de flores nas espécies autóctones, assim ajudando a sobrevivência das colmeias e a estabilidade da atividade apícola!

Dúvidas sobre isto? Veja o caso dos produtores de mel da serra do Caramulo, onde se produz em quantidade (aliás insuficiente para a procura) e qualidade dois méis monoflorais: de eucalipto e de urze (arbusto que também existe em abundância nas penedias e nos eucaliptais da serra), http://apicultoresdocaramulo.blogspot.pt/p/produtos-das-abelhas.html. Estes relatórios universitários são muito bons e merecem ser lidos por quem não está por dentro do assunto: https://ria.ua.pt/bitstream/10773/3033/1/2008001856.pdf e http://repositorio.ipv.pt/bitstream/10400.19/3315/1/CARVALHO%2C%20Ana%20Patr%C3%ADcia%20Almeida_Caracteriza%C3%A7%C3%A3o%20f%C3%ADsico-qu%C3%ADmica%20e%20pol%C3%ADnica%20de%20m%C3%A9is%20da%20Beira%20Alta.pdf .

Outro mito que abordas é o da qualidade da madeira do eucalipto. “Quanto muito só deve servir para obras baratas” ???!!!! Onde é que foste buscar esta???

Esse é apenas um arreigado preconceito português, porque aqui ao lado, na Galiza, a mesmíssima espécie é utilizada para os fins mais nobres: construção, marcenaria, etc. E até exportamos para lá muita da nossa madeira de eucalipto, portuguesa, que passa a ser “espanhola”. Felizmente hoje muitos industriais de cá já abriram os olhos e utilizam a madeira do eucalipto vulgar para os fins mais exigentes e bem pagos – é só consultar os seus catálogos, está tudo na net... Um exemplo http://www.a-martins.pt/imgs/produtos/13/050826_1_9164_catalogo-folheados-finsa.pdf (apesar desta empresa ser uma multinacional espanhola, tem fábricas em PT... interessante a pág. 22)

E já agora vê este vídeo galego http://www.villapol.com/lam_promocional.php, só como outro exemplo.

Ainda com dúvidas? Pergunta aos madeireiros quais os preços com que vendem para as fábricas o eucalipto para celulose (ou do pinheiro para o mesmo fim ou para aglomerados) e qual o preço do eucalipto para serrar ou desenrolar (este é deixado crescer mais tempo, até 30 anos, e tem troncos maior dimensão). Vais ter uma surpresa: o eucalipto para serrar está ao mesmo nível (médio) do carvalho ou do castanho para o mesmo fim... (não perguntes é a quanto é que o pagam aos proprietários!).

“Novamente, se a árvore não existisse não haveriam grandes consequências nesse domínio”, dizes tu.

Ai é, de giesta, de silvas, de carrascos ou de urzes fazem-se peças de madeira para móveis e casas??? Essa eu desconhecia...

Sinceramente não percebo... Ou então estás-te a esquecer que já demos cabo dos nossos carvalhais e soutos há muitos séculos e que o eucalipto e o pinheiro (pinho de Leiria), plantados nos terrenos agrícolas ou nos tais "incultos" são, hoje em dia, as únicas árvores com que conseguimos produzir madeira nacional de qualidade e boas dimensões para serrar/folhear.

Poderíamos ter outras espécies de árvores? Claro que poderíamos, e deveríamos, mas mesmo que as plantemos hoje estão boas para cortar daqui a 80 ou 100 anos, se não arderem antes (e podem arder, tal como arderam os carvalhais que os nossos antepassados queimaram para agricultura e pastorícia e usar a madeira).

Mais uma vez, com a vã esperança que alguém o leie e comente, recoloco aqui o posto do Eng. Jorge Capelo, cuja visão simultaneamente ecológica e social subscrevo integralmente:

https://www.meteopt.com/forum/topico/floresta-portuguesa-e-os-incendios.4792/page-11#post-613566

Sabes, sinceramente, o que mais confusão me faz, e o que me leva a escrever estes posts, é o profundo desconhecimento que muita gente demonstra do que são as realidades das terras do interior, de quem (ainda) as habita, do que vivem as pessoas, e quais as expectativas e necessidades que têm para a sobrevivência do dia-a-dia. E o despudorado aproveitamento dos incêndios para forçar uma agenda ideológica, cheia de fake news e “árvores bombeiras”, ao arrepio dos mais elementares conhecimentos técnicos e das evidências das últimas décadas, em que praticamente ardeu tudo em Portugal.

Malta que nem sequer faz a mínima ideia da diferença entre as matas de um parque nacional (que são públicas, do Estado, que as conserva com as receitas dos impostos) e as de um proprietário privado, e que pretende impor o seu modelo, profundamente insustentável nas condições atuais do país (sociais e económicas), como se a floresta fosse só paisagem para deleite dos urbanitas!

Os mesmos que, ao mesmo tempo que criticam a “árvore satânica”, beneficiam de todos os seus produtos!

Caramba, o que é que andarão a ensinar nas escolas?
 
Caro Orion, peço desculpa pelo atraso no feed-back à sua mensagem, que segue agora.

Sermos ou não fãs da árvore (e eu também não o sou!) não altera as os factos do mundo real. São duas coisas distintas.

Lamento, mas (na minha perspetiva) não tens razão. Provavelmente és vítima - como todos nós, um pouco, de persistentes campanhas de desinformação sobre a realidade do mundo rural e do interior do país, que (sobre)vive com base nas suas matas, sejam elas de árvores autóctones, sejam de árvores introduzidas.

Por razões ideológicas, o eucalipto é hoje o alvo preferido dessas campanhas, como o foi no passado o pinheiro e, antes ainda disso, os matos (aliás na altura apelidados pejorativamente de incultos!)

Quanto ao mel, como é óbvio, o apicultor escolhe a base da flora para as suas abelhas. É a essência do seu negócio. E o mel de eucalipto é dos mais valorizados do ponto de vista da sua qualidade organoléptica, para além de uma característica essencial à viabilidade da apicultura (e à demais fauna polinizadora selvagem): é que o eucalipto floresce sobretudo no outono e inverno, quando há uma enorme falta de flores nas espécies autóctones, assim ajudando a sobrevivência das colmeias e a estabilidade da atividade apícola!

Dúvidas sobre isto? Veja o caso dos produtores de mel da serra do Caramulo, onde se produz em quantidade (aliás insuficiente para a procura) e qualidade dois méis monoflorais: de eucalipto e de urze (arbusto que também existe em abundância nas penedias e nos eucaliptais da serra), http://apicultoresdocaramulo.blogspot.pt/p/produtos-das-abelhas.html. Estes relatórios universitários são muito bons e merecem ser lidos por quem não está por dentro do assunto: https://ria.ua.pt/bitstream/10773/3033/1/2008001856.pdf e http://repositorio.ipv.pt/bitstream/10400.19/3315/1/CARVALHO%2C%20Ana%20Patr%C3%ADcia%20Almeida_Caracteriza%C3%A7%C3%A3o%20f%C3%ADsico-qu%C3%ADmica%20e%20pol%C3%ADnica%20de%20m%C3%A9is%20da%20Beira%20Alta.pdf .

Outro mito que abordas é o da qualidade da madeira do eucalipto. “Quanto muito só deve servir para obras baratas” ???!!!! Onde é que foste buscar esta???

Esse é apenas um arreigado preconceito português, porque aqui ao lado, na Galiza, a mesmíssima espécie é utilizada para os fins mais nobres: construção, marcenaria, etc. E até exportamos para lá muita da nossa madeira de eucalipto, portuguesa, que passa a ser “espanhola”. Felizmente hoje muitos industriais de cá já abriram os olhos e utilizam a madeira do eucalipto vulgar para os fins mais exigentes e bem pagos – é só consultar os seus catálogos, está tudo na net... Um exemplo http://www.a-martins.pt/imgs/produtos/13/050826_1_9164_catalogo-folheados-finsa.pdf (apesar desta empresa ser uma multinacional espanhola, tem fábricas em PT... interessante a pág. 22)

E já agora vê este vídeo galego http://www.villapol.com/lam_promocional.php, só como outro exemplo.

Ainda com dúvidas? Pergunta aos madeireiros quais os preços com que vendem para as fábricas o eucalipto para celulose (ou do pinheiro para o mesmo fim ou para aglomerados) e qual o preço do eucalipto para serrar ou desenrolar (este é deixado crescer mais tempo, até 30 anos, e tem troncos maior dimensão). Vais ter uma surpresa: o eucalipto para serrar está ao mesmo nível (médio) do carvalho ou do castanho para o mesmo fim... (não perguntes é a quanto é que o pagam aos proprietários!).

“Novamente, se a árvore não existisse não haveriam grandes consequências nesse domínio”, dizes tu.

Ai é, de giesta, de silvas, de carrascos ou de urzes fazem-se peças de madeira para móveis e casas??? Essa eu desconhecia...

Sinceramente não percebo... Ou então estás-te a esquecer que já demos cabo dos nossos carvalhais e soutos há muitos séculos e que o eucalipto e o pinheiro (pinho de Leiria), plantados nos terrenos agrícolas ou nos tais "incultos" são, hoje em dia, as únicas árvores com que conseguimos produzir madeira nacional de qualidade e boas dimensões para serrar/folhear.

Poderíamos ter outras espécies de árvores? Claro que poderíamos, e deveríamos, mas mesmo que as plantemos hoje estão boas para cortar daqui a 80 ou 100 anos, se não arderem antes (e podem arder, tal como arderam os carvalhais que os nossos antepassados queimaram para agricultura e pastorícia e usar a madeira).

Mais uma vez, com a vã esperança que alguém o leie e comente, recoloco aqui o posto do Eng. Jorge Capelo, cuja visão simultaneamente ecológica e social subscrevo integralmente:

https://www.meteopt.com/forum/topico/floresta-portuguesa-e-os-incendios.4792/page-11#post-613566

Sabes, sinceramente, o que mais confusão me faz, e o que me leva a escrever estes posts, é o profundo desconhecimento que muita gente demonstra do que são as realidades das terras do interior, de quem (ainda) as habita, do que vivem as pessoas, e quais as expectativas e necessidades que têm para a sobrevivência do dia-a-dia. E o despudorado aproveitamento dos incêndios para forçar uma agenda ideológica, cheia de fake news e “árvores bombeiras”, ao arrepio dos mais elementares conhecimentos técnicos e das evidências das últimas décadas, em que praticamente ardeu tudo em Portugal.

Malta que nem sequer faz a mínima ideia da diferença entre as matas de um parque nacional (que são públicas, do Estado, que as conserva com as receitas dos impostos) e as de um proprietário privado, e que pretende impor o seu modelo, profundamente insustentável nas condições atuais do país (sociais e económicas), como se a floresta fosse só paisagem para deleite dos urbanitas!

Os mesmos que, ao mesmo tempo que criticam a “árvore satânica”, beneficiam de todos os seus produtos!

Caramba, o que é que andarão a ensinar nas escolas?

Bom post! :palmas::palmas:
 
Caro Orion, peço desculpa pelo atraso no feed-back à sua mensagem, que segue agora.

Sermos ou não fãs da árvore (e eu também não o sou!) não altera as os factos do mundo real. São duas coisas distintas.

Lamento, mas (na minha perspetiva) não tens razão. Provavelmente és vítima - como todos nós, um pouco, de persistentes campanhas de desinformação sobre a realidade do mundo rural e do interior do país, que (sobre)vive com base nas suas matas, sejam elas de árvores autóctones, sejam de árvores introduzidas.

Por razões ideológicas, o eucalipto é hoje o alvo preferido dessas campanhas, como o foi no passado o pinheiro e, antes ainda disso, os matos (aliás na altura apelidados pejorativamente de incultos!)

Quanto ao mel, como é óbvio, o apicultor escolhe a base da flora para as suas abelhas. É a essência do seu negócio. E o mel de eucalipto é dos mais valorizados do ponto de vista da sua qualidade organoléptica, para além de uma característica essencial à viabilidade da apicultura (e à demais fauna polinizadora selvagem): é que o eucalipto floresce sobretudo no outono e inverno, quando há uma enorme falta de flores nas espécies autóctones, assim ajudando a sobrevivência das colmeias e a estabilidade da atividade apícola!

Dúvidas sobre isto? Veja o caso dos produtores de mel da serra do Caramulo, onde se produz em quantidade (aliás insuficiente para a procura) e qualidade dois méis monoflorais: de eucalipto e de urze (arbusto que também existe em abundância nas penedias e nos eucaliptais da serra), http://apicultoresdocaramulo.blogspot.pt/p/produtos-das-abelhas.html. Estes relatórios universitários são muito bons e merecem ser lidos por quem não está por dentro do assunto: https://ria.ua.pt/bitstream/10773/3033/1/2008001856.pdf e http://repositorio.ipv.pt/bitstream/10400.19/3315/1/CARVALHO%2C%20Ana%20Patr%C3%ADcia%20Almeida_Caracteriza%C3%A7%C3%A3o%20f%C3%ADsico-qu%C3%ADmica%20e%20pol%C3%ADnica%20de%20m%C3%A9is%20da%20Beira%20Alta.pdf .

Outro mito que abordas é o da qualidade da madeira do eucalipto. “Quanto muito só deve servir para obras baratas” ???!!!! Onde é que foste buscar esta???

Esse é apenas um arreigado preconceito português, porque aqui ao lado, na Galiza, a mesmíssima espécie é utilizada para os fins mais nobres: construção, marcenaria, etc. E até exportamos para lá muita da nossa madeira de eucalipto, portuguesa, que passa a ser “espanhola”. Felizmente hoje muitos industriais de cá já abriram os olhos e utilizam a madeira do eucalipto vulgar para os fins mais exigentes e bem pagos – é só consultar os seus catálogos, está tudo na net... Um exemplo http://www.a-martins.pt/imgs/produtos/13/050826_1_9164_catalogo-folheados-finsa.pdf (apesar desta empresa ser uma multinacional espanhola, tem fábricas em PT... interessante a pág. 22)

E já agora vê este vídeo galego http://www.villapol.com/lam_promocional.php, só como outro exemplo.

Ainda com dúvidas? Pergunta aos madeireiros quais os preços com que vendem para as fábricas o eucalipto para celulose (ou do pinheiro para o mesmo fim ou para aglomerados) e qual o preço do eucalipto para serrar ou desenrolar (este é deixado crescer mais tempo, até 30 anos, e tem troncos maior dimensão). Vais ter uma surpresa: o eucalipto para serrar está ao mesmo nível (médio) do carvalho ou do castanho para o mesmo fim... (não perguntes é a quanto é que o pagam aos proprietários!).

“Novamente, se a árvore não existisse não haveriam grandes consequências nesse domínio”, dizes tu.

Ai é, de giesta, de silvas, de carrascos ou de urzes fazem-se peças de madeira para móveis e casas??? Essa eu desconhecia...

Sinceramente não percebo... Ou então estás-te a esquecer que já demos cabo dos nossos carvalhais e soutos há muitos séculos e que o eucalipto e o pinheiro (pinho de Leiria), plantados nos terrenos agrícolas ou nos tais "incultos" são, hoje em dia, as únicas árvores com que conseguimos produzir madeira nacional de qualidade e boas dimensões para serrar/folhear.

Poderíamos ter outras espécies de árvores? Claro que poderíamos, e deveríamos, mas mesmo que as plantemos hoje estão boas para cortar daqui a 80 ou 100 anos, se não arderem antes (e podem arder, tal como arderam os carvalhais que os nossos antepassados queimaram para agricultura e pastorícia e usar a madeira).

Mais uma vez, com a vã esperança que alguém o leie e comente, recoloco aqui o posto do Eng. Jorge Capelo, cuja visão simultaneamente ecológica e social subscrevo integralmente:

https://www.meteopt.com/forum/topico/floresta-portuguesa-e-os-incendios.4792/page-11#post-613566

Sabes, sinceramente, o que mais confusão me faz, e o que me leva a escrever estes posts, é o profundo desconhecimento que muita gente demonstra do que são as realidades das terras do interior, de quem (ainda) as habita, do que vivem as pessoas, e quais as expectativas e necessidades que têm para a sobrevivência do dia-a-dia. E o despudorado aproveitamento dos incêndios para forçar uma agenda ideológica, cheia de fake news e “árvores bombeiras”, ao arrepio dos mais elementares conhecimentos técnicos e das evidências das últimas décadas, em que praticamente ardeu tudo em Portugal.

Malta que nem sequer faz a mínima ideia da diferença entre as matas de um parque nacional (que são públicas, do Estado, que as conserva com as receitas dos impostos) e as de um proprietário privado, e que pretende impor o seu modelo, profundamente insustentável nas condições atuais do país (sociais e económicas), como se a floresta fosse só paisagem para deleite dos urbanitas!

Os mesmos que, ao mesmo tempo que criticam a “árvore satânica”, beneficiam de todos os seus produtos!

Caramba, o que é que andarão a ensinar nas escolas?

Resta saber, não só pelo problema dos incêndios mas também pelo das secas, é se toda essa realidade combina bem com outra realidade.
Vale lembrar que os verões das regiões de onde é originário o eucalipto (uma "faixa" equatorial, tropical e subtropical húmida que vai do sul das Filipinas até ao sudeste da Austrália passando pela Indonésia e Papua Nova Guiné) são húmidos e relativamente chuvosos. Aliás isso nota-se até pela natureza mais rica dos bosques de eucalipto em climas subtropicais húmidos ou oceânicos, em que a árvore cresce muito mais e os solos não ficam tão pobres em termos de disponibilidade de água.

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E sabemos que a destruição de floresta natural para qualquer fim, inclusive para plantação de outras espécies, acelera ainda mais estas alterações climáticas. No entanto, o estabelecimento de uma plantação em terrenos já improdutivos/degradados normalmente aumenta a absorção de carbono e então se substituírem a pecuária a vantagem é a dobrar (-metano).
Depois há a questão da diferença entre um plantio que se destine exclusivamente à produção e a plantação de uma floresta também produtiva mas que atente à conservação da água, dos solos e da biodiversidade, por exemplo com áreas intercalares (devidamente ordenadas claro) de espécies nativas a servir como "corredores" para a fauna, mas isso é outro assunto.
 
Última edição:
Resta saber, não só pelo problema dos incêndios mas também pelo das secas, é se toda essa realidade combina bem com outra realidade.
Vale lembrar que os verões das regiões de onde é originário o eucalipto (uma "faixa" equatorial, tropical e subtropical húmida que vai do sul das Filipinas até ao sudeste da Austrália passando pela Indonésia e Papua Nova Guiné) são húmidos e relativamente chuvosos. Aliás isso nota-se até pela natureza mais rica dos bosques de eucalipto em climas subtropicais húmidos ou oceânicos, em que a árvore cresce muito mais e os solos não ficam tão pobres em termos de disponibilidade de água.



E sabemos que a destruição de floresta natural para qualquer fim, inclusive para plantação de outras espécies, acelera ainda mais estas alterações climáticas. No entanto, o estabelecimento de uma plantação em terrenos já improdutivos/degradados normalmente aumenta a absorção de carbono e então se substituírem a pecuária a vantagem é a dobrar (-metano).
Depois há a questão da diferença entre um plantio que se destine exclusivamente à produção e a plantação de uma floresta também produtiva mas que atente à conservação da água, dos solos e da biodiversidade, por exemplo com áreas intercalares (devidamente ordenadas claro) de espécies nativas a servir como "corredores" para a fauna, mas isso é outro assunto.

Caro 4Estações,

As questões que coloca são relevantes, mas há que particularizar o caso ibérico.

A distribuição natural dos eucaliptos é muito vasta, há praí uns 600 ou 700 tipos, muito diferentes entre si. Em PT e Espanha não se pode ter eucaliptos tropicais ou subtropicais, dado que o frio e a geadas as matam. Mesmo a variedade mais vulgar cá, o globulus, é muito destruído por geadas fortes e o seu cultivo é impossível nas zonas interiores de maior altitude.

As que existem cá são variedades de climas mediterrânico, marítimo ou de montanha, portanto extremamente bem adaptadas do ponto de vista de clima e solos - e, como já muita gente aqui o disse, também estão excelentemente adaptadas ao fogo (são pirófitas), como aliás quase todas as árvores e arbustos autóctones portugueses (uma evidência de que muita gente se esquece: como é óbvio, se assim não fosse, já cá não estavam há muito tempo!)

Não há em Portugal substituição de "bosques naturais" por eucaliptos, praticamente só conheço plantações onde havia agricultura, matos ou pinhais (pelo menos na minha região), e de há uns anos para cá também vejo muitos agricultores a substituírem eucaliptais por culturas agrícolas que são mais rendosas.

A grande questão é que sendo os terrenos quase todos privados e muito pequenos, não há qualquer incentivo real para plantação com outras espécies de crescimento lento, nem a possibilidade de se fazer o ordenamento (tanto dos pinhais, como dos eucaliptais), como fazem os grandes proprietários do sul, o que muito melhoraria o grave problema dos fogos e também beneficiava a biodiversidade à escala nacional.

As pessoas são muito arreigadas à sua propriedade rural, está na matriz do português, assim como falta uma cultura de prevenção, que leva a comportamentos descuidados (muitas ocorrência de fogos negligentes) e à não criação de perímetros de proteção à volta das casas e das aldeias - e não é só um problema do povo, muito dele infelizmente idoso e analfabeto, mas sim dos poderes públicos, como as câmaras, que têm por missão proteger os seus munícipes.

Quem souber resolver este problema de (sub)desenvolvimento nacional, sem afrontar as pessoas, tem o meu voto, mas vai ser sempre um processo de décadas.
 
Caro 4Estações,

As questões que coloca são relevantes, mas há que particularizar o caso ibérico.

A distribuição natural dos eucaliptos é muito vasta, há praí uns 600 ou 700 tipos, muito diferentes entre si. Em PT e Espanha não se pode ter eucaliptos tropicais ou subtropicais, dado que o frio e a geadas as matam. Mesmo a variedade mais vulgar cá, o globulus, é muito destruído por geadas fortes e o seu cultivo é impossível nas zonas interiores de maior altitude.

As que existem cá são variedades de climas mediterrânico, marítimo ou de montanha, portanto extremamente bem adaptadas do ponto de vista de clima e solos - e, como já muita gente aqui o disse, também estão excelentemente adaptadas ao fogo (são pirófitas), como aliás quase todas as árvores e arbustos autóctones portugueses (uma evidência de que muita gente se esquece: como é óbvio, se assim não fosse, já cá não estavam há muito tempo!)

Não há em Portugal substituição de "bosques naturais" por eucaliptos, praticamente só conheço plantações onde havia agricultura, matos ou pinhais (pelo menos na minha região), e de há uns anos para cá também vejo muitos agricultores a substituírem eucaliptais por culturas agrícolas que são mais rendosas.

A grande questão é que sendo os terrenos quase todos privados e muito pequenos, não há qualquer incentivo real para plantação com outras espécies de crescimento lento, nem a possibilidade de se fazer o ordenamento (tanto dos pinhais, como dos eucaliptais), como fazem os grandes proprietários do sul, o que muito melhoraria o grave problema dos fogos e também beneficiava a biodiversidade à escala nacional.

As pessoas são muito arreigadas à sua propriedade rural, está na matriz do português, assim como falta uma cultura de prevenção, que leva a comportamentos descuidados (muitas ocorrência de fogos negligentes) e à não criação de perímetros de proteção à volta das casas e das aldeias - e não é só um problema do povo, muito dele infelizmente idoso e analfabeto, mas sim dos poderes públicos, como as câmaras, que têm por missão proteger os seus munícipes.

Quem souber resolver este problema de (sub)desenvolvimento nacional, sem afrontar as pessoas, tem o meu voto, mas vai ser sempre um processo de décadas.

Peço desculpa @bandevelugo. Na minha resposta tinha incluído um gráfico que parece que ficou indisponível. (em relação a isso, uma dúvida: Que hospedador é que vocês usam para colocar imagens aqui no fórum que ainda não tenham endereço web?)
É este o gráfico.
impressionante.PNG

Muito obrigado pelo sua resposta. Sei que aqui em Portugal ainda assim conseguem-se distinguir várias espécies de eucalipto, no entanto realmente sem dúvida que a mais comum, principalmente no contexto de exploração é o E. globulus. Desconhecia que havia variedades de eucalipto de clima mediterrânico, que suponho devem ter aparecido no sudoeste da Austrália, ou foram mesmo resultado da introdução da árvore em território ibérico e posterior adaptação? Qual será a espécie que predomina em diversas serras do norte e centro já relativamente distantes do litoral?
Relativamente ao sul sei que já se vão vendo plantações a florescerem, daí também ter levantado esta minha questão e preocupação.
Relativamente aos dois últimos parágrafos concordo inteiramente e também já uma vez tinha referido essa mesma dicotomia entre a estrutura agrária das regiões a norte e a sul do Tejo com todos os problemas e benefícios que daí advém, respectivamente. Essa questão advém também de algo muito cultural que já todos sabemos e mexe até com muitos outros temas que já fogem a esta discussão.
 
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Tenho vindo a seguir este tópico e tenho de felicitar os participantes por toda a informação aqui disponibilizada. Tenho aprendido muita coisa e compreendido outros pontos de vista.
Sou natural do concelho de Tomar e esta região passou por uma grande transformação de pinhais, matagais e zonas agrícolas para grandes extensões de eucaliptais, pelo que sinceramente não sou lá muito adepto desta árvore.
Mas independentemente disso, o que vejo é que nas zonas onde agora estão eucaliptos praticamente não existem outras espécies de árvores, arbustos ou ervas. Quando entro num eucaliptal praticamente não ouço um único animal e quase que dá a sensação que não existir mais vida para além dos eucaliptos. Estas zonas estão a ficar cada vez mais secas, e onde anteriormente havia humidade e ribeiros agora não há quase água nenhuma a correr. As nascentes são cada vez menos e a quantidade de água menor. Então os ribeiros só correm praticamente quando chove mesmo bastante.
Entendo que o eucalipto possa ser importante a nível económico, mas talvez não seja assim tanto quanto muitos querem fazer crer. Não conheço assim tanta gente por aqui que dependa do eucalipto como fonte de rendimento. Praticamente apenas as grandes empresas.
O problema, no meu ponto de vista, são as monoculturas, quer sejam de eucaliptos, quer sejam de pinheiros. Ora, todos sabemos que as monoculturas esgotam os solos, mais ano, menos ano. Onde está a biodiversidade e equilíbrio ecológico? Sem biodiversidade e sem uma política de reflorestação a longo prazo, dificilmente iremos reverter esta situação.
Infelizmente, penso que pouco irá mudar e provavelmente iremos continuar a passar por situações de seca ou incêndios como se passou este ano. Acho até que iremos começar cada vez mais a ver alguns incêndios a entrar dentro dos perímetros urbanos das vilas e cidades porque também aqui existe muito material combustível a que ninguém liga. Não é apenas nas aldeias que há falta de limpeza dos terrenos circundantes às habitações.
O futuro o dirá.
 
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@Angelstorm o problema, é quem não conhece o terreno e quer levar avante o vil metal não concorda com essa opinião. É assim infelizmente que a Paisagem do nosso País vai mudando aos poucos e ao longo dos anos.
 
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A meu ver, o problema do eucalipto e este...

So cerca de um terco das plantacoes sao verdadeiramente produtivas, ou seja, tem area e organizacao suficiente para poderem pagar vigilancia e manutencao. Ora sendo assim, tendo em conta a problematica dos incendios e da erosao dos solos, penso que faria todo o sentido obrigar os produtores a organizarem-se em cooperativas, e os eucaliptais passariam a ter uma area minima, continua. Sim, seria o fim dos micro produtores, mas se queremos ser um pais mais rico e produtivo, ha precos a pagar...

De resto o eucalipto dominou completamente a paisagem no Noroeste portugues. Os espacos entre zonas urbanas e terrenos agricolas que em Franca ou mesmo Espanha sao ocupados por bosques de folhosas (carvalhos, amieiros, freixos, sobreiros) no Noroeste foram totalmente ocupados pelo eucalipto. No Porto e Gaia, por exemplo, o eucalipto domina tambem a paisagem, numa area onde a arvore rainha e o carvalho-roble. E triste mas sao raros os carvalhos de porte em ambas as cidades.

E preciso distinguir portanto duas realidades. Uma trata-se da plantacao de eucalipto para fornecer a industria da pasta de papel. Outra trata-se da invasao da paisagem pelo eucalipto, que ocorre em todos os espacos urbanos. A pouco e pouco o eucalipto vai ocupando as sebes naturais, terrenos abandonados ou incultos, margens de cursos de agua, parques urbanos... numa regiao que tem dezenas de especies de arvores e arbustos que sao nativas e onde se adaptam muito bem folhosas da Europa Continental como as tilias. E um processo unico de empobrecimento paisagistico, cultural e ambiental. E entre mamarrachos, blocos de apartamentos, eucaliptos, marquises, moradias enormes e aparoladas dispersas pela paisagem, o Minho vai morrendo e esta cada vez mais feio.

As micro plantacoes de eucalipto que vemos a proliferar agora pelo Norte e Centro... sao pura miseria. Aqueles terrenos nao tem area para darem rendimento e faria todo o sentido que os proprietarios os vendessem a precos justos, ou se organizassem em cooperativas com os vizinhos. A micro propriedade de subsistencia foi uma das grandes causas do atraso e da pobreza na Galiza e no Norte e Centro de Portugal nos seculos XIX e XX.
 
Desde 1997, que a PJ monitoriza os incendiários detidos. Neste momento, tem cerca de 600 indivíduos estudados, permitindo dividir os incendiários em "três grandes padrões".

Cristina Soeiro realça que o grupo mais frequente (55%) está normalmente associado a três factores: défice cognitivo, alcoolismo e outros problemas de saúde mental, como o autismo.

O segundo grupo mais frequente (40 a 44%) é o das pessoas que usam o incêndio como instrumento "de vingança ou retaliação", seja para "chamar a atenção dos outros ou resolver problemas de divisão de terras", sendo que este perfil tem vindo "a diminuir progressivamente nos últimos anos".

O terceiro grupo - o menos expressivo ("não passa dos 6%") - é constituído por pessoas "que retiram algum benefício de um incêndio", nomeadamente pegar fogo para limpar terrenos.

Há também quem receba "montantes pequenos para incendiar uma zona qualquer", não sendo identificado nesse terceiro grupo "a presença de um perfil de um crime organizado", realçou.

Cobertura noticiosa pode ter efeito promotor de fogos postos

Só falta atribuir a percentagem de ignições a cada um dos grupos, algo que é mais difícil.
 
Jornal espanhol pergunta: "Quem ganha dinheiro quando arde em Portugal?"

El Mundo fala no Cartel do Fogo e em doações desaparecidas em Portugal no seguimento dos incêndios.

A pergunta é título de um artigo publicado esta sexta-feira no El Mundo: “Quem ganha dinheiro quando arde em Portugal?”. Nele, o jornal espanhol refere-se ao Cartel do Fogo, que se dedica à manipulação de concursos de meios aéreos de combate aos incêndios, aos fundos solidários que diz terem desaparecidos e à industria madeireira, que beneficia agora da redução dos preços da madeira.
“Este ano foi um dos piores em termos de incêndios em Portugal. No passado junho, um devastador incêndio em Pedrógão Grande tirou a vida a 64 pessoas. Os danos materiais e paisagísticos também são notáveis”, começa por explicar o El Mundo, que indica que, “este ano, arderam perto de 214 mil hectares de terreno, o quádruplo do que ardeu em Espanha no mesmo período”.

O jornalista Aitor Hernández-Morales parte depois para a explicação: “Entre o caos, há também quem tire partido fazendo dinheiro com o desastre. Manipulam-se concursos públicos, desviam-se fundos solidários e, em última instância, aproveita-se a situação para aplicar preços abusivos e fazer negócio com a miséria dos outros”.

Dando corpo a esta ideia, o autor escreve que “Portugal recorre ao setor provado para ter apoio aéreo de combate ao fogo” e que “o problema surge quando as empresas manipulam os concursos públicos, delito que a Polícia Judiciária portuguesa acredita ser cometido por um ramo português do conhecido Cartel do Fogo espanhol”.

Segundo fontes judiciais, lê-se ainda no El Mundo, “em Portugal, o cartel contou com um coordenador nativo que, ao longo dos últimos 12 anos, pode ter manipulado concursos no valor de 821 milhões de euros”.

No mesmo artigo, e tentando responder à pergunta inicial, o jornal espanhol admite que há “doações desaparecidas”, com base em testemunhos como o do presidente da Câmara de Pedrógão Grande, Valdemar Alves. “Dois meses mais tarde, os residentes queixavam-se de que a ajuda monetária entrava a conta-gotas e que estava a ser gerida de forma desorganizada”.

O último tópico de resposta à questão “Quem ganha dinheiro quando arde em Portugal?” incide sobre a indústria da madeira. Sobre esta matéria, o El Mundo reproduz declarações de um proprietário florestal que se diz lesado com o incêndio e que aponta o dedo aos produtores madeireiros.

Pelos mil pinheiros que detém na zona Centro de Portugal, Domingo Luís receberia entre 20 e 25 mil euros. Mas as chamas consumiram o terreno e o seu valor é agora muito inferior, de tal maneira que o produtor acusa a indústria madeireira de aproveitamento. “Pagavam 37 euros por cada tonelada de madeira saudável, agora só pagam 28 euros pela queimada. Sabem que não temos outro remédio senão vendê-la”, atira.

https://www.noticiasaominuto.com/pa...ification&utm_medium=push&utm_campaign=865067
 
Peço desculpa @bandevelugo. Na minha resposta tinha incluído um gráfico que parece que ficou indisponível. (em relação a isso, uma dúvida: Que hospedador é que vocês usam para colocar imagens aqui no fórum que ainda não tenham endereço web?)
É este o gráfico.
impressionante.PNG

Muito obrigado pelo sua resposta. Sei que aqui em Portugal ainda assim conseguem-se distinguir várias espécies de eucalipto, no entanto realmente sem dúvida que a mais comum, principalmente no contexto de exploração é o E. globulus. Desconhecia que havia variedades de eucalipto de clima mediterrânico, que suponho devem ter aparecido no sudoeste da Austrália, ou foram mesmo resultado da introdução da árvore em território ibérico e posterior adaptação? Qual será a espécie que predomina em diversas serras do norte e centro já relativamente distantes do litoral?
Relativamente ao sul sei que já se vão vendo plantações a florescerem, daí também ter levantado esta minha questão e preocupação.
Relativamente aos dois últimos parágrafos concordo inteiramente e também já uma vez tinha referido essa mesma dicotomia entre a estrutura agrária das regiões a norte e a sul do Tejo com todos os problemas e benefícios que daí advém, respectivamente. Essa questão advém também de algo muito cultural que já todos sabemos e mexe até com muitos outros temas que já fogem a esta discussão.

De servidores não percebo muito, o melhor será perguntar ao staff do meteopt.

Quanto ao resto, nunca lá fui, mas uma parte substancial da Austrália tem clima tipicamente mediterrânico (em que a parte quente do ano é a mais seca), basta ver que são grandes produtores de uvas e vinho, tendo climas até muito parecidos com os nossos.

Numa breve busca na net, percebe-se que existem lá bons sobreiros (https://www.nationalarboretum.act.gov.au/living-collection/trees/tree_stories/cork_oaks), descortiçados por portugueses (https://www.nationalarboretum.act.gov.au/cork-stripping-in-canberra); as oliveiras bravas (zambujeiros) são uma praga na Austrália (https://www.oliveoiltimes.com/olive...-controlling-wild-olive-trees-australia/54931)! E o pinheiro bravo também é uma árvore em grande expansão, pelo menos é tido como uma potencial invasora (https://keyserver.lucidcentral.org/weeds/data/media/Html/pinus_pinaster.ht).

A maior árvore da Europa é portuguesa, sendo um eucalipto que existe perto de Coimbra, com mais de 70m de altura, e é uma variedade da Austrália Ocidental, Eucalyptus diversicolor, de uma parte do país que tem clima mesmo mediterrânico (a zona de onde vem tem clima exatamente igual ao de Coimbra, https://en.wikipedia.org/wiki/Albany,_Western_Australia).

Daí uma boa adaptação dos eucaliptos sudoeste-australianos cá, e das espécies tradicionais portuguesas lá. Apesar dos eucaliptos já cá estarem praí há uns 200 anos, acho que não é isso que lhes dá boa adaptabilidade.

Já no tocante aos eucaliptos próprios para áreas de geada, pelo que circula na net o Eucalipto nitens será o mais utilizado (http://ambio.blogspot.pt/2012/08/eucaliptos-nordicos.html;e http://www.celbi.pt/pt/oeucalipto/20/), pelo menos também é disponibilizado nos viveiros de plantas (eg. https://www.google.pt/url?sa=t&rct=...ns.pdf&usg=AFQjCNGDHk2zCxDrOiuzuEXfkyE_XJqjFA)