Depois de tanta discussão sobre eucaliptos eu peço desculpa aos moderadores por colocar o texto e não o link mas parece-me importante postar aqui a secção do tão aclamado relatório de Pedrogão relativo ao ordenamento florestal.
10.9 ORDENAMENTO FLORESTAL
As soluções de ordenamento apontadas são, em geral, conhecidas e reclamadas por muitos e incluem, tipicamente, a diversificação da floresta e a utilização de espécies que conduzam a formações menos combustíveis. Sabe-se que o Pinheiro bravo (Pinus. pinaster) sem redução da carga combustível dos matos no seu interior conduz, em condições de secura, a incêndios de grande intensidade, como sucede em geral com uma boa parte das espécies resinosas para as quais existem modelos de fogos de copas bem desenvolvidos. E sabemos que o Eucalipto (Eucalyptus globulus) nas mesmas condições, para além da maior intensidade dos incêndios pela existência de concentrações muito significativas de compostos voláteis facilmente combustíveis nas suas folhas, tem também a característica de projetar focos de incêndio secundários a grandes distâncias, em particular pelo facto de ter uma casca que nos períodos de maior seca e calor se destaca e enrola podendo arder durante largos minutos. Na Austrália há registos de focos secundários a 20 quilómetros da frente de fogo original... E manchas contínuas de misturas das duas espécies, pinheiro e eucalipto, infelizmente comuns em situações de gestão deficiente, é a receita, mais cedo ou mais tarde, para o desastre. Para estas duas espécies a regra é a da gestão do combustível no sub-bosque. Sem combustível no seu interior estas florestas, em vez de um problema sério, podem fazer parte da solução. Sabe-se, por outro lado, que as folhas das espécies de folha caduca, como as dos carvalhos, castanheiros ou outras folhosas, por terem um grande teor de humidade, não são propícias a fogos de copas e devem portanto ser consideradas em misturas com outras espécies ou em áreas estratégicas para contrariar a fácil propagação dos incêndios. E no Pinhal Interior modelos de silvicultura apropriados com Sobreiro e com Medronheiro têm demonstrado fazer parte integrante de uma solução em que a diversificação da floresta tem de ser um objetivo.
Propostas:
1. Revisão das metas dos Planos Regionais de Ordenamento Florestal de modo a procurar obter um consenso sobre a floresta que se quer e o seu enquadramento no ordenamento do território. As metas dos PROF, que tinham exatamente esse objetivo, publicadas em 2006 e 2007 seriam entretanto suspensas em 2011 com a justificação de que os dados do 6º Inventário Florestal Nacional (6º) a tal aconselhariam. Entretanto, passados mais de seis anos desde essa decisão os dados do Inventário Florestal Nacional nunca foram tornados públicos e as metas continuam suspensas. No entanto, através da Portaria n.º 364/2013, de 20 de dezembro e do Despacho n.º 782/2014, de 17 de janeiro, ficaram definidos os conteúdos detalhados dos PROF "de 2.ª geração". A oportunidade da finalização a curto prazo destes novos PROFs pode ser utilizada para que, a partir do conhecimento dos últimos dados do Inventário Florestal Nacional, se revejam as metas inicialmente estabelecidas no sentido de possibilitar que a nível da Região PROF e dos concelhos, sejam cada vez mais incorporadas as questões associadas aos incêndios florestais.
RELATÓRIO | COMISSÃO TÉCNICA INDEPENDENTE 164 2. A maior proximidade e acompanhamento do ordenamento florestal pelas entidades municipais depois de integração dos PROF nos Planos Diretores Municipais A ótica do pensar global e atuar local deve ser aqui otimizada. A existência de uma Estratégia Florestal Nacional enquadradora e de Planos Regionais de Ordenamento Florestal mais específicos não tem consequência se não for acompanhada pelo nível municipal e pela adequada integração daqueles exercícios de planeamento nos Planos Diretores Municipais que são o elo de ligação aos cidadãos. 3. Criação de programa específico para o apoio à instalação e implementação de modelos de silvicultura que utilizem carvalhos, castanheiros e outras folhosas Modelos de silvicultura que utilizem espécies de crescimento mais lento podem ser mais interessantes do ponto de vista da economia dos proprietários florestais mas obrigam a um período de espera de alguns anos. A criação de programa específico que compense a perda de rendimento por alguns anos para a criação de florestas de carvalhos, castanheiros e outras folhosas seria a forma de, num quadro de propriedade individual fragmentada, os proprietários e as associações de produtores florestais, se poderem encaminhar para outros tipos de floresta, menos rentáveis numa perspetiva de curto prazo mas que a médio e longo prazo poderão ser ainda mais rentáveis do que as catuais alternativas e com menor perigo de incêndio para as próprias florestas e para as aldeias existentes no espaço florestal.